16:23Os estados mais violentos

Da revista Veja:

Dentre os dez estados com maior taxa de mortes violentas intencionais, três eram comandados em 2025 por governadores do PT, três pelo MDB, dois pelo PSD, um pelo PSB e um pelo União Brasil — este último, o Amapá, lidera o ranking nacional de violência com 42,5 vítimas por 100.000 habitantes.

Estados mais violentos do Brasil, por taxa de mortes violentas intencionais* em 2025, e seus governadores à época

  • Amapá: 42,5 — Clécio Luís (União Brasil)
  • Bahia: 36,8 — Jerônimo Rodrigues (PT)
  • Ceará: 34,7 — Elmano de Freitas (PT)
  • Alagoas: 33,1 — Paulo Dantas (MDB)
  • Pernambuco: 33,0 — Raquel Lyra (PSD)
  • Maranhão: 29,7 — Carlos Brandão (MDB)
  • Rio Grande do Norte: 29,1 — Fátima Bezerra (PT)
  • Pará: 28,4 — Helder Barbalho (MDB) — hoje o estado é governado por Hana Ghassan (MDB)
  • Rondônia: 28,1 — Marcos Rocha (PSD)
  • Paraíba: 24,6 — João Azevêdo (PSB) — hoje o estado é governado por Lucas Ribeiro (PP)

*Soma de vítimas de homicídio doloso, latrocínio, lesão corporal seguida de morte e confronto policial

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14:58JORNAL DO CÍNICO

Do Filósofo do Centro Cínico

No país das chacinas diárias tem gente comemorando o fato de que 2025 registrou a menor taxa de mortes violentas dos últimos treze anos. “Só” houve 40.775 assassinatos. Uma calculadora fria esclareceu que a média nacional foi de 19,1 casos por 100.000 habitantes. Ufa! Será que agora vai diminuir mais um pouco a carnificina composta por homicídio doloso, latrocínio e lesão corporal seguida de morte, além daquele número de policiais e suspeitos trucidados durante troca de tiros? É uma guerra interminável e banalizada dentro do país abençoado por Deus. Amém.

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14:30Ponto para Alexandre Curi

do Goela de Ouro

A entrada da Federação União Progressista na campanha de Sandro Alex tem a digital de Alexandre Curi. Nos bastidores, a articulação do presidente da Assembleia foi decisiva para construir o entendimento e consolidar o apoio ao projeto governista.

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12:34Da areia da praça ao mármore do teatro

Não sei se é. Mas para mim a Praça da República é o coração de Belém, ponto. Conferi isso em abril último, quando passei vários dias na capital paraense, decorando pelas nuvens o recado: arraste as sandálias que a qualquer hora vem chuva. Como dois e dois quatro.

Na Praça da República, pulsam tesouros culturais centenários (convém lembrar que Belém foi fundada em 1616) mesclados aos eminentemente populares, como o empolgante carimbó ou uma profusão de sons, espalhados em shows no chão da praça, com uma diversificada feira realizada aos domingos.

Imaginem, na mesma praça estão o magnífico Theatro da Paz, inaugurado em 1878, e o histórico Teatro Experimental Waldemar Henrique, entre outros monumentos.

Sim, o Theatro da Paz e todo seu luxo e pompa nasceram do rico Ciclo da Borracha. No Paz e na paz, os nobres divertiram-se à beça, não só pela apresentação de peças, concertos e óperas, mas com prostitutas que eram abrigadas em salão especial e longe das damas da nobreza, que ocupavam os camarotes, distante de seus senhores maridos, privilegiadamente aninhados em cadeiras mais próximas ao palco, em local ventilado por pequenas janelas. Convém lembrar que as temperaturas médias em Belém estão sempre acima das médias, beirando aos 30 graus. Dos camarotes, as damas tinham uma visão apenas parcial do palco e vento, se houvesse, vinha dos seus abanadores.

Nada de intimidades. Em meio à sua arquitetura neoclássica, luxuosa e rebuscada, com colunas em mármore de Carrara, inspirada na edificação italiana Teatro alla Scala, patenteava-se a divisão social. Os escravizados, a exemplo das prostitutas, ficavam separados em um salão distante de seus senhores, além de subir as escadarias pelas bordas, ao lado dos donos da borracha. Aos escravizados era proibido pisar no centro das escadas.  Nem as prostitutas e nem os escravizados assistiram a espetáculo algum, óbvio.

