14:25STF dá 48 horas para sete tribunais de justiça explicarem pagamentos de ‘penduricalhos’

Do G1

Conforme despachos de Moraes, Zanin e Dino, caso a ordem não seja cumprida, responsáveis poderão sofrer o afastamento do cargo de direção, além de responderem a processos.

Os ministros Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin e Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), deram nesta segunda-feira (6) prazo de 48 horas para os presidentes de sete tribunais de justiça explicarem o pagamento dos chamados “penduricalhos” – verbas indenizatórias que ultrapassam o teto constitucional de remunerações.

Os ministros tomaram a decisão após reportagem do jornal “Folha de S.Paulo” que apontou que diversos tribunais estaduais teriam desrespeitado o entendimento que limita os penduricalhos firmado pelo STF em julgamento ocorrido no dia 25 de março deste ano.

Segundo a reportagem, teriam sido autorizados pagamentos remuneratórios e indenizatórios que, somados, ultrapassariam os limites fixados pelo Supremo, atingindo valores de até R$ 495 mil em alguns casos.

Os ministros determinaram a intimação imediata dos presidentes dos Tribunais de Justiça das seguintes unidades da federação: Distrito Federal;

  1. Goiás;
  2. Maranhão;
  3. Paraná;
  4. Rio de Janeiro;
  5. Rio Grande do Norte;
  6. Rondônia

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11:21O Bicho

de Manuel Bandeira

Vi ontem um bicho
Na imundície do pátio
Catando comida entre os detritos.
Quando achava alguma coisa,
Não examinava nem cheirava:
Engolia com voracidade.
O bicho não era um cão,
Não era um gato,
Não era um rato.
O bicho, meu Deus, era um homem.

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9:55Moro no país dos Ratinhos

por Felippe Anibal, na revista piauí

As gafes, as rachadinhas, os aliados duvidosos e os duzentos prefeitos do PSD que assombram a candidatura do ex-juiz ao governo do Paraná

Depois do pronunciamento de alguns aliados, como o ex-procurador Deltan Dallagnol e o deputado federal Filipe Barros, Sérgio Moro assumiu o microfone. Mantendo o padrão de seus discursos de pré-campanha, atacou o PT, pregou contra a corrupção e martelou a importância da segurança pública. Moro é pré-candidato ao governo do Paraná. “Eu quero convocar cada um de vocês, todos, para lutar, lutar e lutar pelo nosso estado e pelo Brasil”, disse, encerrando a fala em tom triunfal. Foi aplaudido de pé pelos apoiadores que, naquela noite de terça-feira, 23 de junho, lotavam o Porto Santo – um salão de eventos com capacidade para 1.320 pessoas, em Paranaguá, litoral do Paraná.

Ao fim do encontro, Moro foi abordado por uma repórter. Antes de formular a pergunta, ela fez um breve preâmbulo, mencionando que o Porto de Paranaguá é o segundo maior do Brasil, e jogou a bola para o senador: “O que o senhor tem a dizer do nosso porto em relação aos parnanguaras?” Moro ficou confuso. “Parnanguaras, a população indígena, lá?” E prosseguiu, antes de ouvir a resposta: “Ora, tem que preservar os direitos da população indígena, mas preservar esses direitos não deve ser empecilho também ao crescimento econômico.”

Ávido leitor de biografias, Moro acumulou mais uma gafe para a sua. Parnanguaras não é o nome de nenhuma tribo, e sim o gentílico de quem nasce em Paranaguá. O deslize repercutiu, sobretudo devido à importância do município, considerado o berço do Paraná. Foi fundado em 1648 e hoje é o 13ª mais populoso do estado, com cerca de 150 mil habitantes. Graças ao porto, exerce papel importante na infraestrutura logística da região.

Adversários caíram em cima. Pré-candidatos ao governo e ao Senado, respectivamente, o deputado estadual Requião Filho (PDT) e a deputada federal Gleisi Hoffmann (PT) gravaram vídeos ironizando Moro. Requião Filho disse que ele “não conhece o estado que quer governar”. O ex-juiz não teve alternativa senão publicar um vídeo pedindo desculpas. “Meu caneco! Olha só, dia corrido, muito barulho. Ouvi uma coisa e respondi outra”, disse. “Meu todo respeito a nossa cidade-mãe, histórica do Paraná, Paranaguá.”

