7:53JORNAL DO CÍNICO

Do Filósofo do Centro Cínico

Um novo slogan foi criado pelos professores do ensino público estadual que estão em greve. É dirigido especialmente para os alunos do ensino médio que, assim como os outros, neste ano tiveram apenas um mês de aulas e se preparam para aquele exame muito conhecido: “E nem aí!”

7:44Vidente

Tem gente colocando o dom de vidente no currículo de Euclides Scalco por ele ter se afastado há um bom tempo do governador grupo político do governador Beto Richa. Se alguém lhe perguntar por quê, ele desconversa e diz que não fala de política pois já tem problemas demais como presidente do Conselho Superior da Associação dos Amigos do Hospital de Clínicas de Curitiba.

7:33Toffoli quase incógnito

O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal e presidente do Tribunal Superior Eleitoral, esteve em Curitiba na sexta-feira passada. Veio dar uma palestra no TRE no “Café Cultural”. O tema: “Eleições e o futuro”. Pouca gente ficou sabendo. O fato é que, seja lá qual for o motivo, manteve a discrição não muito comum entre seus pares do STF.

7:00Cida fez que foi e acabou fondo

No dia 4 de maio o governador Beto Richa nomeou a vice-governadora Cida Borgheti para chefiar o escritório de representação do governo do Paraná em Brasilía. Disse o seguinte: “O Paraná conta com a experiência e o bom trânsito em Brasília da vice-governadora para estreitar o relacionamento com o governo federal, senadores, deputados federais e com os demais poderes”. Vinte dias depois exonerou-a do cargo para colocar outra pessoa. A assessoria de Cida informou que “a decisão publicada no Diário Oficial apenas corrige um equívoco e, na prática, não muda nada, pois Cida continua coordenadora de um grupo de trabalho formado por secretários e técnicos da Vice-governadoria, Casa Civil, secretaria estadual do Planejamento e Coordenação Geral, Procuradoria Geral e do próprio Escritório de Representação do Paraná em Brasília. Ela continua com a função de organizar toda a relação do Paraná com Brasília”.  Se for levada em consideração a explicação, o governo demorou todo este tempo para corrigir um erro? E em meio a uma barragem de artilharia que o Palácio Iguaçu está alvo? Hummmmmmm. Algo há! E isso é política!

19:16Aos olhos de uma criança

por Mario Filho

Tenho uma dose de ternura bem grande pelo homem como pessoa humana. Nenhum personagem meu, por mais sórdido, deixa de ter lá sua dose de simpatia, de grandeza. Para a infância, um gangster pode virar herói. E eu ainda vejo a pessoa humana com os olhos de uma criança. Sou um infante de (à época) 57 anos. Daí essa ternura que eu considero necessária, por causa do desamparo em que se encontra o homem dos nossos dias.

19:10Sorte e cozimento

O Atlético Paranaense venceu o jogo de hoje na Baixada por um a zero porque teve sorte, apesar de o gol de Douglas Coutinho ter nascido de uma bela jogada (raríssima) pela esquerda, e também porque cozinhou o Galo – literalmente.

18:13Os comerciais e a chatice

por Jamur Jr.

Os antigos diziam, muito antes do nascimento das agências de propaganda, que  ” propaganda é a alma do negócio”. Ela informa, estimula vendas, promove crescimento – mas muitas vezes engana e em outras tantas chateia. Basta ver os anúncios do governo prometendo maravilhas quando sabemos e sentimos na pele que  a reeleição levou o  nosso país a uma das piores situações econômicas de sua historia. Tirando a propaganda dúbia do governo entramos no campo da iniciativa privada onde há muita coisa que enche o saco. O barulho da publicidade frenética da Casas Bahia, aquela dos médicos sem fronteira e sem piedade dos telespectadores, onde uma mulher fala da menina de dois quilos que conheceu na Índia e a Malala contando que o Talibã deu-lhe um tiro na cara, Malala capotou, não morreu (é logico), só morreu medo, nasceu coragem, determinação etc. Chegando mais para perto da gente, aquela família do Condor é de trincar a  paciência. Tirando as coisas mais chatas dos intervalos comerciais, não  resta dúvida que a propaganda é importante e sem ela a televisão seria uma chatice sem intervalo.

12:52Convite aos delinquentes

por Janio de Freitas

Dizer que alguém foi detido 15 vezes, antes do crime em que testemunhas o identificam como autor, é um modo de dizer que foi solto 15 vezes.

Assim é o registro por ora conhecido do jovem acusado de assassinar a facadas o médico Jaime Gold às margens da Lagoa Rodrigo de Freitas: entre os 12 e os 16 anos, cinco assaltos à mão armada com faca, furtos, roubos e drogas, perfazendo os 15 motivos de detenção.

