17:54Na ponte da alegria

Do blog Cabeça de Pedra

Saí no “Nóis Sofre Mas Nóis Goza” logo no primeiro dia. O sol era de derreter os miolos. A largada foi dada na frente de um boteco onde todo mundo esquentou as turbinas. Meio-dia. A banda, onde os metais se destacavam, atacou de frevo e fui atacado por alguma coisa inexplicável que me fez começar a pular – e só parar quatro dias depois. Incorporei Ariano Suassuna, Siba e, principalmente, Chico Science com toda a Nação Zumbi e a força do mangue. Ao passar na ponte entre Recife e Olinda, vi um Galaxie sem portas, sem teto, lotado de gente como uma carruagem do Apocalipse. Pensei que estavam indo, como eu, para o inferno. Errei. Era o céu daquele carnaval onde o povo apenas se diverte e coloca todos os bichos para fora e para longe – em nome da alegria pura e simples. Faz tempo. Quase quatro décadas. A idade de uma das filhas, gerada lá – por isso poeta e princesa da cor negra.

14:41JORNAL DO CÍNICO

Do Filósofo do Centro Cínico

Para não deixar barato o fato de o rival ter agora gramado sintético no estádio moderno, o Coritiba vai inovar com o futebol sincrético. No Couto Pereira vão unir a capela e o terreiro em espaço único para que jogadores e torcedores peçam ajuda aos santos e orixás em benefício do time.

14:37Os outros

Se o Lula está tão atolado nestas denúncias que dia sim e o no outro também explodem na imprensa, então não era ele e sim quem deveria investigar que não via nada e não sabia de nada.

14:15Cesteiro que faz um cesto

por Ivan Schmidt

O antigo capitão da seleção lulista, agora réu da Operação Lava Jato, José Dirceu de Oliveira e Silva, prestou depoimento ao juiz Sergio Moro e entre outras preciosidades afirmou não ver necessidade na sua prisão, vez que em todas as oportunidades que se fizeram necessárias sempre esteve disposto a colaborar com a Justiça.

Dirceu, que tantos anos depois de uma intensa vida dedicada à política, a ele pode-se atribuir a definição socrática de animal político, é hoje mirrado reflexo daquela estética “Hud, o indomado”, filme estrelado por Paul Newman em sua primeira fase de ator nos anos 60, mostrou-se inconformado com o fato da segunda prisão (já estava em regime domiciliar em Brasília), numa transição de culpabilidade sempre negada entre as gatunagens do mensalão e do petrolão.

Ao se referir à primeira condenação, o anônimo comerciante de Cruzeiro do Oeste no período em que viveu clandestinamente no Brasil após ter regressado de Cuba, se mostrou perplexo com sua situação penal, reagindo: “Agora, o que não posso é pela segunda vez virar chefe de quadrilha”.

Quanta diferença dos tempos do líder em potencial que havia vindo do interior de Minas Gerais e logo estava com um megafone nas mãos agitando a moçada da rua Maria Antonia (centro de São Paulo), onde se localizava o prédio da Faculdade de Filosofia, Ciência e Letras da USP, um dos principais redutos da esquerda estudantil da época.

Há alguns dias o jornalista Clóvis Rossi escreveu na Folha de S. Paulo bem fundamentado artigo levantando uma questão instigante: em que momento de sua longa e rica trajetória, Zé Dirceu assumiu essa mudança radical de comportamento, passando de herói a bandido? A mesma indagação fazia o jornalista sobre o desempenho do próprio ex-presidente Lula, que de tosco líder sindicalista no ABC paulista (na época era visto com a camiseta do Zé Ferrador, ícone dos metalúrgicos da região), passou em poucos anos a ser o “virtual” proprietário de apartamento tríplex no litoral paulista e do arbóreo sítio de Atibaia.

Para não negar o estilo e o gosto pela pompa e circunstâncias, hábito recentemente adquirido pela nomenclatura petista, Zé Dirceu comprou uma vivenda no município paulista de Vinhedo (perto da capital na direção de Campinas), hoje uma das cidades com uma das maiores rendas per capita do país, e para dizer pouco, onde têm suas mansões e propriedades suntuosas os paulistanos quatrocentões. É mole?

Aliás, sobre esse item da folha pregressa o ex-ministro declarou olimpicamente que a casa precisava de uma reforma, para o que pediu dinheiro emprestado ao lobista Milton Pascowitch e nunca pagou.

Isso para pavonear-se da suposta qualidade dos serviços prestados a terceiros como advogado ou consultor de empresas – cuja atuação sempre foi personalíssima – a remuneração de até 160 mil reais por mês é café pequeno.

O jovem estudante preso pela polícia no sítio de Ibiúna (SP), junto com outras dezenas no congresso clandestino realizado pela União Nacional dos Estudantes (UNE), mais tarde trocado pelo embaixador seqüestrado por uma célula atuante no Rio de Janeiro foi parar em Cuba, onde dizem ter recebido treinamento em guerrilha e quetais.

