15:21Os comissionados e o “rei”

A Gazetona revela que as universidades esperneiam para manter mais de 3 mil cargos em comissão que são distribuídos pelos reitores – e eles ainda acham que é pouco. Perguntado sobre quantos seriam necessários, o representante da casta não soube informar. Já tem gente no Centro Cívico achando que o termo reitor não cabe mais para a função de direção das universidades estaduais. A palavra poderia ser cortada pela metade, ficando só “rei”.

13:41Positivo na Conectada

Há pouco saiu a empresa vencedora do pregão eletrônico para fornecer 10 mil computadores ao Governo do Paraná para o programa Escola Conectada. Quem levou foi a Positivo Informática, com deságio de 30% (de R$ 49.5 milhões caiu para 34.7 mihões) 

11:23Falou?

Do ombudsman

O deputado estadual Plauto Miró deu entrevista a uma rádio de Ponta Grossa e negou seu envolvimento no escândalo de desvio de dinheiro que a Operação Quadro Negro revelou. Como até agora não tinha falado nada, a notícia se espalhou. Certo? Depende. Se ele tivesse confirmado a participação no esquema que desviou dinheiro de escolas públicas que deveriam ser construídas, aí, sim. Mas a conversa foi igualzinha a de todos aqueles que tiveram os holofotes ligados em cima nos últimos anos e juraram inocência.

10:53JORNAL DO CÍNICO

Do Filósofo do Centro Cínico

Anuncia-se a despoluição do Rio Belém – e com R$ 10 milhões. Se conseguirem o milagre, nada melhor que o prefeito tomar um copo de água e se banhar só de sunga nas águas cristalinas do tal depois que o serviço estiver concluído.

10:47

No ano passado, 13,4 milhões de brasileiros sobreviviam na pobreza extrema, ou seja, com 133 reais por mês. É mais que um Paraná inteiro. Aí, quando surge a notícia de que alguns estão comendo calango no nordeste e lixo na periferia de qualquer grande cidade, tem gente que se assusta, engole a notícia e vai tratar da ceia de Natal porque ninguém é de ferro.

7:44Lucidez

Tendo visto com que lucidez e coerência lógica certos loucos justificam, a si próprios e aos outros, as suas ideias delirantes, perdi para sempre a segura certeza da lucidez da minha lucidez. (Bernardo Soares/Fernando Pessoa)

7:28Governo reforça papel de hospital psiquiátrico

Do jornal O Estado de São Paulo

O Ministério e os Conselhos Estaduais e Municipais de Saúde aprovaram ontem a reformulação da política de saúde mental do País. O novo modelo reforça o papel de hospitais psiquiátricos, que voltam a fazer parte da rede de atendimento. Também incentiva a criação de enfermarias especializadas em hospitais gerais – com preferência para aquelas que reúnem maior número de pacientes.

O formato é considerado por parte de especialistas como um retrocesso à lei de 2001, de reforma psiquiátrica, que determinou o fim da rede centrada nos hospitais e deu espaço para o atendimento ambulatorial. “Essa resolução abriu a porteira para o retorno do modelo manicomial”, diz Paulo Amarante, pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e vice-presidente da Associação Brasileira de Saúde Coletiva.

Uma das principais mudanças da nova resolução é a garantia de que não vai haver a redução de leitos em hospitais psiquiátricos. Até então, a política recomendava que, com a transferência de um paciente para o atendimento ambulatorial, a vaga deveria ser fechada. Em caso de necessidade, pacientes deveriam ser atendidos em leitos reservados em hospitais gerais para a saúde mental.

Ao justificar a alteração, o coordenador do Programa de Saúde Mental do ministério, Quirino Cordeiro, afirmou que o País tem uma quantidade insuficiente de leitos psiquiátricos. “Eles não dão conta da demanda sanitária”, disse. Ele não soube dizer, no entanto, qual é a real oferta no País. “Os registros informam haver 18,2 mil vagas. Mas o cadastro pode estar desatualizado.”

