14:04Fala, Requião!!

Nicolas Maduro fechou o parlamento da Venezuela através de decisão do Tribunal Supremo de Justiça, que é pau mandado do presidente bolivariano. Isso foi ontem. Agora aguarda-se a manifestação, no plenário do Senado, de Roberto Requião (PMDB), ferrenho defensor de Maduro. Se é tão maluco quanto chamam, tem que fazer discurso apoiando a decisão – ele que, em ação recente, relatou favoravelmente o projeto do senador Renan Calheiros que, em resumo, quer achar um atalho para implodir a Lava Jato.

 

12:55Moro condena Cunha a 15 anos de prisão

Do G1 Paraná

O juiz federal Sérgio Moro, responsável pelos processos da Operação Lava Jato na primeira instância, condenou nesta quinta-feira (30) o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha a 15 anos e 4 meses de reclusão. Esta é a primeira condenação dele.

Ele foi condenado por corrupção passiva pela solicitação e recebimento de vantagem indevida no contrato de exploração de petróleo em Benin, por três crimes de lavagem de dinheiro e dois crimes de evasão fraudulenta de divisas.

Eduardo Cunha foi preso no dia 19 de outubro de 2016, em Brasília. Atualmente, ele está detido no Complexo Médico-Penal em Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba.

Na denúncia oferecida à Justiça Federal, o Ministério Público Federal (MPF) acusado Eduardo Cunha de receber propina em um contrato da Petrobras para a exploração de petróleo no Benin, na África.

12:48Abusando da mentira

porCarlos Fernando dos Santos Lima, Júlio Carlos Motta Noronha eRoberson Henrique Pozzobon 

Até quando interesses escusos abusarão da paciência do povo brasileiro? Por quanto tempo haverá tentativas de reduzir as relações espúrias entre políticos e empresários, colocadas a nu pela Lava Jato, a um compromisso sem consequências nefastas para nosso país?

Até quando zombarão de nós aqueles que afirmam que congressistas são apenas “despachantes de luxo”, intermediários de inofensivos interesses das empresas?

Nunca antes ficaram tão evidentes as causas e as consequências da corrupção endêmica que nos afeta. Mas já intuíamos isso. Como entender que um país tão rico tenha uma população tão pobre?

Sabíamos que a corrupção desviava recursos públicos apenas para aumentar lucros de empresas e pagar propina. E esse “acarajé”, esse suborno, chegava aos agentes públicos de diversas formas, desde o benefício indireto do uso de aviões, empregos para filhos e residências na praia até depósitos em contas no exterior, pagamentos em espécie e financiamento de caras campanhas eleitorais.

O câncer da corrupção corrói a própria democracia ao subverter as eleições. Dinheiro de corrupção irriga as campanhas políticas por meio de caixa um ou dois. Importa aqui a sua origem escusa. Proveniente de corrupção, esse valor não muda sua natureza pela aplicação posterior que lhe é dada. Mais que isso, tentar esconder sua gênese configura também o crime de lavagem de dinheiro.

E agora nem o temor da população impede mais as manobras. Políticos envolvidos no escândalo apresentam propostas para anistiar a prática ilícita e punir quem os investiga, processa e julga. Acham-se acima da lei só porque foram escolhidos para legislar. Não percebem que essa conspiração já é do conhecimento de todos.

Assim, apócrifos projetos de lei passeiam no Congresso com o objetivo de anistiar a corrupção, disfarçados como apenas uma anistia ao caixa dois. Afinal, por qual motivo os políticos deveriam temer ser acusados por esse tipo de crime?

Reportagem da rádio CBN de 2016 apontou que o TSE possui apenas uma única condenação criminal por caixa dois em sua história. Então, ainda que não anistiado de direito, há muito foi anistiado de fato.

Além desses projetos, outro tão nocivo já se encontra em tramitação acelerada no Senado. De autoria do senador Renan Calheiros, visa, sob a fachada de tratar do abuso de autoridade, apenas ameaçar aqueles que investigam, processam e julgam a corrupção.

Qual outro motivo para tanto açodamento, sem um debate amplo perante a sociedade? Por que não dão ouvidos à consulta pública feita pelo Senado em seu portal, em que 98% das respostas são contra o projeto como proposto?

Quem diz apoiar a anistia ao caixa dois deseja, na verdade, a anistia à corrupção, o fim das investigações da Lava Jato e a soltura dos condenados.

Mente, portanto, aquele que diz que o loteamento dos cargos públicos é o preço para governar o país, quando se sabe que dele resultam corrupção e falta de serviços públicos para a sociedade.

