9:59E o Lorenzoni, general?

Se o general Augusto Heleno está mesmo fazendo uma varredura na vida dos indicados para o governo, ele vai ter de trombar com o presidente Jair Bolsonaro – pelo menos no caso do futuro ministro Chefe da Casa Civil, Ônix Lorenzoni, que já admitiu ter se utilizado de Caixa 2 em campanha. Mas, como o capitão disse que ninguém é 100% confiável…

9:14Leve e solto

Da coluna de Ricardo Boechat, na revista IstoÉ

Futuro chefe do Gabinete de Segurança Institucional, o general Augusto Heleno demonstrou estar muito à vontade nas visitas que Jair Bolsonaro (PSL) fez aos tribunais superiores na semana passada. Talvez por ter uma filha advogada conheça bem os meandros do Judiciário. O militar também tem participação decisiva na composição do alto escalão federal e no grupo de transição. Sua equipe faz uma varredura na vida dos indicados. O deputado Alberto Lupion (DEM-PR) teria sido um dos indicados que não conseguiu uma função gratificada, em função da acusação de receber Caixa 2 da Odebrecht, nas eleições de 2010 e 2012.

8:5414 anos depois, ex-vereador de SP é preso por extorsão na CPI do Banestado

Da Agência Estado

O ex-presidente da Câmara de São Paulo Armando Mellão, de 56 anos, foi preso no dia 9 em um cartório de registros públicos na capital. Condenado a 4 anos e seis meses de reclusão por crime de tráfico de influência, Mellão foi transferido na quarta-feira (14) para a Penitenciária de Tremembé, no interior paulista. A defesa de Mellão informou que já ingressou com pedido de habeas corpus no Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3)

O crime atribuído ao ex-vereador paulistano teria ocorrido em 2004. Segundo a Procuradoria da República, ele teria feito uso de nomes de parlamentares da CPI do Banestado, em curso na época, para exigir propinas. Ele já havia sido preso na época, no âmbito de um mandado de prisão expedido pela Justiça Federal em São Paulo. A defesa de Mellão disse que já ingressou com pedido de habeas corpus no Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3).

7:44JORNAL DO CÍNICO

Do Filósofo do Centro Cívico

A equipe de transição do governo Temer recomenda à do Bolsonaro que corte os salários do funcionalismo federal, ou seja, adie para 2020 os reajustes programados para 2019. Este é um primeiro passo. Se não der certo, ativar o mecanismo puro e simples da degola.

18:14O que vem por aí

De Ernesto Henrique Fraga Araújo, futuro ministro das Relações Exteriores escolhido por Jair Bolsonaro, se apresentando em seu blog  Metapolítica 17:

“Sou Ernesto Araújo. Tenho 28 anos de serviço público e sou também escritor. Quero ajudar o Brasil e o mundo a se libertarem da ideologia globalista.

Globalismo é a globalização econômica que passou a ser pilotada pelo marxismo cultural. Essencialmente é um sistema anti-humano e anti-cristão. A fé em Cristo significa, hoje, lutar contra o globalismo, cujo objetivo último é romper a conexão entre Deus e o homem, tornado o homem escravo e Deus irrelevante.

O projeto metapolítico significa, essencialmente, abrir-se para a presença de Deus na política e na história”.

Então, tá.

13:07A língua de Bolsonaro criou o “Menos Médicos”

Do Analista dos Planaltos

O episódio do encerramento antecipado do contrato que o Ministério da Saúde mantinha com Cuba, para que a ilha caribenha mantivesse mais de 8300 médicos trabalhando no Brasil, mostra o risco que corremos quando emitimos opiniões sem ter o real conhecimento do que levou uma autoridade a tomar uma ou outra decisão.

Uma máxima bem diz que não existe solução simples para problemas complexos – e o Programa Mais Médicos é um excelente exemplo dela.

O presidente eleito Jair Bolsonaro, que é mestre em achar que tudo se resolve no grito – e com simplicidade, saiu disparando contra o Mais Médicos como se o programa existisse somente para “mandar dinheiro para financiar a ditadura cubana”.

Com simplicidade criou um problema complexo, uma vez que a saída desses médicos criará um problema muito maior do que se de fato fosse para “financiar a ditadura cubana”.

O programa criado no Governo Dilma Rousseff só não foi interrompido no governo Temer pelo então ministro da saúde Ricardo Barros, porque os médicos cubanos são uma necessária e econômica solução para um problema grave e complexo.

O que certamente Bolsonaro não sabia é que o Brasil tem muitos médicos nos grandes centros e poucos médicos em locais mais distantes. Nas periferias das grandes capitais também não há médicos. Isso ocorre porque os profissionais, mesmo os recém formados, não se dispõem a sair para locais menos privilegiados. Mesmo para ganhar altos salários, preferem ficar próximos de locais com infraestrutura urbana melhor, com tudo o que o conforto lhes podem oferecer.

