19:47Machochô e fome bolivariana

De Rogério Distéfano, no blog O Insulto Diário

- Jair Bolsonaro jura que sua candidatura é “imbroxável”. Voltamos à bravata sexual: do “aquilo roxo” de Fernando Collor, passando pelo “grelo duro” de Lula, com Bolsonaro será a “república do pau duro”.

- Os venezuelanos chegaram se arrastando às urnas para reeleger Nicolás Maduro. Depois comeram os títulos de eleitor para enganar a fome bolivariana.

13:45A Constituição da Bruzundanga

por Lima Barreto

A Constituição da Bruzundanga era sábia no que tocava às condições para elegibilidade do Mandachuva, isto é, o presidente. Estabelecia que devia unicamente saber ler e escrever; que nunca tivesse mostrado ou procurado mostrar que tinha alguma inteligência; que não tivesse vontade própria; que fosse, enfim, de uma mediocridade total.

 

13:29TCU quer saber se PP usou fundo de saúde para atrair deputados

Da Coluna do Estadão

O Plenário do Tribunal de Contas da União aprovou, sem alarde, auditoria extraordinária no Fundo Nacional de Saúde. A suspeita é de que o PP, que comanda o Ministério da Saúde, direcionou verba para atrair deputados na janela partidária.

Levantamento preliminar da Corte indica que 71% dos recursos de emendas de relatoria foram distribuídas para seis Estados. Entre eles, Alagoas, base do líder do PP na Câmara, deputado Arthur Lira, e o Piauí, do presidente da sigla, Ciro Nogueira. Os dois Estados só não receberam mais do que SP e MG.
Escancarado. Na justificativa para abertura da investigação, o TCU aponta “enorme discrepância entre os valores distribuídos para cada um dos Estados, o que coincide com portaria do Ministério da Saúde que simplificou as normas de repasse do FNS, o que dificulta o controle”.

A portaria foi assinada pelo ex-ministro Ricardo Barros. Ele deixou a pasta em abril para disputar a reeleição de deputado federal pelo PP do Paraná. No lugar, assumiu Gilberto Occhi, também do PP.

A investigação será tocada pela Secretaria-Geral de Controle Externo do TCU, “com a urgência que o caso requer”. Procurado, o Ministério da Saúde informou que os recursos foram “incluídos no orçamento pelo relator para apoiar os municípios na melhoria de serviços na Atenção Básica e Média e Alta Complexidade.” E que a resolução “não altera o orçamento ou aplica recursos adicionais para estados e municípios”.

13:14JORNAL DO CÍNICO

Do Filósofo do Centro Cínico

O senador Roberto Requião torce para que Nicolas Maduro continue à frente do governo bolivariano da Venezuela e já pediu ao passarinho que transmite o pensamento de Hugo Chávez que faça caca na cabeça dos adversários e acabe do projeto da CIA de tomar o poder daquele país que está em franco desenvolvimento.

12:59Sou devoto de São Miguel de Unamuno

por Miguel Sanches Neto

No dia 17, última quinta-feira, fui eleito reitor da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) para o quadriênio 2018-2022. Isso seria apenas mais uma eleição da instituição que me recebeu, por concurso público, em 1º de março de 1993, se nossa vitória não estivesse revestida de alguns simbolismos.
A UEPG nasceu das faculdades isoladas, no final dos anos 1940, tendo sido responsável pela interiorização do ensino superior no Paraná, em uma época em que a estrada de ferro e a industrialização davam dividendos políticos ao município.
Um dos cursos fundadores foi Letras, que contou com um intelectual (Bruno Enei) que à época rivalizava com os intelectuais da Universidade (Federal) do Paraná, em Curitiba.
Passados 70 anos, um professor de Letras chega à reitoria.
Mais do que isso, pela primeira vez, um representante do Setor de Ciências Humanas, Letras e Artes ocupará o cargo máximo da instituição.
Para chegar a esta vitória, muito preconceito teve que ser vencido.
Primeiro, o autopreconceito – ter a convicção de que, sim, somos iguais a todos os outros cursos.
Depois, foi preciso derrubar uma barreira maior. Que um candidato não só de Letras, mas da disciplina de Literatura, e por cima escritor, pudesse administrar o segundo maior orçamento dos Campos Gerais.
O caminho foi longo.
Tive que ser pró-reitor (e ocupar outros cargos) para demonstrar minimamente que isto era possível. Nesta época, nas reuniões do Conselho de Administração, um dos conselheiros replicava minhas intervenções com uma exclamação pejorativa:
– E falou o nosso poeta!
O peso deste preconceito eu senti em 2014, quando perdi a eleição para reitor por pouco mais de 4% dos votos. Muitos colegas de outras áreas tentavam descredenciar minha candidatura dizendo que tudo que eu sabia fazer era escrever uns livrinhos aí; que continuasse fazendo isso. E espalharam trechos de textos meus dizendo que “agrediam” (na ótica deles) a cidade.
Nesta eleição, não foi diferente. Mesmo enfrentando adversários de campos do conhecimento próximos ao meu, surgiu uma fake new (entre tantas outras bobagens bêbadas) que me acusava de plagiar um livro de Dalton Trevisan.
Claro que ri, não pela maldade dessa guerrilha digital, mas pela burrice implícita na acusação infundada. Fiz um roman à clef sobre o meio literário curitibano em que é possível reconhecer nos personagens características de pessoas reais – trata-se de Chá das cinco com o vampiro. Um romance que pode ser interpretado de diferentes maneiras, menos como plágio.
Mudam-se os adversários, permanece o preconceito.
Como o preconceito só pode ser vencido com a afirmação de quem somos, declaro aqui que inicio esta jornada de reitor sob a proteção literária de São Miguel de Unamuno (1864-1936), grande escritor de origem basca (como meus avós), grande defensor da Universidade de Salamanca – da qual foi reitor duas vezes. Em 12 de outubro de 1936, durante a ditadura de Franco, em um discurso duro contra os fascistas, com armas apontadas para ele e sob acusações inflamadas como “morra a intelectualidade”, ele defendeu com altivez a autonomia da Universidade. Em seguida, foi execrado pelos fascistas e exonerado.
Neste momento de autoritarismos (tanto à direita quanto à esquerda), Unamuno assume uma força de devoção. Dedico a ele os 4 anos que passarei à frente da reitoria da Universidade Estadual de Ponta Grossa.