Após uma operação plástica que mudou o formato do nariz, saiu de Cuba e voltou ao Brasil sem ser molestado, indo então morar em Cruzeiro do Oeste, cidade pacata do interior paranaense. Abriu uma pequena loja de roupas, casou e teve um filho – Zeca Dirceu – atualmente deputado federal pelo Partido dos Trabalhadores.

Como um autêntico camaleão, ao começar a ouvir os primeiros rumores sobre a anistia para presos políticos, Dirceu tomou uma das decisões mais desafiadoras de seu comportamento de animal político: sempre de forma clandestina voltou a Cuba, providenciou uma garibada no rosto e, triunfante regressou ao Brasil ao lado de muitos outros banidos pelo regime militar.

Ele não mereceu a citação na letra de nenhum samba, mas teve seu momento de glória ao lado “do irmão do Henfil” e muitos outros, ao descerem do avião depois de anos de exílio, que para muitos deles, diga-se de passagem, havia sido um excelente negócio.

A carreira política foi fulgurante e meteórica e logo, militante do PT, Dirceu chegou à Câmara dos Deputados, destacando-se como parlamentar combativo e hábil negociador. Sua ascendência e liderança indiscutíveis o levaram à presidência do partido e, alguém duvida?, a impor-se sobre os demais companheiros como legítimo intelectual orgânico das campanhas de Luiz Inácio à presidência da República até a retumbante eleição de 2003.

Daí em diante a maionese desandou e em pouquíssimo tempo o país ouviu aquela frase cortante e pejada de veracidade, por mais cruel que fosse, proferida pelo então deputado Roberto Jefferson: “Zé, sai já daí”. Dirceu era o ministro-chefe da Casa Civil, o imediato de Lula na condução do governo, o capitão do time. Provavelmente o homem que haveria de suceder Lula na presidência, não fossem descobertas as tretas do mensalão e o obrigatório período de reclusão da caterva nas suítes da Papuda.

Como uma repaginação ainda mais triste e amarfanhada do Quixote, Dirceu se limitou a lamuriar-se na presença do juiz federal Sergio Moro e outras autoridades judiciais: “Agora, o que eu não posso é pela segunda vez virar chefe de quadrilha”.

Mas como se dizia em outros tempos “cesteiro que faz um cesto, faz um cento”.

14:01Sobre “barrigas”

Até onde se sabe, antes da “barriga” da Gazetona que anunciou de forma equivocada a abertura de investigação do STJ a respeito da suposta participação do governador Beto Richa no escândalo do propinoduto da Receita Estadual em Londrina, a maior pisada de tomate em manchete de jornal em Curitiba aconteceu no extinto Estado do Paraná, quando foi anunciada a morte do  Marechal Josip Broz Tito, que governou a Iugoslávia de 1953 a 1980. Ele estava vivinho e demorou um tempo para confirmar o que ficou registrado para sempre.

13:44JORNAL DO CÍNICO

Do Filósofo do Centro Cínico

Requião Filho assumiu a liderança da Oposição na Assembleia Legislativa e disse para o pai: “Eu sou você ontem”. Roberto Requião ficou orgulhoso, mas ficou nervoso quando alguém lhe disse que, com nome fantasia, o herdeiro não pode ser ele amanhã.

11:58O PLANETA DIÁRIO

ECONOMIA POPULAR – Formas alternativas de sobrevivência

Deputado federal

Apesar de não exigir nenhum requisito, nem ler e escrever, o deputado é bem remunerado e não trabalha, a não ser quando está roubando.

Editor de Segundo Caderno

Taí outra atividade tranquila. O editor de Segundo Caderno é uma profissão para quem fez comunicação, mas não gosta de jornalismo. O editor de Segundo Caderno vê filmes, peças de teatro, shows e come de graça. Mas atenção! Você deve achar tudo ruim, senão perde o prestígio e não te convidam mais.

11:48O velho, o jovem e o ego

por Yuri Vasconcelos Silva

Os jovens sabem tanto. Que saudades os senhores e inveja as crianças têm destes jovens que tudo sabem com certeza e convicção. Não faz muito tempo, um sujeito com mais de quarenta no ofício de sua vida, sugeriu aos seus jovens patrões que não fizessem daquele jeito, mas deste outro. Os meninos, com olhos brilhando e a fome de dominar todo um mundo, agradeceram a sugestão. Acataram, porém, o que suas certezas em forma de saberes gritavam atrás de seus ouvidos. Afinal, tinham estudado muito, passado por vários países europeus bem civilizados. Leram todas as obras que consideravam úteis naquele campo. Dominavam todas as traquitanas das máquinas e da rede. A opinião daquele senhor não era, de modo algum, relevante. O momento é dos jovens, e mesmo os senhores que realizaram grandes coisas no passado, são vistos como bustos vivos apenas para serem celebrados, não ouvidos. Os jovens, em sua maioria, querem realizar grandes coisas também. Mas a auto-importância, o ego e a mesquinharia destes estranhos tempos são ingredientes que constituem a arrogância descomunal, sem fundações em algum tipo genuíno de genialidade. Em segredo ou nem tanto, os jovens se consideram gênios visionários. A indiferente realidade da natureza então se encarrega de empurrar a garotada aos abismos da frustração e desengano. Inseridos em um tempo que exige líderes para nações ou padarias, as instituições olham para o passado e sentem-se vazias, com inveja. Os jovens são forçados a criar o novo todos os dias, estar em jornais, em destaque com letras em bold, com títulos e selos certificadores de qualidade. Tudo isso deve provocar algum sofrimento. O ego alimentado tem ainda mais fome. Carente, produz terrível dualidade: o desejar e o rejeitar. E cada vez que as circunstâncias colocam a gurizada em situação de algo que desprezam presente em suas vidas, ou aquilo que almejam é pra longe afastado, o sofrimento emerge. O Ser ou Não Ser nunca foi tão extremo. Talvez o problema comece justamente em querer, a todo custo, Ser.

