9:40Eletrochoque na Copel

Do analista dos Planaltos 

O senador Roberto Requião (PMDB), para variar, veio com a proposta mais radical sobre a questão dos preços da energia elétrica. Garante que simplesmente não vai reajustar a tarifa se eleito for. No Centro Cívico já se fala que essa promessa representa uma versão elétrica do malogrado “baixa ou acaba” prometido para o pedágio.

8:45Mundo colorido

por Sérgio Brandão

Ontem recebi cabeleireira em casa. Tive direito a unha e cabelo. Um pouco de pintura, esmalte e cutículas feitas. Toda a operação levou quase meia hora.

Assim que chegou, a moça deu uma olhada no meu cabelo e disse que “um tom de cinza suave ficaria bom”- não levou em conta meu pedido que era pelo castanho escuro.

Um pouco atrapalhada no começo, mas depois foi tomando conta da situação e dando mais sugestões nas cores. Percebi logo que era uma de suas brincadeiras preferidas. Ela gosta de cores e assim que se sentiu mais a vontade, tirou de seu estojo uma porção de lápis coloridos. Segundo ela, todos para pintura das mãos e também dos cabelos. A mesma utilidade para vários fins? Pensei: deve ser a modernidade, tudo hoje é mais prático mesmo.

Operação em franca produção. Fio por fio, um dedo de cada vez. Na mão da moça, muitas cores. E o cinza suave, que ela sugeriu?

Depois de alguns minutos, fiquei com medo de olhar no espelho. Podia não ser mais eu. Achei que podia estar sendo preparado para habitar um dos viveiros do Passeio Público. Lembrei daquele vídeo que rolou na internet do pai de uma menina que abre a porta  a um amigo e estava mais parecendo uma arara.

Na mão da maquiadora vejo uma mistura de cores fortes que parecia um arco-íris: laranja, azul, verde, amarelo…

Com medo de frustrar todo o trabalho de criação, com os olhos consigo perguntar se aquilo tudo era pro meu cabelo? Ela me olha sorrindo e diz: “Pai, fique quietinho, assim você me atrapalha”.

Para meu alívio, finalmente veio a pergunta que me salva: “Você quer de brincadeira ou de verdade?”

8:03Os “ensinamentos” de Maluf

Paulo Maluf confirmou que é mestre. Vai disputar o quarto mandato como deputado federal e, aos 82 anos, disse que ensina a todos que o procuram em Brasília. Não explicou o que, mas pode-se imaginar. Assim que apoiou a eleição de Fernando Haddad à prefeitura, procurou o Ministério da Justiça para que este consultasse a Justiça dos EUA para ver se ele podia responder ao processo de evasão de divisas que o fez entrar na lista da Interpol como foragido. Foi negado. O governo diz que faz isso para qualquer brasileiro. Hummmmmm. Maluf agora reclama que o governo brasileiro não o ajuda da mesma maneira que fez com o terrorista e assassino italiano Cesare Battisti, aqui protegido graças à gestão do então ministro da Justiça Tarso Genro. Maluf não vai apoiar o candidato de Lula em São Paulo, o ex-ministro Alexandre Padilha, mas terá Dilma Rousseff no santinho. Diz que a presidente só perde se o avião cair com ela dentro – e nós não estamos na Ucrânia. Foi o que disse ao jornalista Fernando Rodrigues no programa Poder e Política. Continue lendo

7:53Fumaça e tranco

O debate entre os candidatos ao governo do Paraná sobre a Copel e o aumento da tarifa da energia elétrica é fumaça de campanha.  A verdade, traduzida para o brasileiro, é apenas uma: será o consumidor paranaense quem vai segurar o tranco do fio desencapado da conta.

7:04Tem gente nova no Céu. Entre elas, o novo jardineiro

por Célio Heitor Guimarães

Desconfio que está faltando talento lá no Céu. Ou Deus está montando uma equipe de ponta para algum evento especial. Quem sabe uma edição celeste da FLIP? Será uma na divina Paraty e outra na matriz celestial. No prazo de uma semana, sem maior cerimônia, o Criador tirou dos quadros nacionais brasileiros três criaturas que orgulhavam a inteligência terrestre: o baiano de Itaparica João Ubaldo Ribeiro; o mineiro de Boa Esperança/Campinas Rubem Alves; e agora, nessa quarta-feira 23, o paraibano/pernambucano Ariano Suassuna. Tem justificava? Deve ter, mas o Todo Poderoso não costuma justificar os seus atos. Assim, só nos resta lamentar. E chorar a ausência deles. Os três amaram como poucos o Brasil e os brasileiros.

