9:42Pontos perdidos

Serginho do Posto, presidente da Câmara Municipal de Curitiba, perdeu pontos com muitos vereadores ontem ao ser democrático demais com os servidores que acabaram invadindo o prédio e interrompendo os trabalhos da comissão que analisa o projeto de ajuste fiscal enviado pelo prefeito Rafael Greca. No entender dos que não gostaram da suspensão da análise do projeto por uma semana, a manifestação poderia ocorrer, mas não a invasão – e ela esperada, porque os servidores estavam acampados desde cedo e soltando fogos no lado de fora do Legislativo. Para estes vereadores, a contemporização apenas vai adiar algo que, no entender de quem concorda com o Executivo, é uma necessidade urgente para que Curitiba não corra o risco do caos.

9:30Ministro peita Cuba e mantém médicos no Brasil

Do jornal O Estado de São Paulo

Cuba voltará a enviar médicos para o Brasil, diz ministro

Em abril, país caribenho anunciou interrompimento após passar a se preocupar com decisões da Justiça brasileira

Cuba voltará a oferecer ao Brasil profissionais para o programa Mais Médicos. A negociação já foi concluída e nesta terça-feira, 23, em Genebra, numa reunião entre o ministro da Saúde, Ricardo Barros, e o governo cubano foi confirmado que o projeto continua. Ambos estão na Suíça para reuniões na Organização Mundial da Saúde (OMS). O encontro está marcado para ocorrer também com a cúpula da Organização Pan-americana de Saúde, que chancelaria o novo entendimento.

Cerca de 300 profissionais cubanos que trabalham no Mais Médicos  que haviam voltado para seu país de origem devem retomar seus trabalhos ainda este mês. Os profissionais que desembarcam no Brasil em maio haviam retornado para Cuba em março, para passar um mês de férias e regularizar a documentação. Nesse segundo grupo, estão os médicos que já completaram três anos de trabalho no Mais Médicos e que, por terem estabelecido família aqui, receberam a autorização do governo cubano de ficar mais três anos no programa.

No mês passado, Cuba anunciou que estava interrompendo o envio de médicos depois que passou a se preocupar com as decisões da Justiça brasileira, permitindo que os profissionais cubanos pudessem permanecer no Brasil. Foram quase cem decisões neste sentido. Havana, em reuniões privadas com o governo brasileiro, questionou o motivo pelo qual o Executivo “aceitava” as decisões do Judiciário.

O Estado apurou que a mudança de postura de Cuba ocorreu depois que Barros desafiou a decisão de Havana e, dias depois do anúncio, abriu vagas para que os postos que estavam com os médicos cubanos fossem substituídos por brasileiros. Os cubanos, diante do risco de ficar sem as vagas, recuaram e aceitar voltar a negociar.  Continue lendo

8:37Doria e a selvageria

Forte candidato a ser presidente do Brasil, o prefeito de São Paulo João Doria capricha em seus atos de marquetagem. Ao colocar como degrau desta escalada a chaga da cracolândia ele se desnudou. Em entrevista à Folha de S.Paulo (ler abaixo), o promotor da área de Saúde Arthur Pinto Filho revela que o Ministério Público e a prefeitura estavam conversando há dois meses e elaborando um plano para tentar começar a resolver o problema. A ação do final de semana, conta, foi uma surpresa e não tinha nada do que foi previsto. Ele classificou a operação policial como “tragédia” e “selvageria” contra os viciados, que, como em outras vezes, apenas saíram do local e se espalharam pela cidade. Confiram: Continue lendo

8:19Os casos dos irmãos

Aécio divulgou vídeo onde diz que é santo e só pecou ao proferir palavrões em áudio divulgado. Talvez ele ainda não tenha pensado, mas se continuar nessa toada, logo, logo vai comparar o caso dos irmãos Neves com o dos irmãos Naves, mineiros de Araguari. Para quem não conhece, vai aí o resumo publicado na wikipedea:

O caso dos Irmãos Naves foi um acontecimento policial e jurídico ocorrido na época do Estado Novo no Brasil, no qual dois irmãos foram presos e barbaramente torturados até confessar sua suposta culpa em um crime que não cometeram.

