7:29Escolas deveriam ensinar como converter as tristezas em material humorístico

por João Pereira Coutinho, na FSP

‘Stand-up comedy’ deveria ser uma disciplina obrigatória. Uma das vantagens é a confiança para falar em público

Todos temos nossos momentos de megalomania. Eu não sou exceção: se mandasse no mundo, todos os alunos, dos seis aos 18 anos, teriam de frequentar uma aula extra na escola. Além de matemática, ciências ou da língua materna, haveria “stand-up comedy” como disciplina obrigatória.

As vantagens são tão óbvias que chega a ser constrangedor citá-las. Entre as mais imediatas: confiança pessoal para falar em público, destreza verbal para se comunicar com os outros —e, sobretudo, treino contínuo para transformar as tristezas da vida em material humorístico.

Nada escaparia: a família, os amigos, os amores. As frustrações, os medos, as falsas esperanças. Quando não conseguimos nos livrar dos esqueletos que temos no armário, disse George Bernard Shaw, o melhor é ensiná-los a dançar. Ou a rir, acrescento eu.

Em uma ou duas gerações, aposto que teríamos adultos menos neuróticos, menos fanáticos, menos propensos a cancelar os outros. A estupidez é irmã gêmea da falsa seriedade.

Foi nisso que pensei quando assistia, grato e maravilhado, ao filme “Isso Ainda Está de Pé?”, dirigido por Bradley Cooper. Como foi que o filme me escapou quando passou nos cinemas?

No centro da história estão Alex e Tess —notáveis Will Arnett e Laura Dern—, separados depois de 26 anos de vida em comum. As razões da separação são um mistério —para nós e para o próprio Alex. Uma noite, não exatamente sóbrio, Alex resolve entrar em um clube de comédia em Nova York. Não para assistir. Para subir ao palco. Essa é a primeira piada.

A segunda é que ele não tem piadas para contar, o que também não deixa de ser uma ilusão: a vida dele é a melhor piada que existe.

O público ri da estranheza. Depois, das histórias que ele conta —o casamento, os filhos, os pais. Alex ri também, como se as ouvisse pela primeira vez, agora sob um ângulo cômico.

A experiência é viciante. Ele volta uma noite, depois outra, e mais outra ainda. É um péssimo humorista, dizem os profissionais, embora elogiem sua ingenuidade.

A ex-mulher, por puro acaso, assiste a um dos números. E também ela se ouve como personagem principal. Dizer que gosta seria um exagero, mas não é que gosta mesmo?

A infelicidade em que Alex vive não desaparece. De certa forma, transforma-se em clareza e perdão. E, com essa nova perspectiva, a pergunta fundamental: ele é infeliz com o casamento ou infeliz no casamento? Uma diferença sutil, que geralmente escapa aos amantes desencontrados.

Não escapa a Alex: a capacidade irônica que ele teve de sair de si mesmo, de se olhar como objeto de riso e estudo, permitiu-lhe chegar às coisas realmente sérias.

Como lembrava o escritor Martin Amis, só podemos saber o que é sério quando conhecemos também o que é engraçado. O humor não é uma fuga à seriedade, mas um caminho até ela.

Pessoas sem humor não são, por definição, mais sérias. São literais, condenadas a viver na superfície das coisas —onde tudo parece urgente e nada é verdadeiramente importante.

Regresso ao início: todos temos nossos momentos de megalomania. Se eu mandasse no mundo, haveria “stand-up comedy” no currículo das escolas. Quando tornamos as nossas dores visíveis e ridículas, elas ficam finalmente ao nosso alcance.

P.S.: É uma triste ironia saber que, nos 250 anos da independência dos Estados Unidos, o historiador Gordon S. Wood não estará entre os vivos para festejar. Morto recentemente, aos 92 anos, vítima de um acidente de trânsito, Gordon Wood foi um dos grandes intérpretes do nascimento da república americana.

Suas obras centrais, como “The Radicalism of the American Revolution”, vencedor do Pulitzer, são uma refutação brilhante da ideia de que 1776 foi uma mera rebelião de ingleses contra ingleses por causa de impostos —o célebre bordão “no taxation without representation”.

Na verdade, a independência foi o desfecho de um longo processo de emancipação das colônias, alimentado pelo crescimento demográfico, pelo enriquecimento comercial e pelo aprofundamento de ideias liberais que, ironicamente, os colonos aprenderam com os próprios ingleses da metrópole.

