

Na Segunda Guerra Mundial – Fotos de Robert Capa
De quanto é a fortuna de Elon Musk?
Resposta: um trilhão de dólares, valor que é maior que o Produto Interno Bruto (PIB) de 175 países, que representam 90% de todas as nações do planeta.
Outros bilionários em breve alcançarão este patamar.
Esta situação é uma consequência desmedida do capitalismo global, uma bizarrice que nos E.U.A. permitiu que esse trilionário excêntrico disponha como bem entender do seu dinheiro, sem prestar contas ao mundo e a ninguém.
Um estalar de dedos desse trilionário poderia resolver as catástrofes da Venezuela e da Palestina, poderia atenuar o problema da fome crônica em 47 países que atinge 266 milhões de pessoas, terminaria com o problema da fome aguda grave que atinge 35,5 milhões de crianças em 23 países (ONU).
Num piscar de olhos ele poderia investir em sistemas educacionais includentes, infraestrutura de água potável e energia elétrica em lugares onde impera o subdesenvolvimento econômico.
Com uma simples decisão ele poderia fomentar a solução dos problemas da poluição ambiental e da gestão de resíduos, como a acumulação de plásticos nos oceanos e o descarte de lixo que impactam a saúde pública e as enchentes nas cidades.
A questão da emergência climática e do aquecimento global poderia ser resolvida com maior agilidade, considerando investimentos maciços em energias alternativas.
O que afinal o dono de um trilhão de dólares e a banca global pretendem? Acumular mais e mais, sem se importar com o Planeta e a humanidade?
O Direito pode interferir neste processo de acumulação desmedida tributando de forma progressiva (Pikety) fazendo com que os recursos arrecadados tenham uma destinação global.
Desde sempre a Suíça e alguns países são paraísos tributários para os super ricos, pois permitem a acumulação sem responsabilidade social ou tributária, sem que se preste contas a ninguém ou a algum Estado ou organização internacional.
Não é à toa que a FIFA tem sede lá, e tantos outros personagens, bancos e empresas de poucos comentários ou investigações.
O mundo perde biodiversidade, com a destruição dos habitats naturais, com o desmatamento predatório que está levando espécies à extinção, pela destruição da estabilidade do clima, as secas prolongadas, ondas de calor e tempestades severas.
Isso tudo pode coexistir com um novo clube de bilionários e trilionários globais?
Eis o paradoxo global que precisa de uma solução jurídica e econômica.
Assim veio:
O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), ligado ao Ministério Público do Paraná (MPPR), cumpriu mandados de busca e apreensão, na manhã desta segunda-feira (29), contra o presidente da Câmara Municipal de Curitiba (CMC), Tico Kuzma (PSD).
Os mandados foram cumpridos no gabinete de Kuzma na Câmara e a endereços ligados ao vereador. De acordo com o Gaeco, a Operação Prática Corrente cumpriu 13 mandados de busca e apreensão domiciliar e pessoal. O objetivo da ação, diz o MP, é apurar a possível prática de venda de cargos públicos na estrutura do Poder Executivo Municipal e do crime de “rachadinha” envolvendo o presidente da Câmara Municipal de Curitiba.
Da revista Veja
A nova rodada da pesquisa BTG/Nexus sobre a disputa presidencial, divulgada nesta segunda-feira, 29, mostra empate técnico entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), em eventual disputa de segundo turno entre os dois. Segundo o levantamento, se as eleições fossem hoje, Lula teria 47% dos votos e Flávio, 44%. Branco, nulo e nenhum chegam a 8% e 1% não sabe ou não respondeu. Em relação à última sondagem do instituto, de 15 de junho, o senador oscilou 1 ponto percentual para cima, enquanto o petista, dois pontos para baixo.
Lula: 47% (eram 49% em 15 de junho)
Flávio Bolsonaro: 44% (eram 43%)
Nenhum/Branco/Nulo: 8% (eram 8%)
Foram entrevistados 2.009 eleitores por telefone, entre os dias 26 e 28 de junho. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. A pesquisa foi registrada na Justiça Eleitoral sob o número BR-08521/2026.
por Luiz Felipe Pondé, na FSP
O petista poder ser reeleito é uma anomalia republicana. A direita se afoga na herança maldita de uma família
O simples fato de que Lula —ou qualquer outro presidente de qualquer outro partido— pode ser reeleito no Brasil “n” vezes para o primeiro cargo da República prova que somos uma República das bananas. Trata-se de uma anomalia republicana. Neste momento, parece não haver esperança política para o Brasil no horizonte. Brasília é uma Babilônia.
Seremos enganados pela gangue do PT por décadas sob a ladainha de que “progressista corrompe para o bem” ou seremos objeto de líderes incapazes —os Bolsonaros. E, também, seremos vítimas dos abusos do STF que tem no Brasil o seu quintal. Enfim, a grande virtude do povo brasileiro parece ser não desesperar da vida diante de tantos delinquentes que assolam as elites do país.
