11:56Dois em Foz

A briga pela prefeitura de Foz do Iguaçu no ano que vem promete. O prefeito Chico Brasileiro, que é do partido de Ratinho Junior, é candidato à reeleição, obviamente, mas o outro nome que aparece para a disputa também está ao lado do governador. É Phelipe Mansur, superintendente de governança que, no próximo dia 19 lança, no hotel Recanto das Cataratas, a pré-candidatura pelo partido Republicanos. A disputa, até onde se sabe, se resume aos dois. Isso é política!

11:44Cabeça de pobre

por Rogério Distéfano, no blog O Insulto Diário

HOJE NO SITE da RPC, com vídeo e manchete, a notícia importante: o motorista que bateu o Camaro contra um muro, na estrada do Ganchinho. Qual a novidade? Nenhuma, todo dia tem carro batendo contra muros, postes, árvores, caminhões, outros carros, até contra gente. Por que tamanho destaque?

PORQUE é o carro de luxo que atrai o destaque e a chamada específica: o Porsche, o Camaro, o Mustang, o Mercedes. Quando o acidente envolve carro popular ou carro sem o atributo “de luxo”, o jornalista ignora a marca nem sugere um mínimo de empatia pela perda, eventualmente do instrumento de trabalho ou do sonhado veículo da família remediada.

DESTRUIR O CARRO de luxo impacta o imaginário do jornalista, que acusa a perda, seja para lamentar, seja para celebrar: “uma pena destruir aquela beleza” ou “bem feito para o burguês exibicionista”. O que diria o motorista, dono do carro de luxo destruído? Diria “cabeça de pobre, tenho mais na garagem”. Ou “o seguro paga perda total”.

CÉLIO HEITOR GUIMARÃES com certeza lembra de Baby Pignatari, playboy e conquistador paulista. Vivia montado em motos Harley e Cadillacs, no Brasil e na Europa, sempre com mulheres lindas e famosas. Em Paris, quando bateu o Cadillac contra um muro, não se apertou: mandou vir de casa, na hora, um outro Cadillac. Baby morreu falido, mas se divertiu.

11:34O doleiro dos doleiros era invisível?

Reportagem de Vinicius Conchinski publicada hoje no UOL informa que Dario Messer, o “doleiro dos doleiros”, esteve várias vezes sob a mira do Ministério Público Federal do Paraná, mas sequer foi denunciado. Ele foi preso recentemente pela Polícia Federal com pedido do MPF/RJ. Segundo a reportagem, Messer afirmou em conversa interceptada que pagava procurador do Paraná. A Força Tarefa da Lava Jato justificou as avaliações e diz que procurador é inocente. Expressionante!

 

10:42Diferente

Ao ler em manchete na Gazetona que “Um novo Luciano Ducci vai disputar a prefeitura de Curitiba”, um venenoso do Centro Cívico espancou: “Sim, ele está com mais quilos e menos cabelos”.

10:36Positivo?

O jantar de confraternização de final de ano dos professores da Universidade Positivo, sábado, teve pouca participação. O clima ficou pesado após a notícia da venda ao grupo Cruzeiro do Sul – pelo desencontro de informações e o receio de demissões.

10:24De um futuro submerso

por Mário Montanha Teixeira Filho 

Um sonho estranho me atormenta de vez em quando. Nele, estou no futuro, em lugar que não conheço, cercado de pessoas cujos rostos aparentam indiferença. A sobrevivência humana, dizem os comunicados oficiais, exige o deslocamento da população, dos bilhões de seres que somos nós, para o fundo dos oceanos, onde se instalará uma nova civilização. Dos continentes do planeta não restará nada. O tempo para a transição é escasso, e milhares de cientistas se empenham em aplicar um treinamento rápido e individualizado para a adaptação dos nossos corpos aos segredos do mar. Aprenderíamos a fazer desse ambiente o palco das nossas atividades. Comer, caminhar, trabalhar, ver um filme, sentir frio e calor, amar, tudo aconteceria em cidades submersas. E todos seríamos felizes, segundo aqueles tais cientistas daquela sociedade ameaçada.

Pego a rabeira de uma fila e observo os voluntários. Um a um, eles se instalam em pequenas cápsulas, viveiros que reproduzem as condições do paraíso aquático prometido. Mergulhadas em água salobra, as cobaias reagem com desconforto, mas logo abrem seus olhos e parecem se conformar à regra imposta pelas circunstâncias. Imediatamente, recebem um certificado de habilitação que lhes autoriza a transferência.