Segundo integrantes da campanha ouvidos pela piauí, o vídeo e a expressão “meu caneco” – usada pelos paranaenses para demonstrar espanto ou surpresa – foram sugestão do marqueteiro Marcelo Cattani, um veterano que tem no currículo campanhas de Beto Richa (ex-prefeito de Curitiba e ex-governador do Paraná), Rafael Greca (ex-prefeito de Curitiba) e Cida Borghetti (ex-governadora). Em 2022, foi Cattani quem cuidou da campanha de Moro para o Senado, cobrando 435 mil reais pelo serviço. Acabou conquistando a confiança do ex-juiz, que se elegeu com quase 2 milhões de votos. Agora terá uma missão mais trabalhosa. Continue lendo

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8:16O que pode vir por aí

Para anotar e acompanhar a marcha das negociações: o MDB dos pré-candidatos Rafael Greca, para o governo, e Alvaro Dias, para o Senado, pode se juntar ao PSD, Republicanos e Podemos para ter possibilidade de conseguir conquistar algum resultado nas urnas e ajudar a coligação a levar a disputa do governo ao segundo turno contra Sergio Moro. É isso que o experiente Alvaro Dias pensa porque sabe que o partido não tem estrutura para bancar a disputa solo. A conferir.

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7:37Neymar entrou e…

por Leandro Demori, no X

O problema de ter levado Neymar é que ele teria que entrar. Muita gente avisou o óbvio.

Ancelotti, sabendo que o jogo estava indo pro vinagre, não seguraria a bomba de perder com Neymar no banco. Se o fizesse, seria eternamente acusado de que abriu mão de tentar ganhar o jogo porque, clarro, Neymar faria alguma mágica que não faz há anos. E aí o treinador desmonta o time para enfiar um jogador que caminha em campo.

Convocação das mais absurdas da história das copas, em nome de patrocínio, grana, interesses particulares.

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6:52NELSON PADRELLA

O GAROTO QUE AMAVA BUUUEEMMMBBAASSS

O pequeno genovês passeava por los jardines de la cassa paroquiale. Seu mentor espiritual, que tinha a mania de esfregar abóbora nos córno para ficar com cara de mujer enbarassada, encontrou-o na esquina dos canteiros de cenoura com o de alface.
– Bença, mãe – cumprimentou o pequeno ser.
– Mãe é á pu tky bariu.

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6:19A Copa dos protagonistas e das bolhas virtuais

por Mauricio Stycer, na FSP

A ironia é que faltou um protagonista ao Brasil. Os grandes jogadores, hoje, são protagonistas não só nas quatro linhas

“Copa dos protagonistas” é um epíteto que se disseminou por quase todos os meios de comunicação na tentativa de resumir o que está sendo este Mundial. Não consegui identificar a origem, nem se o termo nasceu de forma orgânica ou se foi plantado por alguém. Em todo caso, sinto o odor de publicidade sempre que algum narrador, empolgado, grita na televisão que essa é a “Copa dos protagonistas”.

Ora, no final das contas, toda Copa é dos protagonistas, dos melhores jogadores de cada seleção, dos destaques individuais que afloram naturalmente num jogo coletivo. Convencionou-se dizer que a Copa de 1962 foi de Garrincha; a 1986, de Maradona; a de 1994, de Romário, e por aí vai. Mesmo a Holanda de 1974, que celebrizou o “futebol total”, tinha Cruyff como protagonista.

A necessidade de sintetizar e simplificar é natural no jornalismo. Mas transmissões esportivas, hoje em dia, vão muito além do jornalismo. São eventos em que a informação é engolida pelo entretenimento na busca desenfreada por audiência e engajamento. É muita diversão, emoção e empolgação, naturais ou empostadas. Envolve patriotismo. E muitos negócios.

Os grandes jogadores, hoje, são protagonistas não apenas dentro das quatro linhas, mas em um universo paralelo ao do mídia tradicional. No Instagram, no TikTok e que tais, eles escrevem a própria história, da forma que desejam. É o que um articulista do Instituto Poynter, uma referência em estudos de mídia, chamou de “pós-jornalismo esportivo”.

Junto com esse fenômeno, há também o dos influenciadores digitais, que impulsionam de forma pouco crítica, quando não publicitária, as narrativas dos “protagonistas”.

E, ocupando o espaço do antigo jornalismo profissional, temos o “colunista-torcedor”, cujo clubismo explícito o leva a colocar em primeiro plano a paixão por um determinado time e/ou por jogadores que admira.

As enormes bolhas de fãs ocupam um espaço cada vez maior e são observadas com reverência e temor por quem lida com elas, sejam veículos de comunicação, sejam agências de publicidade. Elas fazem barulho, não apenas festejando seus ídolos, como pressionando e criticando quem se coloca no caminho dos “protagonistas”.