A independência não foi perfeita? Claro que não —a manutenção da escravidão é sua principal mancha. Mas também aqui Wood lembrou o óbvio: a nova gramática liberal inaugurou uma linguagem de emancipação que, nos séculos seguintes, seria mobilizada contra os seus próprios limites.

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6:53Briga de rua vira briga judicial

O processo de cassação do deputado estadual Renato Freitas foi judicializado, como aqui foi informado no dia 2 de junho. Na sexta-feira o desembargador Rogério Kanayama, do Tribunal de Justiça do Paraná, concedeeu liminar para suspender a decisão do Conselho de Ética da Assembleia Legislativaque aprovou o pedido de cassação que seria julgado hoje pelo plenário da Casa. Motivo: falta de decoro do parlamentar por ter brigado na rua. Freitas alega que foi agredido antes de reagir. O pugilato foi registrado em vídeo. Alexandre Curi, presidente da Alep, entrou com recurso no STJ para derrubar a liminar. A conferir.

 

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16:05Flávio e Vorcaro, quem diria…

De Flávio Bolsonaro para a Veja sobre o elo com Vorcaro: “Absolutamente nada errado”. O Gaiato da Boca Maldita leu e concordou: “Nada errado mesmo! Está tudo tão errado como o cabelo do personagem Jair Bolsonaro no filme do quadrúpede azarão”.

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14:50Um lança e o outro voa

Rafael Greca (MDB) vai lançar sua pré-candidatura ao governo do Paraná no próximo sábado (20). No mesmo dia Eduardo Pimentel (PSD) embarca para Londres em missão oficial, com retorno previsto para o dia 24. O prefeito de Curitiba vai participar da “Semana da Ação Climática”. Pensando bem… é isso aí mesmo!

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14:40Pesquisa na sexta e pesquisa na segunda

Do enviado especial

Um curioso foi botar lupa na IRG Pesquisas e descobriu que na sexta passada ela assinou contrato de R$ 583 mil com o Ipardes, órgão do Governo do Paraná, para pesquisa de avaliação dos serviços de Saúde e Segurança do Estado. A IRG divulgou nesta segunda-feira (15) pesquisa que mostra que o apoio de Ratinho Junior a Sandro Alex estaria ganhando tração nas eleições do Paraná. Continue lendo

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11:40O TORCEDOR

por Mário Filho

Um torcedor que assina “o torcedor do espelho” pergunta-me, por carta, com ar quase de zanga, porque eu, quando citei o caso do torcedor do bodoque, atrás do gol da piscina, lá em Campos Salles, não citei o caso dele: o caso do “torcedor do espelho”. Ele tinha tanto direito quanto o outro. E talvez mais. A pedrinha atirada pelo bodoque poderia “até” machucar. O espelho, não. E, além disso, o espelho era uma arma muito mais perfeita do que o bodoque. O bodoque acertaria ou não acertaria. Em São Januário, por exemplo, o bodoque não adiantaria de nada. E o espelho foi aplicado, com absoluto êxito, de “qualquer ponto” de São Januário. Amado ia defender uma bola e o reflexo do sol batendo sobre o espelho — um espelho de bolso, pequeno, leve, cômodo — cegou Amado. Gol do Vasco. “O senhor não se lembra? Pois o torcedor do espelho era eu.”

Naturalmente que eu me lembro do torcedor do espelho. Durante um certo tempo os torcedores do espelho se multiplicavam como vaga-lumes. A gente olhava para as arquibancadas e via tudo faiscando. De repente, o goleiro passava a mão pelos olhos. Qualquer pessoa, porém, podia levar um espelho para o campo. E a arma passou a não valer de nada. Se um torcedor do Vasco botava o reflexo do espelho em cima da cara do goleiro do Flamengo, o torcedor do Flamengo esperava o primeiro ataque contra o gol do Vasco e toca a cegar o goleiro do Vasco, o beque do Vasco, qualquer coisa do Vasco. E um dia um chofer, em São Januário, arrumou os faróis de um carro em direção ao arco do Flamengo. A polícia prendeu o chofer. O carro. Os faróis.

O que me impressionou mais na carta do torcedor do espelho foi o anonimato. Ele protestou porque eu não tinha citado o nome dele. Qual é o nome dele? Torcedor do espelho não se parece com nome de ninguém. E, no entanto, eu sei que basta. O “torcedor do espelho” agora mesmo está sorrindo. Encantado. Como se bastasse isso — a citação de um torcedor, que aliás não era um, era uma multidão — para identificá-lo. Ele pode pegar o pedaço de jornal e mostrá-lo a todo mundo. Hoje é dia de festa na casa do “torcedor do espelho”. “Você já leu a Primeira Fila?” — ele indagará de companheiros de repartição, de amigos, de vizinhos. — “Pois não perca a de hoje. Está boa. Cita-me”.

