
Nastassja Kinski – Foto de Helmut Newton
De Eduardo Pimentel, no X
A ANTT abriu a consulta pública da nova concessão da Malha Sul, que vai definir o futuro da ferrovia na região pelos próximos 30 anos. Para Curitiba, essa discussão precisa incluir uma solução para o trem de carga que corta a cidade ao meio. “Curitiba não pode ser obrigada a conviver por mais 30 anos com um problema que a população enfrenta há décadas. O trem de carga corta a cidade ao meio, fecha passagens, atrasa a vida de quem trabalha, estuda e precisa se deslocar todos os dias. É um problema que afeta a mobilidade, a segurança e a qualidade de vida dos curitibanos. Por isso fui a Brasília várias vezes e falei com clareza ao Ministério dos Transportes e à ANTT: Curitiba precisa ser ouvida. Não faz sentido discutir o futuro da ferrovia sem discutir também o futuro da cidade. Somos favoráveis ao investimento, à modernização e ao fortalecimento da logística do Paraná e do Brasil. Mas não dá para chamar de avanço uma concessão que mantenha o mesmo problema pelos próximos 30 anos. A solução passa pela retirada dos trilhos da área urbana e pela construção de um contorno ferroviário. É isso que Curitiba espera e merece. Vou defender essa posição até o fim. Porque quem mora aqui sabe o tamanho do transtorno que o trem causa todos os dias. Estamos abertos ao diálogo, mas uma coisa é certa: Curitiba não vai assistir, de braços cruzados, a uma decisão que impacta diretamente a vida da nossa população.”
O STF informa
Decisão do ministro Flávio Dino atinge entes que não apresentaram planos de trabalho ou relatórios de gestão de recursos destinados a eventos entre 2020 e 2024
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou, nesta terça-feira (9), a aplicação de multa diária de 1% sobre o valor de cada emenda parlamentar recebida por estados e municípios que não apresentaram planos de trabalho, complementação de cadastros ou entrega de relatórios de gestão de recursos oriundos de “emendas Pix” destinadas à realização de eventos de 2020 a 2024.
A multa, que abrange todos os entes inadimplentes no âmbito do Ministério do Turismo, deverá valer até que sejam apresentados os planos de trabalho (ou complementados os já cadastrados) e os relatórios de gestão na Plataforma Transferegov.br.
Do G1
Quaest, 1º turno: Lula tem 39% e Flávio Bolsonaro, 29%
Pesquisa é a primeira da consultoria após a revelação dos diálogos entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro e medidas do governo Trump sobre o Brasil. Na sequência, aparecem Renan Santos e Caiado, com 3% cada, e Aécio e Zema, com 2%.
Pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira (10) mostra o presidente Lula (PT) à frente no 1º turno com 39% das intenções de voto, seguido pelo senador Flávio Bolsonaro (PL), que tem 29%.
Na sequência, aparecem o fundador do MBL Renan Santos (Missão) e o ex-governador Ronaldo Caiado (PSD), ambos com 3%. O deputado federal Aécio Neves (PSDB) e o ex-governador Romeu Zema (Novo) pontuam com 2% cada.
Em maio, na pesquisa anterior, Lula tinha 39%, e Flávio, 33%. O cenário daquela pesquisa era diferente, com 10 pré-candidatos. Agora, são 13.
Pela primeira vez, a Quaest incluiu os nomes de Aécio Neves e de Joaquim Barbosa entre os pré-candidatos.
O deputado do PSDB pode disputar a eleição presidencial pela segunda vez, após a derrota em 2014. Já o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) aparece como nome do Democracia Cristã no lugar de Aldo Rebelo.
Veja os números da Quaest de junho:
Na pesquisa da Veritá publicada ontem, Alvaro Dias estava em quinto lugar na disputa para o Senado com 6,1% das intenções de voto. Hoje, na Paraná Pesquisas, ele deu um salto expressionante para o primeiro lugar, com 37,7%. Ao comparar, o Gaiato da Boca Maldita lembrou uma expressão do caudilho Leonel Brizola – e questionou: “Algo há!”
