7:58Constrangimento na festa

Do enviado especial

Ratinho Junior e Rafael Greca parecem estar afinados. Um elogia o outro. O governador lançou ontem um programa de R$ 25 milhões para asfaltar ruas em Curitiba. Na cerimônia houve um constrangimento quando o vereador Jairo Marcelino foi se sentar à mesa das autoridades. Isso porque Greca elogiou os vereadores que “salvaram” a cidade na votação do plano de recuperação – e naquela ocasião Marcelino votou contra, causando até hoje olhares fulminantes dos colegas parlamentares na Câmara.

7:51As pesquisas

Um interessado olhou o resultado da pesquisa para prefeito publicada nesta semana e lembrou que, no ano passado, a uma semana da votação para o governo do Paraná, um candidato estava com a metade do percentual que acabou recebendo – e uma outra candidatura inflada em 25%. Em tempo: a pesquisa era interna, ou seja, paga. Não houve falha na indicação do vencedor, mesmo porque até quem vivia em outros mundos não erraria.

7:39JORNAL DO CÍNICO

Do Filósofo do Centro Cínico

Para evitar constrangimentos, tumulto e a queda na Bolsa de Valores, o Congresso precisa aprovar lei que determine a prisão imediata logo depois da posse dos futuros presidentes do Brasil.

7:21Ideologia e reformas

por Mário Montanha Teixeira Filho

O que espanta nestes tempos de extremismo não é apenas a agressividade das disputas políticas, um fenômeno que se alia a xingamentos generalizados (e generalizantes), brigas e expressões de ódio, a indicar que a sociedade está doente. Mais do que isso, chama a atenção a superficialidade dos discursos propagados pelos “vencedores”. São frases arrumadas sem critério lógico, postas à disposição de vozes repetidoras de verdades absolutas, sempre em defesa dos interesses do mercado, o deus da modernidade.

De algum tempo para cá, o combate à quase-social-democracia produzida pela Constituição de 1988 se tornou muito mais intenso. A eliminação de direitos ocupou a narrativa da ordem, condicionando o futuro nacional a uma estabilidade econômica falsamente concebida e incapaz de coexistir com garantias individuais e coletivas. Saíram de cena os governantes empenhados em anunciar, com maior ou menor grau de sinceridade, medidas de combate à pobreza ou de redução de desigualdades. O que vale, hoje, é a pregação desvairada contra um comunismo de ficção e a favor de teses obscurantistas sustentadas por líderes religiosos de araque, acompanhada da desqualificação de qualquer gesto ou movimento organizado que se apresente como contraposição ao “sistema”.

Michel Temer, o presidente que fez aprovar a reforma trabalhista e o corte de investimentos públicos autorizado pela “PEC do fim do mundo”, cumpriu exemplarmente o papel que lhe cabia na configuração da nova política. No término de um mandato ilegítimo e antipopular, exibiu como troféu o esfacelamento do Direito do Trabalho, convertido em norma de chancela da precarização e do barateamento da mão de obra. Os milhões de empregos prometidos pelas mudanças legislativas não vieram, assim como a intervenção federal no Rio de Janeiro, decretada para acabar com a violência e o tráfico de drogas, se limitou a espalhar terror entre a população pobre.

Curiosamente, a maior apreensão de armas de grande porte jamais realizada pelas forças policiais aconteceu alguns meses após a saída de Temer, a partir de investigações que apontaram os autores do assassinato de Marielle Franco, vereadora que denunciou milicianos que comandam um Estado paralelo na região metropolitana do Rio, e Anderson Gomes, que trabalhava como motorista. O arsenal, porém, não estava escondido em nenhuma favela, em nenhuma comunidade desprovida de serviços básicos, mas na região nobre da Barra da Tijuca, em imóvel vizinho ao local onde mora Jair Messias Bolsonaro, transformado em presidente do Brasil nas eleições facebookianas e whatsappianas de 2018.

A Temer, não obstante os agradecimentos protocolares da elite econômica que se valeu dos seus préstimos, restou a prisão decretada tardiamente no dia 21 de março que passou. O ostracismo imaginado pelo golpista vampiresco, ao que parece, enfrentará percalços motivados pela ingratidão daqueles que o patrocinaram. Ossos do ofício.

Mas a questão a ser retomada é o discurso ideológico, repetido com desenvoltura pelo capitão e seus filhotes numerados em ordem crescente. Bolsonaro não se cansa de afirmar que os brasileiros estão condenados a escolher entre emprego e direitos. Ou que o trabalho das mulheres vale menos do que o trabalho dos homens. Ou que os operários devem destruir os seus próprios sindicatos e buscar a proteção dos patrões. Ou que a tortura e o armamento são meios de combate à violência.

Pois é em torno desses “conceitos” que o governo prepara, em combinação com um Congresso ultraconservador, instituições bancárias e agentes da mídia, o golpe final que transformará a maior parte da população brasileira em cidadãos sem direitos, sem assistência, sem saúde, sem salários e sem aposentadoria: a contrarreforma da Previdência. A esperança, para aqueles que serão massacrados – mesmo para os que ainda não perceberam isso –, é que a ideologia que adorna as palavras oficiais tem prazo de eficácia limitado. Para convencer as massas de que “perder direitos é bom”, o recurso utilizado tem sido a mentira. E esta, como se sabe, não dura para sempre.

