


Tilda Swinton
Do Filósofo do Centro Cínico
O senador Jacques Wagner está tranquilo. A Polícia Federal o enrolou na falcatrua do Banco Master e ele ficou cantando Dorival Caymmi sobre as ondas do mar. É que a bomba explodiu um dia depois de o presidente Lula confessar para o presidente da Coreia do Sul que não é esquerdista. Wagner foi na onda e agora só repete “Eu também não!” para quem pergunta sobre o apartamento de milhões e o dinheiro que entrou na empresa da mulher do enteado dele.
A sombra de Daniel Vorcaro encaminhou a Polícia Federal na operação de hoje que mirou o senador Jaques Wagner, líder do governo Lula. Ele teria recebido pagamentos do Banco Master através de uma empresa da mulher do enteado, além de um apartamento em Salvador avaliado em R$2,5 milhões. No exterior, o prsidente Lula já teria dado sinais de jogar o acusado ao mar se forem confirmadas as acusações, coisa que ele falou sobre o filho Lulinha e até agora… nada.
Do enviado especial
Ontem à noite Sergio Moro foi a Rio Branco do Sul para um encontro regional e uma rádio local garante que menos de cem pessoas estiveram presentes. Problema mais complicado não é esse. Deputados estaduais do PL e Novo que estão na trincheira do senador querem saber como a promessa de que cada um vai receber uma boa grana para a campanha de 2026 tem condições de parar em pé. É que não há segurança de sobre a capacidade do partido de honrar a promessa, ainda mais com a quantidade de nomes em disputa.
por Carlos Castelo
Gara spoza mia,
Stô zcrivêno istu imeio c’ua mô tremêno come vara verdi nu’a ventania. Non guento maise, si signora! A vita nu gumando da Seleçó Brazileira é una urucubacca che nê o diabo quiz pigá p’ru zerviço.
Tuttus dia io agorda cedo, pigo us giornale, i lá stó us gorvo da imbrenza a mi insgugliambá come si io fosse un ladró di galligna. Si o time gagna di dois a ziro, illos aparla: “Ah, ma non gunvinceu.” Si imbata, illos aparla: “Grizi!” Si perdi, Madonna mia, parece che io adirubô o Munumento da Indipindência i avuô c’uelli p’ru Paraguái!
Io non sô maise técnigo. Io sô un sago di pangada c’ua gravatta.
Onti mesimo, un ripórtero brutto mi apirguntô: “Mistero, o signore stá priugubado c’ua pressó?” PRESSÓ? Io tegno maise pressó che un zalame n’una máguina di moê garne! Tutta simana apparece un eis-giogadóre, un pulitigo, un infrunciadóre, un troxa gualquére, tuttus munno quirêno amustrá come si faize futebóli.
I us turcedóre? Madonna Santíssima! Quano io gunvogo un giogadóre, us brutto grita. Quano io non gunvogo, us mesimo brutto grita. Io giá stô axáno che us brazileiro non gosta di futebóli. Illos gosta mesimo é di gritá.
Migna quirida, io tegno medo. Non medo di perdê giogo. Medo di ligá a tilivisó. Tutta veiz che io pigo o gontrole, sarta un gomentarista c’ua gara di gorvo aparláno che io distruí o distino da naçó. Parece che o BIB du paize delles dipendi si o bunta-dirêta marga góli o manda a bolla p’ra argubangada.
I quano io ando nu’a rua? Tuttus mi dá una ogliada. Un mi xama di giênio. Otro mi xama di ingapaz. Un terzêro mi apede una zérfi. Un guarto mi dizi che a tia d’elli afaria migliore isgalaçó. Até a tia aóra é técniga, si signore!
Io gunfesso: as veiz io figo malugo di raiva. Vuntade di aparlá: “Piga tuo isguema tátigo, faize un bagotigno i mandá p’rus infernu!” Ma io surrio. Perché si io non surri, us giornale inzcrevi che Angellotti intrô n’una guerra civile cu Brazile.
