8:33Puberdade

Período da vida humana que medeia entre a idiotice da primeira infância e a extravagância da juventude – a dois passos dos pecados da maturidade e a três dos remorsos da velhice. (Ambrose Bierce)

7:53Nós e as baleias

por Rogério Distéfano, no blog O Insulto Diário 

Na primeira entrevista como presidente interino, o vice Hamilton Mourãodeclara que o decreto de Jair Bolsonaro sobre armas foi promessa de campanha. Percebe-se o tom de diminuir, relativizando o problema, o que nos leva a pensar, mero exercício, pois será perda de tempo.

De um lado devemos agradecer pelo presidente que temos, homem que cumpre as promessas de campanha. De outro, lamentar pelo povo que somos, por eleger quem faz tal tipo de promessa. Significa que desejamos, precisamos ter e portar armas.

O reverendo Jim Jones era um político desses: interpretou o desejo de morrer de seus seguidores e os levou ao suicídio coletivo, ele incluso. O eleitor de Bolsonaro ainda lembra as baleias-piloto que a certa altura do trajeto perdem o senso de direção e morrem encalhadas na praia.

A explicação científica para a morte das baleias – com golfinhos, botos e cachalotes também acontece – é de que um dos animais do grupo perde o senso de direção e leva os demais à morte, ou a perda é coletiva ou da maioria. Como nas eleições plebiscitárias que levam ao desastre.

7:46Nananinanão!

Ao ver na tv as imagens da derrota do ‘Aflético’ para o Cascavel CR, na estreia do campeonato paranaense, uma víbora, que tem no currículo a honra de ter presenciado na Baixada as atuações do Furacão de 49, disse que a nova camisa não seria aceita nem por time de solteiros ou casados em comemoração de fim de ano da firma.

7:41Sob nova administração

Diante do que está acontecendo com menos de um mês do governo de Jair Bolsonaro, os otimistas acham que, passando a pancadaria inicial, principalmente sobre o herdeiro chamado “zero 1″, Flavio, tudo se acalma e as reformas imaginadas vão fazer a administração voar em céu de brigadeiro. Os pessimistas dão no máximo um ano e meio para o capitão ser enquadrado e apeado do poder para que o general Mourão assuma o comando.

7:27Os anjos não sabem rir

por João Pereira Coutinho

As pessoas mais moralistas são as menos tolerantes em matéria de humor

Um judeu chega ao céu e encontra Deus. Conversam. A certa altura, o judeu conta-lhe uma experiência engraçada que viveu no campo de concentração de Auschwitz. Deus não ri e censura o judeu por fazer humor com coisas sérias. O judeu responde: “Ah, esquece, você não estava lá”.

É preciso dizer três coisas sobre essa piada genial (e judaica, claro). A primeira é que funciona melhor em inglês (“never mind, you were not there”). A segunda é que expressa, com elegância e inteligência, um problema filosófico e teológico fundamental: a relação entre a existência de Deus e a prevalência do mal.

A terceira, menos óbvia, é que coloca uma pergunta crucial sobre a relação entre a moralidade e o humor. Será que pessoas intensamente comprometidas com a moral —e Deus é o ser moral “par excellence”— toleram o sentido de humor?

Intuitivamente, sempre disse que não. A história da filosofia comprova-o. Platão ou Aristóteles não tinham pelo gênero uma simpatia especial. O humor era uma falsificação da verdade, que enganava e iludia.

Quando se procura a verdade e, mais ainda, quando estamos convencidos de que só existe um caminho para a virtude, qualquer cabeça monista olha para o humor como uma ameaça.

Não admira que as ditaduras do século 20 sejam conhecidas pela perseguição aos humoristas e pela quantidade obscena de piadas que nasceram debaixo dos narizes de Stálin ou Hitler.