Esse caso é conhecido como um dos maiores erros judiciais da história do Brasil e um dos que tiveram maior repercussão, tanto que sua história serviu de inspiração para o filme O Caso dos Irmãos Naves, de Luís Sérgio Person. O caso também foi mostrado em 2003 no programa ‘Linha Direta Justiça’ da Tv Globo.

7:28COISAS DO VARAL

ROGÉRIO DISTÉFANO

TEM QUE TER mais coisa, algo nas dobras do grampo que Joesley Batista, da Friboi, fez com o presidente Michel Temer na calada da noite, no Jaburu, semana passada. Dali não dá para extrair que Temer tenha tramado safadeza com Joesley. O que parece é que Joesley estava tão nervoso para pegar Temer de calças curtas que se perdeu a gaguejar e falar sem concluir frases.

Nesse sentido, de não terminar uma frase, sem uma sequer afirmação conclusiva, não se vê para o que serviu a reunião dos dois. Com o respeito devido ao presidente, os dois pareciam chapados, três charolas cada um. De Temer entende-se a conversa de frases curtas, até monossilábicas: é a arte dele, como animal, falante e político.

Quanto a Joesley, fica a pergunta: como ganhou tanto dinheiro, como casou com a bonitona da televisão? Não conclui raciocínios; nem comerciante de boi no pasto fala como ele. Claro que sabemos: se dinheiro atrai dinheiro, propina atrai mais dinheiro. A Friboi pegava dinheiro do governo, guardava a maior parte e repassava um naco para os políticos.

A propina era entrega sem o charme da compra de um Sérgio Cabral: viagens caras, joias raras, jantares em Paris, guardanapos na cabeça. Vinha em espécie, fresquinha, com brinde, produto da casa. Ricardo Saud, diretor, pagador e delator da Friboi, entregava o dinheiro em caixas de isopor, a propina escondida sob peça de picanha.

Saud sugeriu o método nos R$ 500 mil para o deputado Rodrigo Rocha Loures, que largou a picanha e levou a grana. Entende-se, Rocha Loures é grande acionista da Nutrimental, indústria de alimentos à base de cereais. Na reportagem da Folha de ontem soubemos que a Caixa Econômica financiou 100% da compra da Alpargatas pelo grupo dos irmãos Batista.

Desse empréstimo saíram R$ 800 milhões para os 1.820 políticos que mamavam nas tetas da Friboi. Então não é pela conversa de Joesley com Temer que se justifica o inquérito contra o presidente, menos ainda a imunidade processual concedida aos irmãos, um deles já nos EUA, onde, se calhar, já adquiriu cidadania.

Escrevi ontem que o deputado Rodrigo Rocha Loures devolveu o dinheiro recebido de Joesley Batista, da Friboi, com destinatário supostamente desconhecido. Hoje já sabemos que ele devolveu R$ 465 mil, não os R$ 500 mil originários.

Onde estão os R$ 35 mil a menos? Como sigo a linha de Michel Temer, de que o deputado “é de boa índole, de muito boa índole”, este nunca pegaria uma lasca do boró para si, assim tipo comissão sobre a propina.

A explicação é outra, também dada pelo presidente Michel Temer: Rodrigo é um “coitado”, nas palavras do chefe. Deve estar caindo pelas tabelas, sem ter onde cair morto. Então fica assim: Rodrigo devolveu R$ 465 mil e o isopor da Friboi.

HOJE CORREU na rede que Michel Temer já acertou a renúncia. Só falta definir a hora, que virá após alinhavado o acordo para não ser processado. O acordo estaria sendo urdido por FHC, José Sarney, Renan Calheiros e Romero Jucá.

Difícil acreditar que os dois dinossauros e os outros dois macacos velhos metam as patas na cumbuca de Michel Temer. Isso seria, além de conspiração, legislar em causa própria, pois o pau que bate em Temer bate nos outros quatro.

Mas estamos no Brasil, e aqui boi voa, como registraram os holandeses quando andaram por Pernambuco.