7:24A lição esquecida

Um sábio do Centro Cívico disse que os poderosos enrolados em delações dos que já foram subordinados e/ou amigos esquecem a lição da Máfia, que dá apoio total às famílias dos que foram presos. Quem vira as costas e esquece os bons tempos paga até pelos erros que não cometeu.

7:08O MP entrou na defesa dos maganos

por Elio Gaspari

O Ministério Público precisa se olhar no espelho. No Supremo Tribunal Federal ele defendeu o fim do foro especial para deputados e senadores. Essa decisão pontual foi festejada como uma conquista genérica. Engano. Menos de um mês depois, no Superior Tribunal de Justiça, o MP sustenta exatamente o contrário, defendendo a manutenção do foro na parte que lhe cabe do latifúndio.

Com o apoio da Procuradoria-Geral da República, deputados e senadores que cometam crimes fora do período de seus mandatos serão julgados na primeira instância. No STJ, contudo, o Ministério Público pediu que se preserve o foro especial para governadores, desembargadores, conselheiros do Tribunal de Contas e procuradores que atuam junto à corte. Em poucas palavras, diante da brecha aberta pelo Supremo, o “Tribunal da Cidadania” defende a jurisprudência do “quem manda aqui sou eu”. Aceita, ela haverá de se propagar pelos estados.

O pedido do MP foi endossado pelo ministro Mauro Campbell e estava sendo julgado pela corte especial do STJ, composta pelos 15 ministros mais antigos. Como o ministro Luis Felipe Salomão pediu vistas, o caso será apreciado em junho. (Salomão remeteu à primeira instância um processo em que é réu o governador da Paraíba.)

Num exemplo hipotético, que poderá ocorrer em alguns estados:

Se um senador e um vereador (ou procurador) forem casados com duas irmãs e ambos matarem as mulheres, o senador será julgado na primeira instância e o vereador (ou o procurador) irá para o Tribunal de Justiça do seu estado. O senador não tem foro especial, mas os outros dois têm.

Expandida, a festa preservará o foro de todos os desembargadores, juízes de tribunais federais regionais, conselheiros de contas estaduais e municipais. E mais, bingo: dos membros do Ministério Público da União que oficiem perante tribunais.

O foro especial favorece 58 mil maganos com funções em 40 tipos de cargos. A decisão do Supremo Tribunal, restrita a parlamentares, alcança algo como mil pessoas, levando-se em conta que há casos de cidadãos cujo mandato acabou. Na ponta do lápis, o Supremo livrou-se de mais de 60 processos.

A corte especial do STJ deverá decidir a questão no dia 6 de junho. Aberta a brecha, ficará a lição do “poetinha” Vinicius de Moraes:

A felicidade do pobre parece

A grande ilusão do Carnaval

A gente trabalha o ano inteiro

Por um momento de sonho

Pra fazer a fantasia

De rei ou de pirata ou jardineira

Pra tudo se acabar na quarta-feira.

*Publicado na Folha de S.Paulo

16:45Líder do DEM trabalha para fazer deputado agressor assumir o partido

Do Radar Online, na revista Veja

Rodrigo Garcia, líder do DEM na Câmara, tem trabalhado para que o deputado Osmar Bertoldi, um dos seus principais aliados na bancada, assuma a presidência do partido no Paraná.

O plano levou à loucura outros congressistas do DEM. Não por acaso.

Bertoldi é um personagem controverso, para dizer o mínimo. Em 2016, ele passou uma temporada na cadeia, acusado de ter agredido e mantido em cárcere privado uma ex-namorada.

12:55Assessor de Gleisi, ex-vereador de Londrina volta ao noticiário policial

Do blog de José Pedriali

Condenado em segunda instância em 2012 por improbidade administrativa pela compra irregular de computadores quando secretário de Gestão Pública de Londrina, inocentado – por falta de provas – no caso envolvendo a concessão de alvará de funcionamento a um motel localizado em área imprópria, o ex-vereador de Londrina pelo PT Gláudio Lima volta ao noticiário policial.

Desta vez por ter recebido, segundo a Polícia Federal, dinheiro desviado dos servidores federais por meio da empresa Consist, contratada irregularmente pelo Ministério do Planejamento quando o titular era Paulo Bernardo.

Gláudio é assessor de Gleisi Hoffmann e, de acordo com a PF, recebeu “mensalinho” de R$ 8 mil derivado desse esquema criminoso, que teria rendido, somente para Bernardo e Gleisi, R$ 7 milhões.