16:17No balanço do circo da Copa

por Marcos Barrero*

A final de 26 foi a pior de todas as Copas. Os juízes, um desastre, apitaram para a Fifa e não para o futebol. A bola atrapalha certas aves de rapina. Um dia será banida. Questão de tempo. A imprensa já criou uma expressão estúpida: jogar sem bola.
O VAR fez o seu papel: variou. E, além de interferir na dinâmica do jogo, tomou decisões erradas que mudaram resultados.
O Irã virou um pária na competição. A delegação foi exilada no México e obrigada a ir e vir a cada jogo, até a eliminação. Seus atletas foram submetidos a humilhações e rigores nos setores de imigração, sob o silêncio da Fifa.
Torcedores do Irã e do Haiti foram proibidos de ingressar nos EUA.
Torcedores do Senegal e da Costa do Marfim não conseguiram visto de turistas.
Jornalistas brasileiros fizeram um coro de mimimi por causa da desorganização.
Se esqueceram do primeiro mandamento do bom repórter: se vira!
A Fifa deu o prêmio de melhor da Copa para Rodri. Messi ficou em segundo. Ridículo.
Inédito: a Fifa anulou o cartão vermelho do norte-americano Balogun, a pedido de Trump.
Conseguiram transformar o futebol em jogo de basquete: inventaram quatro tempos, com intervalos comerciais sob o pretexto de bicar um gole d’água.
Botaram um palco no gramado com as madonas e shakiras de sempre, como se os astros da bola não bastassem.
Foi uma Copa de protagonistas velhos: Messi, Cristiano Ronaldo, Modric, os goleiros Ochoa, Neuer, Gordon, Muslera e até Vozinha.
A seca de ídolos induziu Madonna a convocar dois nomes de quase tres décadas atrás pra pilotar seu uber: os Ronaldinhos Gaúcho e Fenômeno.
A promessa Lamine Yamal, louco por um garrinchismo, fracassou.
Algo vai mal quando Vozinha é atração (mais circense do que futebolística).
Estatísticos da Fifa apuraram recorde de chutes de fora da área.
Isso é bom sinal?
Não.
Triunfou a pressão alta de marcação. O tal 4-2-3-1(de Juan Manuel Lila, auxiliar de Guardiola).
Ou seja: está cada vez mais difícil penetrar tocando bola em qualquer defesa.
Houve renovação de valores e talentos?
Não.
Se houvesse, a revelação da Copa não seria um zagueiro, um destruidor de jogadas, como o excelente espanhol Pau Cubarsi.
A Fifa fifou.
E o Brasil?
Pergunta pro Casemiro.

*Escritor, professor, jornista, ex-editor da revista Placar

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16:09Rafael Greca e Requião Filho de olho em Fernanda Richa para vice

Na entrevista de Beto Richa para Valdomiro Cantini na Massa FM de Cascavel, hoje de manhã, o deputado federal Beto Richa disse que Fernanda Richa, sua mulher, descartou ser candidata a estadual, mas as conversas continuam para a outra possibilidade: vice-governadora. A onda de boatos sobre tal candidatura resultou numa sondagem real, ou seja, para se estudar a possibilidade de ela ser vice na chapa de Rafael Greca (MDB) ou de Requião Filho (PDT). Entre direita e esquerda, neste caso, o canal de contato foi Beto Richa. Pode ser tudo. Pode ser nada. Isso é política.

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14:50UP e os 86 candidatos

Do enviado especial

A Federação União Progressista (UP), formada pelo Progressistas e pelo União Brasil, homologou nesta segunda-feira (20) as candidaturas proporcionais para as eleições de 2026 no Paraná. Ao todo, as duas legendas apresentam 55 candidatos à Assembleia Legislativa do Paraná e 31 candidatos à Câmara dos Deputados.

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10:32JORNAL DO CÍNICO

Do Filósofo do Centro Cínico

A decisão, agora, é entre Lula e Flávio Bolsonaro. Nenhum dos dois joga um bolão que encanta todas as torcidas, apenas aquelas que comemoraram as vitórias como se fossem a primeira do Ibis depois de anos. Lula, que tenta o tetracampeonato, leva vantagem: tem a chave do cofre do Brasil e pode agradar gregos e baianos distribuindo grana preta pra uns e comida para outros. Flávio achou que o pai poderia controlar a boiada para o confronto final, mas esqueceu que ele está preso e tem como carcereiro um careca meio apagado porque sua mulher recebeu quase 100 milhões do Vorcaro e este está preso também. Lula já esteve preso engaiolado, mas para visitá-lo era só pegar a senha e cantar a música sobre o operário no poder. O atual presidente, aliás, reza e faz promessa para Nossa Senhora Aparecida para que haja mesmo segundo turno contra Flávio. Por que? Do jeito que a coisa está, só uma sombra restará do filho daquele que já foi presidente – para o enfrentamento final.