Torna-se um simples despachante a mando de criminosos aquele que defende interesses escusos na esperança de se manter na política. Por fim, abusa da autoridade aquele que a usa para criar leis com o objetivo tão somente de ameaçar procuradores e juízes.

Advogar essas ideias é desprezar a sociedade. Sabemos quem são e onde se encontram essas pessoas. Não ignoramos o que fizeram em noites passadas e que decisão tomaram.

São tempos difíceis, mas devemos, como povo, tomar os caminhos certos. O Brasil será, de fato, um país de trambiqueiros, condenado ao atraso e à pobreza, se perdoarmos a corrupção e deixarmos que intimidem as autoridades.

*CARLOS FERNANDO DOS SANTOS LIMA, JÚLIO CARLOS MOTTA NORONHA e ROBERSON HENRIQUE POZZOBON são procuradores da República e membros da força-tarefa da Lava Jato no Paraná

12:10Inteligência

O indivíduo que esboçar um esgar de inteligência há de ser, sempre, um solitário e um escorraçado. Um idiota está sempre acompanhado de outros idiotas. Mas nenhum ser é mais associativo do que o inteligente. (Nelson Rodrigues)

11:47Muito além das empreiteiras

por Janio de Freitas

O avanço mais vistoso, nas ações anticorrupção no Rio, foi a prisão de cinco integrantes do Tribunal de Contas do Estado, mas a importância maior está em uma inovação até ali muito evitada.

Inspirações políticas concentraram a Lava Jato nas grandes empreiteiras, difundindo a ideia de que, combatida essa corrupção, emerge um novo Brasil. As ações no Rio vêm incluir em seus motivos a abordagem, embora limitada, das relações viciosas entre administração pública e os serviços privados de ônibus. As empreiteiras são apenas um verbete na corrupção enciclopédica que esvai não só os cofres federais e de estatais, mas também os de municípios e Estados.

A necessidade de investigação no sistema político-administrativo do Rio vinha de longe. Sérgio Cabral e Adriana Ancelmo, por exemplo, não existiriam sem colaborações ou associações obtidas na Assembleia Legislativa (Alerj) e no Tribunal de Contas (TCE).

O mesmo se passa em governos estaduais e municipais desonestos. Com muita facilidade, note-se, porque os órgãos de controle são das próprias administrações locais. E a vigilância da imprensa é mais do que relativa, dependente de condições políticas, quando não financeiras.

Um caso bom para ilustrar essa situação é o jatinho de Eduardo Campos, envolto em obscuridades na origem e no fim. Passados três anos do acidente, só agora –e parece mesmo que à revelia das “autoridades” no caso– são reconhecidas evidências de que as alegações de propriedade do avião não podiam ser verazes. E com isso, sem que fossem procurados, surgem indícios na Lava Jato de que as artes administrativas em Pernambuco teriam razoável semelhança com as de Cabral.

Quem prefira pode também meditar sobre outro caso ilustrativo: como compras de vagões e outros equipamentos paulistas puderam ser tão irregulares e, depois de denunciadas, tão isentas de investigação? Um governador, um prefeito ou um dirigente setorial não conseguiria fazer tudo isso sozinho, sem companhias decisivas.

Concessões, dispensas de impostos, autorizações, compras e contratações de serviços perfazem um universo de oportunidades que abrange todos os níveis de governo, em toda parte. Há quem possa sair ileso ou quase.

No Brasil, percebe-se que poucos. Para os outros, empreiteiras são apenas socialmente mais fáceis, pelos métodos habituais e pelo convívio nas altas rodas. Mas os demais componentes das oportunidades não mais angelicais, menos ativos, nem menos pródigos.

E dão menos na vista, sobretudo para quem finge não ver, por interesse político ou por aquele outro.

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11:33Alvaro ri por dentro

O senador Alvaro Dias (PV) olha para a bagunça generalizada do país e sorri por dentro. De terceira via ele pode estar como segunda opção e, como a coisa não vai mudar, chegar à primeira. Por que não? A Rede Globo já captou a mensagem e voltou a abrir espaço para ele. Não tanto quanto no tempo que pertencia ao ninho tucano, mas o suficiente para dar o recado que os repórteres querem ouvir. A conferir.

