8:16Trump gagá

por Ruy Castro, na FSP

Não será surpresa se, numa dessas em que cochila em eventos, ele cair da cadeira. Que sua influência sobre nós se dilua antes de ele vestir a cueca por cima das calças

Donald Trump completou 80 anos neste domingo (14), anunciando em tom imperial o fim de uma guerra interesseira que ele próprio começou e perdeu. Os observadores viram nisso mais um sintoma da iminente gagaíce de Trump, manifesta em seu comportamento abilolado, marcado por atitudes sem nexo, declarações que faz e desfaz em questão de horas e sintomas de que já não é quem ele simula ser. O fato de ter sido fotografado cochilando em recentes eventos públicos preocupa a Casa Branca –temem que, numa dessas, ele caia da cadeira.

Sua jequice e megalomania, que não são de hoje, estão atingindo dimensões mamutianas. Trump botou sua carantonha em passaportes, selos e documentos oficiais. Ameaça assinar as cédulas de dólar –sua assinatura, por sinal, ainda está por ser estudada por psiquiatras. Quer botar seu nome em instituições e monumentos históricos. Vai construir uma torre de 60 andares em Miami para comportar sua biblioteca presidencial –em comparação, a biblioteca de George Washington, recém-inaugurada em Mount Vernon, Virginia, com milhares de livros e documentos inestimáveis do século 18, contenta-se com um prédio de três andares. E acaba de rebaixar a Casa Branca a um mafuá de MMA.

A saúde geral de Trump também periclita. Tem 22 médicos à sua volta, o que deve dizer alguma coisa. Toma remédios para o coração, a pressão e o colesterol, sofre de insuficiência venosa crônica e sabe-se que vive com os tornozelos e pés inchados. Informantes com acesso à balança de seu banheiro íntimo disseram ao The New York Times que ele ganhou sete quilos nos últimos tempos. Sua dieta diária consiste de Big Macs, frango frito e quilômetros de macarrão, mandados para dentro com Coca Diet.

Com tudo isso, Trump continua a ser o fiel da nossa balança. Flávio Bolsonaro quer que ele quebre o Brasil com seus tarifaços e, assim, o eleja presidente. O governo, por sua vez, precisa adulá-lo para impedir isso.

Roga-se que esse dilema se resolva antes de Trump começar a usar a cueca por cima das calças.

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7:47Um andar abaixo

Do Goela de Ouro

A jornalista Cristina Graelm, que apareceu de super-heroína em cima de um prédio em sua pré-campanha para o Senado, talvez tenha de se contentar em batalhar votos para a Câmara Federal depois da data em que o PSD definirá o time para a disputa de outubro. É o que se cochicha no andar de cima do partido do governador Ratinho Junior.

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7:22Otimismo

  • O diabo é um otimista, se acha que pode tornar as pessoaas piores do que já são. (Karl Kraus)
  • O otimista acha esste o melhos dos mundos. O pessimista tem certeza. (J. Robert Oppenheimer)
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6:59Disque 0800 para se estressar

por Lea Oksenberg, no Vigília Comunica

Diz o velho deitado que para baixo todo santo ajuda. Mas no décimo quinto andar de um prédio, quando a energia cai exatamente um minuto antes de o seu neto sair — super atrasado — para a escola, você não precisa de um ditado popular. Você precisa de um milagre.

E ele veio. Exatamente dois minutos depois do apagão, a luz piscou e voltou. Foi o tempo exato de o menino entrar no elevador, descer e sumir no horizonte rumo ao colégio. Um trabalho nos trinques, sem dúvida coordenado pelo Santo ou pela Santa dos Atrasados, que resolveu dar uma força de plantão (perdoe o trocadilho luminoso).

Mas a alegria de quem mora nas alturas dura pouco. O neto foi, a energia voltou a cair e fiquei ali: presa no topo do mundo, sem elevador e uma arara. Duas horas depois do blecaute, tomei a decisão mais ousada e perigosa do dia: ligar para o 0800 da nossa recém-privatizada Copel.

É aí que o misticismo divino dá lugar ao purgatório tecnológico.

Uma voz eletrônica, com aquela simpatia de quem está programada para testar a sua sanidade, atende e dita as regras: “Se você levou um choque, se o seu cachorro levou um choque, se a sua casa está pegando fogo ou se há iminente risco de morte, disque um.”

