15:42Ministro do TCU ignora denúncia de ganho ilegal na FIEP

Da coluna Radar, na revista Veja

Edson Luiz Campagnolo é acusado de receber R$ 96 mil mensais de forma irregular

Dorme nas gavetas do ministro do Tribunal de Contas da União Marcos Bem-Querer uma denúncia sobre ganho irregular de quase R$ 10 milhões na presidência da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep).

Segundo o relatório entregue no início de agosto, Edson Luiz Campagnolo, presidente da entidade, vinha recebendo R$ 96 mil mensais sob forma de salário disfarçado.

Isto é, o dinheiro era pago sob o título de “verba de representação”, o que contraria jurisprudência do TCU.

A troca de comando na entidade, por sinal, estava marcada para o próximo dia 1º. Mas foi suspensa pela Justiça, após liminar de José Eugênio Gizzi.

Ele foi vencido na disputa por dois votos de diferença. Gizzi sustenta que a FIEP descumpriu o regulamento ao não convocar uma assembleia geral para analisar uma possível impugnação de quatro votos.

11:43Vaza discurso de Bolsonaro na ONU

por Renato Terra

O pronunciamento de Jair Bolsonaro na ONU, escrito com carvão vegetal num papel de pão, foi elaborado antes de o presidente decidir sobre sua ida a Nova York. O texto, no entanto, foi interceptado por um hacker analógico e entregue a esta coluna. Eis o discurso:

“Alô, galera de cowboy! Alô, galera de peão! Quem gosta de novaiorquinis bate forte com a mão! (Pausa para aplausos)

Eu vim aqui em respeito ao Trump, que adora o meu filho. Pra mim, a ONU é uma grande ONG das nações. E eu detesto ONG. Aliás, já passou da hora da ONU ter um secretário-geral terrivelmente evangélico para ver se acaba com essa mamata aqui.

Pois bem. Já que estou aqui, faço questão de mostrar um vídeo, que recebi pelo WhatsApp, que mostra uma equipe simulando e filmando incêndios na floresta amazônica para abertura do Rock in Rio. No tocante à questão do rock, sabemos que foi um ritmo criado pelo Adorno para espalhar a ideologia de gênero para as crianças indefesas. E a imprensa brasileira está mancomunada com o Rock in Rio, com Adorno e com Felipe Neto para continuar mamando na Lei Rouanet.

(Bolsonaro pega o celular para mostrar o vídeo)

Essa é a verdade que a mídia internacional não quer que os senhores vejam. A manipulação da imprensa brasileira é tão feia, mas tão feia, que só não é mais feia que a mulher do Macron.

Mas que fique claro! Temos autonomia para destruir a Amazônia sozinhos. Não precisamos de ajuda internacional para isso.

Vim aqui também para dizer que o Brasil está reagindo. A população está armada para se defender da violência das pessoas pobres armadas. Para conter o desemprego, vamos impedir a divulgação de novas estatísticas. Para conter o desmatamento, vamos queimar toda a Amazônia. Até o final do meu mandato, os índices de desmatamento serão quase nulos, já que não haverá mais área verde para desmatar. Mas isso a imprensa não vai divulgar, então acompanhem os vídeos do Allan dos Santos.

Termino com uma reflexão do maior pensador contemporâneo dos nossos tempos. Em toda a superfície plana da Terra não há ninguém mais preparado que meus filhos. Abre aspas, tá ok?! ‘Por vias democráticas a transformação que o Brasil quer não acontecerá na velocidade que almejamos.’ Como demonstração da força do Brasil, vou terminar o meu discurso fazendo 17 flexões de braço.

Contem comigo, senhores!”

11:07JORNAL DO CÍNICO

Do Filósofo do Centro Cínico

Manifestantes em vários países se reuniram para protestar contra mudanças climáticas. E se São Pedro entende mal, dá a louca e ele faz despencar um toró igual ao que caiu em Curitiba na terça-feira?

