Cenas de “Roma Cidade Aberta”, do diretor Roberto Rosselini
11:45Como nascem as fake news
por Cláudio Henrique de Castro
As mentiras em massa fazem parte do cotidiano das pessoas. Nascem de uma simplificação binária elementar: o verdadeiro e o falso; o bem e o mal; o corrupto e o honesto; o de esquerda e o de direita; o nacional e o estrangeiro; o a favor e o do contra; os meus amigos e os meus inimigos; o nós e o eles; ele é de Deus o outro é do capiroto.
Num jogo de futebol, onde há a violência e o enfrentamento das torcidas organizadas. A barbárie da segunda Guerra Mundial, a ascensão dos totalitarismos nazifascistas, a Guerra Fria e, agora, a ascensão de Trump e os conflitos mais recentes, um tudo ou nada, despido de racionalidade. Neste contexto, as mentiras em massa estão situadas numa falsa simetria, isto é, de falsos opostos. No cenário eleitoral, cria-se o inimigo; no contexto religioso, cria-se o herege e assim sucessivamente.
Como entram as mentiras em massa na cabeça dos eleitores?
O tráfego diário nas redes consome cerca de 1,7 GB por pessoa. Se isso for transformado em texto puro, o volume total de dados diários que atinge nosso cérebro, incluindo vídeos e feeds, equivaleria a cerca de 100.000 palavras lidas. Essa carga de estímulos é o mesmo que ler dois livros inteiros por dia ou processar duas palavras por segundo durante todo o tempo em que estamos acordados (Humology).
Assim, as informações desatualizadas, as meias informações, as omissões deliberadas, e as mentiras propriamente ditas, são confundidas com a enxurrada de dados lidos diariamente.
As mentiras contrárias à ciência são consolidadas, as reputações destruídas, os fatos contados de forma tendenciosa, sem a integralidade da matéria, sem a escuta do outro lado, isso tudo repetido e repisado com mecanismos digitais, sem controle jornalístico, acadêmico ou científico. Continue lendo
11:31Prestígio
10:15PARA NÃO ESQUECER
9:44A FRASE
9:36Justiça barra pedido de Moro para impedir governador de citar Sandro Alex em entrevistas
Do enviado especial
A juíza Adriana Simette, do Tribunal Regional Eleitoral do Paraná, indeferiu na última quarta-feira (18) um pedido da pré-campanha de Sergio Moro (PL) que pretendia impedir o governador Ratinho Junior de dar entrevistas comentando o seu apoio ao pré-candidato do PSD, Sandro Alex.
O PL questionou na Justiça respostas que o governador deu a jornalista em uma coletiva de imprensa falando sobre o crescimento de Sandro Alex nas pesquisas eleitorais e seu apoio formal à pré-candidatura do PSD. As perguntas foram feitas por jornalistas de diferentes veículos em um evento público do Governo do Estado que anunciou a criação de um programa de vacinação gratuita de cães e gatos em parceria com as prefeituras do Paraná.
“Diante da variedade de assuntos abordados na fala do atual Governador do Estado, conforme elementos trazidos pelo próprio representante, conclui-se que não há que se cogitar de enquadramento em hipótese de propaganda antecipada”, afirmou a juíza no despacho.
9:28Desencontro
Ontem, em Maringá, aconteceu o velório e enterro de Ademar Dias, 86 anos, irmão de Alvaro e Osmar. O pré-candidato ao Senado voou de Curitiba para lá e voltou para a capital antes da chegada do outro, que viajou de carro. Ou seja, eles continuam sem se encontrar há muito tempo. Isso é… isso mesmo.
9:19Calouros
No sábado, no lançamento oficial da pré-candidatura de Rafael Greca (MDB) ao governo do Paraná, ele e o ex-governador Orlando Pessuti soltaram a voz e cantaram no palco. Um espião maldoso saiu dali e imediatamente disparou um telefonema venenoso para uma trincheira de adversário: “Parecia um show de calouros”.