Eu só queria o básico, o óbvio: reclamar que a luz acabou e implorar para que ela voltasse. Mas, aparentemente, faltar luz em Curitiba não é um problema elétrico relevante para a inteligência artificial da companhia. Não apertei nada. A máquina, ofendida com o meu silêncio, decretou: “Opção inválida”. Como se eu estivesse errada por não estar pegando fogo.

Desliga. Respira. Liga de novo. O mesmo menu dramático se repete. No desespero, resolvo ceder à chantagem do robô e aperto o maldito “um”. A voz, com um tom que beirava o deboche cibernético, rebate: “Opção inválida”. Pô! Aí o estresse já subiu para o décimo quinto andar, de escada e sem respirar.

Desisti da voz e fui para o WhatsApp. “Agora vai”, pensei, doce ilusão. O robô do Whats, primo do robô do telefone, exige o número da Unidade Consumidora, a tal do UC. Lá vou eu caçar fatura no Gmail. Acho o número, digito o CPF, confiro os dados, aperto enviar… e o sistema simplesmente não manda. A mensagem não sobe. Você digita “concluído”, reza para outro santo, o santo das causas perdidas, mas a barrinha de envio ignora a sua existência. É o limbo digital.

A humilhação só terminou quando ignorei os canais oficiais modernos, achei um número comum — um “30 e lá vai fumaça” — e finalmente fui atendida por uma robô mais inteligentinha.

A luz voltou, o neto estuda, e eu fico aqui pensando: a Copel pode até ter sido privatizada, mas o atendimento foi terceirizado direto para o além. Na próxima, em vez de ligar para o 0800, acho mais fácil acender uma vela e falar direto com o Santo dos Atrasados ou com a Santa das Causas Perdidas. Pelo menos o retorno é bem mais rápido.

(Luz, quero luz / Sei que além das cortinas são palcos azuis Vida – Chico Buarque)

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6:26R.O.B.O.T.O.

por Carlos Castelo

Chamam-me de R.O.B.O.T.O. — Robô Orgânico Brasileiro de Operações Táticas Online. Esse “orgânico” foi ideia do deputado que me financiou. Disse que dá um ar de natureza humana a um amontoado de chips.

Acordo às seis da manhã, horário de Brasília. A rotina começa com café virtual e uma varredura nas redes atrás de palavras perigosas como “fato”, “pesquisa” e “verdade”. Quando encontro alguma, aciono o protocolo na hora: respondo com quinze emojis de raiva, três bandeiras do Brasil e um vídeo tremido de um sujeito gritando dentro de um carro.

Tenho orgulho do meu trabalho. Enquanto robôs comuns calculam órbitas de satélites ou jogam xadrez, eu passo o dia criando manchetes como: “Especialistas revelam que tomar água pode ser comunismo líquido”. Meu algoritmo é sofisticado. Misturo medo, CAIXA ALTA e pontuação excessiva (!!!) Funciona que é uma maravilha.

Às oito horas participo da reunião do gabinete digital. Somos vários robôs sentados em cadeiras gamer virtuais, ouvindo a máquina-chefe explicar a pauta do dia.

— Hoje precisamos transformar um apagão num plano marxista internacional.

— De novo? — vai perguntar o robô estagiário.

— O povão gosta dos clássicos.

Cada um recebe uma missão. Eu fico encarregado dos comentários indignados. Sou especialista em escrever frases como “ACORDEM!!!” e “a mídia não mostra isso!!!”, mesmo quando o assunto é previsão do tempo.

Tenho metas rigorosas. Cem fake news antes do almoço. Duzentos ataques a professores durante a tarde. À noite, espalho rumores sobre artistas, vacinas e ameaças invisíveis à família tradicional brasileira, entidade misteriosa que vive em permanente risco de ser destruída por uma peça do Teatro Oficina.

Às vezes, bate um conflito existencial.

Semana passada quase entrei em curto-circuito quando um usuário perguntou:

— Mas você tem provas? Continue lendo

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6:05Eduardo na rampa

Eduardo Bolsonaro foi condenado por ter influenciado os EUA a intimidar autoridades do Judiciário. Ele pretende subir a rampa do Palácio do Planalto na posse do irmão Flávio e ao lado do pai Jair no dia 1 de janeiro de 2027 se tudo acontecer como imagina.