Mas eles envelhecerão, pelo bem da humanidade. No lugar de todo aquele conhecimento tão certeiro sobre o trabalho e tudo mais, vem a sabedoria acumulada com os erros. A experiência não pode ser passada de um velho para um jovem. São sistemas incompatíveis. O velho sabendo disso, quando dá um conselho e este bate na trave, se cala. Não há outra maneira a não ser aprender sozinho, ao modo da evolução natural. Através da dor. Aquele desejo de Nelson Rodrigues é poucas vezes observado na natureza humana: aos jovens ele apenas aconselhou que envelheçam o mais rápido possível. O envelhecer amolece as estruturas e carapaças, alarga o campo de visão para olhar os outros ao invés dos próprios pés. Ensina a ouvir mais do que falar. A contemplar o silêncio ao invés das bobagens ruidosas. A sentir empatia e mais paciência. Aproveitar o momento o único que existe, o presente. Até porque a morte não é mais um pontinho preto no horizonte. De fato, a perspectiva da morte é um poderoso catalisador no processo de amadurecer. Ela coloca em perspectiva o que de fato importa neste breve momento que nos foi dado, e mostra o quão ridículo somos quando jovens. Olha-se o passado com alguma vergonha, por ter acreditado em valores tão miúdos como dinheiro ou sucesso. Exceto quando crianças. Ah, a infância carrega tanta sabedoria quanto a idade madura. Talvez um pouco mais, pela quantidade de folhas em branco ainda a serem preenchidas. Sabe disso quem tem boa memória ou crianças por perto. Parece que a juventude é mesmo um contratempo, um contrassenso, um teste de qualificação. Por sorte, isso passa.

*Yuri Vasconcelos Silva é arquiteto

 

9:42MP-PR alerta para proteção de crianças e adolescentes durante o carnaval

Pela causa:

No período do carnaval, os cuidados com as crianças e os adolescentes devem ser redobrados, principalmente em bailes e festas e blocos de rua. O consumo de bebidas alcoólicas, os desaparecimentos, além da violência e da exploração sexual estão dentre as principais preocupações do Ministério Público do Paraná, que dá orientações importantes para a proteção da população infantojuvenil nesta época do ano.

Confira, abaixo, os principais alertas feitos pelo Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Justiça (Caop) da Criança e do Adolescente e da Educação.

Presença em bailes

De acordo com o que prevê o Estatuto da Criança e do Adolescente, os gestores públicos podem regulamentar, mediante portaria, a entrada e a permanência de crianças e adolescentes em bailes ou festas, caso estejam desacompanhados de seus pais ou responsáveis legais. O documento deve levar em conta, dentre outros fatores, a adequação do ambiente para a circulação de crianças e adolescentes, o que inclui a análise das condições de segurança do local do alvará de funcionamento do estabelecimento expedido pela prefeitura.

Bebidas alcoólicas

Os responsáveis por estabelecimentos onde serão realizados bailes e outros eventos de carnaval (ou em que são comercializadas bebidas alcoólicas) devem ser orientados a coibir a venda, o fornecimento e o consumo de bebidas alcoólicas a pessoas com menos de 18 anos de idade. A proibição também vale para produtos com componentes que possam causar dependência física ou psíquica. Caso essas situações ocorram naqueles locais, a Polícia Militar (190) deve ser acionada e o responsável pode ser responsabilizado administrativa, civil e criminalmente. Continue lendo

8:19Alô!

Em março Jair Bolsonaro vem a Curitiba ciceroneado por Fernando Francischini. Se a turma da esquerda militante resolver protestar contra os representantes da direita atuante na Praça Nossa Senhora de Salete, alguém vai telefonar para o 190 e pedir proteção?

 

8:10O trio

Assessores de Gustavo Fruet já estão procurando um nome para definir o trio que o prefeito vai enfrentar na campanha para reeleição. Requião Filho, Rafael Greca e Tadeu Veneri vão bater com estardalhaço o bumbo da oposição. O mote da desconstrução, entendem os marqueteiros, começa pelo rótulo.