8:46Pensando bem…

Rogério Distéfano

“ESTE PAÍS não nasceu para ser a merda que é”. Palavras de Lula em comício de sua caravana, na Bahia. Quando começamos a desconstruir Lula, ele surge com o diagnóstico perfeito, a frase lapidar que resume nossa realidade. Louve-se Lula por admitir que o Brasil é uma merda. Verdade que disse com aquela capacidade que só têm os deuses e os políticos de não reconhecer sua parcela do bolo fecal.

Ainda que me esforce para concordar com o sociólogo do ABC, ele está errado. O Brasil nasceu, sim, para ser a merda que é. Para nós o bonde da História já passou. Basta olhar as nações que fizeram de sua História sinônimo de civilização e veremos que o Brasil sempre dá um jeito de produzir excremento, na forma e no olor dos políticos salvadores da pátria. Como é normal, Lula não acusa o cheiro de sua participação fecal.

Lula, bom lembrar, desculpou-se mais tarde pelas palavras, a primeira vez que faz. Nem precisava; suas tolices são inscritas a fogo nas pedras da lei do PT. Lembro a mulher que nasceu analfabeta, as companheiras do grelo duro, entre tantas. Desculpas, por quê? Um palpite: passou a ressaca, falou merda sobre a merda sob o efeito do álcool. É que o TSE não exige bafômetro em palanque.

Demagogia ou porre, latrina ou fossa séptica, Lula acertou na mosca que sobrevoa o excremento. A análise ignora sua contribuição à merda que condena: Mensalão, Petrolão, Empreiteiras, JBS, Dilma e Temer. Lula fez a merda atual e ativou o purgativo. Suas palavras podem mesmo substituir o dístico da bandeira: sai o Ordem e Progresso nunca respeitado e entra o “Este país não nasceu para ser a merda que é”.

8:24A bola da vez

O projeto de lei da prefeitura para fazer funcionar unidades de saúde e centros de educação infantil da prefeitura que estão fechados vai ser a bola da vez nesta semana. A ideia é acabar com a proibição que existe e contratar Organizações Sociais para tal. A confusão com Oscips (Organização da Sociedade Civil de Interesse Público) é que embaralha o jogo, já que dia sim e outro também aparecem casos de corrupção com essas entidades contratadas principalmente por prefeituras que não têm como bancar estruturas próprias na saúde, principalmente. O regime de urgência para a votação pedido pela prefeitura pode se estender até 45 dias. Se o a decisão for dos próprios vereadores, o tempo diminui para 3 dias. Ainda não se sabe o que vai acontecer, mas vereadores da base que apoiam o prefeito Rafael Greca dizem que o problema mesmo é que o atendimento ao público é que está em jogo. O que se quer conferir é se as OS, que contratariam os serviços, vão mesmo baratear o custo de manutenção, além de torná-los eficientes. A ideia da prefeitura é essa – mas é preciso conferir.

7:43JORNAL DO CÍNICO

Do Filósofo do Centro Cínico

Só com o auxílio-moradia que a turma da capa preta recebe todo mês, a turma do andar de baixo abriria mão do salário da fome que recebe quando está empregada – e ainda ia viver na ilusão de que finalmente ingressou na classe média, depois de anos na mérdia.

7:12Controle de salário de juízes chega com atraso

por Frederico Vasconcelos

As distorções nos vencimentos de alguns tribunais são um problema antigo, até então não enfrentado pelo Supremo Tribunal Federal.

Portaria da ministra Cármen Lúcia, presidente do Conselho Nacional de Justiça e do STF, anunciada nesta sexta-feira (18), obriga os tribunais a enviarem informações sobre pagamentos efetuados aos magistrados.

Segundo a assessoria do CNJ, a presidência do órgão providenciará medidas específicas pela Corregedoria Nacional de Justiça para tomar providências em caso de descumprimento das normas constitucionais e legais em pagamentos realizados sem o fundamento jurídico devido.

Desde 2012, um pedido de vista do ministro Luiz Fux, do STF, suspendeu o julgamento de ação, proposta pela Procuradoria-Geral da República, questionando a constitucionalidade de lei estadual que gerou os supersalários no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. São os chamados “penduricalhos”, vencimentos engordados com “auxílios” e gratificações.

A lei teve origem no Judiciário estadual, foi aprovada pela Assembleia Legislativa e sancionada pelo então governador Sérgio Cabral (PMDB), que viria a ser condenado e preso por corrupção na Operação Lava Jato.