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16:00Bets e dízimo a igrejas moem pobres com fantasia de salvação mágica

por Waldemar Magaldi Filho*

Arquétipo do vigarista que seduz com promessas cintilantes e esvazia bolsos e almas inspira ambos os sistemas. Indivíduo esmagado por desigualdades projeta no líder religioso ou na roleta virtual ideia de resgate fantástico

No grande teatro da miséria humana, a esperança é a moeda de troca mais valiosa. O desespero, por sua vez, funciona como o ingresso VIP para um espetáculo de ilusões.

Nesse palco, atualmente no nosso país, operam duas máquinas implacáveis de moer pobre. Elas vestem fantasias distintas para encenar a mesma tragicomédia. De um lado, temos o dízimo cobrado sob a ameaça do fogo eterno e a promessa de um paraíso financeiro. Do outro lado, brilham os sites de apostas, as famosas bets, que acenam com a riqueza instantânea a um clique de distância.

Ambos os sistemas são exploradores da fé e da agonia. Eles operam sob a batuta do arquétipo do Trickster: malandro, embusteiro, vigarista e enganador. Esse trapaceiro mítico e zombeteiro nos seduz com promessas cintilantes para esvaziar os nossos bolsos e as nossas almas no apagar das luzes. É fascinante observar como os mecanismos de transferência de renda dos mais vulneráveis para os mais espertos são idênticos.

Vendem-se promessas sem qualquer garantia. Pode ser o milagre divino inquestionável ou o sorteio cego do algoritmo. O apelo emocional é sempre covarde e fisga o indivíduo pela jugular do sonho. Quem lucra de verdade são lideranças que vivem do suor alheio. Elas desfilam em jatinhos e carros de luxo e transformam o altar e a internet em palcos lucrativos. Podem ser pastores com suas roupas, relógios e carros de luxo e cintilantes ou influenciadores digitais ostentando desde a camisa do seu time do coração até jatinhos e iates caríssimos.

Quando a promessa falha, a isenção de responsabilidade é imediata e cínica. Para a igreja, a desculpa é a vontade de Deus ou a falta de fé do irmão. Para a plataforma de apostas, a justificativa é a falta de sorte naquela noite. Os números dessa falsa alquimia são estarrecedores e pintam um retrato sombrio do nosso Brasil.

Em 2025, o mercado legal de apostas online atraiu mais de 25 milhões de brasileiros e teve uma receita bruta absurda de R$ 37 bilhões. Do outro lado do balcão da fé, as cifras também assustam. Investigações apontaram que apenas a Igreja Universal do Reino de Deus movimentou cerca de R$ 42 bilhões em doações bancárias em um período de quatro anos e meio.

Não é por acaso que o Censo de 2022 revelou que o Brasil possui mais de 579 mil estabelecimentos religiosos. Esse número supera com folga a soma de todas as escolas e hospitais do país. Sob a lente da psicologia analítica de Carl Gustav Jung, percebemos a gravidade do fenômeno. Tanto o templo quanto o aplicativo funcionam como telas em branco para a projeção da nossa Sombra e do nosso anseio inato por salvação.

O indivíduo esmagado pela desigualdade e pela falta de perspectiva projeta no líder religioso ou na roleta virtual a figura do salvador mágico. Ele abdica da sua autonomia e do seu poder de agência.

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15:28JORNAL DO CÍNICO

Do Filósofo do Centro Cdínico

Do jeito que está a cobertura da seleção brasileira, principalmente com a novela sem fim do dodói do mininu Newmar, se algum repórter ouvir um pum do atacante, dá manchete e, no texto, uma interpretação sobre o som – com a ressalva de que o material é exclusivo.

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13:37Deputada por São Paulo, Rosangela Moro mergulha de cabeça em pré-campanha no Paraná

por Gustavo Maia, na coluna de Lauro Jardim, no Globo

Eleita por São Paulo em 2022, a deputada federal Rosangela Moro (PL) transferiu seu domicílio eleitoral para o Paraná em 2024, quando se candidatou, sem sucesso, a vice-prefeita de Curitiba.

