21:30A eleição e os tubarões na piscina

Acabou a Copa. Vai começar outra disputa. Você olha os competidores e tem vontade de cortar os pulsos, chorar ou se beliscar para verificar se está ou não num pesadelo. Eleição, com estes ‘jogadores’ que estão aí, é mais ou menos como receber um convite para atravessar uma piscina olímpica com cinco tubarões brancos esfomeados – e você com sangramento no nariz.

19:28Mbappé não pode ficar ao lado de Pelé

“Aos 19 anos, Mbappé assombra o mundo e se junta a Pelé”. A chamada do site da Gazetona é assombrosa mesmo. Tudo bem que o, vamos dizer, ‘espírito da Copa’ entusiasme e, com todo respeito, concorda-se que o jovem jogador francês tem tudo para ser um grande craque. Mas… na bola, até no Paris Saint Germain vai ser difícil ele chegar perto do que é Neymar, este mesmo que foi uma lástima no torneio da Rússia, mas é um jogador  de talento muito acima da média, um “diferenciado”, como dizem os próprios boleiros. Colocar o francês ao lado de Pelé numa comparação por causa de idade é um sacrilégio. Prova? Basta rever na Copa da Suécia, de 1958, apenas um gol do Rei, que tinha 17 anos. Qual? Aquele contra a Suécia, na final do Mundial, quando o Brasil ganhou de 5 a 2 e ficou com o primeiro título mundial. Ele recebe a bola pelo alto, perto da marca de pênalti, mata no peito, tira um zagueiro da jogada, dá um chapéu no outro adversário que entra para estragar tudo e, sem deixar a bola cair, bate de peito de pé para o fundo das redes. Se algum ignóbil falar em “eram outros tempos, muito espaço pra jogar, etc”, pode ter certeza de que não sabe o que é futebol e precisa ser apresentado à bola. Para estes, nunca é demais lembrar a resposta de alguém que jogou contra Pelé e até hoje acompanha de dentro do campo, profissionalmente, o esporte, quando questionado sobre o que faria o Rei se atuasse hoje: “Jogaria de costas”. Nome do sábio: Dirceu Krüeger. 

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19:01Bola parada

Se for como na Copa do Mundo, o próximo presidente do Brasil será o cara da bola parada. Nem precisa pensar. Lula é o cara, ganha quando chuta e ganha quando dá o passe. Problema é o árbitro de vídeo. (Rogério Distéfano)

18:58Campanha e La Bodeguita del Medio

Em Havana, Cuba, onde está com Dilma Rousseff participando do Foro de São Paulo, a senadora e presidente do PT Gleisi Hoffmann disse: “Viemos aqui para denunciar, e estamos recebendo a solidariedade para Lula. Não vamos desistir. Lula voltará a ser presidente do Brasil”. Amigo do blog que deixou de comer o famoso sanduíche de mortadela do Mercado Municipal de São Paulo por motivos ideológicos, não resistiu ao resmungo em favor do ex-presidente que está preso na Polícia Federal de Curitiba: “Muito bem. Então, primeiro vamos fazer campanha para extraditar o companheiro para a ilha da família Castro. Depois, o retorno deverá ser proibido. Se ele quiser fazer fazer discursos lá no ‘La Bodeguita del Medio’, bar que ficou famoso por ser frequentado por Ernest Hemingway. Ninguém vai reclamar. Só os petistas.”

18:34JORNAL DO CÍNICO

Do Filósofo do Centro Cívico

Mais que a desclassificação do Brasil na Copa da Rússia, tormento mesmo é ouvir Galvão Bueno ameaçando que quer continuar trabalhando e, quem sabe, narrando a disputa no Qatar. Isso não é um desejo, é uma praga lançada ao povo brasileiro.

14:30A nova ordem do futebol do Galvão

Se alguém ainda acredita nas patetices de Galvão Bueno em transmissão de futebol, melhor pensar bem sobre o que ele repetiu, pra variar, até a exaustão no jogo de hoje: a tal da “nova ordem do futebol mundial”. O que é isso? A bola era quadrada? Surgiram alguns Zidanes na competição (só para homenagear a campeã)? O guri Mbappé, de 19 anos, estrela da França, joga bem, corre muito mais, e poderá vir a ser um grande craque. O tempo dirá. No mais… Para chorar mesmo as pitangas, nunca é demais lembrar que seleção brasileira tinha o melhor time da competição, mas não jogou – e muito menos demonstrou a metade da raça e disposição dos… dos… dos outros competidores. Uma linha de ataque com Willian, Phillipe Coutinho, Newmar e Gabriel Jesus é de meter medo em qualquer defesa porque tem potencial para liquidar qualquer um. Eles meteram medo, sim, foi na torcida brasileira, porque o que apresentaram foi, em resumo, uma nhanha misturada com nhaca. Deu no que deu.