“No Rio, houve um complô de tal forma que hoje nós temos Tribunal de Justiça, Poder Legislativo e o Executivo todos coniventes com aqueles salários altíssimos pagos aos desembargadores. Isso não pode ser a troco de nada, porque o Rio padece de uma série de deficiências”, diagnosticou na época a ex-corregedora nacional Eliana Calmon.

Em Pernambuco, os magistrados estaduais conseguiram na última semana a aprovação do pagamento retroativo de R$ 7 milhões, a título de auxílio-alimentação durante as férias. Em março, um projeto de lei, de autoria do Poder Judiciário, permitiu ao TJ daquele Estado aumentar os salários dos juízes a partir do auxílio-alimentação e do auxílio-moradia.

Um ministro do Superior Tribunal de Justiça entendeu que o STF deveria suspender o que ele chamou de “imoralidade dos vencimentos extraordinários” no tribunal pernambucano.

A decisão da ministra Cármen Lúcia foi tomada logo depois do imbróglio sobre os vultosos salários pagos pelo Tribunal de Justiça do Mato Grosso, que veio à tona na semana passada, expondo divergências entre informações do tribunal estadual e da corregedoria nacional.

A providência da presidente do CNJ –que pretende dar divulgação aos dados dos tribunais– está na contramão de uma controvertida decisão do CNJ tomada em 2015, ainda na gestão do ministro Ricardo Lewandowski.

Por maioria, contrariando estudos de um grupo de trabalho formado por conselheiros, o CNJ aprovou resolução que passou a obrigar a identificação de cada cidadão que procura informações sobre a remuneração de magistrados e servidores da Justiça.

O Blog reproduz, a seguir, post divulgado em 25 de janeiro de 2016, sob o título “Retrocesso na Lei de Acesso à Informação”. Continue lendo

20:35ZÉ DA SILVA

Era uma daquelas embromações de professor. Curso: comunicação. O tal pediu para que gravássemos o som que nos desse na telha para levar à sala de aula. Depois que cada um apresentasse o “trabalho”, ele seria discutido pelos alunos. Ok. Em casa havia uma guarda-roupa do tempo da Maria Antonieta cuja porta central, onde havia um espelho por dentro, rangia de uma forma tão estridente que, cedinho, irritava mais que despertador ou galo com ataque de estrelismo. Fiz mais do que queria: no meu Panasonic último tipo gravei um sinfonia inspirado em Hermeto Pascoal – coisa de âmago, sentida no ato. Levei a fita cassete e, na hora em que fui chamado lá na frente, ao apertar o play… cadê que tinha som? Fiquei na minha. Calado. Todos em silêncio absoluto. O professor com cara de espanto. Eu, sentindo o efeito, com fachada de artista transgressor e superior àqueles seres comuns. Aí ficaram o resto da aula e mais algumas outras discutindo se a falta de som é som e outras baboseiras parecidas. Naquela semana uma donzela que nem me dava bola partiu para o ataque ao geniozinho. A partir disso, todo dia ao ouvir alguém abrir aquela porta da felicidade, eu sorria. Depois, ia lá e beijava a dita. Ela existe até hoje, mas nunca mais fez barulho – porque os donos da mobília partiram para o silêncio.

19:29Jerry Lewis, adeus

Da Folha de S.Paulo

Morre aos 91 anos Jerry Lewis, um dos maiores comediantes da história

Jerry Lewis, um dos comediantes mais famosos da cultura pop, morreu na manhã deste domingo (20), em sua casa em Las Vegas, aos 91 anos. A notícia foi dada pelo jornalista John Katsilometes, do “Las Vegas Review-Journal” e confirmada pelos veículos “Variety” e “The Hollywood Reporter”.

Ainda não foi divulgada a causa da morte, mas Katsilometes reproduziu um anúncio da família de Lewis em seu Twitter particular, dizendo que o “lendário Jerry Lewis morreu de causas naturais” e com “a família ao seu lado”. O ator deixa a mulher, a atriz SanDee Pitnick, e seis filhos.

Lewis tornou-se o maior comediante do showbusiness durante a década de 1950, numa parceria de sucesso com o ator e cantor Dean Martin, com quem fez diversos longas, como “O Meninão” (1955) e “Farra dos Malandros” (1954). Mesmo com a dupla separada, Lewis protagonizou sucessos e dominou os cinemas nos anos 1960 com “O Mensageiro Trapalhão” (1960) e “O Mocinho Encrenqueiro” (1961).