Além de interromper o fechamento de vagas, a reforma vai garantir o aumento do valor da diária paga por internação em hospital psiquiátrico, dos atuais R$ 49 para R$ 80. “O reajuste vai qualificar o atendimento”, disse Cordeiro. Para tentar inibir longas permanências, segundo ele, haverá redução nos valores quando a internação ultrapassar certo período.

Na primeira proposta, o valor da diária era único, independentemente do número de leitos. Diante das críticas, o pagamento será feito por faixas. Hospitais de menor porte receberão valores mais altos – medida já prevista na regulação atual e que tem justamente como objetivo evitar grandes hospitais.

A lógica, no entanto, não vale para os hospitais gerais. A nova regra vai permitir a criação de até 60 leitos de ala psiquiátrica por unidade. Segundo Cordeiro, a medida atende a uma tendência do mercado. “Estudos mostram que unidades que reservam poucos leitos têm uma taxa de ocupação bem menor do que hospitais com maior número de vagas.”

Comunidades terapêuticas. A proposta original previa integrar as Comunidades Terapêuticas à rede de assistência. Por sugestão do Conselho Nacional de Secretários Estaduais de Saúde, esse trecho foi retirado. Com a mudança, o presidente da entidade, Michele Caputo Neto, disse que não será possível financiar com recursos da Saúde o atendimento de dependentes de drogas nessas casas.

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7:13Vão invadir?

Do alto de sua tornozeleira eletrônica, José Dirceu assume o comando do que seria uma invasão dos militantes a Porto Alegre para fazer pressão nos desembargadores do Tribunal Regional Federal que vão julgar o recurso do ex-presidente Lula da Silva no cado do tríplex do Guarujá. Da última vez que fizeram isso, aqui em Curitiba, no mesmo caso, o resultado foi a condenação de 9 anos e seis meses de prisão do líder petista.

7:08A tática de cozinhar o galo

Em 2002 Beto Richa concorreu ao governo do Paraná pela primeira vez. Ficou em terceiro lugar. Roberto Requião foi o eleito, com Alvaro Dias em segundo lugar. O grupo do então governador Jaime Lerner, que estava há oito anos no poder, fez que ia apoiar Richa e cozinhou o galo até sair de cena. Há quem diga que o atual governador, que nunca esqueceu esse episódio, pode ter aprendido a lição e pode aplicá-la agora. Osmar Dias, que era um dos três postulantes ao apoio, pelo jeito já foi descartado, tal as farpas que começa a detonar. E os outros dois? Ok, Richa quer disputar o Senado e precisa estar ao lado de quem vai abençoar para tentar a sua sucessão, mas… em política, até apoio explícito pode ser falso.

6:34Um homem realmente perigoso

Por Ivan Schmidt 

Algumas lacunas na recente historiografia política do país, aos poucos vão sendo preenchidas em benefício de leitores interessados nas rumorosas questões que se sucederam ao longo do século passado, a partir dos anos 20.

Uma prova dessa evidência (que ainda tem inúmeras vertentes em aberto) está na biografia de Filinto Müller emblematicamente intitulada O homem mais perigoso do país (Civilização Brasileira, RJ, 2017), escrita pelo brasilianista R. S. Rose, nascido na Califórnia (EUA) e com doutorado em sociologia obtido na Universidade de Estocolmo (Suécia).

O autor viveu mais de 20 anos no Brasil, escrevendo cinco livros sobre nosso país, além de atuar como professor visitante na Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), tendo-se dedicado quase inteiramente à pesquisa da Era Vargas.

A rigor essa é a primeira biografia de Filinto, um dos colaborares mais próximos de Getúlio no período da ditadura e um pequeno período no governo constitucional, a ponto de ser identificado como braço direito do líder inconteste, sobretudo no emaranhado e difícil departamento policial destinado a tratar das questões políticas, atividade na qual se notabilizou como ferrenho opositor da ação de militantes comunistas.

