
Anok Yai
Do Analista dos Planaltos
Não, não se trata da inauguração de mais um restaurante da tradicional família italiana. É apenas o apelido transitóri da luxuosa Churrascaria Batel Grill que tem abrigado mais jantares políticos que a tradicional casa de Santa Felicidade. Menos comensais em pré campanha , ambientes menores .
É também o QG do candidato ao governo Sandro Alex , que toda semana escolhe um deputado da base do governo para apresentá-lo aos eleitores entre espetos de rodízios . Em Curitiba o ponta-grossense Sandro é um estranho no ninho . Se passar na Boca Maldita ninguém o reconhecerá. O jeito encontrado pela coordenação de campanha foi organizar jantares para aproximá-lo de formadores de opinião.
Alexandre Curi e Ney Leprevost, que são nascidos em Curitiba,foram os primeiros escalados para lotar o salão da churrascaria. Sandro se apresenta no palco com o bordão de campanha usado por Oriovisto Guimarães na campanha pelo Senado – “Meu nome é Sandro Alex”
O senador usava “ Meu nome é Oriovisto Guimarães “. Sandro completa com outra frase feita: “ Sou o homem escolhido pelo Governador Ratinho para ser o candidato ao governo. “ Diz isso meio desconfortável, por estar ao lado de Alexandre Curi que foi preterido na escolha e ainda é o favorito dos prefeitos e deputados .
Bem feita a apresentação formal , depois fala com algum entusiasmo sobre a obra da Ponte de Guaratuba, as rodovias em concreto e as concessões do governo federal. Também critica moderadamente os adversários que fazem campanhas de oposição ao governo disruptivas e combativas , indiretas para Requião Filho e Sérgio Moro.
Pouca farinha para um pirão de campanha que tem que ser forte e com os eleitores distraídos e mais interessados nos jogos da Copa do Mundo. No final , com o pratos servidos, nada muito mais diz , e nem lhe é perguntado.
Do jornal O Sul
João Carlos Ortega, chefe da Casa Civil de Ratinho Junior, está na mira de deputados estaduais aliados do governador do Paraná. É cobrado por segurar emendas dos parlamentares para redutos. Dia desses, há testemunhas, foi questionado numa rodinha pelo chefe diante de deputados. A assessoria informa que “a gestão de Ratinho bate sucessivos recordes de investimentos, inclusive com a maior execução, de R$ 7 bilhões.
Assim veio:
Muita gente não sabe, mas as mulheres tiveram um papel decisivo na discussão e estabelecimento de direitos sociais básicos na Assembleia Nacional Constituinte – que entre 1987 e 1988 -, reescreveu a nova lei máxima do Brasil após mais de duas décadas de ditadura militar.
Essa história é apresentada no documentário “Elas escreveram o futuro: mulheres e a Constituinte”, realizado pelo Instituto Defesa da Classe Trabalhadora (iDeclatra) em parceria com o Museu da Democracia, com o apoio do Ministério das Mulheres – @mmulheres.
A obra audiovisual, dirigida por Daniel Billio, responsável por trabalhos como “Tragédia em Santa Maria” (2013) e a série “3 Tonelada$: Assalto ao Banco Central” (2013), resgata a atuação das mulheres na redemocratização do país, passando por episódios fundamentais como a formação do Conselho Nacional dos Direitos da Mulher (CNDM), o “lobby do batom” e a campanha “Mulher na Constituinte”. O lançamento acontece no próximo hoje (02) em Curitiba*. Continue lendo
Tem fumaça no MDB? Tem. Rafael Greca não é incendiário, mas quem o acolheu como pré-candidato ao governo do Paraná lembra que ele prometeu uma chapa forte mas… o prazo acabou – e nada. O partido, minguado, tem dois deputados estaduais e um federal. Corre o risco de diminuir a “bancada”, Outro enrosco é o dinheiro do fundo partidário. Greca, obviamente, quer a maior parcela, afinal, uma campanha para governador custa caro. A possibilidade de aglutinar outros partidos para a empreitadae também está dificil. A possibilidade de atrair o PSDB morre no que pensa Beto Richa, que não quer ver Greca nem se ele ficar magrinho. Por tudo isso a especulação de uma suposta conversa do governador Ratinho Junior com o ex-aliado brotou antes da viagem para os EUA. Na verdade a ideia de levar Greca para o time do Palácio Iguaçu, que está patinando, pode acontecer no retorno de Ratinho Jr, que está em férias. Por enquanto Greca nega e faz gracinha para vender caro o retorno. Isso é política!
