10:18Audiência na Assembleia debate situação da bacia do Rio Iguaçu e gestão dos recursos hídricos

Da Alep

Encontro, promovido pelo deputado Goura (PDT), também será marcado pelo lançamento do mapa “Salve o Rio Iguaçu”.

A Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) promove, na terça-feira (30), às 9 horas, no Plenarinho, a audiência pública e o lançamento do mapa “Salve o Rio Iguaçu”. A iniciativa do deputado estadual Goura (PDT) debaterá o impacto socioambiental na bacia hidrográfica, que concentra graves índices de poluição e forte exploração econômica, afetando milhões de paranaenses.

O deputado Goura afirma que todos os dados reunidos pelo mandato para idealizar o mapa e promover essa audiência revelam a dimensão da extrema pressão ambiental e humana sobre a bacia do Rio Iguaçu.

“O Rio Iguaçu é um dos corpos hídricos mais importantes do Paraná, cruzando o estado e banhando áreas de intensa atividade urbana, industrial e agrícola”, destaca Goura.

“Por isso, é importante realizar esta audiência pública e apresentar o mapa do Rio Iguaçu para discutir políticas públicas e ações que vão além da simples proteção”, alerta o deputado. Continue lendo

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8:47A ditadura do encasacado

por Carlos Castelo

Há sinais inequívocos de que o inverno chegou. O primeiro é a pessoa que, em maio, anuncia “agora esfriou de vez”, como se tivesse acesso exclusivo ao departamento meteorológico da NASA. O segundo é o surgimento, nas ruas, das jaquetas de gominhos. Sim, aquela peça acolchoada, leve e meio inflada, dividida em faixas horizontais costuradas, que parecem pequenos travesseiros em filinha.
Elas aparecem de repente. Num dia, ninguém. No outro, nove entre dez pessoas estão embaladas a vácuo em pequenos compartimentos, como se a humanidade tivesse sido cuidadosamente embrulhada para congelamento.
A jaqueta de gominhos é democrática: veste o advogado, o estudante, a moça do caixa, o tio do churrasco e aquele sujeito que nunca sente frio, mas usa mesmo assim, por prudência estética.
Há algo de misterioso nesse vestuário. Eles prometem tecnologia aeroespacial, embora a maioria de nós só vá usá-lo para comprar pão. A pessoa coloca o traje e já ganha um ar de explorador polar, mesmo que esteja atravessando a rua para pegar um café. Falta apenas um trenó, dois cães samoieda e uma frase corajosa: “Seguiremos até a padaria, custe o que custar”.
O mais curioso é a uniformidade. Preto, azul-marinho, verde-musgo. Todos caminhando com aquele leve barulhinho de plástico bolha em movimento. Enfileiradas, as jaquetas se reconhecem. Uma encosta na outra e produz um ruído fraterno: “fshh-fshh”. É a comunicação secreta dos encasacados.
Também existe a questão do volume. Ao vestir uma jaqueta dessas, a pessoa não ocupa mais o mesmo espaço social. Ela se expande. Abraçar alguém vira operação logística. Entrar num elevador exige negociação diplomática. Sentar-se no ônibus é aceitar que metade da japona ficará no seu colo e a outra metade no colo de um estranho, que fingirá naturalidade enquanto pensa: “Estou compartilhando um gominho”.
E os bolsos? Sempre profundos o bastante para perder chaves, recibos, moedas, fones, documentos e, quem sabe, um porquinho da índia friorento. A pessoa procura o celular e encontra uma bala 7 Belo de 2022, uma nota fiscal amassada e uma sensação de vazio existencial.
Ainda assim, é impossível resistir. A jaqueta de gominhos oferece conforto, anonimato e a ilusão de que estamos preparados para qualquer catástrofe climática. Talvez seja isso: no inverno, todos queremos parecer sobreviventes. Mesmo que o maior perigo seja derramar chocolate quente na manga.
Pensando bem, a jaqueta de gominhos é menos uma roupa e mais uma filosofia: a vida é fria, complicada e cheia de vento. Melhor enfrentá-la de airbag.

(Publicado na Fórum)

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8:37JORNAL DO CÍNICO

Do Filósofo do Centro Cínico

Com 84% de aprovação dos paranaenses, não era o caso de o governador Ratinho Jr. ser recebido com tapete vermelho por Donald Trump nos Estados Unidos? Tem mais: deveria ensinar ao presidente do Império como consegue isso, porque o trem tá feio para o oitentão lá na terra dele.

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8:24A FRASE

Romário, senador da República não licenciado, está batendo um bolão contra o próprio gol como comentarista da CazéTV na Copa do Mundo.