João Ubaldo e Ariano não sei o que vão fazer lá em cima. Talvez manter uma eterna conversa mansa com o Senhor, coisa em que Rubem é também mestre. Mas Ubaldo poderá traçar novas normas de conduta política para a eternidade. Reunirá em torno de uma mesa santos, anjos e querubins e decidirá – a julgar pelo que pontuou ontem, aqui neste espaço, Bernardo Mello Franco, em transcrição da Folha – quem manda, por que manda e como manda. É sempre preciso ter a Casa do Pai em ordem.

Ariano nem bem chegou, está ainda meio atrapalhado com o fuso-horário. Mas, com seu temperamento suave e cativante, visionário como ele só, deve modernizar a cultura divinal, em suas várias vertentes, com a criação do Teatro Popular do Éden e da Academia Sagrada da Arte, a preservação do folclore celeste e a revitalização dos festejos da divindade. Nas horas vagas, reunirá as santidades no Auditório Celestial para uma aula-espetáculo, na qual lhes contará um pouco de sua vida terrestre e muitos causos aqui acontecidos. Presumo que alguns dos presentes decidirão, depois de ouvi-lo, baixar aqui na terra para uma temporada.

Rubem, por sua vez, com quem tive mais convivência e proximidade, sei que foi convocado para cuidar dos jardins do Paraíso. Ele (o Rubem) sempre teve a certeza de que as árvores são uma forma mais evoluída de vida que a nossa. Justificava: “As árvores são amigas. Estão sempre fielmente no mesmo lugar, à espera. E se não comparecermos, elas continuarão lá, do mesmo jeito. Sem nada dizer”.

Mais ainda: “As árvores sabem que a única razão da sua vida é viver. Vivem para viver. Viver é bom. Raízes mergulhadas na terra, não fazem planos de viagem. Estão felizes onde estão. Enfrentam seca e chuva, noite e dia, frio e calor, com silenciosa tranquilidade, sem acusar, sem lamentar. E morrem também tranquilas, sem medo. Ah! Como as pessoas seriam mais belas e felizes se fossem como as árvores!”.

Rubem já quis transformar a educação no Brasil, transformar o ensino em prazer para alunos e professores, abolir a maldição dos vestibulares e tornar a leitura de hábito/obrigação em prazer. Foi um homem que passou a vida fazendo amor com as palavras. E deixou esta vida bastante contrariado.

Como amava como pouco as flores, Rubem será, com certeza, o novo jardineiro de Deus. Tem experiência no ramo. Foi até capaz de nos ensinar que, se tivermos um coração jardineiro, a passagem do tempo, a velhice e a própria morte deixam de ser experiências de dor: “Plantar um jardim é uma liturgia para exorcizar a morte”.

E não foi Rubem quem também disse que “um jardim é a verdadeira face de Deus”?

Pois então? Hoje lá estão os dois no alto, semeando, contemplando e acarinhando as flores. Ao lado de João Ubaldo Ribeiro e Ariano Suassuna. Juntos, os quatro chorarão diante de tanta beleza. A explicação é dada ainda por Rubem Alves: “Por que a gente chora diante da beleza? A resposta é simples. Ao contemplar a beleza, a alma faz uma súplica de eternidade. Tudo o que a gente ama deseja que permaneça para sempre”. E completa: “Só não chora quem perdeu a capacidade de sentir e de amar”.

Ao fundo, os anjos tocarão a Ave Maria, de Gounod, sobreposta ao Prelúdio nº 1 em C maior, de Bach. E tudo mais silenciará.

18:32Noturno

de Ariano Suassuna

Têm para mim Chamados de outro mundo
as Noites perigosas e queimadas,
quando a Lua aparece mais vermelha
São turvos sonhos, Mágoas proibidas,
são Ouropéis antigos e fantasmas
que, nesse Mundo vivo e mais ardente
consumam tudo o que desejo Aqui.