Do enviado especial
O Blog Politicamente informa que circula uma resolução do PSD do Paraná proibindo a manifestação de qualquer filiado em apoio a outro candidato ao governo que não seja Sandro Alex. O enquadro é geral, mas dirigido principalmente aos 162 prefeitos eleitos pelo partido em 2024 e deputados que correm atrás da reeleição neste ano. Não são poucos os que costeiam outra cerca desde a escolha de Ratinho Junior. Muitos já tornaram pública a indignação com as promessas de recursos não cumpridas pelo Palácio Iguaçu. Um que leu a notícia resumiu: Bateu o desespero no prédio principal do Centro Cívico!
por Thiago Amparo, na FSP
Objetivo é normalizar as bets como um fato da natureza. Crianças e adolescentes estão expostos ao mundo de apostas
Chego ao aeroporto de Congonhas, em São Paulo.
Perto das esteiras de bagagem há telões com propaganda de bets esportivas. Ligo o celular e o streaming da CazéTV parece mais um programa de bets com jogos da Copa no intervalo que o contrário. Vou ao bar pé-sujo ao lado de casa: três banners de bets, funcionários de camiseta de apostas. Abro o jornal no celular e leio sobre El Niño, com o texto interrompido por tigrinho. A onipresença de bets no cotidiano não ocorre à margem da regulação; é fruto justamente da parca regulação.
Essa propaganda está em todas as esferas do cotidiano, fazendo com que as bets sejam normalizadas como um fato da natureza, o que não são. Não se trata de acaso, mas de um modelo de negócio.
Relatório do Itaú Unibanco de 2024 mostrou que o setor de apostas online investe mais em propaganda no Brasil que em outros países, entre R$ 5,8 e R$ 8,8 bilhões, cerca 45% a 75% da receita (no Reino Unido, é de 20%).
A massiva propaganda de bets não visa só vender mais apostas, mas uma ideia: a de sua inevitabilidade na vida do país. Aumenta-se, assim, o custo político de proibi-las, com influenciadores e parlamentares cooptados pelo setor.
O discurso de autorregulação tampouco faz sentido. Liberadas no governo Temer (2018) e não regulamentadas por Bolsonaro até o fim de seu mandato, as bets tiveram, sob Lula, em 2023, uma regulação de propaganda insuficiente.
Corretamente, a lei atual restringe propaganda a menores de idade, veda associar bets a êxito pessoal e proíbe mentiras sobre chances de ganho. O governo federal cogita agora, como um voto franciscano de pobreza, restringir que se exalte o lucro. O problema com tais medidas é que, com a permeabilidade das bets no cotidiano, estes e outros limites regulatórios implodiram. Crianças e adolescentes são expostos a bets, e apostar já integra a paisagem.
A analogia com o cigarro é útil, mas requer ir além: o cenário não é mais de “fume com responsabilidade”; bets hoje são o Cazé abrindo nossas bocas e enfiando fumo goela abaixo.
por Lea Oksenberg, no Vigília Comunica
Passamos quatro anos calculando cruzamentos, trocando técnico e jurando que o futebol é uma ciência quase exata. Aí vem a Copa do Mundo, chuta o tabuleiro e nos deixa com cara de tacho. Quem, em sã consciência, apostaria um único centavo que a rigorosa Alemanha cairia diante do Paraguai, ou que a Holanda veria o resto da festa pela televisão? Ninguém. Mas o futebol é mestre em rasgar manuais.
Agora, no meio desse cenário de cabeça pra baixo, o país cruzou com o maior teste de maturidade da história da nossa participação em Copas. O perigo atende por um nome que, talvez, na Escandinávia deva ser de uma imponência danada, mas que cruzando a linha do Equador virou um autêntico “deus nos acuda” na internet. O homem tem dois metros de altura e se chama… Rola.
Pronto. O brasileiro, que já não leva a vida muito a sério, se entregou aos memes. O drama de domingo mudou de figura. Ninguém consegue prever o impacto psicológico de uma zaga que passará noventa minutos preocupada em “marcar o Rola” ou, pior, em como o narrador vai explicar um gol do adversário na hora do almoço em família. A verdade é que ninguém quer ver o Rola crescendo na área no domingo.
É a velha e boa vingança do imponderável contra os cientistas da bola. O futebol insiste em nos lembrar que a vida real sempre guarda um drible torto ou um nome improvável para nos desconsertar. No domingo, o país vai prender a respiração a cada bola alçada na área. Não apenas pelo medo do gol, mas pelo pavor de descobrir que, no grande teatro do mundo, a lógica perdeu de goleada para a mais pura comédia humana.