9:03A VIDA COMO ELA É
8:11Em defesa dos penduricalhos
Presidente do Sindimagis (Sindicato de Magistrados do Brasil), a juíza do trabalho Cyntia Cordeiro, do TRT-5, defende os penduricalhos e pergunta: “Moralização só para os outros?”. A direta no ministro Flávio Dino, do STF, tem complemento: “Ele tem um projeto político – quer ser o novo Collor”. Expressionante!
7:56Sem chão, sem ar
Da coluna de Leandro Mazzini, em O Sul
Enquanto o Governo abre os cofres em MP com R$ 8 bilhões em crédito extraordinário para salvar concessionárias de aeroportos, o deputado Beto Preto (PSD-PR) está de olho nas benesses dadas todo ano para as aéreas. Em emenda à MP 1365/26, sugere barrar crédito ou qualquer apoio financeiro a companhias que “se encontrem em recuperação judicial, recuperação extrajudicial ou falência”. É o que mais tem na praça – e nos ares.
7:52Camarão e correnteza
7:50PARA JAMAIS ESQUECER WALDIR AZEVEDO E BRASILEIRINHO
7:23Invasão tropical
por Lea Oksenberg, no Vigília Comunica
O vento passava por todas as frestas do apartamento de Ângela. Parecia uma lâmina afiada, daquelas que cortam até pensamento. Na sala, enrolada em três mantas e segurando uma caneca de chá fumegante com as duas mãos — para ver se os dedos recuperavam o tato —, Ângela atendeu a chamada de vídeo.
Na tela, a amiga aparecia radiante, vestindo uma regata leve, com o fundo ensolarado e a luz inconfundível de Alagoas.
— Menina, abri o aplicativo do tempo aqui e quase não acreditei! — disparou a alagoana, direto de Barra de São Miguel, com aquele calor que parece vir junto no sotaque e na voz. — Como pode estar 20 graus aí em Curitiba em pleno inverno? Que inveja!
Ângela olhou para o próprio casaco de lã, depois para a janela cinza, onde as gotas de chuva pareciam congelar no ar. Tentou falar, mas o queixo travado pelo frio só permitiu um som anasalado.
— Vinte graus? Onde? — conseguiu gaguejar.
— No mapa da meteorologia! Tá lá, bem grande: Curitiba, 20°C — emendou a alagoana, sem perder o ritmo e com um sorriso pra lá de irônico. — Olha, conhecendo essa tua cidade, eu acho que a tela do instituto de meteorologia congelou nos vinte graus do outro dia. Ou então foi um ataque hacker! Algum nordestino calorento, que foi pra Curitiba, invadiu o sistema só para ver se vocês paravam de reclamar do frio!
Foi o que bastou. A imagem mental de um hacker de regata, direto da praia imaginária, manipulando os dados para forçar um verão virtual no Sul, quebrou a rigidez do inverno. O termômetro da rua devia estar raspando nos cinco graus, com sensação de menos dois, e a tela jurando o oposto.
A risada veio tão forte que perdeu o ar. Tentou segurar, mas a crise de riso foi mais rápida e a corrida para o banheiro foi imediata. Sabia que se ficasse ali, de bexiga cheia e naquele frio, ia dar ruim.
Rir, afinal, era a única coisa capaz de burlar o sistema (meteorológico) e aquecer aquele dia.
Moro/ num país tropical / abençoado por Deus e bonito por natureza / mas que beleza País tropical – Jorge Benjor
7:20A VIDA COMO ELA É
7:17Miragem
6:57JORNAL DO CÍNICO
Do Filósofo do Centro Cínico
Manchete de hoje do site OSOL; “Veja como os jornalões de São Paulo amam quando a extrema-direita ganha uma eleição”. O editor, Alberto Villas não viu nada. Em Curitiba há muito tempo a Gazetona vibra todo dia com vitória ou sem vitória – e espanca a esquerda, mesmo depois de Lula ter dito que não é esquerdista, o que mereceu mais uma pancada. Quando um canhoteiro ganha eleição, o que se entende pelo publicado é “candidato de direita deixou de ganhar”,
6:45Direto para o verão
Apesar de todo mundo saber que ele voaria para longe neste início de inverno, ontem o governador Ratinho Junior comunicou oficialmente a Assembleia Legislativa que ficará fora do cargo entre 26 de junho e 11 de julho. Traduzindo, o Piana vai carregar o piano novamente enquanto o titular vai ficar bem perto dos jogos da Copa do Mundo nos EUA, mais precisamente em Orlando, na Flórida – no verão.