O caso do Lula —ou qualquer outro presidente por décadas— poder ser reeleito até chegar à condição de faraó imortal do país é gritante. Para além de que o Lula será presidente pela quarta vez com idade muito avançada —como Joe Biden e Donald Trump nos Estados Unidos— e que não se fala muito disso na mídia profissional porque ele é “progressista”, há o dado inegável de que o PT não consegue gerar nenhum outro candidato viável porque o Lula transformou o partido no seu galinheiro privado.
A direita, por sua vez, se afoga na herança maldita de uma família, os Bolsonaros, que se arvorou, com palmas da maior parte daqueles que se dizem conservadores, no direito de também ter um galinheiro para chamar de seu. A democracia brasileira hoje pode escolher entre dois galinheiros: o do Lula ou o dos Bolsonaros.
A reeleição é objeto de crítica por grandes filósofos, em momentos distintos da história, mas essa platitude parece ter sido esquecida nessas terras de dois candidatos péssimos. Talvez, a única forma menos indecente de votar esse ano seria recusar ambos. Mas, quem disse que, num regime numérico como a democracia, deveríamos esperar outra coisa além da estupidez em grande escala?
Para citar alguns poucos famosos, Aristóteles, Montesquieu, Rousseau, Tocqueville e mesmo Karl Popper, epistemólogo, todos eram contra, de uma forma ou de outra, a ideia de que representantes do povo se eternizassem no poder.
Para eles, a não alternância no poder representaria, basicamente, dois tipos de degeneração. A primeira sendo a corrupção do caráter do líder —digamos, a pessoa física do líder. A segunda sendo a corrupção institucional do Estado —digamos, a pessoa jurídica, ou seja, a máquina do Estado cooptado pela gangue. Quando um mesmo líder e seu partido permanecem muito tempo no poder, necessariamente ele colonizará o Estado de tal forma que, por anos, mesmo se não reeleito, o Estado será deles.
De forma sucinta, haveria duas razões básicas, apesar de distintas à primeira vista, para se recusar tanto o Lula quanto o Flávio Bolsonaro nessas eleições. Contra o Lula é o fato indiscutível de que ele é um líder populista barato, desgastado, que quer ser o imperador louco do Brasil, que mantém sua gangue sugando o país até virarmos uma ameixa seca.
Contra seu opositor, a coisa é aparentemente mais simples de enunciar: além de também querer ascender à condição de líder de gangue, ungido pelo papai e não mais apenas capo de quadrilha de batedor de carteiras, Flávio Bolsonaro parece carregar consigo uma herança maldita, a saber, uma reduzida capacidade cognitiva e epistêmica.
Literalmente, estamos no mato sem cachorro. E logo começará o triste espetáculo da propaganda eleitoral, o circo da democracia. Uma das maiores contradições da democracia são as eleições —um circo de mentiras. Mas quem disse que apenas a democracia detém o monopólio da mentira na política? Política e mentira são inseparáveis.
Política e mentira andam de mãos dadas desde sempre, sendo a diferença específica da democracia nessa parceria, apenas, o fato de que na democracia mentir está ao alcance de todos. Democratizamos a mentira, que passou a ser um direito universal de todo cidadão.
Nas formas monárquicas —ou tirânicas—, oligárquicas —ou aristocráticas—, o direito à mentira era para poucos. Na democracia, todos têm acesso à prática da mentira. Vale lembrar que desde a Antiguidade só se conhece essas três formas de governo.
A polarização enquanto tal nos remete ao fato de que o conjunto social tende à pobreza semântica, ou dito de outra forma, tende à estupidez. Com as redes sociais como agente político nessa escalada, esse traço das multidões alcançou a imortalidade.
E para coroar a Babilônia, uma aposta: o caso Master será enterrado com honra zero. Os Três Poderes se reunirão para sepultá-lo.
de Manoel Carlos Karam
O recrutamento por telefone contrariou todas as perspectivas. Um sucesso. Não era necessário o exército telefonar, o povo ligava pedindo para ser recrutado. Na época correu um boato, o número do recrutamento era também o número da loteria nacional, prêmio de um milhão. O exército não desmentiu, pelo contrário, levou em consideração. Os generais gastaram um milhão por conta do boato.
por Luis Claudio Oliveira
O ótimo livro de José Carlos Fernandes*
Procura um livro divertido e inteligente? É este do José Carlos Fernandes
Se prefere um que seja bem escrito, mais do que isso, um exemplo de escrita? É este do José Carlos Fernandes.
Se o seu interesse é em um livro leve, de crônicas sobre assuntos diversos, que fale das coisas simples da vida. Então é este do José Carlos Fernandes.
Mas se você gosta de livros que nos faz pensar e é cheio de referências para quem quiser se aprofundar nos assuntos tratados? Ah, daí é este livro do José Carlos Fernandes.
Agora, se o que te faz a cabeça é um livro que te faça rir, mesmo passando por alguns momentos de reflexão, aí não tem jeito, tem de ser este livro do José Carlos Fernandes.
Se busca uma prosa sofisticada, mas não afetada e muito menos metida a besta, é claro que tenho de te indicar este livro do José Carlos Fernandes.
Se quiser um livro rápido, que dê para ler tanto na praia quanto no café, ou mesmo na biblioteca, ah, já sabe, né, é este livro do José Carlos Fernandes.
