11:36Burrice

A burrice não tem fronteiras ideológicas. (Roberto Campos)

Não há nenhum pensamento importante que a burrice não saiba usar, ela é móvel para todos os lados e pode vestir todos os trajes da verdade. (Robert Musil)

Invejo a burrice, porque é eterna. (Nelson Rodrigues)

11:04Venha e…

A Embratur lançou campanha no exterior com o slogan “Brazil. Visit and love us”. Lá fora isso pode ser entendido como visite-nos e nos… ame, mas com conotação sexual. Pensando bem… deixa pra lá.

10:55O embaixador que foi sem nunca ter sido

do Blog de Ricardo Noblat, na revista Veja

Tão certa como a Terra é plana é a chance de a nomeação do deputado Eduardo Bolsonaro para embaixador em Washington ser aprovada pelo Supremo Tribunal Federal.

A maioria dos ministros está convencida de que a nomeação do garoto pelo pai configura nepotismo e não pode ser aceita porque fere a Constituição e um conjunto de leis.

O Supremo só age se provocado. E deverá ser provocado tão logo a indicação de Eduardo para a função seja formalizada pelo presidente Jair Bolsonaro, o que poderá acontecer em breve.

O Senado não sentirá o gosto de sabatinar Eduardo. Basta que um ministro do Supremo conceda uma liminar para que Eduardo seja promovido à condição de o embaixador que foi sem nunca ter sido.

10:13JORNAL DO CÍNICO

Do Filósofo do Centro Cínico

O senador Alvaro Dias foi o parlamentar que mais recebeu o sagrado “auxílio-mudança” até agora. Foram quase R$ 700 mil. Qual o problema? Todo mundo vê que de ano a ano ele sempre está mudando… na foto.

10:10200 dias

Ao ler na Gazetona que “em evento de 200 dias, Bolsonaro lançará pacote de estímulo à economia”, um aspone do Centro Cívico quis saber se a coisa vai acontecer fora do país e se a mordomia será completa.

10:05Nelson Padrella

Na manhã de hoje vejo a Globo toda feliz, contando que Viena teve a grande ideia de perfumar o metrô para que os passageiros não precisarem respirar o cheiro de bode que emana de sovacos austríacos e estrangeiros. E que a novidade seria aplicada também nos metrôs alhures, como os de Paris, cujos parisienses – reza a lenda – concorrem ao Troféu Sovaco de Bode. Pois Viena que guarde seu cavaquinho, e a Globo que pare com essas fake news. Numa viagem que fiz de ônibus de Atenas a Istambul – ônibus lotado de turcos, desde nenê até provectos, seja lá o que isso signifique – .TODOS fumavam. Era inverno, lá fora havia um horizonte branco. Por isso, o ônibus seguia com as janelas todas cerradas. A espaços, o motorista parava a condução e espargia um perfume nauseabundo sobre todos os passageiros, e a viagem seguia com todos fumando novamente. De modo que não foi Viena que inventou a perfumação dos coletivos. Viu, Globo? Foram os turcos.

8:44Rubem para sempre

por Célio Heitor Guimarães

Algumas pessoas estão proibidas de morrer. Por decreto celestial, assinado pelo próprio Deus. Uma delas é o escritor, filósofo, teólogo, poeta, professor e, sobretudo, encantador de pessoas Rubem Alves. Há quatro anos, em 15 de julho de 2014, ele saiu de cena fisicamente. Mas continua vivo. Mais vivo do que nunca, no legado que deixou, nos ensinamentos, reflexões e pensamentos que produziu e se fazem presentes em sua obra literária e no coração de todos nós.

Mineiro de Boa Esperança – “aquela cuja serra Lamartine Babo imortalizou numa canção” –, Rubem primeiro quis ser pianista. Estudou música até que comparou o seu talento com o do conterrâneo Nelson Freire. Em seguida, pensou em ser médico, por amor a Albert Schweitzer. Andou pelos caminhos dos deuses: estudou teologia no Seminário Presbiteriano de Campinas, SP; fez mestrado no Union Theological Seminary, de Nova York; doutorou-se em filosofia pelo Princeton Theological Seminary; tornou-se psicanalista pela Associação Brasileira de Psicanálise; e foi pastor protestante. Quando decepcionou-se com os ditames religiosos, decidiu ficar mais modesto e passou a andar na estrada dos heróis: militou na política, esteve na lista dos procurados pelo golpe militar de 1964 e foi professor livre-docente da Unicamp. Quando os seus “deuses e heróis morreram”, como pontuou, seguiu o caminho dos poetas, dos pensadores e das crianças: virou escritor e cronista. Mas foi, sobretudo, a vida toda, um menino e um avô que adorava brincar e compartilhar pensamentos: uma extraordinária figura humana, que amava a beleza, a natureza, as netas, os jardins e os pássaros, a sabedoria das crianças, o vento fresco da tarde, os ipês floridos, o outono, os animais, os campos e os cerrados, o mar e as montanhas, o orvalho sobre a teia de aranha e os pores-do-sol.