11:29Dória, a nova invenção

Nas entranhas do laboratório de sempre estão querendo inventar João Dória candidato a presidente para 2018. Tem representante da classe média que diz aquela besteira de sempre: “Ele é rico, não vai precisar roubar”. A notícia de hoje é que o prefeito de São Paulo quitou agora uma de R$ 90 mil de IPTU que devia aos cofres municipais desde 2002. Prova do caráter, não? Se Fernando Collor foi parido com apoio da turma do andar de cima e da Rede Globo (e deu no que deu), porque não repetir a fórmula, ainda mais que a esculhambação está generalizada que a ninguenzada reza por um herói salvador? Collor, antes de ruir por roubo descarado, foi o “Caçador de Marajás”. João Dória se vestiu de gari e varreu um tiquinho de calçada depois que assumiu o comando da maior cidade do país. Agora só falta ele resgatar a b vassoura do Jânio Quadros, aquele que, provavelmente bêbado, renunciou à presidência da República e, depois, ainda ganhou, no voto, a eleição para prefeito de São Paulo porque Fernando Henrique Cardoso achou que ia levar e se deixou fotografar sentado na cadeira do alcaide antes do tempo. Isso é política!

11:00O novo portal do CNJ

O Conselho Nacional de Justiça informa:

Novo Portal do CNJ: notícias e decisões mais acessíveis ao cidadão

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) oferece a partir de hoje um novo portal a seus leitores, onde será mais fácil localizar os conteúdos e as decisões da instituição. A marca do novo portal, desenvolvido pela Secretaria de Comunicação Social com suporte do Departamento de Tecnologia da Informação (DTI), é o layout moderno, dinâmico e objetivo, com acesso facilitado às diversas áreas do site. A reformulação tem por objetivo dar ao cidadão mais transparência sobre as decisões do CNJ, tornando prático o acesso às informações.

As mudanças no layout são percebidas logo que o internauta acessa a home page (www.cnj.jus.br). A seção de Notícias, que traz as matérias produzidas pela equipe da Secretaria de Comunicação Social, ganha destaque. Ao invés da exibição alternada de uma única matéria e foto, como no portal antigo, a home page ganha espaço para três manchetes e fotos das principais notícias do CNJ. Continue lendo

9:58Ataque de falsos

Do correspondente de Brasília

MORDIDA

De gravador em punho e o bloco de anotações em outra mão, indumentárias de repórter, um cidadão percorre a Câmara Federal e quando encontra um deputado pede uma entrevista. Concedida, ele faz meia dúzia de perguntas e antes de se despedir pede uma grana para pagar o hotel. Em uma das investidas da figura, o já entrevistado tirou o corpo fora e passou a solução para um assessor que deu uma enrolada. Passou algum tempo e os dois se encontraram defronte ao Plenário. Insistente, o falso repórter fez uma proposta: “Como não deu o hotel, pode ser a grana do jantar?”

HUMMM…

     Com a instalação das comissões internas na Câmara Federal, recomeçou a temporada em busca de cargos. Uma vistosa candidata a assessora de importante comissão levou o currículo ao gabinete do deputado presidente da mesma – e deixou claro que estava disponível  para acompanhar o parlamentar em viagens.

9:47CIRCULA NA INTERNET

Se não rir não tem graça… Circula na internet a piada venenosa do mês. Ela reproduz o diálogo entre o prefeito de Curitiba e o governador do Paraná:

- Beto, você sabe que eu gosto de servidor público que nem eu gosto de mendigo.

-Eu também, Greca. E os servidores vão virar mendigos por nossa causa.

9:07A viagem da velhinha

Do blog … e tudo acabou em Sfiha, de Gerson Guelmann

Sarah, uma velhinha judia de Londres, chega na agência de viagens e diz:
- “Eu quero ir para a Índia.”

O gerente da agência, acostumado a atender a idosa e conhecendo seus gostos, fica surpreso e começa a argumentar:
- “Para a Índia? Dona Sarah, a senhora não pode estar falando sério. A Índia é imunda, muito quente, têm muita gente lá. É uma viagem longa, os trens são péssimos. Como a senhora vai fazer com a comida? É tudo muito picante, a senhora não vai encontrar frutas e legumes frescos.”

Aproveitando uma pausa, Dona Sarah diz:
- “Não importa, eu quero ir para a Índia.”

O homem, verdadeiramente preocupado, insiste:
- “A senhora vai ficar doente. Eles têm epidemias de hepatite, cólera, febre tifóide, malária, só D-us sabe mais o que. O que a senhora vai fazer se ficar doente? Pode imaginar como são os hospitais? Não existem médicos judeus lá. Porque correr tantos riscos?”
- “Está decidido, vou para a Índia”, responde ela.

Vencido pela teimosia da senhora, o agente de viagens faz todos os arranjos e dona Sarah viaja.