Eu um dia estava sentado diante de uma mesa redonda, escrevendo, escrevendo. Aí, apareceu um homenzinho, com um embrulho debaixo do braço. Dentro do embrulho estava um pacote de cinco contos de réis. O homenzinho encontrara o embrulho não sei onde e se apressara em vir entregá-lo. “Eu sou pobre, mas honesto” — declarou ele, com convicção. Com uma satisfação íntima, profunda, tomaram nota. Nome. Endereço. Tudo. Levaram o pacote para dentro. E o homenzinho começou a ficar nervoso. Ele vestira o terno dos domingos e feriados, mandara engraxar os sapatos, cortar os cabelos e nenhuma fotografia? Eu o vi querer dizer uma coisa. Não disse. Ou, por outra, só disse quando abriu a porta para sair: “Assim, sem fotografia nem nada, nem vale a pena ser honesto. Até desanima a gente”. E bateu a porta com violência. Em sinal de protesto.

O nome em jornal há de ter o seu encanto. Há de ter. Mesmo quando é uma indicação: “Leônidas fazia-se acompanhar por um amigo”. Quantos apontam a linha em corpo sete para dizer: “o amigo era eu”? Assim, não é difícil compreender o caso do “torcedor do espelho”. Eu, inclusive, devia a ele uma crônica. Quem me forneceu o motivo foi ele. Realmente, há uma porção de torcedores que intervêm em uma jogada, em um match, que decidem uma partida. Uns violentos. Os que levam tijolos para o campo. Os que bebem soda só para ficar com a garrafa na mão para o que “der e vier”. E outros maliciosos. Levando um espelho. Um bodoque. Um apito. Continue lendo

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9:34Bola nas costas

Do comentarista esportivo

Jogador mau-caráter, técnico enganador, árbitro despreparado, dirigente corrupto, imprensa burra, narrador insuportável, comentarista chato, torcida violenta, estádio podre. Esta é a combinação que está levando, há muito tempo, o futebol brasileiro à falência.

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9:24Na pesquisa dos apoios, Sandro Alex, candidato de Ratinho Junior, está em segundo; Sergio Moro, de Flávio Bolsonaro, lidera com folga

Olhaí a nova modalidade de pesquisa – ela junta lé com cré, ou seja, o candidato propriamente dito e o maior apoiador. Pode ser tudo, pode ser nada, mas segue  um resumo para conferir a que foi divulgada hoje pelo IRG:

Assim veio:?

Uma pesquisa do Instituto IRG divulgada nesta segunda-feira (15) mostra que o apoio de Ratinho Junior a Sandro Alex está ganhando tração. No cenário em que são indicados os concorrentes e seus aliados, o deputado federal aliado do governador tem 27,5% de intenções de voto, contra contra 39,1% de Sergio Moro (PL) com o apoio de Flávio Bolsonaro e 20,8% de Requião Filho (PDT) com o apoio do presidente Lula.

A pesquisa também testou apoios em um eventual segundo turno. Sandro Alex com o apoio de Ratinho Junior tem 38,5% das intenções contra 42,5% de Sergio Moro com o apoio de Flávio Bolsonaro, o que significa um empate dentro da margem de erro. Continue lendo

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8:48Roteiro em cima de resposta

A resposta que o senador Sergio Moro deu à nota de Lauro Jardim, publicada em O Globo, onde é revelado que o então ministro da Justiça colocou dez estados na frente do Paraná na distribuição de verbas para Segurança, vai servir de roteiro para os adversários que tentam derrubar o ex-juiz de sua liderança folgada nas pesquisas para a sucessão no governo. Na nota, Moro elenca programas que viabilizou para o Estado. A saber: Centro Integrado de Operações de Fronteiras – CIOF, o único no país, em Foz do Iguaçu; – investimentos na base Nepon da PF em Guaíra, com integração das forças policiais e o Exército em base fluvial, o que reduziu o tráfico de drogas na região; – o programa Para Frente Brasil, com a presença da Força Nacional de Segurança Pública em São José dos Pinhais para a diminuição do crime em cidades violentas (SJP e outras 5 cidades do país foram escolhidas). Entre outras coisas, a munição a ser armazenada tem pelos inimigos tem como pólvora e chumbo o fato de muita coisa ser política de Estado e não específica do ministério da Justiça. A conferir.

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