10:16A delação de Dario Messer e seus familiares

Do blog de Lauro Jardim em O Globo

A casa está perto de cair para quem durante décadas operou com Dario Messer, o doleiro dos doleiros, foragido desde maio do ano passado, quando foi deflagrada a Operação Câmbio, Desligo, uma das fases da Lava-Jato fluminense.

Messer está fechando sua delação premiada com o MPF. Mais do que isso: sua mulher, Rosane, e os filhos Dan, Denise e Deborah e até um genro já estão com suas delações assinadas e homologadas pela Justiça.

No acordo negociado para Dario, R$ 240 milhões terão que ser pagos. Sua mulher e filhos também serão multados em pelo menos outros R$ 200 milhões. O pagamento, neste caso, será em dinheiro, joias e obras de arte.

Estima-se que Dario Messer tenha aberto 3 mil offshores em 52 países. O banco que controlava em Antígua, o Evergreen, tinha 429 clientes entre políticos, esportistas e empresários.

O cerco sobre Dario Messer se fechou em várias frentes. Num acordo da Justiça brasileira com a do Paraguai (Dario tem dupla nacionalidade, brasileira e paraguaia), ficou definido que os cerca de R$ 410 milhões que o doleiro possui naquele país serão bloqueados. Metade desse valor será repatriado para o Brasil, a partir de uma decisão do juiz Marcelo Bretas.

9:18JORNAL DO CÍNICO

Do Filósofo do Centro Cínico

Há uma ala de apoiadores do presidente Bolsonaro que faz pressão para que ele delete o astrólogo-guru Olavo de Carvalho, que só dá palpite, e parta logo para a ação, a fim de segurar a onda e se manter no poder. A primeira providência seria convidar o Ronnie Lessa para o Gabinete de Segurança Institucional.

8:29Negado!

Na semana passada uma advogada de dois dos réus do caso Brites quis anular as audiências porque não poderia estar presente em razão de apresentação de tese de Mestrado em Minas. O pedido era de Habeas Corpus para os envolvidos. O desembargador Antonio Loyola negou. Foi acompanhado pelos outros dois que analisaram o pedido.

8:22Garoto propaganda ?

Da coluna de Leandro Mazzini, no jornal O Sul

O lobby da indústria do cigarro pega pesado e usa a boa vontade do ministro Sérgio Moro para tentar reduzir carga tributária. O Palácio já sacou e alertou o ministro.

Aliás… alguém aí já viu o Sérgio Moro com um cigarro na mão? Muito menos na boca.

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Indústria do cigarro usa Moro e passa imagem negativa do produto paraguaio

A indústria nacional de cigarros usa o ministro da Justiça, Sérgio Moro, para passar imagem de que os cigarros contrabandeados do Paraguai é que causam doenças nos brasileiros. Balela. Cigarro faz mal, seja nacional ou paraguaio. O Governo criou grupo de trabalho para tentar reduzir a carga tributária dos cigarros no Brasil.

A Souza Cruz, segundo relatório Tax Justice Network, dos EUA, sonegou US$ 128 milhões – ou perto de R$ 450 milhões – nos últimos anos no Brasil. A fabricante contesta o relatório.

8:16Com o Boca Aberta, ao lado do Marreta

Do correspondente em Brasília

O deputado federal Boca Aberta (PROS/PR) contratou a esposa do ex-chefe de gabinete de André Vargas Ilário (PT), o midiático André Guimarães, que fora denunciado num rolo com a Caixa Econômica Federal e patrocínios, além de condenado pela Justiça Eleitoral de Londrina por crimes eleitorais. Trata-se de Luciane Aparecida de Souza, que está lotada no quarto melhor cargo do gabinete em Brasília, sobre a rubrica de secretária parlamentar (SP20). Ela está abaixo de Everton ‘Marreta Branca’ Assis, o assessor que grava os vídeos do notório parlamentar de Londrina.

7:34Brasil bolsonarista é casa mal-assombrada em filme de terror

por Jorge Coli

Os filmes de casa mal-assombrada sempre me deixam perplexo. Tomo um exemplo: “A Mansão Macabra”, realizado em 1976 por Dan Curtis, com Bette Davis num papel secundário, mas sempre divina.

A situação é clássica. A família que aluga uma velha casa para férias começa a perceber sinais de estranheza. Acidentes acontecem; sonhos aterradores tomam os novos inquilinos; janelas, portas, lâmpadas passam a ter vida autônoma; a mãe tem reações bizarras. Quando, enfim, decidem escapar da habitação que os hostiliza, é tarde demais e a casa destrói a todos.