9:31Euclides, mas o nome poderia ser Respeito

Por Ruth Bolognese

Sempre chamei o Scalco de “Scalco”, assim, sem o Dr, que a grande maioria dos amigos e conhecidos, respeitosamente, coloca antes do nome dele. Não por intimidade, porque neste terreno só trafega dona Terezinha e olha lá. Mas porque, desde que me conheço por jornalista, converso com o Scalco sobre todos os grandes fatos paranaenses e brasileiros. Como seria possível chamar a maior referência política da minha carreira de “Dr” ?

Nesta longa estrada feita de encontros , as vezes esporádicos, as vezes semanais, o mais emocional deles aconteceu na porta da UTI do Hospital Marcelino Champagnat, em Curitiba, onde o nosso grande amigo em comum, o jornalista Hélio Teixeira, respirava por aparelhos nos seus últimos dias de vida. Era noite e fazia frio. Os plantonistas hesitavam em dar informações mais precisas sobre o estado real do Hélio e então o Scalco utilizou o mecanismo básico de todo brasileiro importante em dificuldades: deu um “carteiraço” na chefia da UTI, mas ao seu próprio estilo.

Ao invés de se apresentar como ex-ministro, ex-deputado, ex-presidente da Itaipu, ex-homem mais importante da política paranaense, disse apenas que era integrante dos “Amigos do Hospital das Clínicas”, entidade que auxilia o HC com recursos e doações. Teve efeito, óbvio, mas as notícias não eram boas.

Ficamos parados, Scalco e eu, olhando o Hélio de longe, entubado, lutando pra respirar. E, pela segunda vez naquela noite, Scalco me surpreendeu: contou, em detalhes, um problema familiar pelo qual estava passando, de difícil solução.

Ao final da visita, enquanto seguia os passos apressados dele pelos corredores do Hospital, olhando os ombros magros, um pouco encurvados, entendi tudo. Pelo amigo no leito de morte, feriu o princípio da discrição austera com que sempre se portou na vida pública, exemplo de dignidade em todos os cargos que ocupou.

E por mim, que fazia um esforço brutal para não desabar em choro, ofereceu consolo na confidência pessoal, extraordinária naquele momento.

Nenhum paranaense na história recente do Estado condensa as qualidades ideais que se espera de um homem público como o gaúcho Euclides Scalco. Sem nenhuma concessão ao populismo, à simpatia caricata e aos eternos jogos da política, comandou com mão de ferro a administração do então governo José Richa e foi o segundo homem da República na era FHC. Passou pela maior Hidrelétrica do mundo, a Itaipu Binacional, aposentou-se e continua morando num apartamento do Alto da XV em Curitiba, que deixa de vez em quando para passar temporadas em Camboriú, SC.

Tanto poder acumulado, a proximidade com as altas autoridades durante mais de 40 anos, e uma vida pública transparente, sem névoas nem segredos. A virtude maior de Euclides Scalco não exige grandes elucubrações, nem raciocínios complexos para ser descoberta: eis aí um homem de respeito. Respeito pelo País, pela política e pelos brasileiros.

*Euclides Girolamo Scalco nasceu no dia 16 de setembro de 1932 em Nova Prata (RS)

 

9:17Marcelo Cirino para sempre

Marcelo Cirino, se quiser, pode pendurar as chuteiras porque ficará para sempre na memória da torcida atleticana. Está no mesmo patamar de Ziquita, o que fez quatro gols nos 15 minutos finais e empatou um jogo contra o Colorado (hoje Paraná Clube), dentro da Baixada.

7:14Virtude e Terror

por João Pereira Coutinho

A polêmica com Justin Trudeau mostra bem como a ‘política da virtude’ tem limites e guilhotinas

Como não rir da polêmica do momento? Falo de ​Justin Trudeau, o premiê do Canadá que, 20  anos atrás, gostava de pintar o rosto de marrom para se fantasiar de Aladdin. A revista Time publicou a foto. Mas parece que há outras provas visuais do mesmo crime.

Ponto prévio: eu não sabia que era um crime pintar o rosto de marrom para efeitos carnavalescos. Na minha cabeça confusa, carnaval é carnaval. E, para respeitar o espírito do tempo, talvez o grande crime fosse não pintar o rosto —e assim “apropriar”, com a nossa brancura caucasiana, um personagem literário do Oriente Médio.