Da revista Veja
A situação de Sergio Moro na nova pesquisa sobre a disputa pelo governo do Paraná
Senador do PL mantém liderança folgada sobre o segundo colocado
*O Paraná Pesquisas entrevistou 1.500 eleitores paranaenses entre os dias 7 e 9 de junho. A margem de erro é de 2,6 pontos percentuais para mais ou para menos e o protocolo de registro na Justiça Eleitoral é PR-06978/2026.
Confira a pesquisa completa:
Do enviado especial
Observadores políticos mais atentos ao universo das pesquisas eleitorais estão curiosos com um dado divulgado nesta terça-feira (09) pelo Instituto Veritá.
Em maio, segundo o instituto, 71% dos paranaenses não sabiam em quem votar ao Governo do Estado, cenário mais próximo das demais sondagens já divulgadas.
Agora em junho, de acordo com a mesma Veritá, apenas 33,2% não sabem em quem votar, uma queda de quase 40 pontos percentuais em apenas um mês – sem nenhum fato relevante que mudasse o cenário.
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por Lea Oksenberg, no Vigília Comunica
Clarice cruzou o corredor com a determinação de uma CEO prestes a fechar um grande negócio. Postura firme, passos decididos, cara de poucos amigos. Entrou na cozinha, parou exatamente entre a geladeira e o armário de temperos, abriu a boca para ditar uma ordem ao universo e… o vazio. O absoluto e humilhante nada.
Em menos de três segundos, a mente de Clarice — que, um piscar de olhos antes, debatia-se entre as grandes crises conjunturais e a gravidade de esquecer de comprar papel higiênico — transformou-se em uma ruidosa tela em branco.
Ela olhou para o micro-ondas. O aparelho a encarou de volta, piscando o relógio de maneira insolente. Parecia zombar da sua pane de memória recente. “O que me trouxe aqui?”, perguntou-se, num monólogo digno do teatro do absurdo doméstico. Teria sido o desejo por um picolé diet? A necessidade urgente de resgatar um pano de prato? Ou ela simplesmente entrou na cozinha para contemplar o infinito?
Sem pista nenhuma, Clarice aplicou a tática universal dos desesperados: refazer os passos, como um detetive de filme policial. Voltou ao ponto de partida, o sofá da sala.
Foi aí que a segunda fase do plano de sabotagem residencial entrou em ação. Decidida a anotar o que quer que fosse na sua agenda para não esquecer mais, percebeu que faltava o equipamento básico de sobrevivência e blasfemou: Cadê os óculos?
Não estavam na mesa. Nem na estante. Nem dentro do sapato — uma conferência neurótica que ela fez por puro desencargo de consciência, já que, a essa altura, as leis da física pareciam suspensas naquele apartamento. Clarice iniciou uma busca insana. Levantou as almofadas, checou os vãos do sofá, quase ligou para o próprio número para ver se a armação tocava, praguejando silenciosamente contra a colônia de gnomos invisíveis que certamente pagava aluguel na sua sala.
Só parou quando, ao passar a mão pela testa para enxugar o suor da indignação, os seus dedos bateram em algo como um aro. Os óculos estavam ali, confortavelmente aninhados no topo da sua cabeça, assistindo de camarote, e de primeira classe, a todo o espetáculo.
Já com os óculos devidamente rebaixados para o nariz, a visão do mundo clareou e, num estalo humilhante, a memória resolveu voltar de seu breve passeio. Clarice marchou de volta à cozinha, abriu o armário com a dignidade de uma vitoriosa e pegou exatamente o que motivara toda aquela odisseia: um simples copo d’água.
Enquanto bebia, concluiu: esquecer as coisas não é um defeito de fábrica nem é a idade cobrando o pedágio. É apenas a cabeça fazendo uma limpeza de disco necessária, deletando arquivos temporários para abrir espaço para a próxima chave que, inevitavelmente, vai desaparecer como tudo tem dado sumiço.
