

Fotos de Gary Breckheimer
A convenção do PSD acontece logo mais em Curitiba. O nome de Sandro Alex para disputar governo do Paraná será oficializado. Ele é o homem escolhido pelo governador Ratinho Junior. Na plateia do Espaço Torres muita gente vai olhar, ouvir, aplaudir e pensar que tudo poderia ser diferente. Isso é política!
por Graciliano Ramos*
Possuímos, segundo dizem os entendidos, três poderes: o Executivo, que é o dono da casa, o Legislativo e o Judiciário, domésticos, moços de recados; gente assalariada para o patrão fazer figura e deitar empáfia diante das visitas. Resta ainda um quarto poder, coisa vaga, imponderável, mas que é tacitamente considerado o sumário dos outros três. (…) Aí está o rombo na Constituição quando ela for revista, metendo-se nela a figura interessante do chefe político, que é a única força de verdade. O resto é lorota.
*Em artigo publicado no Jornal de Alagoas em 1915
Do Filósofo do Centro Cínico
De 2024 a 2026 os parlamentares do Congresso destinaram menos de 1% das emendas para ações que beneficiaram crianças e adolescentes brasileiros. Isso é uma coisa. A outra é que os 99% da dinheirama que sobrou ficou difícil de rastrear porque os bolsos eram muito fundos e vários tinham zíper com cadeado. Contas em paraísos fiscais também são um mistério – elas estão em locais muito, mas muito distantes do nosso querido país do mulato inzoneiro.
por Adriana Fernandes, na FSP
Durigan foi escalado para atuar como bombeiro após conversas de bastidor de coordenador de programa de governo. Mas se quiser convencer, ministro da Fazenda deveria dar pistas mais claras do que pode vir por aí
Substituto de Fernando Haddad na Fazenda, Dario Durigan atuou como bombeiro na campanha para a reeleição do presidente Lula, na tentativa de apagar os ruídos provocados por conversas de bastidores de representantes da Faria Lima com Sérgio Gabrielli, coordenador do programa de governo.
O ministro buscou consertar o “efeito Gabrielli” ao afirmar que o governo não pretende adotar medidas de controle de capitais. Para completar, disse que vai “melhorar o fiscal, custe o que custar” ao defender medidas para conter as despesas obrigatórias.
Só a necessidade de dar explicações para contrapor o que disse Gabrielli sobre questões tão básicas a fim de evitar que o caldo entorne em 2027 mostra que a divisão no governo sobre os rumos da política econômica segue presente. Haddad encarou essa disputa.
É por isso que as palavras de Durigan soam vazias para os analistas que buscam respostas sobre como será a economia num eventual quarto mandato de Lula. As declarações revelam o que há de retrógrado no governo: a aposta em medidas que deram errado e que fecham as portas para o novo.
Não há espaço nem para discutir inovações com o objetivo de cortar despesas que são ineficientes. É desolador que a essa altura achem que consertar as contas públicas não é prioridade, mas sim submissão ao mercado, e que o problema seja a “centralidade da política de juros”, como sugeriu Gabrielli.
Faltando poucos meses para as eleições, ninguém acha que Durigan vai dizer o que pretende fazer para corrigir os problemas das contas públicas com medidas amargas.
Certamente o ministro não repetirá Paulo Guedes, que nas eleições de 2022 enviou um projeto de Orçamento para o primeiro ano do governo eleito sem recursos para programas importantes, como o Farmácia Popular, e depois avisou que precisaria adotar medidas duras para refazer a peça orçamentária.
Se quiser convencer, Durigan deveria dar pistas claras do que pode vir por aí. Para começar, precisa conter o pacote de bondades eleitorais, que não acaba. O alargamento do socorro às empresas afetadas pelo tarifaço é a prova disso.

É um breu, sem direito à luz, sacrossanta virgem ou ímpia que seja, que nos ilumine os espaços e o chão. Melhor conviver com a escuridão do interior da Igreja de Santo Alexandre, com os olhos bem abertos para, em minutos, delinear seu interior, suas imagens e sua paz. Sua escuridão é exigida, me contam, porque não pode receber luz natural direta em algumas paredes e móveis por ter sido foi construída no século XVII.
O templo, que já foi sede da Companhia de Jesus, na época do Brasil Colônia na década de 1650, era chamado de igreja de São Francisco Xavier e faz parte do Museu de Arte Sacra. A arquitetura barroca original jesuítica, que prezava por paredes espessas e poucas aberturas, garantia (garante) o controle térmico. Parece algo surreal: em pleno século XXI a iluminação provocar estragos em madeira nobre. Mas, a água do mar não corrói metais?