Minha questão é: por que cargas d’água não saíram assim que esses avisos estranhos começaram? Havia ficado logo bem claro que algo estava errado. Por que esperar o irreversível? A resposta: porque se assim fizessem, não haveria filmes de casa mal-assombrada.

Esses filmes me fazem pensar em pessoas que têm mais medo de médico do que de doença. “Ah, não; se eu for à consulta, o doutor vai descobrir alguma coisa”. Elas contam com o tempo, na ilusão de que tudo vai se resolver. E se descobre a enfermidade tarde demais.

Penso também naquela frase de ironia sinistra: “Na Alemanha, durante o nazismo, os judeus otimistas ficaram; os pessimistas foram para Hollywood”. Ou seja, quem se assustou logo fugiu e se salvou.

Enquanto quem pensava que, enfim, os nazistas não iam chegar a extremos, de fato tornou-se sua vítima.
É bem evidente que a frase citada é apenas uma boutade e que nem todos os perseguidos pelo regime nazista tiveram condições de escapar. Mas não é difícil imaginar a inércia muito humana diante do perigo, que consistia em pensar: “Como eu vou deixar minha casa, meu trabalho? E, afinal, malgrado as perseguições, eles não podem ir mais longe do que já foram”.

Aí está o ponto tremendo. Sim, eles podem. A natureza dos homens chega a deformar-se até o massacre em massa, até a destruição premeditada. Os corações com sentimentos humanos têm dificuldade em perceber até que ponto vão aqueles que são violentos e obtusos.

É a velha história do sapo dentro da panela de água fria, não sei se verdadeira, mas expressiva. Acende-se o fogo e ele não percebe o progressivo aquecimento. Termina cozido.

No Brasil, estamos assim. A casa já deu sinais de sobra desse terror no qual entramos. A tal ponto que se tornou difícil acompanhar o progresso do obscurantismo.

Um presidente que propõe lei autorizando proprietários de terras a assassinar, se se julgarem ameaçados por invasões. Como a violência dos latifúndios já toma proporções tremendas em várias regiões do país, o que será quando os proprietários obtiverem licença para matar?

O caso abominável do fogo aberto (83 tiros) pelo Exército no Rio de Janeiro contra uma família e um catador de latas mostra o clima desequilibrado em que vivemos, tanto pelo ocorrido quanto pelas raras manifestações de poucas autoridades, minimizando o fato como erro ou fatalidade.

E a triste certeza de que, neste caso, se alguém for punido, será a arraia miúda, e não os responsáveis pela atmosfera de violência que cresceu tanto.

A perseguição ao pensamento e ao saber não tem mais vergonha. Ao ser contestado quando decidiu, por capricho ideológico, cortar 30% dos orçamentos de três universidades federais, o ministro da Educação não teve dúvidas e aplicou o mesmo corte em todas.

O governo do Estado de São Paulo não ficou atrás, aparelhando uma instituição como o Condephaat, destinada a proteger os monumentos históricos e artísticos do estado, expulsando de seu conselho especialistas universitários. Busca também reverter a autonomia financeira das universidades estaduais. E a Assembleia Legislativa de São Paulo institui uma Comissão Parlamentar de Inquérito contra desvios ideológicos das universidades públicas paulistas.

Entidades diversas se manifestaram contra. Alguns parlamentares esclarecidos tentam organizar resistência. Protestos e abaixo-assinados correm nas redes sociais. Mas, depois das belas manifestações da quarta-feira (15), parece surgir lugar para algum otimismo realista.

O gênio da Laerte criou um cartum por ocasião do Primeiro de Maio: “Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come, se unir o bicho foge.”

Precisamos que haja união dos espíritos livres, vindos de horizontes os mais diversos, sem acirramentos partidários (sobretudo os fraternos, que são os piores), união que permitiria vencer o país mal-assombrado de hoje. Quatro anos é muito tempo —tempo de sobra para a destruição. Não aguardemos até que o sapo morra.

*Jorge Coli é professor de história da arte na Unicamp, autor de “O Corpo da Liberdade”.

*Publicado na Folha de S.Paulo

17:49Tsunami

Do correspondente em Brasília

A semana terminou e nem sinal do tsunami prometido pelo presidente Jair Bolsonaro. A menos que ele estivesse se referindo ao próprio filho Flávio Bolsonaro, que entro na linha de tiro do Ministério Público… O possível alvo do tsunami, o chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, está mudo e calado, pra redundantemente dizer o mínimo.