Quando reparei o assoalho de um dos pisos do teatro, levei um susto do tamanho de minha ignorância: o chão, em madeira de lei, era decorado com a suástica. À minha pergunta e cara de perplexo, a guia esclareceu-me e pacificou-me: a suástica é um símbolo milenar, usado por mais de cinco mil anos por diversas culturas. Seu nome vem do sânscrito “svastika”, que significa “boa sorte” ou “bem-estar”. Antes de Hitler, a suástica representava a paz, vejam só.

Na época do fuhrer, os nazistas, que inspiram congêneres e seus procedimentos atualmente, tinham o hábito de apropriações indébitas. Depois das atrocidades por eles cometidas, o emblema foi identificado ao ódio, ao crime e ao racismo. Esse Partido Nazista e seus pupilos… Mas, no Theatro a suástica é só a Paz. Ufa!

Aliás, livrei-me desse susto com um concerto “Uma Noite com Tó”, em homenagem ao compositor e violonista Tó Teixeira, considerado um dos maiores nomes da música amazônica. Se estivesse vivo, o artista paraense comemoraria 132 anos neste a ano.

Emocionante, o espetáculo pode ser considerado uma mostra da alma sonora da Amazônia, com a participação da Orquestra Tó Teixeira de Choro e direção musical de Salomão Habib. Confesso meu até então desconhecimento de quem era Tó, considerado o “poeta do violão” e o primeiro violonista negro a realizar um concerto público no Pará. Foi autor de mais de 250 composições que misturam ritmos populares amazônicos. Tó desenhou a alma musical da gente amazônica; o Brasil deveria conhecê-lo de vez.

Na mesma Praça da República, o Waldeco, apelido que deram ao Teatro Experimental Waldemar Henrique, é voltado para o fomento e a experimentação de diferentes linguagens artísticas. A dezenas de metros de distância estão um teatro centenário, extremamente luxuoso, e outro, com cara e o jeito de agora.

A praça, aliás, tem monumentos pra todos os gostos, alguns descascados, outros mais vistosos. Há um deles, luxuoso, em mármore, inaugurado em 1897, com a figura de uma mulher, saudando o regime que substituiu o Império, com um ramo de oliveira na mão, simbolizando a paz. Há um “gênio” erguendo o estandarte da República e, garantem, gritando “Liberdade”. Seus olhos estão petrificados, como sempre foram.

A descrição da praça e seus seculares detalhes ocupariam muitas páginas. Melhor é conhecê-la e cair no carimbó. O ar molhado não arrefece o calor da dança. Arraste as sandálias e rode a saia! A mescla de sons e cores toma conta do domingo, em dança profana. Amém.  É algo emocionante assistir ao bailado, com pés sacudindo areia. Meus olhos ficaram das cores dos vestidos das dançarinas. Continue lendo

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9:39Saudosismo

De vez em quando esbarro num saudosista. É um sujeito esplêndido, que vive enfiado no passado. Direi mais: – vive feliz e realizado no passado como um peixinho num aquário de sala de visitas. E convenhamos que isto é bonito, é lindo. (Nelson Rodrigues)

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9:23A FRASE

Por que a Copa do Mundo demorou tanto pra acabar?

*De um torcedor do Atlético Paranaense depois da vitória de ontem sobre o São Paulo por 2 a 1 em virada de seis minutos. Com o resultado o time alcançou o terceiro lugar do Campeonato Brasileiro

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9:11Privatização foi ótima para os acionistas e péssima para o Paraná, diz Gleisi

Do PT do Paraná

Em menos de três anos após a privatização da Copel, a empresa já distribuiu R$ 5,87 bilhões em dividendos e juros aos acionistas, valor 89,5% superior aos R$ 3,1 bilhões recebidos pelo governo do Paraná pela venda da companhia. Para a deputada federal e pré-candidata ao Senado Gleisi Hoffmann, os números revelam que os acionistas da empresa foram os principais beneficiados pela venda da Copel, e não a população do Paraná.