Quando chega a minha hora, recuo. E repito esse gesto medroso uma, duas, cem vezes. Falta-me impulso para me largar no aperto da cápsula. A sensação de afogamento me assusta, busco o ar de um planalto distante e minhas pernas recusam a oferta dos orientadores e seus jalecos esverdeados. Percebo, sem emoção, que faço parte de uma minoria de “não-adaptados”, grupo de velhos – com exceções raras – que não acreditam em comunicados oficiais, a perambular por um deserto iminente, à espera do final. Assumo a exclusão, com a altivez que o cansaço permite, e acordo aliviado.

Fico a procurar a mensagem contida no sonho recorrente. Parece-me, de início, que o enredo sugere uma espécie de isolamento, o destino de homens sem rumo num mundo cada vez mais artificial e tecnológico – o mundo que não me pertence. Estou, afinal, entre os que dispensam os aparelhos moderninhos que exibem imagens esquisitas e matam a perspectiva do diálogo, transformando a palavra em mágoa, enigmas ou frases de efeito. Entre os que preferem coisas antigas, reflexões em desuso, pensamentos contidos, gritos no escuro da solidão que se anuncia. Entre os que não existem para a institucionalidade digital.

Pode ser esse o recado onírico, a chamada derradeira para que eu finalmente me renda à legião dos vivos. Mas não creio. O provável é que as imagens aflitas tenham a ver com temas mais amplos do que a minha existência pequena e desimportante. Quando meus olhos se põem diante das notícias dos dias que seguem, compreendo o sonho. A periferia massacrada, o óleo que envenena plantas, peixes e gentes, a miséria alheia planejada pelos donos do dinheiro, a criminalização do pensamento, a educação ferida de morte, eis o retrato de um tempo que se pensava enterrado.

Tempo de cúmplices da barbárie, de tribunais lulocentristas que fabricam teses desconexas para legitimar prisões políticas, sob a encomenda de representantes das armas, agentes da tortura e chefes religiosos que oprimem seus rebanhos com a promessa de salvação operada por deuses falsos e cruéis. Ou de juízes partidarizados e procuradores reacionários a impor suas vontades sobre a Constituição que deixou de ser. Ou de ministros que regurgitam discursos primitivos de ódio e desprezo a valores que suas pastas deveriam preservar. E por aí vai, numa sucessão de eventos constrangedores que fazem do presente uma coleção macabra de retrocessos.

São esses os tipos inacreditáveis que nos querem tornar quadrados, caretas, tristes e mudos, aprisionados em viveiros sob as águas escuras de um mar desconhecido. Os nossos algozes. Percebo, então, enxergando-os em sua pretensão de vitória, que o futuro delineado na trama sufocante do meu sonho é agora. Afundamos.

 

8:16Heroísmo

- Um povo que precisa de um salvador não merece ser salvo. (Millôr Fernandes)

- Herói é uma das profissões mais curtas que existem. (Will Rogers)

- Mostrem-me um herói, e eu lhe escreverei uma tragédia. (F. Scott Fitzgerald)

7:31Moro por cima

Pesquisa Datafolha revela que o ministro Sergio Moro, da Justiça, é o mais bem avaliado do governo de Jair Bolsonaro. Ele é conhecido por 93% dos entrevistados, 53% avaliam como ótima/boa sua gestão; 23% consideram regular e 21% ruim ou péssima.

7:13Lei de Abuso de Autoridade vai beneficiar Lava Jato

Do Analista dos Planaltos

A entrada em vigor da Lei de Abuso de Autoridade, no próximo dia 4 de janeiro, vai produzir um fato inusitado, até mesmo para os críticos procuradores da força-tarefa da Lava Jato. A lei vai beneficiar diretamente todos os procuradores, e até o ex-juiz Sérgio Moro, que tiveram seus polêmicos diálogos vazados pelo The Intercept Brasil.

Traduzindo: a nova lei, sancionada no último dia 5 de setembro pelo presidente Jair Bolsonaro, entra em vigor 120 dias após a sua publicação no Diário Oficial. Um de seus artigos, o 41, alterou dispositivo de outra lei, de 1996, que trata sobre o uso de gravações telefônicas ou fruto de escutas ambientais. Pois bem, a mudança torna ilegais quaisquer gravações que não tenham sido previamente autorizadas pela Justiça.

Os procuradores da Lava Jato, que inicialmente balançaram entre a surpresa e o silêncio diante dos vazamentos de suas conversas no aplicativo Telegram, reagiram mais tarde tentando desqualificar os diálogos, ora alegando que não reconheciam a sua autenticidade, ora dizendo que eles eram fruto de crime cibernético.