A convocação de Neymar foi um exemplo do poder que todo esse ecossistema pode exercer sobre o mundo do futebol. As críticas pesadas a Roberto Martinez, técnico de Portugal, por ousar substituir Cristiano Ronaldo aos 36 minutos do segundo tempo, no jogo contra a Croácia, também são exemplares das pressões envolvidas no negócio.

Vale lembrar que, neste Mundial, como em outros recentes, os protagonistas, em sua grande maioria, jogam em clubes da Europa e disputam a Champions League, o torneio entre clubes mais valorizado do mundo. Falar em “Copa dos protagonistas” é uma maneira de convidar o espectador a torcer por jogadores, não por seleções, e de seguir colado à tela da TV ou do smartphone quando o torneio terminar.

A cobertura da CazéTV nesta Copa deixou evidente, para quem ainda não tinha se dado conta, que a transmissão de eventos esportivos atingiu um novo patamar de reverência às jovens tribos de fãs desses “protagonistas”. O canal no YouTube formou, ele próprio, uma gigantesca comunidade, que atende ao gosto da sua clientela e, ao mesmo tempo, a ensina a ver futebol de uma nova maneira.

A ironia é que faltou um protagonista ao Brasil.

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6:04 O cavalheiro e o pântano

por Carlos Castelo

Ancelotti é um cavalheiro. Elegante, educadíssimo, paciente. Um homem capaz de perder para a Noruega e ainda cumprimentar Haaland como quem agradece ao garçom pelo café. Mas, neste dia em que o Brasil saiu da Copa pela porta lateral, Carlo foi menos técnico da Seleção do que zelador de um condomínio em chamas.

A Noruega, um país que o brasileiro médio só lembrava por causa do bacalhau (e de um atacante construído em laboratório por vikings), fez aquilo que o Brasil não consegue há décadas: jogou sabendo quem era. Nosso selecionado, em compensação, entrou em campo como uma ata de reunião da CBF: confuso, cheio de nomes importantes e sem nenhuma conclusão prática.

Carlo chegou ao Brasil com sobrancelha de cardeal e a calma de quem já sobreviveu a Cristiano Ronaldo, Ibrahimović e Florentino Pérez. Portanto era imune ao absurdo. Mas subestimou o produto nacional. Aqui, o nonsense não é acidente: é organograma.

Sua função, descobrimos tarde demais, não era apenas montar um time. Era sorrir para a câmera, abençoar o release, chamar desespero de “processo”, improviso de “variação tática” e convocação esquisita de “observação ampla”. A Seleção virou uma mistura de laboratório, vitrine e missa de sétimo dia.

 Contra a Noruega, emergiu a verdade. O Brasil não foi eliminado apenas por Haaland ou por Ødegaard. Foi eliminado por si mesmo.

A Noruega, com a brutal simplicidade dos nórdicos, apenas correu, marcou, esperou, atacou. Sem samba, sem firula metafísica, sem comercial de BET antes do hino. Somente futebol.

O time de Carlo, por sua vez, jogou como quem perdeu o mapa. Havia talento, claro. Sempre há. Produzimos talentos como repartição produz carimbo. O problema é transformar talento em time, time em ideia, e ideia em coragem. Isso já exige uma competência que não cabe num release da CBF.

E o mais cruel é que Ancelotti, por educação ou prudência, aceitou o teatro até o fim. Não esperneou. Não quebrou mesa. Não denunciou o circo. Apenas ergueu a sobrancelha, como quem contempla a queda de Roma. Talvez fosse o entendimento tardio de que, na Seleção, o técnico é menos comandante e mais maître: não escolhe o cardápio, apenas administra a confusão das mesas e tenta impedir que a cozinha pegue fogo antes da sobremesa.

Não conseguiu. O restaurante inteiro explodiu muito antes do prato principal.

No final, a CBF realizou sua especialidade: pegou um dos preparadores mais vitoriosos do futebol contemporâneo e o converteu em personagem de repartição: um Michelangelo contratado para pintar faixa de pedestre.

  E assim saímos da Copa. Não exatamente derrotados pela Noruega, mas desmascarados por ela. Os bárbaros só fizeram o serviço sujo com a limpeza.

Voltamos para casa mais cedo, como de costume. A diferença é que, desta vez, não dá nem para culpar o azar. Até ele, coitado, também deve estar pedindo demissão da CBF.

(Publicado no Estadão)

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