As palavras de Rubem Alves continuam sendo lições de vida. Suas crônicas emocionam e fazem-nos pensar. Às vezes, é irônico e bem-humorado; outras vezes, lírico e romântico; e outras mais, crítico e até mordaz. Mas sempre inteligente, humano e sincero. Ao brincar com as palavras, de uma forma suave, simples e, ao mesmo tempo, profunda, renova, a cada escrito, não apenas o confessado amor pela vida, mas a beleza e a importância das pequenas coisas, tão desimportantes para a maioria dos viventes. Com toda a simplicidade, ele é também capaz de construir verdades eternas. Uma delas: “Minas não tem mar. Mas Minas tem céu. E o céu é o mar de Minas”.

Outra: “Viver a vida, aceitando o risco da morte: isso tem o nome de coragem. Coragem não é a ausência de medo. É viver, a despeito do medo.”

Mais uma: “Um único momento de beleza e amor justifica a vida inteira.”

Mais outra: “Deus é amor e, ao contrário do que reza a teologia cristã, ele não tem vinganças a realizar, mesmo que não acreditemos nele.”

Ou então: “Quando o olho do divino e eterno se abre, descobrimos que somos velhos não por causa do tempo que passa, mas porque dentro de nós moram eternidades.”

Por fim: “Aqui se encontra a delicadeza e a fragilidade da democracia: para que ela se realize, é preciso que o povo saiba pensar. Se o povo não souber pensar, votos e eleições não a produzirão. A presença de ratos na vida pública brasileira é evidência de que o nosso povo não sabe pensar, não sabe identificar os ratos… Não sabendo identificar os ratos, o próprio povo, inocentemente, abre os buracos pelos quais eles entrarão.”

Tenho muita saudade de Rubem Alves. Saudade que era definida por ele como “a presença de uma ausência”. Ou como “a dor que se sente quando se percebe a distância que existe entre o sonho e a realidade”. Quando isso acontece, vou ao encontro dele, aos escritos e às lições que deixou, que continuam vivas e agora estão sendo reeditados pela Editora Planeta, sob a supervisão da filha querida de Rubem, Raquel, que também preside o Instituto Rubem Alves.

8:06Jovem gay

De Antonio Belinati, nas redes sociais:

Gay na equipe…

De olho na reeleição, o prefeito Marcelo Belinati deve nomear, se é que já não o fez, um jovem gay para reforçar sua equipe de governo. Seria no cargo de administrador distrital, antes denominado sub-prefeito.

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6:41Mensagens apontam que Moro interferiu em negociação de delações

Da Folha de S.Paulo

Conversas mostram divergência entre procuradores da Lava Jato sobre condições apresentadas pelo então juiz para aceitar acordo

fspintercept

Mensagens privadas trocadas por procuradores da Operação Lava Jato em 2015 mostram que o então juiz federal Sergio Moro interferiu nas negociações das delações de dois executivos da construtora Camargo Corrêa, cruzando limites impostos pela legislação para manter juízes afastados de conversas com colaboradores.

As mensagens, obtidas pelo The Intercept Brasil e examinadas pela Folha e pelo site, revelam que Moro avisou aos procuradores que só homologaria as delações se a pena proposta aos executivos incluísse pelo menos um ano de prisão em regime fechado.

O objetivo é garantir que os magistrados tenham a imparcialidade necessária para avaliar as informações fornecidas pelos colaboradores e os benefícios oferecidos em troca no fim do processo judicial, quando cabe aos juízes aplicar as penas negociadas se julgarem os resultados da cooperação efetivos.

As mensagens obtidas pelo Intercept mostram que Moro desprezou esses limites ao impor condições para aceitar as delações num estágio prematuro, em que seus advogados ainda estavam na mesa negociando com a Procuradoria.

Os diálogos revelam também que a interferência do juiz causou incômodo entre os integrantes da força-tarefa à frente do caso em Curitiba, que nessa época divergiam sobre a melhor maneira de usar as delações para dar impulso às investigações.

No dia 23 de fevereiro de 2015, o procurador Deltan Dallagnol, chefe da força-tarefa, escreveu a Carlos Fernando dos Santos Lima, que conduzia as negociações com a Camargo Corrêa, e sugeriu que aproveitasse uma reunião com Moro para consultá-lo sobre as penas a serem propostas aos delatores.

“A título de sugestão, seria bom sondar Moro quanto aos patamares estabelecidos”, disse Deltan.

As mensagens indicam que o procurador temia, além da reação do juiz, os danos que a Lava Jato sofreria se os benefícios concedidos aos executivos fossem vistos pela opinião pública como excessivos.

Na avaliação de Carlos Fernando, o mais importante naquele momento era que as informações obtidas com os delatores da Camargo Corrêa abririam frentes de investigação novas e promissoras, e isso justificava a proposta de redução das penas previstas para seus crimes.

“O procedimento de delação virou um caos”, disse Carlos Fernando ao responder à mensagem de Deltan. “O que vejo agora é um tipo de barganha onde se quer jogar para a platéia, dobrar demasiado o colaborador, submeter o advogado, sem realmente ir em frente”, acrescentou.

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