Nascido e criado em Cuiabá, Filinto ingressou no Exército e foi um dos integrantes do chamado tenentismo, desertor da Coluna Prestes, futuro colaborador da ditadura Vargas, até ser nomeado chefe de polícia com a implantação do Estado Novo.

Na advertência inicial Rose escreveu que “o leitor não deve pensar que estou defendendo Filinto Müller, pois não estou. O que pretendo fazer é uma avaliação honesta de um homem que, em 2013, teve no Brasil nada menos que dez escolas batizadas em sua homenagem”.

Talvez tenham faltado tempo ou interesse pessoal ao biógrafo, o que é imperdoável,  para melhor compreender e esclarecer os leitores a respeito dos métodos que levam à escolha de nomes para instituições públicas e outros logradouros no Brasil. É provável que sua opinião fosse diferente.

Para o brasilianista alguns indicativos sobre a formação humana e intelectual do cuiabano são explícitos e dentre eles um se destaca dos demais: “Primeiro surgiu a má compreensão do positivismo por seus professores na mais prestigiada academia militar do país. No momento em que se graduaram, eles tinham sido submetidos a estudos que propunham que os oficiais deveriam ser os conhecedores do melhor caminho para levar a nação brasileira adiante. Além disso, sua educação era orientada pela elite. Esse era um modelo que se encaixava perfeitamente às ideias da época da escravidão”.

Decerto em referência velada à Academia Militar das Agulhas Negras (RJ), Rose conclui que o mesmo pensamento é apropriado à versão civil, tendo em vista que ambos os modelos “eram e ainda são projetados e instituídos, consciente ou inconscientemente, para manter a maioria dos brasileiros brancos em posição de controle sobre seus concidadãos ‘sujos e da ralé não branca’. Para o pensamento das elites, este era natural e paternalista. Na época de Filinto, a escola para oficiais não permitia a entrada de não brancos e judeus”.

A ditadura de Getúlio Vargas iniciada com a Revolução de 30 parecia ter vida curta, e uma das causas era o Plano Cohen idealizado por integralistas apoiados por militares, como o capitão Olimpio Mourão Filho, ligado à Ação Integralista Brasileira (AIB). Ele  havia elaborado a conspiração com a ajuda de Plínio Salgado, reles imitador das ideias de Adolf Hitler.

O citado plano não passava de um “cenário hipotético construído em cima do que aconteceria em um novo ataque comunista”. Chefe do serviço secreto dos integralistas, o capitão sugeria que unicamente a neutralização de esquerdistas poderia impedir a expansão da atividade comunista. Com alguma modificação no texto, o comando do Exército enviou cópias ao ditador e seu chefe de polícia.

Vargas não titubeou em alardear por meio de repetidas proclamações radiofônicas a vigilância necessária para o enfrentamento da nova ameaça representada pelos lacaios de Moscou.

No dia 27 de outubro de 1937, há 80 anos, em reunião secreta convocada pelo então ministro da Guerra, Eurico Gaspar Dutra, com a participação de Góis Monteiro e Filinto Müller, entre outros, “ficou decidido iniciar os preparativos para um golpe de Estado. O plano manteria Getúlio como líder nacional. Não se sabe se Vargas sabia desses planos. Ele desejava esperar até o dia da Proclamação da República, 15 de novembro, para anunciar a sua própria diktat à nação. Mas, quando os candidatos à presidência Armando de Sales e José Américo de Almeida ficaram sabendo do que Vargas pretendia e começaram a tornar públicos seus sentimentos a respeito, em 8 de novembro, alguns assessores-chave, incluindo o recém-nomeado ministro da Justiça, Chico Campos, Dutra e Filinto Müller, aconselharam Getúlio a agir”, escreveu Rose.

Os conselhos surtiram efeito e na manhã de 10 de novembro seguinte, Getúlio decretou legais a Constituição de 1937 e o golpe de mão que passaria à história como Estado Novo.