Além disso, se a experiência é mesmo a mãe de todas as coisas, a minha experiência não mente: as pessoas mais moralistas que conheço são também as menos tolerantes em matéria de “piadas de mau gosto”. Escusado será dizer que “piadas de mau gosto”, para elas, são todas as piadas.

Felizmente, a ciência psicológica veio ao meu encontro. Soube pelo Daily Telegraph que psicólogos americanos realizaram um largo estudo empírico para saber se a moralidade e o humor são psicologicamente incompatíveis. Os resultados da experiência foram publicados no vetusto Journal of Personality and Social Psychology (pormenores do estudo no fim da coluna).

Fui ler. Sim, lá temos as referências eruditas aos sisudos Platão e Aristóteles. Mas depois, usando 80 estudantes universitários como cobaias, os pesquisadores concluem que o humor, por mais inofensivo que seja, exige sempre a violação de certas normas morais, sociais ou religiosas. O humor, tal como a criatividade em geral, precisa quebrar essas regras para “funcionar”.

Pessoas com um elevado sentido moral são menos propensas a essas “violações benignas” da moralidade. No fundo, revelam uma maior rigidez de pensamento e, consequentemente, uma menor disponibilidade para rirem do que consideram sagrado.

Não se julgue que o estudo assume qualquer tom condenatório perante a moralidade alheia. Longe disso. Os autores são claros ao afirmar que pessoas moralmente comprometidas tendem a ajudar mais os outros. Isso é louvável.

Porém, essa ajuda transporta um paradoxo: a incapacidade de experimentar o humor faz com que o moralista seja menos apreciado pela maioria, que obviamente não tem padrões morais tão elevados.

Consequências do estudo?

Pessoalmente, vejo três consequências —artísticas, sociais e políticas.

Para começar, se o humor e a criatividade partilham a mesma raiz herética, os criadores deveriam ser os primeiros interessados em não aceitar o patrulhamento politicamente correto que hoje é a principal religião do Ocidente.

Quando são cúmplices dos novos inquisidores, eles apenas contribuem para atiçar as fogueiras onde o oxigênio da arte será consumido.

Por outro lado, entendo que a “sinalização da virtude” é irresistível para certas almas narcísicas e inseguras. Por “sinalização da virtude”, entenda-se: a exibição pública de uma virtude presumida perante as causas politicamente corretas do momento.

Mas não se iluda: excessos de virtude criam repulsa em qualquer ser humano normal. Para usar o provérbio português, o que é demais é moléstia.

Por último, se ninguém gosta de santos, as massas tenderão cada vez mais a premiar líderes que se encontram no extremo oposto da santidade. Líderes viciosos, rudes, boçais —ou, como eu os prefiro chamar, “guilty pleasures” do homem democrático.

“Não há humor no céu”, como dizia Mark Twain? Verdade. O humor precisa da imperfeição para acontecer.

A tentativa de criar esse céu na Terra não significa apenas uma ameaça para o riso e para a arte. Será, como sempre foi, o princípio de um novo inferno.

Yam, KChi (Sam), Barnes, C., Leavitt, K., Wei, W., Uhlmann, E., “Why So Serious? Experimental and Field Evidence that Morality and a Sense of Humor are Psychologically Incompatible” (2018)

*Publicado na Folha de S.Paulo

22:03ANTONIO MARIA

Às vezes, me sinto muito só. Sem ontem e sem amanhã. Não adianta que haja pessoas em volta de mim. Mesmo as mais queridas. Só se está só ou acompanhado, dentro de si mesmo. Estou muito só hoje. Duas ou três lembranças que me fizeram companhia, desde segunda-feira, eu já gastei. Não creio que, amanhã, aconteça alguma coisa de melhor.

16:52O fim

Ao ler na Gazetona que, com 21 dias de governo, em Brasília já estão falando em reeleição, amigo do blog disse que desistiu de tudo e vai esperar o fim do mundo em Trancoso, porque lá isso não chega.