O ator gostava dos personagens duplos (ou múltiplos), e nada poderia ser mais adequado a esse gosto do que interpretar Dr. Jekyll e Mr. Hyde. Ou, em versão comédia, o professor Kelp e Buddy Loveem “O Professor Aloprado” (1963). Um é químico genial, feio e desajeitado que inventa um jeito de se transformar num galã.

É sua obra mais genial, em que foi diretor (completo, ele entendia muito disso) e ator. Nela, o drama de ser humano, de crescer, de falhar é posto em evidência –é o que o torna mais que um fenômeno passageiro.

Em “Bagunceiro Arrumadinho” (1964), Lewis viveu um enfermeiro que não suporta ouvir falar em doenças. Trata-se, por sinal, de um dos grandes momentos do ator, no tipo que o consagrou como um dos grandes do burlesco: o inapto, o incapaz de se integrar ao mundo, tão americano, dos vencedores. A obra tem talvez a “gag” mais famosa de sua carreira, a da maca que sai enlouquecida sai pelas ladeiras.

Seu humor mais físico foi menosprezado no início entre os colegas americanos, mas o público ia em massa ver os trabalhos do comediante. Ganhou mais prestígio, ironicamente, na Europa, ao ser premiado na França, Itália, Bélgica e Espanha, e ser citado como gênio por diretores de vanguarda na época, como Francois Truffaut e Jean-Luc Godard.

Nos anos 1980, tentou mostrar seu lado mais dramático em “O Rei da Comédia” (1982), filme de Martin Scorsese que foi rejeitado pelos fãs da comédia pastelão de Lewis.

Lewis já havia passado por problemas de saúde ao longo dos anos, antes de sua semi-aposentadoria, em Las Vegas. Passou por uma cirurgia no coração em 1983 e outra para tratamento de um câncer, em 1992.

Passou por uma reabilitação, em 2003, para se curar do vício em drogas legais, teve um ataque do coração em 2006 e possuía fibrose pulmonar, uma doença respiratória crônica que exigia remédios poderosos para ser controlada.

Além de ter dirigido vários dos seus sucessos cômicos, ter sido indicado o Nobel da Paz de 1977 pelos seus esforços por trás do Telethon, programa pioneiro na arrecadação de recursos via televisão, Lewis também queria o Oscar que apresentou em duas ocasiões (1957 e 1959), mas que nunca venceu como ator ou diretor -ele ganhou o prêmio humanitário em 2009.

Era seu objetivo com o controverso “The Day the Clown Cried”, que fez em 1972 achando que “A Academia não poderá ignorar esse filme”. Mas foi o próprio Lewis que se censurou.

Achando que o resultado final da trama –um palhaço que tenta ajudar os prisioneiros de um campo de concentração ao replicar um espetáculo circense– era um “trabalho pobre”, o diretor e ator colocou o projeto no cofre e nunca exibiu o longa. Uma cópia estaria na Biblioteca do Congresso dos EUA, mas não se sabe qual foi a exigência do artista para a exibição pública.

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13:40Na clínica e na calçada

Cena curitibana. O voluntário saiu de uma reunião na clínica de recuperação de dependentes onde a maioria dos pacientes estava reclamando de tudo – dos terapeutas à impossibilidade de jogar uma partida de snooker, passando pela qualidade da comida feita por um time de cozinheiras de primeira e a falta de mais lenha na lareira da sala do casarão. Ao entrar num supermercado no caminho de casa, o ex-paciente da mesma clínica viu um senhor virando no bico uma garrafa de caninha 5,  que já estava abaixo da metade. Ele falava coisas desconexas e estava molhado, porque provavelmente dormiu embaixo de uma marquise onde a água invadiu. Entre este e os outros, o comum era a mesma doença incurável, mas controlável –  e a dificuldade entre conseguir se olhar e se dar uma chance de vida.

13:15PARA MANTER O RASCUNHO VIVO!

por Rogério Pereira

Prezados amigos.

Sigo na luta para manter o Rascunho vivo.

Acabamos de lançar uma campanha de financiamento coletivo no Catarse.
A ideia é angariar recursos para uma série de mudanças: vamos reestruturar a área comercial, investir em um novo site, melhorar nossas plataformas digitais e, o mais importante, ampliar o número de páginas.
Esses avanços são essenciais para que o Rascunho continue sendo relevante para a cultura brasileira.