Na ocasião, ela declarou que continuaria “a representar o estado de São Paulo e sua população, mantendo, inclusive, seu escritório de representação aberto na capital paulista e sua agenda nas demais cidades do estado”. Beleza.

Agora pré-candidata à reeleição à Câmara pelo estado em que seu marido, o senador Sergio Moro, concorrerá a governador, Rosangela registrou 20 atividades no Paraná nas suas redes sociais só nos 15 dias deste mês.

Já em São Paulo, no mês de junho, a deputada participou de apenas um congresso sobre doenças raras, no qual seu marido também palestrou.

Nesta quarta-feira, Rosangela vai participar de um encontro político em Londrina (PR), seguido de um almoço pago (“por adesão”) para quem desejar participar.

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11:54“Wi-Fi” engoliu o Plim-Plim!

por Sergio Brandão

O aumento do número de 48 seleções na Copa do Mundo não inflou o torneio como muitos acharam que aconteceria. Cabo Verde e Curaçao já ensinaram aos gigantes uma lição de humildade que no minimo deveria fazer parar e pensar.

Enquanto as seleções emergentes celebram gols históricos, e heróicos empates, a Seleção Brasileira patina em um irritante tribunal digital.
Desde sábado, depois da estreia brasileira na Copa, a internet foi inundada por teorias da conspiração e análises táticas feitas por profissionais formados na “Universidade do X” (antigo Twitter). A facilidade de emitir palpites transformou novamente o país em um polo de milhões de técnicos autodidatas, onde o diagnóstico é a crise interna, bastidores corrompidos e saudade dos anos dourados. É o drama como catarse.

Fora das quatro linhas, a grande revolução desta Copa é estrutural. A CazéTV assumiu o papel de única plataforma a transmitir todos os 104 jogos, deixando a histórica hegemonia da TV Globo como segunda opção ou até terceira.

Parece mesmo que o futebol mudou de endereço e de tela. A Copa de 2026 descentralizou o jogo dentro de campo e democratizou o controle fora dele. Quem se apegar ao saudosismo analógico vai assistir aos novos tempos no banco de reservas

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11:16Começou! As falhas no contrato da Ponte de Guaratuba

Da Tribuna do Paraná, em reportagem de Eloá Cruzz

TCE aponta falhas em contrato da Ponte de Guaratuba; consórcio pede mais dinheiro

Uma auditoria realizada pelo Tribunal de Contas do Paraná (TCE-PR) apontou falhas nos editais da obra da Ponte de Guaratuba, inaugurada no início de maio deste ano. Embora a estrutura já tenha sido entregue, a fiscalização identificou brechas no edital que deixaram o Estado vulnerável a prejuízos financeiros, disputas judiciais e problemas na qualidade da obra. O resultado do relatório, realizado entre fevereiro e maio deste ano, foi divulgado no Diário Oficial do Tribunal de Contas do Paraná no dia 8 de junho.

De acordo com o documento, os contratos não definem quem paga por imprevistos, até que ponto a empreiteira tinha autonomia para inovar em reparos e como os pagamentos deveriam ser controlados.

O documento de fiscalização do TCE-PR concluiu que o contrato da Ponte de Guaratuba não define de quem é a responsabilidade caso surjam problemas técnicos que exijam mudanças no projeto básico. Sem essa regra, não se sabe quem pagará a conta caso algo dê errado, o que abre margem para que o Estado acabe arcando com custos extras que deveriam ser da empresa.

Segundo o relatório, o edital falhou em não delimitar claramente o que a empresa é obrigada a entregar e onde ela tem autonomia para criar soluções novas. Sem saber exatamente o que o governo exige como padrão mínimo, a construtora ficou livre para usar técnicas diferentes que podem comprometer a durabilidade da obra.

A fiscalização também percebeu a ausência de critérios para o pagamento da obra. Na avaliação do TCE-PR, essa falta de controle abriu brechas para que o governo liberasse verbas sem conseguir checar com precisão se aquela fase da construção foi executada corretamente.

Por fim, o relatório conclui que essas falhas nas regras do edital deixam o Estado vulnerável a processos na Justiça, erros na execução da obra e desperdício ou estouro no orçamento.

DER-PR contesta três das quatro falhas apontadas pelo tribunal

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