O JUIZ SÉRGIO MORO chegou lá. Nosso guri deu entrevista a Anderson Cooper, celebridade do programa 60 Minutes, da CBS, rede dos EUA. Entre comparar-se a Giovanni Falcone, juiz da Operação Mani Pulite, morto pela máfia que investigava, Moro comparou-se a Elliot Ness, o agente do FBI que conseguiu prender Al Capone, mafioso dono de Chicago no período da Lei Seca.

Sei não, desconfio que Moro, picado por aquela mosca cor de anil, não pensou no agente do FBI, mas no ator que o encarnou no cinema, Kevin Costner, que ganhou o Oscar com A Dança com Lobos. Isso aí, Moro está mais para Costner na Dança com Lobos que para Costner em Os Intocáveis.

Primeiro, porque Moro/Costner vem dançando com lobos há tempo. Vide os risinhos, cochichos e chamego com Aécio Neves e o olhar embevecido para Michel Temer ao ser condecorado pelos milicos. Segundo, Moro não é tira nem juiz de instrução como Falcone, o que na Itália exerce parte das atribuições de nossos promotores de justiça e procuradores da Lava Jato.

A vaidade prega essas peças. A menos que Moro se compare a Elliot Ness para comparar Lula com Al Capone. Se for assim, esqueçam tudo que escrevi acima.  Mas que Moro devia recolher a violinha no saco, lá isso devia.

7:19Injetaram em Temer o veneno que há um ano ele ajudou a injetar em Dilma

por Elio Gaspari

Quando Dilma Rousseff estava afastada da presidência, a caminho da guilhotina, a senadora Rose de Freitas, líder do governo de Michel Temer disse o seguinte: “Na minha tese não teve esse negócio de pedalada, nada disso.” Ela deveria ir embora pelo conjunto da obra e pela inércia do governo.

Temer associou sua impopularidade a um conciliábulo e contra ele pesa o conjunto do áudio da conversa com Joesley Batista. O presidente procura se defender com argumentos parecidos aos de Dilma, contestando aspectos das denúncias. Injetaram nele o veneno que ajudou a injetar em Dilma. Ela deveria ser deposta. Ele pode ser dispensado, desde que “os homens de terno cinza”, para usar uma expressão da princesa Diana, tenham juízo ao escolher seu sucessor. Pelo cheiro da brilhantina, simpatia pela Lava Jato não é virtude e conexões diretas e públicas com seus réus não é defeito.

Há uma semana, quando a crise começou, podia-se acreditar que, numa “operação controlada” da Polícia Federal, conversas haviam sido gravadas e malas rastreadas por meio de chips. (Havia um toque tabajara nesse mundo high tech. Os grampos não faziam parte da “operação controlada”, o gravador usado por Batista era xumbreca, não havia chip na mala que carregou R$ 500 mil e ela sumiu por uns dias.)

Numa conversa com Joesley Batista, depois que o empresário contou-lhe que subsidiava Eduardo Cunha, Temer teria dito que “tem que manter isso, viu?” Divulgada uma transcrição do áudio,

viu-se que não havia sequencia entre a narrativa do subsídio e as cinco palavras fatídicas. Antes delas, Batista dissera que “estou de bem com o Eduardo”. Contudo, a transcrição informava que logo depois de Temer ter dito que “tem que manter isso, viu?”, Batista disse algo inaudível, seguido de “todo mês”. A ideia da mesada ainda fazia sentido. Na terça-feira o perito Ricardo Molina, contratado por Temer, contestou a transcrição.
Onde o Ministério Público ouviu “todo mês”, ele ouviu “tô no meio”.

“Todo mês”, ou “tô no meio”? Essa e outras duvidas derivaram do voluntarismo da Procuradoria-Geral da República, inebriada pela espetacularização de suas iniciativas. A pressa para divulgar o teor das colaborações da Odebrecht fez com que os vídeos oficiais fossem liberados antes das transcrições. Com o grampo de Batista foi-se além. Aceleraram-se as negociações, adocicou-se o acordo, apressou-se a homologação e divulgou-se a transcrição de um áudio sem que houvesse a competente perícia. A migração da Lava Jato para o mundo dos vídeos acabará transformando as salas dos tribunais em estúdios de televisão.