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9:21Atrás de Barros

O encontro entre o governador Ratinho Junior e o deputado federal Ricardo Barros para tratar de eleições deve acontecer hoje. O pessoal do Palácio Iguaçu tava rastreando o paradeiro de Barros desde sexta – e ele estava no interior. Hojde cedo voltaram ao trabalho. Isso é eleição. Isso é política. A conferir.

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7:41Sorriso de resina

por Lea Oksenberg, no Vigília Comunica

Para quem vivia na Curitiba dos anos 1990, a rodoviária era o verdadeiro coração pulsante do Estado. Naquela época, andar de avião era luxo só. A vida real acontecia no sacolejar dos ônibus de viagem. Como legítima moradora da capital, Marieta acabou virando a “leva-e-traz” oficial da família e dos conhecidos. Se vinha parente do interior do Paraná para resolver coisas na cidade grande, Marieta ia buscar na rodoviária. Se era hora de voltar, lá ia ela despachá-los de volta para suas cidades.
Entre os mais diversos cheiros e o barulho dos freios da antiga rodoviária, o grande santuário da juventude de Marieta era uma portinha que ela amava: a loja de artigos de mágica e brincadeiras. Atrás daquele balcão de vidro, havia um universo de tesouros. Dedos de borracha, baralhos marcados — enfim, de tudo um pouco — e… ele. O sabor escatológico da molecagem: um perfeito, brilhante e indestrutível cocô de resina.
Aquela imagem ficou gravada na cabecinha de Marieta. Ela nunca comprou, mas o souvenir exótico nunca saiu do seu bestunto. O tempo passou, e ela virou uma secretária bilíngue competente, que trabalhava em uma imponente multinacional na capital.
Mas o destino é brincalhão. Naquela mesma empresa, brilhava Elsa, uma executiva de porte cujo principal talento, além de ter uma oratória impecável, era ter nojo de existir. Elsa tinha nojinho de pegar no trinco, nojinho do vento, nojinho de respirar o mesmo ar do corredor. Um poço de frescura!
Numa tarde qualquer, Marieta precisou voltar à velha rodoviária para despachar a sogra que ia viajar. E lá, na mesma vitrine empoeirada, a pequena estatueta piscou para ela. O cocô de resina ainda estava lá, esperando seu momento de glória.
— Ah, de hoje não passa — pensou Marieta, esfregando as mãos com aquele mesmo sorriso danado dos tempos de menina. Comprou o artefato.
No dia seguinte, o cenário do crime foi o banheiro do andar executivo — um espaço e tanto, todo de mármore e com cheiro de eucalipto. Marieta entrou de fininho, posicionou a obra de arte estrategicamente no chão, ao lado do vaso, e saiu.
Não demorou dez minutos.
Elsa, a executiva cheia de nojos, entrou no banheiro. O que se ouviu a seguir foi um berro agudo que parecia vir do fundo da alma, ecoando pelo corredor de carpete da multinacional. Parecia que Elsa tinha dado de cara com uma assombração.
Do lado de fora, Marieta colou o ouvido na porta de madeira, deliciando-se com o pânico alheio. Ouvindo o desespero de Elsa, que gritava horrorizada sem conseguir sair do lugar, Marieta bateu na porta e gritou:
— Elsa! Oi, oi, oi! Sou eu, a Marieta! Tá tudo bem… Isso aí é resina, boba!
Lá de dentro, entre soluços de nojo, a voz trêmula de Elsa alcançou o corredor:
— Como assim, resina, Marieta?! O que é isso?!
Marieta, com a maior naturalidade do mundo, gritou de volta para a porta trancada:
— É resina! Igualzinho ao meu dente. Meu dente é de resina! É a mesma coisa!
A porta do banheiro se destrancou num estrondo. Elsa saiu com os olhos arregalados, alternando entre a fúria de quem queria matar a secretária e o choque da revelação odonto-escatológica. Ela encarou Marieta, que exibia um sorriso largo, orgulhosa de sua própria dentição.
A tensão no corredor durou três segundos. Elsa respirou fundo, olhou para os próprios dedos impecáveis, mirou a cara de pau de Marieta e, de repente, desabou. Mas não de nojo: de rir. Uma gargalhada alta, libertadora, que ecoou pelas paredes sóbrias da multinacional.
Entre lágrimas de riso, Elsa avançou e deu um forte e sincero abraço em Marieta. Afinal, diante da imensidão da vida, nem tudo é nojento. Ao menos o dente de Marieta não era.

Segura teu santo, seu moço, teu santo é de barro
Que sarro, dei volta no mundo e voltei pra ficar
Eu vim lá do fundo do poço, não posso dar mole pra não refundar
Quem marca bobeira engole poeira e rasteira até pode levar
(Malandro sou eu – Arlindo Cruz e Sombrinha)

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7:14O segundo mistério

O segundo mistério das tais pré-candiduras é a dúvida existencial de Alvaro Dias (MDB) sobre participar ou não da disputa do Senado (o primeiro é a escolha de Sandro Alex por Ratinho Junior, do PSD, para ser candidato ao governo). Dias lidera as pesquisas mas espalha o seu sintomáticco “não sei se vou”. Como em política a versão muitas vezes se torna realidade, este enredo de novela pode ser um recado para negociação ou proposta para assumir uma secretaria na próxima administração.