“Foi um gol de anjo, um gol de placa, de fato
Que a galera agradecida assim cantava:
Fio Maravilha, nós gostamos de você
Fio Maravilha, faz mais um pra gente ver…”
(Fio Maravilha – Jorge Benjor)
por Wilson Bueno
Agora, Turco, que você não morre mais, entabulo contigo esta breve conversa no escuro. E te confesso, mal sei por onde começar — tanto a vida andou conosco, e tanto tempo, meu Deus!, que temo errar de mão e pôr isto aqui em lágrimas, a última coisa que você desejaria de nós, os teus amigos, mesmo sob o signo da cumplicidade que nos embalou esta vida cachorra durante quase 40 anos. E que agora, sem dó nem piedade, a morte horrível usurpa, trai e vilipendia.
Desnecessário dizer que o teu riso mordaz — pronto a transformar em pó de traque a caretália dominante —, fica conosco — mais lição do que lembrança, e a ternura com que você se debruçava sobre nossos toscos textos ou a nossa vida pessoal tanta vez dilacerada, não haverá, por certo, quem os substitua — a um ou à outra. Esta conversa no escuro talvez seja maior que nós e denuncie Deus com uma veemência — desusada em nós quando se tratava do mistério e do Destino.
Lembro da gente feito dois meninos, o que, a rigor, nunca deixamos de ser — moleques em nossa constante irreverência, imitando pompílias & valfridos, você que era capaz de rir até mesmo daquilo que o matava. Que dizer de si ou dos amigos que o amaram sempre com um admiração alguma vez atônita e desesperada?
Não tenho outro modo para situar a tua passagem por nossas vidas senão lembrando que você foi o desvelo, a promessa, a sempre renovada esperança. E a tua generosidade, sobretudo a tua generosidade intelectual, há de nos servir de guia e caminho. Este, sem dúvida, o teu maior legado, ao pequeno círculo de amigos que o acompanhou praticamente por toda vida — de Fábio Campana a Nêgo Pessoa e Aroldo Murá, de Pissetti a Roberto Requião, do saudoso Vinhóles ao igualmente saudoso e saltitante Perly, o dândi velhote que, um tempo, conosco levava a madrugada ao cais da aurora.
Os teus livros, estes hão de nos sobreviver a todos, porque você foi, Turco, aceite ou não, o melhor de nós, animado por uma chama a um tempo genial e diabólica. Não serão o teu enrustimento, a tua incurável timidez, capazes, garanto, de anular o que neles é alta lição da melhor arte literária, ali onde você foi, queira ou não, Turco, mestre consumado. Você sabe, também, que isto aqui não é, em hipótese alguma, um elogio fúnebre. No máximo, um preito de gratidão e de saudade… Continue lendo
O PT do Paraná informa
Após denúncia do deputado Arilson, MP-PR apura contratos da Celepar ligados a sócio do irmão de Ratinho Jr.
Líder da Oposição na Alep denunciou, em janeiro, vínculos empresariais indiretos em licitações da Celepar; contratos investigados podem chegar a R$ 164 milhões
O Ministério Público do Paraná (MP-PR) abriu apuração para investigar possíveis irregularidades em pregões eletrônicos da Companhia de Tecnologia da Informação e Comunicação do Paraná (Celepar) vencidos pela Linea Tecnologia em Comunicação Ltda., cujo proprietário é sócio de Gabriel Martinez Massa, irmão do governador Ratinho Jr. (PSD), em outra empresa. Em janeiro deste ano, o deputado estadual Arilson Chiorato (PT), Líder da Oposição na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) e presidente do PT-PR, denunciou o vínculo empresarial indireto e pediu esclarecimentos sobre as licitações.
A investigação do MP-PR tem como foco um pregão que prevê contratos de até R$ 146 milhões para o programa Mural Digital, plataforma utilizada pela Celepar para transmissão de conteúdos e oferta de serviços públicos por meio de televisores e lousas digitais. Além desse procedimento, dados do Portal da Transparência mostram que a Linea firmou outros 17 contratos com a estatal entre 2023 e 2026, no valor de R$ 16.993.740,00. Somados, os contratos podem alcançar aproximadamente R$ 164 milhões.
Para o deputado Arilson, a decisão do Ministério Público demonstra que os fatos apresentados por ele mereciam uma apuração aprofundada. Continue lendo
Do Filósofo do Centro Cínico
O número de brasileiros que apostam em bets triplicou durante a Copa do Mundo. Agora são 34% da população sonhando com uma bolada e com vitórias do time do italiano. Se por acaso a seleção brasileira voltar pra casa antes da final, é o caso de afirmar que o apostador tomou no furico duplamente.