COMO AJUDAR:

Basta acessar este link no Catarse: https://www.catarse.me/jornalrascunho 
Criamos diversas recompensas, com valores a partir de R$ 20,00.
Escolha a recompensa que mais te agrada e participe.

AJUDE A DIVULGAR:

Facebook: na fan page do Rascunho, veiculamos o vídeo oficial da campanha com os escritores João Carrascoza e Milton Hatoum. Seria ótimo se você pudesse curtir e, principalmente, compartilhar.

Whatsapp: o mesmo vídeo está no nosso canal do YouTube. Divulgar nos seus grupos de WhatsApp ajuda a viralizar a campanha. Link do vídeo:https://www.youtube.com/watch?v=ob2IhNcMnWM.

Twitter: a campanha também está no nosso Twitter. Retwitees também contam!

Instagram: o apelo visual é imprescindível! Espalhe a campanha pelo Insta.

Tenho certeza de que com o seu apoio a campanha será um sucesso.

Muito obrigado e um abraço,

 

 

8:56O Jim Jones do PMDB do Paraná

Do analista dos Planaltos

Ontem, na Boca Maldita, um ex-deputado do PMDB comentou sobre a ameaça de Requião Baby de desmontar o partido se expulsarem o Requião Senior: ” Requião já desmontou o partido faz tempo, reduziu a bancada de 14 para 4 deputados , os vereadores de Curitiba para dois eleitos por igreja e cursinho e não elegeu nenhum prefeito nas maiores cidades do Paraná. Como presidente do partido no Paraná foi uma espécie de Jim Jones levando o PMDB ao extermínio. O último vexame foi a votação ridícula de Requião Baby (o apaniguado do fundo partidário) na eleição de Curitiba, perdendo para todos até para a maringaense Maria Victória. O casarão da rua Vicente Machado hoje é apenas um escritório da família e dos comissionados do Senador, nada mais ” .

8:33JORNAL DO CÍNICO

Do Filósofo do Centro Cínico

O pastor Silas Malafaia alertou João Doria sobre o espalhamento que a turma do Jair Bolsonaro está fazendo: a de que ele, Doria, seria militante de esquerda. Agora o prefeito paulistano vai orientar seus seguidores a inundar o país com a história de que Lula é ultra-radical de direita e recebe apoio de Geraldo Alckmin nos bastidores.

8:17Pensando bem…

Rogério Distéfano

UMA PALAVRA normalmente esquecida no dicionário, cooptação, está por implodir o PSDB. Outra palavra, presente no dicionário e sempre lembrada em nossa língua diária, corrupção, magoa o PSDB enquanto fortalece os demais partidos, mais que todos o PT, que deu a ela grandeza exponencial. Se a corrupção magoa os tucanos, a cooptação os ofende até a alma.

Curioso que o responsável pela ofensa foi o presidente em exercício dos tucanos, senador Tasso Jereissati, que coordenou o programa de televisão do partido na semana finda. O programa fez a crítica de nosso sistema presidencialista, justamente chamado “presidencialismo de cooptação”. Ao tempo em que praticavam o “presidencialismo de coalizão” os tucanos não se ofendiam.

Por que o frisson (palavra francesa do gosto de FHC, líder e intelectual maior dos tucanos), o chilique? Coalizão e cooptação na prática dão no mesmo: partidos que se associam para governar. Acontece que uma pequena diferença faz toda a diferença: coalizão é neutra, cooptação é tóxica. No governo FHC o PSDB fez coalizão; no governo Temer está atolado na cooptação.

Outra diferença está na conotação, a ideia associada aos vocábulos. Na coalizão a conotação é a de juntar. Na cooptação a conotação é aliciar. E aliciar é envolver na empreitada criminosa. Para os tucanos empreitada criminosa é coisa das outras aves, as de rapina. Daí o fuzuê com seu presidente interino.

8:15Nossos comerciais, por favor!

E esse tal de Roberto Prado, hein? Ainda bem que não lhe buzinaram na orelha que agora as grandes produtoras de comerciais daqui e também de fora estão vindo aqui na capital da província para filmar comercias de carros, serviços, perfumes, etc, porque a burocracia praticamente não existe e os gênios da publicidade podem utilizar a paisagem do jeito que pensaram. E é mais barato. Ah, sim, mas o povo que aparece é tudo importado das grandes metrópoles. Repetindo: ainda bem que ele não prestou atenção nos tais comerciais, porque, senão… seu texto “Desperdício da nossa alegria” ficaria mais corrosivo, além de excepcional.