“Deus dá a todos o espetáculo, mas fecha a cortina para os distraídos.” (Helena Kolody)
por Elio Gaspari, na FSP
Mordaça não anda sozinha. Sigilo de cem anos envolvendo licenças para o funcionamento de casas de jogos poderia ter justificativas, mas, com explicações mambembes, deixa um cheiro de queimado
No domingo, o repórter Vinícius Valfré revelou que o Ministério da Fazenda impôs um sigilo de até cem anos aos documentos que tratam da autorização para o funcionamento de casas de apostas no Brasil. A mordaça excluiu até a hipótese de se liberar somente os trechos que não contivessem informações sensíveis.
Na segunda-feira, o ministro Dario Durigan informou que a medida foi revogada e será criado um grupo de trabalho para examinar o caso, dando “ampla transparência” aos processos. Tudo bem, mas mordaça, como o jabuti, não sobe em árvore, alguém a colocou lá. Para atender a qual finalidade? Falta saber.
São cerca de 25 mil documentos, muitos deles triviais. No lote, estão algumas notas técnicas produzidas pela máquina do governo. Lê-los poderá jogar alguma luz sobre a liberação dessas casas de apostas.
A mais alta autoridade que tratou do assunto foi Lula e ele é contra, mas, como já explicou, “não é dono do Brasil”.
Num ano eleitoral em que o governo brasileiro bate cabeça com o americano por causa da classificação do Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital, não poderia haver presente melhor para os adversários do governo do que um sigilo nessa área.
O governo finge que é contra a jogatina, mas desde 2025 concedeu 85 licenças, somando 187 sites autorizados para operar apostas eletrônicas, aquelas que Lula condena.
O repórter Pedro S. Teixeira mostrou que a jogatina movimentou R$ 4,5 bilhões nos quatro primeiros meses deste ano.
Semelhante ervanário equivale ao dobro do valor das apostas no mesmo período do ano passado. Mais: o governo arrecadou com as apostas um valor próximo ao que morde com o tabaco e com o agronegócio.
Existem casas de apostas que seguem as normas e existem braços do crime organizado infiltrados na jogatina. Quando o Ministério da Fazenda tentou impor um sigilo de cem anos nos processos de venda das outorgas, quem ganharia? As que estão contaminadas pelo crime, pois elas detestam falar dos seus negócios.
A porteira da jogatina foi aberta no governo Bolsonaro, que tinha planos mirabolantes para a construção de cassinos (podem chamá-los de resorts). Um deles poderia ficar dentro da baía da Guanabara. Lula 3.0, movido pela febre arrecadatória do ministro Fernando Haddad, escancarou a venda de outorgas e em três anos já arrecadou com as apostas algo como R$ 30 bilhões. Para se ver o tamanho desse dinheiro, basta lembrar que a falecida “taxa das blusinhas” gerou desconforto e impopularidade, rendendo apenas R$ 8,2 bilhões. A jogatina tem uma certa popularidade (para quem ganha) e suas consequências vão para os consultórios médicos e para as cruéis estatísticas do aumento do endividamento das famílias.
Sigilo de até cem anos envolvendo licenças para o funcionamento de casas de jogos poderia ter algumas justificativas, mas a seco, com explicações mambembes, deixou um cheiro de queimado na mordaça.
Até domingo era necessário acabar com embargo centenário. Desativado, é preciso saber quem o pôs lá, porque virão outros. O mundo da jogatina tem novidades para dar e vender.
de Manoel Carlos Karam
A fotografia dos nossos heróis correu o mundo. Meia dúzia de soldados enfiando a nossa bandeira em território taedo. A fotografia dos heróis taedos correu o mundo. Meia dúzia de soldado enfiando a bandeira taeda em nosso território. Correu o mundo. O mundo viu que era a mesma fotografia. Mas fez de conta que não viu. O mundo sempre leva a sério histórias de heroísmo.