A luz, especialmente a daqueles que a frequentam, fica por conta de cada um. Enxerguei, sim, a escuridão feito luz e seus contornos a propor recolhimento na Igreja de Santo Alexandre.
Belém oferece um tour religioso invejável tanto para crentes como para agnósticos. A igreja de Santo Alexandre é próxima à Catedral Metropolitana da Sé, que foi construída no Século XVIII, mas está toda bonitona, com fachada restaurada, conservando detalhes barrocos. Quero ver quem consegue visitar seu interior e não rezar. Pode até ser ateu.
Bem perto dali, há ainda a Igreja de Nossa Senhora do Carmo. Não há ímpio que resista: a beleza do seu interior foi projetada com a participação do famoso arquiteto bolonhês Antônio Landi. A cidade, aliás, é cheia de figurinhas carimbadas em sua arquitetura, inclusive em seu casario antigo.
E, claro, tem religiões e igrejas pra todos os gostos. Desde grandes catedrais até pequenas congregações de bairro e igrejas em casas etc. não falta onde rezar. Uma informação interessa: a região Norte é a que tem o maior percentual de evangélicos do país: 36%. Até na Ilha do Combu há uma pequenina igreja frequentada por evangélicos.
Em Belém, há rezas e cerimônias religiosas para todos: católicos, evangélicos, espíritas, igrejas de matriz africana e espaço até para doutrinas esotéricas. Se depender disso, desconfio, o reino dos céus abrigará belenenses feito nuvens. Sei lá.
Na capital paraense, os católicos ainda são maioria: 55% dos belenenses. E eles, por exemplo, devem ter um rosário com mais de uma centena de igrejas. A mais famosa é a Basílica Santuário de Nossa Senhora de Nazaré ou simplesmente “Basílica” como os belenenses se referem a ela, grandioso santuário e atração turística a atrair milhares, crentes ou ateus. Sua beleza, com vitrais espetaculares e iluminação que tranquiliza, me deixou zonzo, emocionado, sem palavras. Há um órgão, em posição elevada na entrada principal, a enlevar musicalmente, com nada menos que 1,1 mil tubos, o imenso salão.
A beleza, tanto externa quanto interna da Basílica, com vitrais espetaculares e iluminação que tranquiliza, me deixou zonzo, emocionado, sem palavras. Pouco antes da missa das 18, envolto pelo brilho de luzes no interior da igreja, confirmo a informação de que o “Círio de Nazaré” é a maior manifestação católica do Brasil e considerado Patrimônio Cultural da Humanidade. A peregrinação, de mais de 3 quilômetros, sempre no segundo domingo do mês de outubro, chega a reunir 2 milhões de fiéis em mostra de fé à Nossa Senhora de Nazaré. Saio do encanto da basílica mais zonzo do que quando entrei.
Não só nas crenças e nos ritos religiosos, mas em seu viver Belém é uma cidade ecumênica. No seu todo, inclusive nos (des) níveis sociais, suas dores e em seus escorregões humanos envoltos em mais de quatro séculos, a capital paranaense é uma espécie de soma. Indisposta a definições apressadas, com crenças, tradições, valores e costumes diversificados. Chega até a ter um viés meio caribenho, embora esteja a mais de cem quilômetros do mar, mas recompensada com a baia de Guajará e seu trio de rios. De ar molhado e quente até no inveno.
É um encontro cultural, no sentido antropológico mais amplo, de indígenas, negros e brancos, sobrando umas beiradas para árabes e japoneses, mistura que convive nas esquinas da América Central, vizinha de beiradas da Guiana, Suriname, Guiana Francesa, entre os mais próximos, e com outros povos também miscigenados. Ou seja, um pedaço de Brasil bem brasileiro.
Da assessoria de imprensa da UFPR
Número de inscritos no vestibular da UFPR tem o maior aumento da década e volta ao patamar pré-pandemia
O número de inscritos no Vestibular 2027 da UFPR aumentou 9,4% em relação ao vestibular anterior, chegando a 43.290. É o maior aumento da década e marca o retorno ao patamar pré-pandemia: em 2019, a UFPR teve 43.520 inscritos, e desde então o número vinha ficando sempre abaixo de 40 mil.
“Essa notícia é motivo de comemoração não apenas pelo número de inscritos, mas também porque, com mais candidatos, tende a aumentar o percentual de ocupação de vagas, que é um dos grandes objetivos da nossa gestão”, disse o reitor da UFPR, professor Marcos Sunye. Ele lembra que, paralelamente, a UFPR busca reforçar as políticas de permanência, para que cada vez menos estudantes abandonem o curso antes de se formarem.
