12:46O líder e os chega mais!

Quem sabe tudo de política garante que, por enquanto, a classe ainda não se aproximou para bajular o pré-candidato ao governo, Sérgio Moro, líder disparado das pesquisas. Ressalva, contudo, que sempre tem a classe dos “amigos do poder”. Isso é política!

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12:42JORNAL DO CÍNICO

Do Filósofo do Centro Cínico

A maior Copa de todos os tempos. Começa por aí a enganação. Na próxima vão aumentar para 60 seleções, só para manter o sucesso do slogan de enganar trouxas. Não é demais pensar que num futuro não muito distante vão abolir os jogos presenciais e a coisa toda será feita na Inteligência Artificial. Os álbuns de figurinhas também, com mais de 20 mil jogadores, inclusive os atletas o Ibis Sport Clube, de Paulista, que vai declarar independência de Pernambuco e do Brasil. Duvidam? O melhor é que os que acompanharam a conquista dos cinco títulos mundiais da seleção brasileira já estarão em outros mundos e, quem sabe, lá vai dar para bater uma bolinha nos campos do céu, do inferno ou do purgatório.

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9:30Um mar de anunciantes

A Globo em 25 patrocinadores para tomar conta da programação da Copa do Mundo que começa hoje. Se o Brasil ficar no meio do caminho da disputa da final… não vai dar para dizer que isso é apenas um detalhe, como era o gol para o técnico Carlos Alberto Parreira que, aliás, ganhou o caneco com a seleão de 1994.

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9:18O homem só

por Mário Montanha Teixeira Filho

Seguia pela calçada, em silêncio, a rua cheia de carros, o movimento. Uma árvore no caminho, o desvio necessário seguido da parada, do recuo. Os lábios teriam que tocar as folhas penduradas, marcar o trajeto. Fez-se assim. Horas depois, muito longe, o mesmo vulto apressado a avançar em linha reta, para lugar qualquer, ou nenhum. E o vento frio que lhe beijava a cara, e um corpo abandonado no chão, aquecido pela baforada do cachorro vigilante, e os operários da construção civil, e os serviços de entrega, e o barulho cotidiano e infernal. O homem e seus passos, o homem e o beijo na folha da árvore, o homem e seu futuro, que não existe, o homem e seu destino, que é procura sem fim. O homem só.

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9:17Promessa e luz fulminante

Pode ser tudo, pode ser nada, mas na disputa pelo poder no Paraná já há gente ajoelhada, mãos postas, fazendo promessa e pedindo que alguma luz fulminante seja disparada de Brasília para acabar com a certeza de que o senador Sergio Moro vai ganhar a corrida ao Palácio Iguaçu sem fazer esforço. Isso é política!

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8:22Futebol e Gol

Carlos Drummond de Andrade

Futebol se joga no estádio?
Futebol se joga na praia,
futebol se joga na rua,
futebol se joga na alma.
A bola é a mesma: forma sacra
para craques e pernas-de-pau.
Mesma a volúpia de chutar
na delirante copa-mundo
ou no árido espaço do morro.
São vôos de estátuas súbitas,
desenhos feéricos, bailados
de pés e troncos entrançados.
Instantes lúdicos: flutua
o jogador, gravado no ar
– afinal, o corpo triunfante
da triste lei da gravidade.


Ferreira Gullar

A esfera desce
do espaço
veloz
ele a apara
no peito
e a para
no ar
depois
como o joelho
a dispõe à meia altura
onde
iluminada
a esfera
espera
o chute que
num relâmpago
a dispara
na direção
do nosso
coração.

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7:10Muita cobertura, pouca bola

Nunca antes na história das Copas do Mundo de Futebol houve tanta cobertura da imprensa no evento como a de agora. Juntando lé com cré pode-se concluir que a avalanche é inversamente proporcional à qualidade do time que representa o Brasil.