6:17A VIDA COMO ELA É
6:11A onda azul da direita sul-americana vai levar o Brasil?
por Joel Pinheiro da Fonseca, na FSP
Há temas que estão em alta e que direitistas souberam trabalhar melhor do que a esquerda. Movimento é pendular e, no futuro, veremos outras ‘ondas vermelhas’
Se o padrão ainda não era claro, agora, depois Colômbia e provavelmente o Peru elegerem líderes de direita, ele deve estar: uma onda de direita está varrendo a América do Sul. Quando Lula iniciou seu mandato, Argentina, Colômbia, Peru, Bolívia e Chile tinham líderes de esquerda. Hoje, ou já têm líderes de direita ou acabaram de os eleger.
É um movimento pendular. No futuro, veremos outras “ondas vermelhas”. Por enquanto, o trabalho é tentar entender o que está por trás desse movimento à direita. Segurança, corrupção, economia, migração; temas que estão em alta e que a direita soube trabalhar melhor do que a esquerda.
Hoje, o indivíduo —o cidadão comum— está em alta. Este mesmo que ganhou espaço para se expressar com as redes sociais, almeja poder crescer e atingir seu sucesso e exige responsabilização e punição por crimes cometidos. Não aceita ver suas ideias e valores sendo descartados em nome do parecer de “especialistas” ou de uma elite cultural mais esclarecida. As pessoas querem agência, e não serem reduzidas a um sintoma dos processos sociais. E isso se alinha aos valores dos EUA, hoje mais assertivos do que no passado.
O grande exemplo da esquerda antiamericana no continente, a Venezuela —cujo regime era incensado por intelectuais progressistas do mundo todo até outro dia— produziu um desastre econômico, político e humanitário. Uma ditadura brutal, corrupta e miserável, mesmo em posse das maiores reservas de petróleo do mundo, que produziu fome e êxodo em massa. A esquerda ficou marcada como a má gestão econômica, inflação, excesso de gasto, corrupção e insistência na redistribuição de renda para países que ainda precisam crescer muito.
Já a direita tem um novo modelo para chamar de seu: o El Salvador de Bukele. Depois de anos de resignação frente ao flagelo da violência e do crime organizado, um país mostra que é possível reduzir drasticamente o problema. A América Latina é a região mais violenta do mundo e o povo está farto. Se governos democráticos e respeitadores dos direitos humanos não começarem a mostrar resultados similares, vai ser muito difícil convencer os eleitores de que esses valores valem mais do que a proteção da vida dos trabalhadores honestos.
No Brasil, esses temas também castigam a esquerda. Ela tem enorme dificuldade em defender algo básico como a prisão para um assassino de 17 anos. O tema da corrupção também não lhe desce bem. O petrolão e a necessidade posterior de defender Lula levou nossa esquerda em peso a desqualificar a Operação Lava Jato como se fosse um complô. E agora toda tentativa de combate à corrupção é desmerecida.
A julgar pelas prioridades dos eleitores brasileiros em 26 —segurança, combate à corrupção— o mesmo processo que favoreceu a direita no resto do continente está em operação aqui. A grande diferença para com os países aqui citados é Lula, que tem um vínculo com o eleitorado de baixa renda, especialmente no Nordeste, que lhe garantiu a vitória em 2022 e o mantém como favorito agora (ajudado, é claro, pelo pacote de bondades de R$ 215 bilhões). Lula é maior do que a esquerda brasileira. Mas 2026 é sua última eleição. O que ela fará depois dele?




Em Curitiba – Foto de Roberto José da Silva