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8:41Certezas das dúvidas

A Executiva Estadual da Federação União Progressista (UP) se reúne logo mais em Curitiba e oficializa o apoio à candidatura Sandro Alex (PSD) ao governo do Paraná. A aposta no candidato de Ratinho Junior à sucessão foi acertada em conversa do governador com o deputado federal Ricardo Barros, líder do PP no Paraná. Na semana passada ele disse em entrevista que a escolha baixou um clima de incerteza na trincheira onde milita. Como tudo mudou é mais um mistério típico da política – e só as urnas responderão se o acordo foi acertado ou não. Em tempo: a UP vai homologar o apoio à candidatura de Alexandre Curi (Republicanos) ao Senado. Neste casa, sem nenhuma dúvida.

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8:07Sem Lula, Flávio não vai

Se Lula resolver não comparecer aos debates, Flávio Bolsonaro também não vai. Se isso de fato acontecer, a dúvida é se as emissoras vão manter a programação só  com os candidatos que até agora são traço ou pouco mais que isso nas pesquisas.

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7:05LEROS

de Carlos Castelo

Fui ao cinema assistir A Odisseia, de Christopher Nolan, porque sempre desconfiei de qualquer diretor capaz de transformar a guerra de Troia em Identidade Bourne.

Entrei para decifrar o filme. Saí com a impressão de que ele havia me decifrado e não gostara do resultado. Na fila encontrei um sujeito que afirmava ter lido Homero no original. Achei admirável. Eu também já li um cardápio em grego e, desde então, admiro qualquer língua que faça uma salada de queijo de cabra custar o mesmo que caviar russo.

Atrás dele havia um casal discutindo se Nolan produz filmes difíceis ou espectadores inseguros. Concordei com os dois. Pena que covardia não paga meia-entrada.

A sessão começou e o silêncio era tão solene que temi estar numa aula de meditação tibetana com a monja Cohen. O homem ao meu lado anotava observações num bloquinho. Imaginei que fosse crítico de cinema, mas talvez estivesse apenas registrando os momentos em que fingia compreender a trama. É um hobby válido. Eu mesmo finjo entender meus parentes.

Quando as luzes se acenderam, todos saíram com expressão meditabunda, como se tivessem atravessado o Mediterrâneo, a nado, e voltado com a obrigação moral de dizer que o filme era extraordinário. Eu também caminhei lentamente; não por reflexão, mas porque minha bexiga estava a ponto de explodir após três horas de projeção.

Se a verdadeira odisseia era chegar ao fim do longa-metragem acreditando que havia entendido tudo, posso anunciar: fracassei de maneira épica.

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6:43Festa no interior

por Lea Oksenberg, no Vigília Comunica

As três senhoras da Comissão Pastoral atravessaram a rua como quem estava prestes a conquistar mais uma fiel para o rebanho. Vinham saudar a vizinha nova, esclarecer os princípios morais da cidadezinha e garantir um discreto aumento no banco da missa. Do lado de cá da porta, no entanto, deram de cara com uma figura bicho-grilo total: saia longa que começava abaixo do umbigo, colares, pés no chão, o clima riponga dos anos 70 e a maresia da capital ainda impregnada na pele.

As beatas sorriram e ensaiaram o convite, crentes de que a moça se enquadraria no modelito local. Lurdinha, com a inocência de quem achava que o mundo inteiro vivia no “paz e amor”, soltou um simples e desarmante:

— Obrigada, não é a minha praia.

Selado o primeiro desastre diplomático da aventura. Aquele vilarejo era só o começo de uma colisão com o Brasil profundo, aquele que a urbanidade dela desconhecia. E a recusa da igreja seria a menor das confusões. E lá foi Lurdinha para outra cidade, esta ainda menor. Veio o pior: o choque cultural era gigantesco, fora que ela sentiu a maracutaia armada e partiu para a denúncia de corrupção. Não deu outra: o jeito foi fugir no meio da noite, acelerando na poeira para não levar bala de coronel.

Na cidade seguinte, porém, o perigo deu lugar ao tudo de bom e do melhor. Naquele fim de mundo, o social girava em torno do clube: tardes à beira da piscina, carteado e o ritmo preguiçoso de quem só queria aproveitar. A antiga bicho-grilo logo virou figura querida — com direito a muita festa, comes e bebes e até “pegar emprestado” milho na roça alheia para fazer a pamonha, que tinha toda uma dinâmica.