16:28Para escarafunchar 38 mil convênios de R$ 8,5 bilhões

O Tribunal de Contas do Paraná informa:

TCE disponibiliza informações de 38,8 mil convênios feitos no Paraná desde 2012 

Novo módulo do Portal Informação para Todos, que auxilia o controle social, traz dados completos sobre R$ 8,5 bilhões transferidos entre órgãos públicos ou a entidades no período  

O Tribunal de Contas do Estado do Paraná colocou à disposição dos cidadãos mais uma ferramenta para auxiliar o controle social do gasto público. É o Painel de Convêniosque integra o Portal Informação para Todos (PIT) do TCE-PR e traz informações detalhadas sobre as prestações de contas de parcerias realizadas no Paraná desde 2012.

Nesta segunda-feira (21 de janeiro), o Painel de Convênios reúne dados de 38.773 processos, cuja soma de valores repassados atinge R$ 8,5 bilhões (em valores nominais, sem atualização monetária). Esse dinheiro foi transferido por instituições estaduais e pelos municípios paranaenses para a realização de atividades complementares àquelas desenvolvidas pelo poder público, em áreas como saúde, educação e assistência social, além da compra de equipamentos.

O Painel de Convênios apresenta, de forma dinâmica, todos os dados das prestações de contas de transferências voluntárias enviadas ao TCE-PR a partir de 1º de janeiro de 2012 e registradas no Sistema Integrado de Transferências (SIT). Os principais instrumentos que formalizam essas transferências são convênios, parcerias, contratos de gestão, termos de fomento e termos de parceria. Os dados do painel são atualizados permanentemente, à medida em que novos processos ingressam no SIT. Continue lendo

15:26A trombada de Plauto

Do Analista dos Planaltos

O poder atrai. A perda do poder repele. A máxima aplicada a política levou o primeiro secretário da Assembleia, deputado Plauto Miró (DEM), a entrar em choque com gente que até ontem era do seu círculo mais próximo. A trombada mais pesada de Plauto foi com o diretor de pessoal da casa, Bruno Garofani, advogado de Ponta Grossa, indicado por ele, Plauto, ainda na época de Valdir Rossoni como presidente.
Afastado da primeira secretaria na composição da mesa executiva da Casa e visto por muitos como o deputado mais enrolado na investigação da Quadro Negro, Plauto percebeu o desembarque de parte de sua tropa com ele ainda no comando. O principal movimento teria sido de Garofani que se apressou em jurar fidelidade a um novo senhor, Ademar Traiano, assim que ficou claro que o deputado do DEM não conseguiria manter a primeira secretaria na próxima gestão.
Sentindo-se traído, Plauto não conseguiu exonerar Garofani, mas mandou pra casa funcionários ligado ao ex-aliado. Quem conhece Plauto, diz que apesar do jeitão de lorde, traições políticas são anotadas num caderninho e guardadas no fundo da gaveta.

14:47Magoou

Da coluna Expresso, na revista Época

Ex-presidente do BNDES decepcionado com ex-companheiro de chapa

Motivo é suposta “caixa-preta” do banco

Ex-presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social no governo de Michel Temer, o economista Paulo Rabello de Castro foi candidato a vice-presidente da República na chapa de Álvaro Dias (Podemos). Na semana passada, após o BNDES divulgar a lista dos 50 maiores clientes do banco, o senador compartilhou a notícia mencionando o que se popularizou como “caixa-preta” do banco, onde estariam escondidas transações irregulares. Rabello, que rejeita essa possibilidade, não ficou contente com o compartilhamento do ex-companheiro de chapa.

14:17Ele não voltou; ela saiu

Do enviado especial

Luiz Abi, o primo distante, ainda não voltou do Líbano. A mulher dele, Eloisa Pinheiro Abi Antoun, já foi exonerado da Diretoria da Sercomtel em Londrina, onde estava desde 2011 como vice-presidente e diretora administrativa. Saiu com a entrada de Ratinho Junior no governo – e pela ordem da Copel.