14:19Croácia, a grande; França campeã

A seleção de futebol da França venceu a da Croácia por 4 a 2 e ganhou o título da Copa do Mundo disputada na Rússia. Parabéns aos franceses – mas os croatas jogaram mais. O futebol é assim mesmo. A nova bicampeã mundial jogou para o gasto. A derrotada se desgastou antes e durante o jogo de hoje.

11:20Meio de campo

De Rogério Distéfano, no blog O Insulto Diário

A Copa do Mundo fez sobressair as seleções com bons jogadores no meio de campo. Fez sair as seleções que não tinham bons jogadores no meio de campo, caso da equipe brasileira. Aliás, carência no meio de campo é problema crônico no Brasil. Não só no futebol. Na política é mais sério.

10:10Em momento pouco propício ao ufanismo, o oba-oba da Globo na Copa soou canastrão

por Mauricio Stycer

Nas duas Copas anteriores à da Rússia, na África do Sul e no Brasil, atuei como repórter, correndo atrás da seleção brasileira e de outras equipes. Mal vi televisão. A última Copa que, de fato, assisti diante de um aparelho de TV foi a de 2006, há 12 anos. Não lembrava mais como esta experiência pode ser incômoda.

Entranhada em toda a programação da Globo, que exibiu os jogos com exclusividade, a Copa da Rússia na TV aberta foi uma festa aparentemente animada, mas na qual ninguém parecia feliz. Num momento pouco propício ao ufanismo, o oba-oba soou canastrão.

Este excesso de afetação prevaleceu em quase todos os momentos, das entradas ao vivo do Olodum antes de cada partida do Brasil ao choro da repórter Glenda Kozlowski após a derrota contra a Bélgica. Das caretas de Sandra Annenberg sentindo “o cheirinho” da taça no estúdio da emissora em Moscou à cantoria do repórter Alex Escobar na porta dos estádios do Mundial.

Foi a primeira Copa em que a área de esportes da Globo atuou de forma independente do jornalismo. De que forma essa nova estrutura afetou a qualidade da informação recebida pelos espectadores ainda será o caso de entender melhor. Mas foi estranho ver o Jornal Nacional entrar na torcida pelo hexa divulgando mandingas.

“Uma curiosidade: a Argentina foi eliminada na fase de grupo só três vezes, em 1958, 1962 e 2002. Nestes três anos, sabem quem conquistou a Copa do Mundo? O Brasil”, informou a apresentadora Renata Vasconcellos depois da vitória da Croácia sobre a seleção argentina. “Copas de 2010 e 2014. O Brasil só se deu bem jogando contra seleções que começam com a terceira letra do alfabeto. É incrível”, noticiou o repórter Eric Faria antes da partida contra a Costa Rica.

Ainda que Galvão Bueno tenha sido irônico ao sublinhar o “gesto artístico” de Neymar no segundo jogo da seleção, a Globo teve dificuldades em tratar do assunto, mesmo depois que o camisa 10 se tornou uma piada mundial.

Num surto de patriotismo antes da partida com a Bélgica, o apresentador Tiago Leifert alertou os espectadores do programa Central da Copa que as piadas com Neymar tinham segundas intenções: “O nosso time é o mais forte do mundo. E eles já estão tentando desestabilizar os nossos jogadores desde cedo. A gente precisa ficar esperto pra isso”.

No Fantástico depois da eliminação do Brasil, o apresentador Tadeu Schmidt pediu: “Que a imagem do Neymar no chão não esconda o tanto que ele lutou, todo o brilho que ele produziu de pé”. Este polimento na imagem do jogador faria sentido há alguns anos, não hoje.

Como a Folha revelou em fevereiro, a Globo manteve um contrato com Neymar entre 2014 e 15 que previa participações do atleta em programas da emissora. Textos sobre o jogador eram enviados para avaliação de seus assessores antes de serem publicados, mostrou a reportagem.

Após o fim do acordo, a relação se tornou menos simbiótica, mas o temor de desagradar ao atleta permanece, e chamou a atenção durante a cobertura.

Apesar da eliminação do Brasil oito dias antes do fim, a Globo tem motivos para festejar o sucesso comercial e de audiência da Copa —não faltou publicidade e durante os jogos da seleção, em média, 80% dos aparelhos ligados estavam sintonizados na emissora. Se é só isso que importa, foi uma vitória.

*Publicado na Folha de S.Paulo

19:48Tudo a ver diabólico

De Rogério Distéfano, no blog O Insulto Diário 

- No Rio Grande do Sul o ministério público obteve liminar para afastar o prefeito que ofereceu emprego a três mulheres desde que transassem com ele. O nome do município: Não-Me-Toque. Tudo a ver.

- No Pará, em busca do apoio de Jáder Barbalho, Jair Bolsonaro diz que só não fará “aliança com o diabo”. Nem precisa, ele é o diabo.