Para Lurdinha, tudo era uma gostosa brincadeira. Por isso, quando sugeriram que ela se batizasse para acalmar as velhinhas da cidade, ela topou na hora, só pela farra e pelo afeto daquela gente.

A mesma moça de saia de chita e miçangas atravessou a paróquia. Diante do padre e sob o olhar divertido dos amigos do clube, recebeu a água benta na cabeça em uma cerimônia solene e engraçadíssima. Para ela, o sagrado e o profano dançavam no mesmo ritmo: o que importava era a festa no interior.

Os pais jamais souberam de uma única linha dessa odisséia. Morreram sem desconfiar das pamonhas e muito menos do batismo de ocasião. A história ficou guardada como o tesouro de quem viveu sem pedir licença — e sem perder a graça.

A vida inteira, eterna noite / Sempre a primeira /Festa do interior (Festa do Interior -Abel Silva e Moraes Moreira)

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6:08Como era gostoso o meu comentaristês!

por Sérgio Rodrigues, na FSP

Quebrando linhas e pisando na área, jargão teve auge na Copa. Antigamente, entregar gols não era nada de que se orgulhar

Quebra linhas, entrega gols, gera jogo, quebra pro ataque, ataca os espaços, ataca a profundidade, acha o passe, tem muita qualidade, jogador diferente, consegue machucar o adversário, faz bloco baixo, alarga o campo, joga entre linhas, faz o facão, dá uma fatiada, gesto técnico perfeito, desmonta a defesa, pisa na área, chapa no canto.

Há uma linguagem codificada dos comentaristas de futebol —em parte criada por jogadores e nem tão nova, mas de todo modo recente no tempo histórico— que teve sua apoteose na Copa do Mundo de 2026: o comentaristês.

Antigamente —tempo vago que a maioria de nós situa no século passado, o velho vintão—, se uma pessoa dizia que fulano entregava gols, ninguém que a ouvisse teria dúvida: estava falando de um goleiro inclinado a engolir frangos ou, no máximo, de um zagueiro trapalhão. Entregar gols era concedê-los.

O uso do verbo “entregar” no sentido daquilo que um goleador faz ao marcar gols, ou um time ao obter vitórias, é uma contaminação do inglês “deliver”, com seus ares corporativos de triunfo profissional, de tarefa bem-cumprida.

Naquele tempo, vale notar ainda, machucar o adversário era assunto para o juiz —às vezes convocado a punir o agressor com o cartão vermelho, dependendo do caso— e, claro, para o departamento médico.

Alguns torcedores também machucavam e eram machucados na saída dos estádios, em escaramuças de hostes rivais. O sentido de agredir, mas esportivamente, é extensão figurada de um verbo antes associado apenas a danos infligidos por violência física.

Acredito que a ideia tivesse sua beleza quando começou a circular. A repetição a tornou cansativa: metáfora velha se cristaliza, vira chavão. E só algumas vezes se sedimenta em linguagem comum, como em asa de xícara, dente de alho e pé de mesa.

Esses são eventos raros. Com a possível exceção da chapada no canto, a maioria dos tiques, expressões, imagens, bordões —numa palavra, jargão— dos comentaristas de futebol de hoje vai morrer, virar pó, sumir, quando o seu tempo passar e outra geração vier, com novas palavras e sentidos.

história da linguagem do futebol tem muitas camadas geológicas. Escavando fundo, vamos encontrar quípers, centerfors e córners fossilizados. Se o sabor era de anglofilia, hoje mal se disfarça certo viés tecnocrático.

Quebrar linhas? Não, isso ninguém sabe o que evocaria a ouvidos antigos. Provavelmente nada —não na língua do futebol. Mudando o contexto, talvez pudesse querer dizer “destruir a marretadas trechos de linha férrea” ou coisa parecida.

Durante a Copa —que procurei assistir ao máximo e que achei estupenda, mesmo com todos os senões—, esse patoá de locutores e comentaristas me incomodou bastante. Registrar seu espalhamento pelo vocabulário de trabalho de tantos profissionais virou uma fonte de fascínio e irritação.

Agora que a Copa acabou, vejam só, me pego quase com saudade desse sabor específico de trololó, o comentaristês, que por tantas semanas me embalou tardes e noites. Vou ali atacar uma profundidade para ver se passa.

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