Dos 43.290 inscritos no Vestibular 2027, 20.856 (48%) informaram ter cursado o ensino médio integralmente em escola pública.
Para o diretor do Núcleo de Concursos da UFPR, professor Marco Antonio Randi, um dos fatores que colaboraram para o aumento no número de inscrições foi a mudança no modelo de prova para fase única, em um só dia: “Além de facilitar a vida de candidatos que precisam sair de suas cidades para fazer a prova, a adoção da fase única também reduz a coincidência de datas com outros vestibulares, o que acaba sendo um fator de estímulo para as inscrições”. Continue lendo
De Beto Richa, no Instagram:
A Federação PSDB-Cidadania decidiu aceitar o convite do governador Ratinho Junior para integrar a coligação do candidato do PSD a governador, Sandro Alex, e apoiar ainda a candidatura do deputado Alexandre Curi (Republicanos) para o Senado. A definição ocorreu na noite desta quinta-feira (23), após reunião de Ratinho Junior e Sandro Alex com o deputado federal Beto Richa, presidente da Federação PSDB-Cidadania.

Belém te encharca de verde. Em boa parte de suas ruas, formam-se verdadeiros túneis com galhos de mangueiras, tão brasileiras, mas asiáticas na certidão de nascimento, ao lado de outras árvores de grande porte. Sabe uma floresta recheada de concreto, ferro, cimento, asfalto, postes, fios, esse plantio humano? Pois é.
Claro, há bairros de ruas peladas, sem as matas de galerias. Mas, por outro lado, há imensas ilhas verdes e lindas em meio à essa cidade de cerca de 2 milhões de pessoas, com mazelas de grandes urbes: trânsito alucinado e fumaça de ônibus em abundância em grande parte das avenidas, centenas de pessoas feito trapos amontoados e abandonados pelo desmazelo público em suas ruas centrais (a Avenida Presidente Vargas é um retrato dolorido desse contingente paupérrimo), periferias muito carentes como em todas as capitais do país etc. Cerca de 55% da população vive em áreas de favelas (baixadas ou palafitas), 27% estão na faixa de pobreza e nos locais onde essas pessoas habitam o saneamento básico tem índices rasos, talvez um dos piores do país etc.
Sim, como em todas as outras capitais brasileiras, há índices sociais desiguais, com parcela da população vivendo em bairros de classe média ou rica. Eles recebem a maior fatia dos investimentos públicos e privados em saneamento, pavimentação, segurança, saúde, entretenimento, comércio mais chique, essas coisas.
Mas, as deliciosas ilhas verdes em meio às contradições, disparates e desigualdades urbanas te lembram: você está em plena Amazônia, em uma cidade que já tem mais de quatro centenas de anos.
O Parque Zoobotânico do Museu Emílio Goeldi acorda nossas querenças ancestrais, a lembrar que somos indígenas em meio às mazelas de uma metrópole. Informam que seu acervo tem cerca de 20 mil itens. Árvores gigantescas, lideradas pela Samaúma, plantas nativas de todos os portes, abençoam a vida naquele que é considerado o primeiro parque zoobotânico do Brasil, com 159 anos, a mais antiga instituição científica da Amazônia e o segundo museu de história natural brasileiro.
Ele soma a mata (com antas, cutias, guarás e araras, entre outros animais que cruzam ruelas e trilhas à nossa frente, as áreas arborizadas, tranquilos; acho que já acostumados com a presença do bicho homem), um museu de história e arqueologia, um aquário com peixes e cobras da Amazônia e um lago onde vivem verdes e vistosas vitorias-régias. Deveriam se chamar reginas vitórias, como rainhas.
Neste museu de peças vivas, na área central da cidade, o coração de qualquer pessoa minimamente sensível às nossas coisas e à nossa gente para. Ou acelera. Lasque-se a modernidade, andei nu, embora vestido, pedaço passado no mato e pedaço futurista do urbano, e metade indígena.
Outro pedaço da Amazônia em plena urbe: o Mangal (ou Mangá) das Garças, criado em 2005 como área de proteção ambiental. Mangal não sei o que é, mas garça sei. Vivem às dúzias naquele pedaço de chão, junto a borboletas (O Borboletário José Márcio Ayres é o maior borboletário público do país, com milhares desses insetos e suas asas lúdicas a voar e colorir o ar), tartarugas, papagaios, pássaros de várias espécies, peixes, muitos outros animais e, claro, visitantes humanos e seus indefectíveis celulares. Inclusive esse que vos escreve. No Mangal das Garças, há também o Museu da Navegação, a nos lembrar o passado luso e indígena, bélico e/ou pacífico, uma mistura só. Continue lendo