Se para você, o melhor livro é aquele que dá para comentar no bar, ou em uma reunião com amigos, este livro do José Carlos Fernandes é perfeito.
Gostaria de um livro que fosse um retrato da sociedade deste início de século XXI? Poxa, este do José Carlos Fernandes é perfeito.
Ah, sim, já sei. Você quer um livro para presentear e fazer bonito com a pessoa amada (e colher os frutos do bom gosto)? É este do José Carlos Fernandes.
Se, para você, livro é cheio de um monte de palavra escrita e só serve para calço de mesa, ou tapar um furo na sola do sapato. Então vá se catar e procurar outra coisa, que este aqui do José Carlos Fernandes não é pro seu bico.
*Na Brasílio com a Ângelo (Telaranha)
por Hayton Rocha
Uma de minhas sobrinhas-netas já passou da idade dos porquês. Pelo menos era o que eu imaginava. Quando criança, queria saber por que o céu era azul, por que o mar era salgado ou por que o cachorro do vizinho latia para motocicletas, mas nem ligava para os caminhões. Agora cresceu. As perguntas diminuíram de quantidade e aumentaram perigosamente de qualidade.
Esta semana apareceu aqui em casa, segurando um punhado de figurinhas da Copa do Mundo.
— Tio, tem jogador negro nas seleções da França, da Inglaterra, da Alemanha, da Holanda, da Suíça, da Suécia… até do Japão. Por que não tem na seleção da Argentina?
Nessa idade, a gente ainda acredita que o mundo precisa fazer sentido. Não sabe a pequena curiosa que os mais velhos passam metade da vida inventando explicações para coisas que nem eles próprios entendem direito.
Ganhei alguns segundos examinando uma figurinha imaginária. É um recurso antigo: quando a resposta não aparece, a gente finge que está pensando, mas, na verdade, torce para que ela apareça sozinha.
Esses álbuns fazem milagres. Ressuscitaram uma espécie que muitos cientistas já davam como extinta: crianças conversando umas com as outras. Voltaram as rodinhas nos corredores da escola, os encontros nas livrarias, as negociações nos shoppings, a felicidade de completar uma página e a tristeza de descobrir que a figurinha repetida era justamente a que ninguém queria trocar. Há muito tempo um pedacinho de papel colorido não humilhava com tanta classe uma tela de celular.
Enquanto ela aguardava minha resposta, lembrei de uma velha frase de Chico Buarque. Dizia que, no Brasil, só a Xuxa era branca e, mesmo assim, se não se casasse com o Taffarel, os brancos desapareceriam. Era uma hipérbole, claro, mas dessas que dizem muito. Chico zombava de nossa mania de esquecer que este país nasceu da mistura. Africanos, europeus, indígenas e asiáticos acabaram formando um povo em que a pureza racial existe apenas na imaginação de quem nunca se deu ao trabalho de conversar com os próprios antepassados.
A Argentina trilhou um caminho diferente. Durante mais de um século cultivou a fantasia de ser uma nação essencialmente branca, descendente dos milhões de europeus que chegaram entre o fim do século XIX e o início do XX. Os povos indígenas e os afrodescendentes foram sendo empurrados para as bordas da História, como quem varre poeira para debaixo do tapete acreditando que a visita não vai reparar.
Essa ideia reapareceu há poucos anos, quando o então presidente Alberto Fernández declarou que os argentinos “vieram dos navios”, enquanto os mexicanos “vieram dos índios” e os brasileiros “saíram da selva”. A frase provocou indignação não apenas pelo preconceito implícito, mas porque a genética mostrou outra realidade. Boa parte dos argentinos também carrega ancestralidade indígena e africana. A miscigenação existia; faltava disposição para reconhecê-la.
Por isso a ausência de jogadores negros na seleção argentina continua despertando tanta curiosidade. Não existe qualquer política de exclusão conhecida. Os estudiosos apontam fatores demográficos, históricos e sociais. Ainda assim, não deixa de ser emblemático que um país miscigenado apresente ao mundo justamente a imagem que passou décadas tentando construir.
Minha sobrinha-neta ouviu tudo em silêncio. Quando terminei, fez aquela cara de quem agradece o esforço do professor, mas percebe que ele respondeu apenas metade da pergunta. E tinha razão. A História costuma explicar muito, mas quase nunca explica tudo.
Antes de voltar às figurinhas, perguntou:
— Então você não sabe exatamente por quê?
Respondi que não. Mas acrescentei uma última observação.
— Só sei de uma coisa. Se a História tivesse seguido outro rumo e um certo menino negro, nascido em Três Corações (MG) e criado em Bauru (SP), tivesse vindo ao mundo alguns quilômetros mais ao sul da fronteira, o sofrimento do povo brasileiro seria bem maior.
Porque suportar argentino campeão do mundo já exige paciência e resignação com os desígnios divinos. Imagine, então, se Pelé tivesse aprendido a cantar o hino olhando para a Casa Rosada. Não bastassem Maradona e Messi, ainda teríamos de conviver com o Rei vestindo azul e branco.
Há desgraças que Deus, em sua infinita misericórdia, simplesmente não permite.