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8:10Jaques Wagner e a tática dos amigos de Vorcaro

Jaques Wagner não está sozinho na tentativa de normalizar relações incestuosas com Daniel Vorcaro e seus asseclas. Todos os políticos e autoridades ligadas diretamente ou indiretamente ao esquema de influência do dono do Master têm agido dessa forma. Negar as irregularidades, afirmar que não tem problema algum na conduta adotada, nos favores recebidos e rezar para sair dos holofotes da mídia com a chegada do próximo alvo das operações da  Polícia Federal. Em suma, cair de braços dados com o esquecimento. (Adriana Fernandes)

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7:42Ausência, presença e ausência

Ratinho Jr. voou para Orlando, na Flórida (EUA), e Darci Piana assumiu o governo do Paraná. Serão dez dias de ausência e presença, respectivamente. Pela quantidade de vezes que isso aconteceu, Piana deveria ser o candidato à sucessão, como se cogitou no ano passado. Não será, assim como o titular implodiu na última hora todo o trabalho que fez para se candidatar à presidência da República para… para cuidar das empresas Massa depois de sair do Palácio Iguaçu. Cada coisa…

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7:00Para proteger a identidade contra a IA

Da EuroNews

Cate Blanchett lança ferramenta gratuita para proteger identidade contra IA

A atriz australiana apresentou no Parlamento Europeu o seu Registo de Consentimento Humano, ferramenta que protege a imagem face à IA

Cate Blanchett prossegue a sua cruzada contra o uso não regulado da inteligência artificial. Na terça-feira, a atriz e produtora australiana lançou um site gratuito que permite a qualquer pessoa proteger a sua identidade de ser utilizada por sistemas de IA.

A estrela apresentou a plataforma Human Consent Registry num evento organizado no Parlamento Europeu, em Bruxelas, pela eurodeputada búlgara Eva Maydell, que contou também com a presença do realizador Steven Soderbergh.

“A sua identidade é a sua propriedade intelectual na era da IA e todas as pessoas têm o direito de decidir como é que a IA pode ou não utilizá-la”, afirmou Blanchett, que cofundou a RSL Media, uma organização sem fins lucrativos que procura desenvolver ferramentas de consentimento ligadas ao uso da IA.

O novo registo da organização oferece aos utilizadores a possibilidade de permitir, com ou sem condições, ou de proibir a utilização, por sistemas de IA, do seu nome, imagem, voz, semelhança e movimentos, entre outros atributos pessoais.

A ferramenta está disponível para qualquer pessoa, bem como para terceiros como agentes e empresários. No futuro deverá permitir que as pessoas protejam as suas obras de arte, personagens ou marcas, afirmou a RSL Media em comunicado.

A eurodeputada do PPE Eva Maydell descreveu o Human Consent Registry como “uma ferramenta que torna os direitos transparentes, reforça a confiança e mantém a criatividade humana no centro do progresso tecnológico”.

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6:21A insubmissão da ajudadora de marido Michelle Bolsonaro

por Mariliz Pereira Jorge, na FSP

Ex-primeira-dama mostra que o discurso da submissão era apenas um figurino para consumo externo. Respaldada por eleitorado cativo de evangélicas, ela escolheu momento cirúrgico para expor vísceras da família

A recente e ruidosa lavação de roupa suja na franquia Bolsonaro trouxe às telas um espetáculo delicioso de ironia política.

De um lado, a ex-primeira-dama Michelle veio a público expor o enteado, o senador Flávio. Acusou-o de humilhação e desrespeito durante uma ligação motivada por palanques regionais. Do outro, o herdeiro político, ungido para liderar os planos eleitorais do clã, primeiro disse que nada o aborrece. “É dia de jogo”, numa referência à partida do Brasil contra Escócia. Mas aborrece, sim. Flávio e os caciques conservadores sentem na pele o amargor de lidar com uma mulher que se recusa a curvar-se aos mandos da dinastia.

O ponto verdadeiramente sublime desse racha doméstico reside na contradição ideológica. Michelle é a mesma que, em palanque, defende a “submissão saudável” –como se isso fosse possível– da esposa ao marido, professando o papel feminino como o de uma eterna ajudadora do seu esposo, cujo auge do zelo cristão consiste em deixar a comidinha pronta na geladeira antes de viajar.

Michelle pode não compreender ou jamais admitir, mas o fato de ela hoje usufruir de uma voz pública independente, gerir uma robusta estrutura partidária e peitar o enteado na internet é fruto direto do feminismo que ela tanto demoniza.