Se foi detido 15 vezes, a polícia fez a sua parte. Se nas 15 vezes foi solto, ou a suspeita que o atingiu não pôde ser provada, ou era fundada e algo falhou para impedir os seus novos atos delituosos, ao menos na quantidade, na rapidez da sequência e na gravidade crescente em que se deram.

Mas as 15 detenções se deram por fatos com vítimas comprovadas. Com testemunhas. Apesar disso, e com uma só ocasião de recolhimento por menos de mês e meio a uma “entidade socioeducativa”, todos resultaram em soltura sem problema.

Seria assim ainda que a maioridade penal estivesse fixada em 14 ou até em 10 anos.

A formidável relação do apontado assassino de Gold com a liberdade não é excepcional. É garantida, está protegida. E aplicada com justiça distributiva, aquela que falta em tudo o mais.

Dias antes daquele crime, outros assaltados a faca levaram a polícia a deter um grupo grande de meninos e jovens naquela área. Vários foram soltos ali mesmo, por inútil levá-los. Os armados e os restantes foram levados à delegacia. Apenas para o que, sem exagero, não passa de um ritual. Também por aqueles dias, foram detidos mais de 30 no Aterro do Flamengo, acometido por uma onda de assaltos a faca. Cumprido o ritual, voltaram todos ao ponto de partida.

Nem o detido com fragrante de posse de faca permanece em detenção. Sem frequentar escola, sem trabalhar, vagueando longe de onde mora, com uma faca sob a roupa: se alguém imaginar que a faca serve a maus fins, ao menos não esqueça de que a posse de arma branca, como quer a lei, é só contravenção. Não sujeita a prisão ou a ficar detido. As facas são um sucesso: fáceis de furtar nos bares, para os assaltantes têm o mesmo potencial criminoso do revólver –que vale muito, fica mal sob a roupa e, se apreendido pela polícia, dá prejuízo e prisão.

Enquanto se gagueja uma discussão em torno da idade penal mínima, outros componentes da velha legislação criminal continuam, por dezenas de anos, excluídos de qualquer apreciação sobre os seus eventuais ou inevitáveis efeitos nefastos.

A soltura tão simples e rápida é como um convite para continuar na vida fácil do furto, do pequeno tráfico que um dia crescerá, do roubo armado que avançará até o assassinato.

A lei que dificulta a detenção incentiva a continuação no crime. De repente, a lei e o crime se associam. Contra a população.

A propósito do jovem de 15 detenções, 15 solturas e apontado por testemunha como autor de homicídio com a perversidade de esfaquear mais três vezes a vítima já caída, disse o presidente do Tribunal de Justiça do Rio, Luiz Fernando de Carvalho: “O que faltou foi um policiamento ostensivo, eficiente, que fosse preventivo e impedisse a barbárie”.

Faltou, sim. E sempre faltará. Só a Lagoa Rodrigo de Freitas tem cerca de 40 pontos de acesso e saída. Não há como mantê-los o tempo todo policiados para impedir a chegada e a fuga de pivetes.

A tv como monopólio mental e a classe média, com o velho horror a raciocínio, fazem o seu carnaval dramático de acusações e reclamações. Mas a realidade brasileira é até simplória. No Rio e em todas as cidades de porte médio ou maior, é impossível policiar todas as oportunidades de delinquência para tantos milhares de jovens dispostos a cometê-la. Insuflados pelas desgraças da vida, pela progressão dos costumes consumistas, pela justificada sensação de que o trabalho não faz justiça nem compensa mais que o delito.

Nos formigueiros que são nossas cidades, já passou da hora de abandonar a obtusa ilusão do policiamento total e infalível. Desprezamos as possibilidades de preservar dimensões viáveis e modos de vida aceitáveis. E não queremos nem ver onde estão os problemas: as falsas soluções bastam, desde que voltadas para baixo.

*Publicado na Folha de S.Paulo

9:53Na feirinha da Praça Ucrânia

Do Goela de Ouro

Na sexta-feira à noite uma das mesas da feirinha da praça da Ucrânia era ocupada por um ex-deputado estadual que hoje integra o alto escalão do governo Richa. Ele estava acompanhado de dois amigos. Durante o bate-papo, um dos interlocutores perguntou ao político sobre a situação de Beto Richa no momento. Ele respondeu: “Isso daí é tudo encrenca do PT, que injeta dinheiro na mídia para esconder as besteiras do governo Dilma e desviar o foco para o governador daqui, que não tem culpa de nada”. Depois disso, o assunto sumiu e os amigos do político ficaram calados.

 

9:05A pesquisa que falta

Taí uma boa hora de se fazer uma pesquisa para saber se a ninguenzada prefere dar dinheiro para auxilio-moradia, verbas de gabinete, cargos comissionados, servidores que não trabalham e todos os penduricalhos dos chamados Poderes ou se prefere que a verba seja destinada a um atendimento decente na Saúde e Educação.