17:48Lição da história

Do Analista dos Planaltos

O analista financeiro e ex-candidato a vereador Paulo Portinho, do Partido Novo, “emprestou” texto para que Bolsonaro retuitasse, enfatizando que o Brasil é “ingovernável sem conchavos”. Agora, assustado com a repercussão, afirma que “não adianta eleger ninguém com uma pauta liberal ou conservadora”. Deveria escorar-se na lição (gratuita) do ex-ministro Mário Henrique Simonsen, que dizia que “o poder é como um violino: empunha-se com a esquerda e toca-se com a direita”.

12:37Enquanto isso, na Gazeta do Povo…

Do Paraná Portal

303 ações trabalhistas na Justiça podem levar Gazeta do Povo a prejuízo de R$ 100 milhões

Com 303 certidões positivas de ações trabalhistas do primeiro grau, registradas no Tribunal Regional do Trabalho da 9ª Região – PR, o Grupo GRPCOM, que administra as empresas Editora Gazeta do Povo, Editora o Estado do Paraná e Sociedade Rádio Emissora Paranaense (TV Canal 12), contabiliza mais um rombo superior a R$ 100 milhões só em trabalhistas em aberto.
Este volume de ações e passivo deverá resultar na demissão de mais de 80 pessoas, segundo fontes do Sindicato dos Jornalistas do Estado do Paraná, o que aumentaria ainda mais a dívida do Grupo de Comunicação que vem amargando prejuízos desde 2010 e já teve que se desfazer de sete empresas da área jornalística.

A informação de novas demissões do jornal eletrônico Gazeta do Povo, hoje com mais de 200 colaboradores – a empresa já teve perto de 900 quando ainda mantinha a edição impressa – deverá provocar um desastre no Grupo GRPCOM, administrado pelos irmãos Ana Amélia e Guilherme Cunha Pereira.

A decadência do império do maior grupo de comunicação no Paraná começou em 2015, quando o empresário Mariano Lemanski vendeu sua parte (50% das ações) na sociedade da Editora Gazeta do Povo para os irmãos Cunha Pereira por simbólicos R$ 1, o que causou surpresa no mercado.
Agora mais uma polêmica envolve a gestão dos irmãos Cunha Pereira. A saída da Gazeta do Povo do prédio na Praça Carlos Gomes 4, de propriedade da família Lemanski, para uma nova sede na rua Victor Ferreira do Amaral, 306, no Tarumã, alugada por R$ 250 mil por mês, teria mexido com os ânimos dos sócios.

O que também chama a atenção em relação às atividades do grupo é que desde 2015 não publica balanço da Editora Gazeta do Povo, descumprindo lei que determina que o balanço patrimonial deve ser tornado público. Por que razões a editora não publica o seu patrimônio? É a pergunta que se faz nos meios empresariais de Curitiba.

Na esteira da transação da Gazeta do Povo por R$ 1 vieram a sucumbir outras empresas do grupo, a começar pela própria Gazeta do Povo, um dos mais tradicionais jornais do Estado do Paraná, com 100 anos de atividades. Lemanski vendeu sua parte através da Lemanski Participações depois de ter, supostamente, dado um prazo de três anos para que a empresa reduzisse os prejuízos mensais que somavam perto de R$ 1,5 milhão por mês.

Foi no balanço de 2015 que acendeu sinal vermelho para o sócio- proprietário: prejuízo de R$ 44,790 milhões o que levou a contabilizar um Patrimônio Líquido negativo de R$ 41,303 milhões. Esses sucessivos prejuízos agravaram a descapitalização da empresa.

Nos sucessivos erros de má gestão empresarial, o império deixado pelo jornalista Francisco Cunha Pereira Filho quase foi à lona e a toalha só não foi jogada graças à força da Emissora Rede Globo que segura a RPCTV. Continue lendo

8:34O trem do turismo

A televisão estatal agora é TV Paraná Turismo. A capa da edição impressa da Gazeta do Povo que chegou às bancas hoje grita, em manchete, que agora é “A hora de explorar a terra das araucárias” – e informa que há 280 destinos turísticos para atrair viajantes. Tudo muito válido, mesmo porque um segmento pouco mal explorado antes. Se vai pegar no breu, aí é outro departamento, mesmo porque a água chegou ao pescoço da maioria da população, o país está virado do avesso, a grana está curta e se reza para o trem não descarrilar de vez.