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7:01Se não der Dallagnol, entra Dallagnol

Do Analista dos Planaltos

Deltan Dallagnol vestiu o uniforme de inelegível/elegível e está aí em todos os eventos e pesquisas com o aquela segurança que, no mínimo, convence a ele mesmo. Faz parte. Se der tudo errado, na última volta do relógio eleitoral ele sabe o que fazer para continuar com a postura conhecida: coloca Fernanda Dallagnol, mulher dele, em seu lugar, e faz discurso que pode até ter o componente de perseguição a quem ousou enfrentar a corrupção dos tubarões com a Lava Jato.

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6:36Em Lisboa há um projeto de Brasil

por Conrado Hübner Mendes, na FSP

Não promove soberania e república, democracia e diversidade, liberdade e igualdade. Denunciar o ilícito com jeitinho de normal precisa enfrentar a força da inércia

A normalização do ilícito combina poder e dinheiro, tempo e persistência. O Fórum de Lisboa é um ilícito normalizado.

Financiado por dinheiro invisível e protegido por estrutura de poder bem visível, sua organização tem tempo de sobra para liderar a empreitada de desinstitucionalização do país. Caminha acima de fiscalização ou accountability e converte jurisdição em negociação sem constrangimento. Pode até fechar o evento com um chiste sem custo: “Ninguém se livra de pedrada de doido ou coice de burro”.

Denunciar o ilícito com jeitinho de normal precisa enfrentar a força da inércia. Num jogo desigual, o ilícito tende a vencer pelo cansaço. O esforço público para desnormalizar a prática pede persistência, memória das normas violadas, disposição diante da intimidação.

Em 2026, o Fórum de Lisboa teve um contraponto. Nos mesmos dias, aconteceu no TJ do Rio de Janeiro o “International Meeting on the Bangalore Principles of Judicial Conduct”. Em seguida, em Brasília, o STJ sediou o “Congresso Internacional: Estado de Direito e Ética Judicial”. Juízes de cortes superiores de Alemanha, Portugal, Holanda, Espanha, Itália, junto com alguns ministros brasileiros, debateram desafios da profissão. Conversaram sobre as normas que Lisboa viola.

Que normas? Os Princípios de Bangalore, para começar. Iniciativa de juristas globais que, sob os auspícios da ONU, aprovaram diretrizes globais de ética judicial, o documento adensa regras de imparcialidade e decoro: “Um juiz deve assegurar que sua conduta dentro e fora do tribunal mantenha a confiança do público”; “Um juiz deve minimizar as ocasiões em que será necessário determinar sua suspeição”; “Um juiz não deve fazer comentário que possa afetar o resultado do caso”; “Um juiz deve aceitar restrições pessoais que podem ser onerosas ao cidadão comum”.

Viola o Código da Magistratura. Este define magistrado imparcial como aquele que valoriza a “distância equivalente das partes” e evita “comportamento que possa refletir favoritismo, predisposição ou preconceito”. Normas presentes em qualquer outro código de ética judicial no mundo.

Do Fórum não participou a sociedade. Mas participaram dezenas de empresas (como Uber, Superbet, Google, OpenAI, JBS, Vale) e entidades empresariais (como Fiesp, Associação de Criptoeconomia, Febraban, Instituto de Mineração).

Quais normas empresas violam? Todo rudimento de compliance que proíbe custear “hospitalidade” para agentes públicos que possam favorecer seu negócio, e que tenta neutralizar riscos derivados da Lei Anticorrupção.

Quais normas advogados violam? Além do Código de Ética da OAB, que proíbe “utilizar de influência indevida, em seu benefício ou do cliente”, manuais de compliance da advocacia recomendam gerir conflitos de interesse e evitar interações que deem impressão de “tráfico de influência” ou de acesso facilitado a magistrados fora dos autos.

O que há de relevante não está nos auditórios e nos palcos de Lisboa. A fachada ilusionista esconde um projeto de Brasil. Não tem a ver com soberania e república, democracia e diversidade, liberdade e igualdade. Tem mais afinidade com um plano que, séculos atrás, se discutia na mesma cidade.

“No futebol, o pior tipo de cego é o que só vê a bola”, disse Nelson Rodrigues. No Fórum de Lisboa, o pior tipo de cego é o que só vê palestra.

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