A viagem de ácido começou numa cidade do litoral. Ganhei o selo e guardei. Tinha dúvida, porque alucinógeno não era minha praia. Vi gente nunca mais voltar. Quatrocentos quilômetros depois, a coceira na mente me fez engolir. Casa de parentes, madrugada na frente da tv pequena. Nada de alucinação. Onde estavam aquelas imagens de filmes e clipes jurássicos de bandas psicodélicas? Fui ao banheiro. No cesto de papel tinha alguém deitado. Saí. Na cozinha abri a geladeira. A embalagem de ovos era uma atração. Um a um fui explodindo-os no teto para compor uma imagem. Seria um quadro? Dormi como um anjo no aquário. Acordei com os donos da casa limpando tudo. Ninguém reclamou. Será que achavam que era maluco? Ainda acham.