Diante disso, não é incomum cidades do interior com pouco atrativos oferecerem salários bem acima do mercado – e ainda assim não conseguem interessados em prestar seus serviços profissionais.

Alguns municípios do norte e nordeste chegaram a abrir concurso para médicos com salários de R$ 33 mil por 6 horas de jornada, mas ninguém se candidatou. Os médicos brasileiros não querem ir para locais ermos e também não querem locais com menor infraestrutura ou menos segurança .É importante dizer que a bolsa dos profissionais cubanos é de pouco mais de R$ 11 mil e que a população atendida por eles os aprova sem restrições.

Esse sim foi o motivo da bem sucedida iniciativa do governo Dilma – que poucas boas iniciativas teve -, e continuado pelo governo Temer sempre com a interveniência da OPAs – Organização Pan Americana de Saúde.

Bolsonaro, muito pouco informado sobre a questão, disparou e criou para si e para população um enorme problema que não irá se resolver com simplicidade. Sairá caro para a administração pública e mais caro ainda para queles que vão precisar de médicos do sistema governamental.

Outra máxima diz que Deus deu duas orelhas e somente uma boca para o ser humano. Motivo: para que ele ouça mais e fale menos.

Talvez no dia-a-dia real de quem sofrerá para administrar esse país, Bolsonaro aprenderá que essa máxima deve ser seguida.

Se o governo de Cuba não oferecer um prazo razoável – pelo menos 6 meses - para substituição dos seus médicos que hoje integram o Programa Mais Médicos, varias centenas de cidades brasileiras ficarão sem os profissionais. Isso quer dizer que mais de 24 milhões de brasileiros ficarão sem atendimento de um profissional médico.

Dura lição para quem tem a língua maior que a o conhecimento e que sai falando do que pouco sabe. O triste é que quem vai pagar o castigo dessa lição não é o dono da língua, mas muitos dos que votaram no dono dela.

Vale esperar que essa lição não traga maiores consequências para a população que mais necessita e, também, que sirva para que antes de fazer ele venha analisar melhor suas assertivas de soluções milagrosas para problemas complexos.

Melhor pensar bem, planejar melhor antes de implantar a extinção da progressão do regime de penas, do encerramento do Ministério do Trabalho, da liberação das armas, do abatimento sumário por snipers dos que carregam fuzis, da escola sem partido, entre tantas outras opiniões jogadas ao léu e ditas exaustivamente pelo novo presidente e também por seus ministros.

10:53Vacina

O general Fernando Azevedo e Silva, futuro ministro da Defesa, disse que as Forças Armadas estão vacinadas quanto à política. Ok, mas se na próxima dose alguém espetar errado a agulha, o Urutu pode ficar descontrolado.

9:33O clone poliglota

De Rogério Distéfano, no blog O Insulto Diário (http://www.oinsultodiario.com/)

Bolsonaro superou a si mesmo. Escolheu seu clone poliglota para ministro das Relações Exteriores. Alguém até mais radical que ele. Leiam o blog do embaixador Ernesto Araújo, o futuro ministro, que faz os criadores do Itamaraty e sua tradição de excelência, Visconde de Cabo Frio e Barão do Rio Branco, revirarem-se nas covas. O novo ministro vai derrubar Nicolás Maduro no berro.

Pato manco, tetraplégico

O Brasil faz o superlativo do superlativo. Ou o comparativo-superlativo. Aqui o pior tem o mais pior. Também gosta de imitar os gringos. Mas naquele estilo de quem, sem dinheiro para comprar na GAP de Miami, compra o parecido no marreteiro da esquina, aquele quase igual que aplaca a frustração.

Michel Temer imita os gringos, que identificaram o presidente lame duck, ou pato manco, aquele que vê sua influência esvaziar no ano final do mandato. Exemplo: o boquirrotismo de seu sucessor, que desmonta as ações de seu governo, como fez agora com o convênio do Mais Médicos com Cuba.

Como resultado, grande parte dos eleitores do PT e beneficiários dos programas sociais de Lula/Dilma/Temer ficam sem assistência médica. Temer e Bolsonaro fazem mais uma imitação dos gringos, imitação superlativa: lá, Temer seria um pato manco; aqui, graças a Bolsonaro, é o pato tetraplégico. 

Lula, um Monte Cristo

Se querem manter Lula preso, por que não o mandam cumprir a pena com os demais condenados da Lava Jato, no Complexo Penitenciário de Pinhais? O cara fica sozinho, dias a fio, num gabinete improvisado como cela na delegacia da polícia federal. Parece pena acessória, agravante, uma solitária de luxo.

Se é preso comum, ao contrário do que querem os petistas, que vá para prisão comum, o Complexo de Pinhais. Isso de manter o ex-presidente na delegacia fará dele mais que vítima, santo, símbolo da injustiça. Vai fazer dele um Conde de Monte Cristo. Com uma vantagem sobre o conde original: não precisa fugir para recolher o tesouro.