É graças às conquistas históricas de emancipação que a “ajudadora do marido”, como ela se refere a si mesma, hoje tem o espaço para botar fogo na campanha do próprio enteado. Sem os direitos cavados pelo feminismo, ela estaria recolhida ao silêncio do lar, aceitando a reprimenda masculina.

Nem sempre ela teve esse tamanho. No governo, Michelle manteve uma participação tímida, quase decorativa. Foi somente na liderança do PL Mulher que o partido e o próprio Jair se deram conta da força política que ela carregava: mulher, evangélica, de origem popular e com rejeição menor que a do patriarca.

Esse crescimento incomodou Jair lá atrás. Quando Valdemar Costa Neto começou a desenhar uma agenda da candidata com viagens pelo país, o ex-presidente deu pulos de contrariedade. Sua reação foi de puro ciúme político, sentindo-se desprestigiado.

Dentro do conservadorismo de conveniência, sempre foi improvável que ele apoiasse a ascensão da esposa no lugar de si mesmo ou de um dos filhos homens. Sua inelegibilidade somada à queda de Flávio nas pesquisas pelo envolvimento no escândalo do Banco Master pode impor o pragmatismo da sobrevivência.

Eu já apontava essa engrenagem em 2023, na convenção do PL Mulher, quando Michelle mostrou seu potencial. O ritual começava com o ex-presidente falando apenas de si, seguido por homens do partido, para só então abrir painéis em que mulheres, segundo Michelle, “forjadas por Deus, lindas, fortes e cheirosas”, se revezavam para atacar a esquerda, as feministas e o diabo, num vazio absoluto de propostas públicas. Foi um sucesso. Era um embrião de empacotamento muito mais palatável do bolsonarismo.

O ex-presidente, incapaz de aceitar que sua melhor alternativa podia estar justamente ao seu lado, talvez tenha que engolir agora a ascensão de uma mulher, aquela que sua biologia de botequim chama de fraquejada.

Ainda que seja possível e bastante provável que Jair Bolsonaro tenha aprovado o pronunciamento de Michelle, quem o convenceu a ir nessa direção? Pois é.

Com o marido em prisão domiciliar, Michelle joga o próprio jogo, insubmissa, com uma articulação impressionante. Respaldada por um eleitorado cativo de mulheres evangélicas, ela escolheu o momento cirúrgico para expor as vísceras da família. Ao deixar claro que não aceitará ser empurrada para fora das decisões, mostra que o discurso da submissão era apenas um figurino para consumo externo. Na disputa pelo poder, a ajudadora quer mandar.

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16:06O patriarca de Borá

por Carlos Castelo

De quando em quando faço a mesma peregrinação.
Abandono as urgências da capital e sigo para Borá, o menor município paulista, com menos de mil almas e menor que o Parque Ibirapuera.
Vou visitar meu avô, Pergentino Castelo.
Ele é 80+ e mora sozinho num sítio cercado de galinhas, cachorros e ferramentas enferrujadas. Vive de sua plantação de quiabos.
Nos primeiros tempos, eu acreditava no que ele contava. Depois passei a duvidar de tudo. Hoje adotei uma posição intermediária: escuto.
Porque as histórias de Pergentino ocupam uma região situada entre o exagero e a afronta às leis da realidade.
Segundo ele, já pescou um surubim que sabia assobiar e recebeu conselho financeiro de um papagaio.
Foi numa dessas visitas que ouvi dele mais uma história extraordinária.
Assim que cheguei, foi anunciando da varanda, em seu estilo único de falar:
“Meu neto, essa noite tive uma pesadelice que só estou aqui à força de chá de mulungu.
O sonho era nos finalmentes das finais da Copa. O estádio relampejava de gente. As arquibancadas estavam tão cheias que até defunto antigo pediu licença ao cemitério para presenciar o combate.
Neymar, príncipe dos dribles, conde das caneladas recebidas, marechal das redes sociais, estava sentado. Mas não abancado de qualquer maneira. Era um sentar de primeira grandeza.
Enquanto isso, os outros onze corriam num alvoroço de anunciação de desgraça. Menino Ney permanecia em seu tamborete, quieto como santo de procissão em dia de pouco milagre. Só de butuca.
O jogo caminhava para aqueles aperreios que fazem um homem envelhecer duas dentaduras numa tarde. Foi então que assucedeu-se o sucedido.
O goleiro adversário, sujeito de grandes envergaduras e pequena sorte, apanhou uma bola e resolveu despachá-la para a intermediária. Armou a pernada, bombeou o couro e o esférico saiu atravessando o estádio como um buscapé de rabo quente.
Mas o destino tinha outra minuta. A bola, em vez de procurar seus jogadores no campo, foi encontrar justamente o cocuruto de Neyzinho que seguia assentado. Continue lendo

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