Será que mais Alguém vê e escuta?

Sinto o roçar das asas Amarelas
e escuto essas Canções encantatórias
que tento, em vão, de mim desapossar.

Diluídos na velha Luz da lua,
a Quem dirigem seus terríveis cantos?

Pressinto um murmuroso esvoejar:
passaram-me por cima da cabeça
e, como um Halo escuso, te envolveram.
Eis-te no fogo, como um Fruto ardente,
a ventania me agitando em torno
esse cheiro que sai de teus cabelos.

Que vale a natureza sem teus Olhos,
ó Aquela por quem meu Sangue pulsa?

Da terra sai um cheiro bom de vida
e nossos pés a Ela estão ligados.
Deixa que teu cabelo, solto ao vento,
abrase fundamente as minhas mão…

Mas, não: a luz Escura inda te envolve,
o vento encrespa as Águas dos dois rios
e continua a ronda, o Som do fogo.

Ó meu amor, por que te ligo à Morte?

 

18:03Ariano Suassuna, adeus

Do Terra

Morre o escritor Ariano Suassuna aos 87 anos de idade

Morreu na tarde desta quarta-feira (23) o escritor Ariano Suassuna. Suassuna passou mal em casa, na noite de segunda-feira (21), e foi levado ao hospital por volta das 20h, após sofrer um acidente vascular cerebral (AVC) do tipo hemorrágico. Às 23h, terminou a cirurgia de emergência para a colocação de dois drenos, com o objetivo de controlar a pressão intracraniana provocada pelo AVC.

No ano passado, o escritor sofreu um infarto, e dois dias depois de receber alta, deu entrada novamente no hospital por causa de um aneurisma cerebral.

Na última sexta-feira (18), Ariano Suassuna participou de uma aula-espetáculo, no Festival de Inverno de Garanhuns, no agreste pernambucano. O escritor, dramaturgo e poeta Ariano Suassuna, 87 anos, nasceu na Paraíba, mas mora no Recife. É autor de peças teatrais, como O Auto da Compadecida, e de romances, como A Pedra do Reino.

Ariano Vilar Suassuna nasceu em João Pessoa, na Paraíba, no dia 16 de junho de 1927. Dramaturgo, romancista e poeta, escreveu obras que se popularizaram ao serem adaptadas para o cinema e a televisão, como O Auto da Compadecida e Romance d’a Pedra do Reino e O Príncipe do Sangue do Vai-e-Volta.

Cresceu no sertão paraibano e, em 1942, mudou-se com a família para o Recife, onde concluiu os estudos secundários. Em 1946, iniciou a Faculdade de Direito e conheceu Hermilio Borba Filho, seu parceiro na criação do Teatro do Estudante de Pernambuco e do Teatro Popular do Nordeste.

Suas primeiras peças foram Uma Mulher Vestida de Sol, Cantam as Harpas de Sião, Os Homens de Barro, Torturas de um Coração, O Castigo da Soberba e O Rico Avarento. Após conciliar a carreira de escritor com a advocacia, resolveu abandonar esta última para se tornar professor na Universidade Federal de Pernambuco.

Idealizou o Movimento Armorial, que propôs a criação de arte erudita a partir de elementos da cultura popular nordestina, e teve obras traduzidas para inglês, francês, espanhol, alemão, holandês, italiano e polonês.

Lista de obras de Ariano Suassuna

Teatro
Uma mulher vestida de Sol (1947)
Cantam as harpas de Sião ou O desertor de Princesa (1948)
Os homens de barro (1949)
Auto de João da Cruz (1950)
Torturas de um coração (1951)
O arco desolado (1952)
O castigo da soberba (1953)
O rico avarento (1954)
Auto da compadecida (1955)
O casamento suspeitoso (1957)
O santo e a porca (1957)
O homem da vaca e o poder da fortuna (1958)
A pena e a lei (1959)
Farsa da boa preguiça (1960)
A Caseira e a Catarina (1962)
As conchambranças de Quaderna (1987)
Fernando e Isaura (1956)