Na mesma noite e sempre usando uma cadeia nacional de rádio, informa Rose, Getúlio tornou públicas as razões extremas que o levaram a assumir tais atitudes contra o espectro do comunismo, o maior vilão do momento. Era também, segundo o biógrafo, o momento de afirmação de uma liderança que pensava na vontade do povo e, em sua defesa, e para esse fim, sem a menor preocupação em agir com dureza e violência se necessário fosse.

Com a deflagração da Segunda Guerra Mundial, na essência propriamente dita o Estado Novo se inclinava para o lado nazista, mesmo que Vargas nunca tenha aderido formalmente à Alemanha ou Itália. Contudo, o verdadeiro matiz do regime indicava uma clara simpatia pela dominação exercida pelo Eixo. Dutra, Góis Monteiro, Francisco Campos, Lourival Fontes, Alexandre Marcondes Filho e Filinto Müller eram os mais influentes defensores da ideologia nazifascista no seio do Estado Novo, sendo a voz mais forte do outro lado a do ministro das Relações Exteriores, Oswaldo Aranha.

A influência do governo norte-americano foi mais forte e o Brasil acabou declarando guerra ao Eixo, enviando um contingente de pracinhas para lutar na Itália contra os alemães.

Feridas laceradas continuavam abertas no final da guerra e um dos pontos mais salientes foi a bateria de ataques desferidos contra Getúlio Vargas pelos jornais da cadeia associada do jornalista Assis Chateaubriand. Os artigos mais virulentos foram escritos por David Nasser na revista semanal O Cruzeiro, pregando abertamente a deposição de Getúlio e a condenação do odiado chefe de polícia, para todos os efeitos, o principal responsável pela tortura e assassinato de centenas de opositores do regime varguista.

Não é à toa que Anita Leocádia Prestes, filha do legendário Cavaleiro da Esperança, afirma sem rodeios que Müller, além de trair companheiros, foi um facínora “a serviço das duas ditaduras que infelicitaram nosso país”. Durante a Era Vargas, o chefe de polícia da ditadura entregou ao regime nazista as prisioneiras Olga Benário Prestes (mãe de Anita) e Elise Ewert, mais tarde torturadas e executadas pelos carrascos hitleristas. Continue lendo

19:46ZÉ DA SILVA

Ninguém pode me acusar de não ter guardado dinheiro na vida. Guardei, sim, porque me encantei com a cor e o tamanho daquelas notas. Eram de um passado remoto, mas para mim sempre valeu a beleza, não o valor. Notas estalando de novas. Comprei numa banca de feirinha. Escolhi alguns livros para guardá-las em espaços de páginas contadas. Os livros também eram novos. Guardei segredo para mim mesmo. Pisquei e o tempo voou. Cadê a escrivaninha/estante que ficava entre minha cama e a do meu irmão? Onde foram parar os posteres pregados  om durex na parede mostrando desenhos underground e um Hendrix colorizado? Os donos da casa já partiram. Um pé de ipê comprado no mercado municipal cresceu e floriu no quintal. Constatei muitos anos depois ao fazer a visita de recordação ao bairro. Não lembro quem eram os autores dos romances, mas sei que Rosinha Minha Canoa e Meu Pé de Laranja Lima tinham ficado bem pra trás. O bom é que posso inventar agora, colocando o dinheiro na violência de Rubem Fonseca, que ficou para sempre. Graciliano Ramos era da família, pois vizinho para o lugar onde retornaram os donos da casa. Mas as notas… Perdidas no tempo ficaram. Talvez por isso até hoje continuo durango – e só junto dinheiro em forma de moedas no porquinho de cerâmica. Não para ter algum depois de um tempo, mas para sentir o prazer de abri-lo com uma única martelada.

17:10Carta branca para matar

Jair Bolsonaro, aquele, disse que, se for eleito presidente, vai dar carta branca para a PM matar. Pelo jeito ele acha Felipe Dudende, presidente das Filipinas, um santo, pois manda trucidar traficantes e instrui também os viciados para a carnificina. Nosso capitão da reserva do Exército começa a mostrar os dentes e as garras. Se for eleito, o país vai ter saudade do inferno.