Há uma falta de sintonia entre Brasília, onde se negociam acordos, anistias e solturas, e a essência moralizadora da Lava Jato. A oligarquia brasileira está ferida, mas luta bravamente. A operação tabajara do áudio de Batista poderá derrubar Temer, mas terá ferido a Procuradoria-Geral.

Vale transcrever o que disse o advogado José Roberto Batochio, defensor de Lula, diante da decisão da Segunda Turma do STF que soltou José Dirceu: “O Supremo fez chegar ao Brasil o 9 de Termidor
da Revolução Francesa”.

No dia 27 de julho de 1794 (o 9 de Termidor, pelo calendário da Revolução), foi preso Maximilien Robespierre, conhecido como o “Incorruptível”. Tomou (ou deu-se) um tiro na boca e na manhã seguinte foi guilhotinado. Batochio exagerou, mas os “homens de terno cinza” sonham com um Termidor.

*Publicado na Folha de S.Paulo

19:06ZÉ DA SILVA

Estava no fundo do mar há dias. Bolas de ferro presas aos tornozelos. Não morreu, mas sentia-se apodrecer. Mais que isso, nacos de carne eram arrancados por toda espécie de peixes – dos minúsculos aos tubarões. Por que tinha de pagar dessa maneira, não imaginava. Sentia dores lancinantes. Os dentes dos insaciáveis eram lâminas afiadas. Não clamou por deus ou o diabo. O sofrimento não deixava. Não ouviu o canto da sereia nem Iemanjá se dignou a aparecer. O casco de um barco parou a vários metros da sua cabeça. Ele se sentiu gratificado por não terem lhe comido os olhos. Alguém mergulhou. Parou na sua frente. Olhos claros e uma arma na mão. O arpão atravessou o coração.

18:25JORNAL DO CÍNICO

Do Filósofo do Centro Cínico

A mala devolvida pelo deputado Rocha Loures à Polícia Federal não tinha os R$ 500 mil tão divulgados pela imprensa. Muito simples de explicar:  os R$ 35 mil que faltaram foi o valor da corrida do táxi que ele pegou depois de sair da pizzaria.

16:20Maluf é condenado por crime praticado no século passado

O Supremo Tribunal Federal (STF) condenou o deputado federal Paulo Maluf a quase oito anos de prisão, em regime fechado, por lavagem de dinheiro. O crime? Segundo a denúncia do Ministério Público, ele desviou US$ 172 milhões na construção de uma única avenida, a atual Roberto Marinho, quando foi prefeito de São Paulo de 1993 a 1996 do século passado. Parte dos crimes cometidas já prescreveu e a condenação aconteceu “apenas” pelo desvio de US$ 15 milhões. Este julgamento dá uma ideia do que pode acontecer com a multidão de larápios que foi escrachada nos últimos anos. Expressionante!

15:46O casamento e a liberdade de expressão

Da série “Nossas Convicções” da Gazeta do Povo:

Aliás, faz parte da tradição da defesa da liberdade de expressão o fato de jamais se ter admitido a criminalização da opinião meramente crítica a comportamentos, sejam estes louváveis ou reprováveis. Pense-se, por exemplo, em comportamentos amplamente aceitos pela sociedade e considerados valiosos: o casar-se, o trabalhar, o dedicar-se a causas sociais. Imagine-se, agora, que se quisesse criminalizar a crítica, por mais absurda que fosse, a esses comportamentos. Criminalizar, por exemplo, quem dissesse que se casar é o mesmo que se jogar, sem qualquer equipamento, de um prédio de 15 andares; ou que se casar é passar um atestado de demência. Seria completamente inaceitável, por mais que grande parte da população achasse, com razão, que essas comparações ou afirmações são extremamente ofensivas.

15:13Osmar Dias na Assembleia

O ex-senador Osmar Dias foi à Assembleia Legislativa hoje cedo. Esteve reunido com o presidente Ademar Traiano e alguns deputados – entre eles Luis Claudio Romanelli, líder do governo, e Alexandre Curi, dois do que trabalham para que ele troque o PDT pelo PSB e seja ungido pelo governador Beto Richa para ser o candidato do grupo ao governo do Paraná. O mote oficial do encontro foi o panorama de incertezas do Brasil e a troca de informações sobre possíveis projetos para o Estado. Isso é política! Isso é campanha!