O fato é que esses diálogos sempre colocaram em dúvida a lisura e a legalidade de muitos processos envolvendo dezenas de pessoas atingidas pela Lava Jato. A parcialidade do ex-juiz Sérgio Moro é uma das acusações que até hoje socorre a defesa do ex-presidente Lula.

Se havia alguma dúvida que esses diálogos pudessem complicar juridicamente Moro e os procuradores da Lava Jato, a partir da nova Lei de Abuso de Autoridade não haverá mais. Por linhas tortas, todos poderão se beneficiar da “ilegalidade” das gravações, que não tiveram “autorização judicial” prévia.

A invocação da nova lei será um recurso extremo. Para ser usado apenas em caso de questionamento judicial. Por enquanto, os procuradores vão continuar insistindo em não reconhecer a autenticidade das conversas e no fato de os vazamentos serem resultado de crime cibernético.

7:10JORNAL DO CÍNICO

Do Filósofo do Centro Cínico

Marcelo Odebrechet disse que Lula queria que a empreiteira fizesse uma estrada em Cuba. Ela começava e terminava na dacha da família Castro. Mudou de ideia para fazer o porto, mas desde que coubesse os iates dos líderes revolucionários.

6:30Histórias de quem gosta de conversar

por Thea Tavares

Todas as vezes que viajo para o interior, trago a sensação de que o relógio marca o tempo de um jeito diferente por lá. A correria do trampo acaba sendo a mesma, ou fica até pior, visto que não se conta com a estrutura habitual, aquela que faz tudo funcionar engrenado, mas a gente meio que se obriga a dedicar um pouco mais de atenção às coisas simples e corriqueiras. Pode-se olhar nos olhos das pessoas enquanto conversa, sem que isso seja confundido com segundas, terceiras e quartas intenções. Pode-se ter curiosidade para observar a movimentação delas, permitir-se um bocadinho de prosa a mais, se convidar para uma roda de chimarrão, ouvir e contar histórias. Incrível como essas coisas cabem todinhas na velocidade do dia vivido no interior!

Fazemos amizades novas com mais facilidade e quando reencontramos os amigos velhos de guerra, então, a conversa flui e é possível atualizar anos de ausência, colocar em dia uma prosa suspensa por décadas! Também resgatar e enumerar de cabeça fatos e pessoas que você não sabia que ainda preservava intactos na memória. De repente, acionamos aquela enxurrada de pensamentos e de lembranças que dão sentido à construção das nossas trajetórias de vida.

Sei que esse papo meu já está qualquer coisa parecida com ladainha de velha, que tem seus hormônios e emoções todos bagunçados, mas a verdade é que o saudosismo me acompanha há muito tempo. Desde sempre. É meio que uma marca registrada de quem já nasceu com saudades. Cada minuto vivido vai compondo um baú de sentimentos armazenados e de aprendizados que ensinam e inspiram a no futuro encontrarmos respostas instintivas e espontâneas para as mais diversas situações. Esse acúmulo só se consegue com muita observação ao longo dos anos, deixando um legado de maturidade para perceber os fatos e se posicionar com sabedoria. Se não conseguirmos isso em tempo integral, contamos com as aceitações que prevalecem ainda com mais firmeza. A bem da verdade, o apoio e a tolerância deveriam ser próprio de sermos gente pura e simplesmente e não de estarmos neste ou naquele local do mapa.

Por isso também que a sensação que tenho quando viajo ao interior é que tudo importa mais e cada mínimo detalhe faz tanto sentido, que tudo cabe dentro do nosso dia. O tempo bate diferente, sem dúvida! Parece que escolhe momentos para ligar a câmera lenta e explorar demoradamente cada detalhe para reter. Talvez por isso o desgaste se torne menor e a gente relaxe mais, descarregue aos poucos as tensões. E é deliciosa a necessidade que se tem de conversar, de explorar as histórias e de conhecer mais a fundo as pessoas e as situações. A simbiose entre carência, curiosidade e pertencimento dialoga diretamente com a nossa atenção, que deixa de ser dispersa e se concentra na escolha daquilo que for essencial.

Soa romantizado e é. Só sei dizer que tudo lá tem cheiro, gosto e jeito de literatura juvenil; parece também com letra de música que se ouvia no rádio velho lá de casa, quando espichava bem os ouvidos para memorizar palavras e significados daquelas canções, driblando os ruídos da transmissão, e escrevi num caderno de escola para não esquecer e compartilhar com as amigas. O tempo estaciona sobre momentos assim para que se possa eternizá-los. Quem gosta de conversar vai me entender e se identificar com essa saudade e valorização. Mas também tem sempre aquele urbanoide sincericida, que vai ler até o final e dar uma de Drummond, exclamando: – Eta vida besta! E segue o baile.