18:21HC negado

A 1ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Paraná acaba de negar mais um habeas corpus para acusado de participar do assassinato do jogador Daniel. Dessa vez foi para Evelyn Brisolw Perusso.

 

18:11Invisíveis

Amigo do blog comparou a atitude de muitos políticos ladrões com à daquele casal de amantes, os dois casados, que começaram a se encontrar em Ponta Grossa, para não ter problema de serem vistos. Passado um tempo, encurtaram a distância e passaram a se ver em Campo Largo. Como não acontecia nada mesmo, se acharam invisíveis e então foram vistos passeando de mãos dadas num dos shoppings de Curitiba.

17:51JORNAL DO CÍNICO

Do Filósofo do Centro Cínico

Jair Bolsonaro disse que “a Justiça nasceu para todos”, ao comentar a prisão do Michel Temer. Corretíssimo! Mas se alguém pensar em triscar nos filhos dele, o presidente chama o cabo e o soldado e manda fechar tudo.

17:41A velha política

De Rogério Distéfano, no blog O Insulto Diário (http://www.oinsultodiario.com/ )

Jair Bolsonaro elegeu-se combatendo a “velha política”, a dos acertos, da troca de cargos, da propina em obras e contratos, em suma, o toma lá-dá cá da roubalheira explícita. Em seu benefício diga-se que ele nunca fez a “velha política”. Mas não fez qualquer política, velha ou nova. Deputado, ficou três décadas no gabinete, não brilhou em comissões, nem atuou no plenário da câmara dos deputados, afora uma ou outra ocasião em que defendeu torturadores e ofendeu colegas.

Não se conhece projeto de lei ou parecer relevante dele como deputado. Acontece que, ao contrário do que imaginam os brasileiros que o elegeram, sua eleição não acabou com a “velha política”, pois os atores desta continuam no Congresso, seja com o pelo das velhas raposas, seja com o pelo lustroso das novas raposas. Em outras palavras, a “velha política” continua no Congresso mesmo depois do tsunami bolsonárico. Bolsonaro tem problema com a “velha política”?

Não é bem assim. Bolsonaro tem problema com a política, sem mais nem menos. Não tem traquejo, não tem jeito, não tem gosto, não tem flexibilidade. Os advogados Renato Kanayama e Roberto Nunes de LIma Filho comentavam hoje a linguagem corporal do presidente chegando ontem na câmara, portando a mensagem da previdência dos militares: como que se esgueirava na extrema lateral do grupo que o acompanhava, roçando a parede, esquivo e desconfortável como sempre.

Bolsonaro sequer incorporou a percepção de seu espaço privado, corporal, a aura sensível, embora invisível, que se projeta dos que detêm o poder. A linguagem corporal diz muito da persona de Bolsonaro. Mas esta persona terá que fazer concessões à “velha política”. E fazer logo, se quiser aprovar suas reformas, empacadas na câmara pela falta de interlocução e de trabalho corpo-a-corpo – leia-se toma lá – dá cá. O presidente é um misto de rainha da Inglaterra com general de república bananeira.

Como seria esse voltar à – indispensável, orgânica e endógena – “velha política”? Lula também quis isso. Logo percebeu que teria que ceder. Cedeu um pouco com o mensalão, alugando deputados e senadores. Não funcionou. Então deu em comodato aos políticos largas fatias da administração pública. Quase funcionou. Então surgiram os procuradores da Lava Jato e o ex-Sergio Moro. Jair Bolsonaro está nessa encruzilhada que só dá para dois caminhos: os da “velha política”.

16:54Por Deus!

Do correspondente em Brasília

Aos amigos mais próximos o ministro Sergio Moro não esconde que é ateu. Após o episódio de ontem, quando Rodrigo Maia, presidente da Câmara dos Deputados, o desmereceu, em um bate-boca desrespeitoso, Moro fez uma tréplica em que chama para si o apoio da população e manifesta seu desejo para que Deus proteja a nossa nação. O caminho de Curitiba para Brasília promoveu muitas mudanças curiosas no ex-juiz federal.

15:33O primeiro

O Fabiano Contarato (REDE/ES) é o primeiro senador brasileiro a sair do armário. Bravo, quase duzentos anos de existência do Senado! O primeiro a sair, porque há uma pá deles trancadinha do closet. São que nem os colegas do semi-aberto, só que ao contrário: ficam presos de dia e saem de noite. (Rogério Distéfano)

15:29João vende bala de goma e propaga sonhos

Em Curitiba, por Patrícia Iunovich

João tem dez anos de idade. Ele não vende apenas bala. Ele propaga sonhos. Tem quatro irmãos e comercializa gomas pra sustentar uma cadeia familiar. Eu pergunto: “Por que você está aqui? Ele responde: “Minha mãe é usuária de drogas. Teve o primeiro filho aos 14 anos de idade. Estou acompanhando minha vó. Ela está em outro ponto”. Eu questiono: “E a escola?” João diz que está no quinto ano. Eu reforço: “Você tem que ter infância. Não pode arcar com a responsabilidade de uma casa. Tem que estudar”. Ele diz: Mas se eu não fizer isso – que eu gosto (vender balas)- como fica?” Eu também gostaria de saber. E insiste: “Olha, se você comprar uma bala, posso ter dar um abraço”. Não tem como não se render. Se é um texto ensaiado ou uma mensagem apenas genuína? Não sei. Só sei que gostaria de levar o João pra casa.