Romance
A História de amor de Fernando e Isaura (1956)
O Romance d’A Pedra do Reino e o Príncipe do Sangue do Vai-e-Volta (1971)
História d’O Rei Degolado nas caatingas do sertão / Ao sol da Onça Caetana (1976)

Poesia
O pasto incendiado (1945-1970)
Ode (1955)
Sonetos com mote alheio (1980)
Sonetos de Albano Cervonegro (1985)
Poemas (antologia) (1999)

17:59TCU condena 11 diretores da Petrobras por prejuízo de US$ 792 mi na compra de Pasadena

Da Folha.com

O TCU (Tribunal de Contas da União) condenou nesta quarta-feira (23) 11 diretores da Petrobras a devolver US$ 792 milhões (R$ 1,6 bilhão) porprejuízos causados na aquisição da Refinaria de Pasadena, pela Petrobras, bloqueando os bens deles por um ano. A indisponibilidade dos bens vale a partir da publicação da decisão no Diário Oficial, o que deve ocorrer na semana que vem.

Um dos ministro do TCU, Benjamin Zymler, chegou a pedir vista do processo após a leitura do relatório do ministro José Jorge, responsável pelo processo. Mas quatro ministros, Marcos Bemquerer, Ana Arraes, Weder Oliveira e André Luiz de Carvalho, votaram a favor do relatório de José Jorge sem mesmo considerar possíveis opiniões divergentes que Zymler poderia ter. Constrangido, Zymler acabou retirando seu pedido de vista, que pararia o processo.

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16:51Triste realidade

por Tostão

Por que Dunga? Tenho o hábito de tentar compreender as razões das atitudes humanas, mesmo quando as acho absurdas, ridículas, mas a escolha de Dunga me deixou perplexo, surpreso. Não entendi nada. Já a de Gilmar Rinaldi, para coordenador das seleções, dá para explicar. Ele, como informou PVC, era frequentador da Federação Paulista, dirigida por Marco Polo Del Nero, presidente eleito da CBF e que já divide o poder com Marin.

Por que Dunga? Não foi somente porque ele e Gilmar estiveram juntos na Copa de 1994. Dunga teve a aprovação de Marin e de Del Nero. O estranho é que os dois, políticos, espertos e acostumados com troca de favores, tenham escolhido um técnico rejeitado pela maioria, rude, rígido, irritadiço, que não vive atrás de boquinhas, como vários ex-atletas, e que acabou com os privilégios na seleção. Tratou mal a todos.

Por que Dunga? No campo, ele não é melhor, pior nem diferente de Felipão e de outros treinadores. É um bom técnico, padrão, com uma estatística favorável, como todos os outros da seleção, por motivos óbvios. Para Dunga, o futebol se resume a ganhar ou perder. Por isso, disse, tempos atrás, que não entendia porque o time de 1982, que perdeu, é tão elogiado. Ele nunca vai entender.

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15:59Winchester 44

Do blog Cabeça de Pedra

A Winchester 44 que deu o primeiro tiro no final do século XIX apareceu nas mãos dele porque tinha de aparecer nas mãos dele. Lembrou de Antonio das Mortes e engatilhou. Não havia balas. Ele não queria. Apenas para saber se a máquina estava funcionando. Quando apontou para o nada e olhou através da mira, foi que viu. Era a produção dela através dos tempos. Tiros em todos os cantos dos corpos, mas principalmente na cabeça, letais. Abaixou a arma. Não havia nem vivos nem mortos naquela paisagem do agreste nordestino. Um galo de campina voou, o xexéu de bananeira imitou o canto de outro pássaro, ele mirou de novo e mais e mais mortes desfilaram à sua frente. Foi aí que recebeu uma bala, uma única bala, de alguém que estava olhando a cena. Colocou, armou, apontou e atirou. Tudo voltou à paz. Ele então foi colocar o rifle para descansar numa parede da casa.

15:32Caninos

Cena curitibana. Um dos cabeças da campanha de um candidato ao governo do Paraná tem ido ao dentista nas primeiras horas da manhã. Ao saber disso, outro do time, que o conhece bem, brincou: “É bom avisar até os inimigos. Ele está afiando os caninos para estraçalhar e ver sangue!” Isso é política!