Chegando na Índia, a velhinha não se intimida com o barulho, o cheiro e as multidões. Decidida, embarca num trem e vai para o interior, em direção a um ‘ashram’, cujo Guru é muito conhecido e atrai multidões.

Lá ela se junta a uma fila aparentemente interminável de pessoas à espera de uma audiência com o líder religioso. Um ajudante avisa-a de que vai ficar pelo menos três dias de pé, na fila, até que consiga ver o Guru.
- “Tudo bem”, diz a idosa.

Depois dessa longa espera, Sarah chega aos portais sagrados. Lá um outro ajudante diz que no momento em que estiver na frente do Guru, só poderá dizer quatro palavras.

Ela então é introduzida no santuário interior, onde o sábio Guru está sentado, pronto para conceder bênçãos espirituais aos iniciados ansiosos. Pouco antes de chegar ao santo dos santos, Sarah é mais uma vez orientada:
- “Lembre-se, apenas quatro palavras.”

Ao se aproximar do Guru, ao contrário dos outros devotos, ela não se prosta aos seus pés.

Na frente dele, cruza os braços sobre o peito, olha firme em seus olhos e diz:
- “Morris, volte para casa.”

http://www.etudoacabouemsfiha.com.br/

8:48PENSANDO BEM…

madalenarrependida

Madalena Arrependida, Caravaggio

Rogério Distéfano

I           Madalenos        Renan Calheiros assume a liderança contra a lei da terceirização. Roberto Requião é o relator da lei contra o abuso da autoridade. Estão a caminho da santidade.

II         Mais igual          “A majestosa igualdade das leis (…) proíbe tanto o rico como o pobre de dormir sob as pontes, de mendigar nas ruas e de roubar pão”. Maravilha de sarcasmo e crítica social a frase de Anatole France (1844-1924), Prêmio Nobel de Literatura.  A Justiça concedeu prisão domiciliar para Adriana Ancelmo, esposa, parceira e cúmplice do ex-governador Sérgio Cabral. Motivo humanitário, os filhos menores precisam dela, cuidados e educação.

Ao desembargador e à ministra que em sucessão concederam a ordem não ocorreu que os pais educam antes de tudo pelo exemplo. Qual o exemplo que receberam de Adriana e marido? As investigações de peculato no montante que passa dos R$ 500 mi, além de fraudes grosseiras na compra simulada de joias, dizem tudo sobre exemplo.

Vá lá, sua prisão é coisa inédita, não se sabe de mulher alguma sob prisão preventiva no Brasil – se houver, agarre-se no precedente de Adriana. A frase de Anatole France cai como luva nas restrições impostas para a prisão domiciliar: Adriana não poderá usar telefone celular e terá restrições ao uso da internet.

Aceite-se que a Justiça é cega para garantir-se imparcial. Jamais que seja imbecil. Adriana poderá usar celulares e internet dos filhos – ninguém, de todos os andares de nossa pirâmide social urbana, vive sem internet. Amigo meu manda zap zap para a mulher, dentro de casa, perguntando se ela quer transar, pois a cinquentona não larga do celular. Adriana usará os celulares e a internet dos filhos. Por quê? Ora, porque é Adriana Ancelmo, esposa, parceira e cúmplice de Sérgio Cabral.

 

III        O fogo do desejo                            Rafael Greca era prefeito quando Curitiba fez 300 anos e novamente aos 324. Vinte e quatro anos de desejo Rafael sofria e mais sofreria se não fora para tão grande tesão tão curto o mandato. Ainda o veremos daqui a 24 anos, sequioso, mirabolante e miraboloso. Mudanças? Duas. Uma, ele e Curitiba cresceram, em iguais medidas, embora continuem iguais. Outra, para azar dele, até reconhecido por ele, Curitiba não é mais seu principado. Agora é república, meio bolivariana, Sérgio Moro, estilo francês, meio duro, meio mole.

 

IV        Lé com lé            O brasileiro, imediatista cego e inconsequente, deu de pedir Tite para presidente. Funcionou na seleção, funcionaria na presidência. Isso se o ministério fosse um plantel de craques em disputa com adversários desleais, em jogo apitado por árbitros venais. Mas vale a pena pensar adiante: trocar um pelo outro, Tite no governo e Michel Temer na seleção.

V         Virou moda       Cinco dos sete conselheiros do Tribunal de Contas do Rio de Janeiro estão presos. O TC teve que adiar a sessão de ontem. Que nem a câmara de vereadores de Foz de Iguaçu, onde 2/3 dos vereadores tomaram posse sob escolta policial e com a mesma escolta voltaram para a cadeia.