Manda p’ra io una futugrafia tua, das bella neve du Ganadá, das dranquila rua andove nissuno disgute laterale-isguerdo. Io tegno sodades. Sodades d’un lugáro andove un uómo podi masgá suo gicréti sê uvi trinta opinió zobra inbidimento.
Baccio mille,
Garlo Angellotti.
P. S. Io mi sguicí di ti aparlá una cósa: acinde una vela p’ru San Gennaro, pur causa di tirá ista disgraza ingoppa di mi! Si o time non gagna o prógimo giogo, us brutto da imbrenza vai apigá io i mi butá nu’a panella di agua guente, uguali d’un macarró! Manda p’ra io maise gicréti, perché us migno giá cabó tuttu.
(Publicado no Estadão)
por Marcos Barrero
Bastou pintar frente a frente dois bons times europeus. Inglaterra 4 X 2 Croácia foi intenso, requintado e de altíssimo nível técnico. Ninguém atrasou bola, se jogou no chão ou peitou juiz. Saíram seis (!!!) belos gols. Em uma palavra: jogão. Estamos muito, mas muuuiiito, abaixo. E vai piorar. Acabou a várzea. Só tem as inférteis escolinhas, empresários predadores e pais famintos. Acabou!
A soberania do indivíduo é uma peça de ficção bem-sucedida na sociedade contemporânea. Sob o manto da “liberdade de escolha”, mercados operam uma mutação radical: a estrutura cognitiva e emocional do sujeito é capturada para a venda de bens. A palavra liberdade, aqui, oferece verniz ideológico para exploração de vulnerabilidades biológicas e sociais. Um crime perfeito.
Essa arquitetura da servidão abrange ao menos cinco engrenagens. A cada campo econômico corresponde uma ilusão de autonomia da vontade.
Na economia do medo e do ódio, o pânico moral se tornou vetor de monetização. As plataformas digitais descobriram que o engajamento máximo deriva do conflito, e estruturam algoritmos que premiam o extremismo. O cidadão acredita exercer liberdade de expressão quando é combustível involuntário de um modelo de negócios que converte o ódio em tráfego e o medo em receita.
Na economia da atenção, a dispersão do foco inviabiliza a reflexão densa e lenta. O brasileiro figura entre os povos que mais consomem horas em redes sociais. A distração gera uma democracia com déficit de atenção. Atrofia-se a capacidade de fiscalização e argumentação democrática. Os espasmos de engajamento superficial se confundem com acesso à informação.
A economia da exaustão do 6×1 criou mecanismos inéditos de autoexploração. O empreendedorismo de subsistência é vendido como autonomia. O sujeito exausto celebra a ausência de chefe e a flexibilidade de horários, sem perceber no que se transformou. O esgotamento é o preço voluntário da busca de sucesso.
Na economia da inteligência terceirizada, a “promptificação” do raciocínio transfere o esforço analítico e textual para a plataforma. Ao delegar a linguagem e o pensamento crítico, o indivíduo abre mão da própria ferramenta de emancipação, confundindo a velocidade do algoritmo com a profundidade do próprio pensamento.
Na economia do vício, temos a ilusão da satisfação. A engenharia da dependência química e financeira opera sob o álibi da responsabilidade individual. Dados do Banco Central revelam que as apostas online movimentam dezenas de bilhões de reais no sistema financeiro, catalisadas pela instantaneidade do Pix. Capturam renda e comprometem orçamento doméstico de famílias pobres.
Há exemplo importante hoje no STF. Ação judicial da CNI contesta a competência normativa da Anvisa para proibir aditivos de aroma e sabor em cigarros. O argumento da indústria invoca “livre iniciativa” e “direito de escolha” do consumidor para mascarar e blindar o design do vício e da iniciação de jovens. Ignora que o desejo foi desenhado no nível neuroquímico para neutralizar sua capacidade de recusa.
Importante é parecermos livres. Mesmo que nosso impulso decisório seja moldado por vício químico, ódio, distração e exaustão.
Paulo Leminski provocou: “Distraídos, venceremos”. Era brincadeira. Viciados, distraídos, exaustos e embrutecidos, seremos vencidos.