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6:55Ã?

Só 55% dos brasileiros sabem que em 2027 a Copa do Mundo de Futebol Feminino será disputada no Brasil. Os outros não gostam deste tipo de modalidade esportiva.

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6:30A derrota ainda não terminou

por Tostão, na FSP

…Ancelotti, por ser um treinador vitorioso, de prestígio mundial e europeu, como a maioria dos brasileiros queria, foi uma grande decepção. Ele não deixou de ser um excelente técnico. Embora tenha cometido alguns erros e a eliminação do Brasil tenha sido mais cedo do que nos Mundiais anteriores, o fato é mais uma demonstração da importância relativa dos treinadores.

Eles erram e acertam, pois o futebol está longe de ser uma ciência exata. Há muitos outros fatores envolvidos.

Muitas vezes, um grande time, uma seleção, se forma de repente. Os jogadores se completam em campo mais pelas características do que pelos treinamentos. A primeira vez que joguei ao lado de Dirceu Lopes e Evaldo no Cruzeiro dos anos 60, parecia que jogávamos juntos há mil anos.

Evidentemente, o melhor é que um treinador de seleção tenha um bom tempo para formar uma equipe com suas variações na escalação e na maneira de jogar.

Os times que atuam na Argentina são inferiores aos que jogam no Brasil. As duas seleções são formadas quase somente por atletas que atuam no exterior. Fora Messi, existe, mais ou menos, um equilíbrio técnico individual entre as duas seleções. Porém, o jogo coletivo dos argentinos é muito melhor, menos na final contra a Espanha.

A Argentina preenche mais o meio-campo, troca mais passes e tem mais controle da bola e do jogo. Scaloni, que jogou na Espanha, bebeu na fonte dos espanhóis. Já o Brasil, há décadas, prioriza as estocadas, os lances individuais, as bolas longas para os velozes e hábeis pontas e atacantes. Faltam craques no meio-campo.

Muitas coisas precisam mudar no futebol brasileiro, fora e dentro de campo, especialmente, na formação de jogadores.

Não há mais lugar para dividir o meio-campo entre os volantes que marcam e os meias que atacam, os goleiros entre os que jogam bem com a mão e os que jogam bem com os pés, entre os zagueiros que defendem bem e os que têm bons passes, os laterais que marcam e os que avançam e entre os centroavantes fixos e os que se deslocam por todo o ataque, bisonhamente chamados de falsos 9. Os bons atletas, durante o mesmo jogo, necessitam ter mais de uma função em campo.

Os grandes problemas do país se estendem ao futebol. Nas últimas décadas, em variados governos, o Brasil tem sido incompetente para resolver ou atenuar bastante os graves problemas sociais, educacionais, de corrupção e de criminalidade. O mesmo acontece no futebol. amal, o único excepcional atacante teve uma atuação discreta.

Apesar das bets, de Trump e da ganância da FIFA, a Copa do Mundo, no campo, foi espetacular, uma demonstração da evolução do futebol, com belos e emocionantes partidas, um número recorde de gols e jogos com muita intensidade. As seleções mostraram grande capacidade de atacar e defender com muitos jogadores, de alternar a marcação mais recuada com a pressão para recuperar a bola, de acelerar e de pausar, no momento certo.

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5:56Invertida

No país que odeia futebol e do homem que odeia o mundo, a decisão da Copa se inverteu. Argentina x Espanha foi uma pelada domingueira. Jogão foi França X Inglaterra. (Marcos Barrero)

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5:53LEROS

por Carlos Castelo

§ Trump tem um talento: fareja um holofote como um tubarão percebe sangue. Bastou a Espanha erguer a Copa do Mundo para que ele decidisse improvisar o papel de papagaio de pirata no registro histórico. A imagem era dos campeões. Mas, na cabeça dele, toda foto oficial é apenas um retrato esperando por sua desagradável pessoa.

Na fila das condecorações, o clima parecia digno de uma reunião de condomínio. Os jogadores cumprimentavam Trump com a mesma animação de quem assina um aviso do oficial de Justiça. Olhares que sugeriam um pensamento: “Vamos acabar logo com isso pra comemorar o que realmente importa”. Nos finalmente, a Espanha conquistou o mundo. Trump tentou pegar carona. Pois há quem colecione títulos. E os que só conseguem colecionar aparições. A diferença é que os primeiros entram para a História; e os outros precisam pedir licença até na foto dos vencedores.

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19:14Espanha campeã!

A Espanha venceu a Argentina por 1 a 0, gol marcado por Ferran Torres no primeiro tempo da prorrogação da partida final da Copa, e conquistou o título de campeã mundial de futebol, o segundo de sua história. Resultado normal e mais que justo.

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