O mundo discorda. E Trudeau, que enfrenta nova eleição em outubro, já veio fazer o seu “mea culpa”. Ele espera agora pelo perdão dos canadenses.

Não sei se haverá perdão. Mas, suspendendo o riso, o caso de Trudeau mostra bem como a “política da virtude” tem os seus limites. E as suas guilhotinas.

Sim, quando nos sentimos mais virtuosos do que os outros, é quase irresistível não exibir os nossos bons sentimentos em público. Mais ainda: exibi-los em público e castigar os outros por não serem tão virtuosos como nós.

O jovem Trudeau, nesse quesito, tem sido imparável: eleito em 2015, ele não se limitou a cumprir a sua agenda progressista, o que seria inteiramente legítimo (e, em certos casos, como na defesa dos direitos dos indígenas, bastante meritório).

Não. Ele notabilizou-se pelo excesso politicamente correto (não se diz “mankind”; diz-se “peoplekind”, corrigiu ele certa vez, para depois garantir que era só uma piada) e pela pose absurdamente condescendente (quando visitou a Índia, fez questão de se vestir como se fosse um ator de Bollywood, para espanto e horror de muitos indianos).

Como se isso não bastasse, os seus adversários não são apenas adversários políticos, que pensam de forma diferente. São cavaleiros das trevas, que obviamente não estão ao mesmo nível de sua santidade Justin Trudeau.

Que o diga Andrew Scheer, o candidato conservador às eleições de outubro, e que ainda não foi perdoado por ter levantado dúvidas, lá na pré-história, sobre o casamento gay.

O problema da “política da virtude” é que ela se sustenta em dois equívocos fatais.

O primeiro, que deveria ser óbvio, é que ninguém é tão virtuoso como pensa. Os seres humanos são imperfeitos e falíveis, o que deveria recomendar alguma humildade na perseguição dos impuros.

Quem nega isso, alimentando vaidades e expectativas irreais, está apenas a cavar a sua própria sepultura. Às vezes, por pecadilhos bem pequenos ou até risíveis.

Mas a “política da virtude” tem outro problema: a virtude falsa, ao contrário da virtude real, que é sempre silenciosa e modesta (Aristóteles “dixit”), muda com as modas.

O que hoje consideramos inofensivo pode ser ofensivo amanhã (ou vice-versa). Como na França de Robespierre, ninguém está a salvo. Nem aquele que se considera o mais virtuoso dos seres.

Eu que o diga: leio a polêmica com Trudeau e depois procuro, temeroso, o meu álbum de fotografias. Encontro. Socorro!

Eu vestido de índio. Eu vestido de caubói. Eu vestido de navegador. Eu vestido de girafa.

Em poucas fotos, sou culpado de apropriação cultural, exortação ao genocídio, defesa do colonialismo, petulância especista —e ainda nem passei da infância.

Terei perdão?

*Publicado na Folha de S.Paulo

6:50Gilberto Larsen, adeus

O jornalista Gilberto Larsen, que colaborou com este blog, morreu ontem. Ele era assessor do deputado federal Sergio Souza e iniciou a carreira em 1972. Num texto aqui publicado, Larsen lembrou os primeiros passos na profissão ao fazer uma justa homenagem a outro que se foi, o grande Renatinho Schaitza, que compunha um timaço no Canal 4, de Paulo Pimentel, formado também por Adherbal Fortes, Francisco Camargo, Jamur Junior, Hugo Santana, Chacon, Sale Wolokita, Ali Chain. Confira:

O primeiro chefe a gente nunca esquece (homenagem a Renato Schaitza)

por Gilberto Larsen

No ano de 1972 quando a imprensa não tinha a liberdade que tem  hoje, comecei a trabalhar como jornalista. O primeiro estágio foi no Canal 4 do Paulo Pimentel. Meus chefões: Renato Schaitza, Adherbal Fortes, Hugo Santana e Francisco Camargo. Minha colega de estágio: Elisabeth Fortes. Foi um tempo de muita aprendizado na Cidade da Comunicação, onde ficavam a televisão, o Estado e a Tribuna do Paraná, e a Rádio Iguaçu, que foi violentamente tirada do ar quando era comandada por Euclides Cardoso. O Renato Schaitza foi um mestre e um sinônimo de comportamento profissional, eficiência e decência.
Da equipe faziam parte o Sale Wolokita, apresentador do Jornal da Cidade, o Chacon sempre disfarçado de Gorgeas, um hipopótamo que tinha duas taras na vida: falar do tempo e paquerar a apresentadora Lais Mann; o Ali Chain, o Jamur Junior, o Haroldo Lopes. Sempre presente na redação estava a Rose, humana, alegre e eficiente secretária do ex-governador. No comando administrativo da TV, o major Vidal. No apoio o Celsinho e o Gabriel. Os dois atuam hoje como cinegrafistas.  Entre todos, o Renatinho trafegando com respeitabilidade.
Lembro  de uma passagem que faz parte da história da televisão paranaense. A primeira câmera sonora do Paraná, uma Auricon, chegou para o Canal 4. O Rosaldo Marx, que fazia dupla com o Jorge Santos na operação das câmeras 16 milímetros que abasteciam os jornais com filmes em preto e branco, foi escalado junto comigo para uma matéria especial em Paranaguá. Lá fomos nós sem experiência nenhuma de câmera com microfone. As entrevistas foram feitas, mas o resultado foi um desastre. Se não fosse a edição, seria a coisa mais esdrúxula do mundo.

Começando pela operação da aparelhagem. Era um trombolho que obrigava o cinegrafista a ter dotes de levantador de peso profissional. Como repórter, gravei tudo com os entrevistados. Quando apontei o microfone para o primeiro entrevistado, deixei de explicar que ele devia ir direto ao assunto e a gravação saiu mais ou menos assim: “Primeiro, meu bom dia aos amigos de Curitiba e á direção do Canal 4. Quero dizer que Paranaguá é isso e aquilo…” Só depois ele entrou no assunto.
Quando retornarmos a Curitiba, apresentamos o material ao Renato Schaitza, que teve a delicadeza de nos dar uma aula de como cinegrafista e repórter deviam se comportar diante da novidade tecnológica. Sua paciência na edição salvou o trabalho. E o nosso emprego.  Assim era o Renatinho no dia-a-dia de uma agitada redação de televisão que liderava o Ibope no Paraná.  Junto eledevem estar o Rosaldo Marx, o Jorge Santos e o  Sale Wolokita. Está pronta a equipe para começar  o Jornal do Céu. O chefe chegou, edite-se. Renatinho chegou com o Ibope da eternidade já conquistado.

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21:10ZÉ DA SILVA

Sei não quem é o presidente, não. Tenho televisão não. Nem rádio. Nunca vi um jornal na vida. Já me falaram o que é, mas não adianta. Não sei lê! Nasci aqui nesse cantinho perdido no mundo. Em casa tem luz não. Água só da cacimba. Eu e muié a fizemos uma boa filharada. Tudo nasceu em casa. Na hora chamamo a parteira das redondezas. Trabalho de meia, na terra dos outros. Tenho terra não. Pobre nasce pobre e morre pobre. Dura muito se a reza for forte e não pegar doença. Em casa tem um Padim Ciço e uma Nossa Senhora. Jesus anda no meu bolso, num crucifixo pequeno. Por enquanto eles estão protegendo a gente. Comemos farinha todo dia. Ovo de vez em quando. Galinha uma vez por mês. Carne quando alguém mata um boi ou porco e chama a gente para a festa. O que eu gosto mais aqui? O cheiro da terra quando chove. Se tem poça no terreiro, vou lá e coloco o pé. Coisa boa. A cidade mais perto fica longe. Fui uma vez. Achei estranho. Muita zuada. Não gostei. Documento tenho não. Me chamo Zé. Me disseram isso. Ninguém me falou o resto do nome. Tá bom. Não precisa. A vida é assim. A gente aprende. Pra que saber de presidente?