16:27Carnaval

de Aldir Blanc

Custei a compreender que a fantasia
É um troço que o cara tira no carnaval
E usa nos outros dias por toda a vida.

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Naquele carnaval, pois, pela primeira vez na vida eu teria o que sempre quisera: ia ser outra que não eu mesma. (Clarice Lispector)

 

15:50E nos hospitais/boutique…

Ainda sobre o novo tipo de hospital, o boutique, aqui relatado. As empresas de planos de saúde, com a debandada de quem não tem dinheiro nem para comprar uma cibalena, estão apertando mais o torniquete nos médicos. Em muitos locais eles só vão visitar o paciente no quarto ou enfermaria em casos extremos, porque antes ganhavam uma quirela pelo atendimento. Por isso a maioria fica na emergência – e olhe lá. Expressionante!

15:03Deu merda! Ou não?

O Tribunal de Contas do Paraná informa:

Clevelândia pagou R$ 25,6 mil por 90 vasos sanitários e materiais não recebidos

Em 2012, a Prefeitura de Clevelândia (Sudoeste do Estado), pagou R$ 5.670,00 por 90 vasos sanitários que nunca foram entregues. Naquele mesmo ano, em 27 de dezembro, a quatro dias do encerramento do mandato do então prefeito, Ademir José Gheller (gestão 2009-2012), o cofre municipal gastou outros R$ 19.913,40 na compra de materiais de construção nunca registrados no patrimônio municipal.

Essas são duas das cinco irregularidades comprovadas em Inspeção realizada, em 2014, pelo Tribunal de Contas do Estado do Paraná (TCE-PR) nesse município. As demais são relacionadas a irregularidades em contratos, pagamentos indevidos e manutenção de fornecedora de serviços na área da saúde entre os servidores comissionados da Prefeitura. Continue lendo

14:45O terreno, a estrada e a resposta do ministro

Nota enviada pela assessoria de Ricardo Barros à Folha de S.Paulo

Não há improbidade no negócio. O acordo entre a Prefeitura de Maringá e o Dnit para a construção do contorno Sul de Maringá foi firmado em 2009 —  cinco anos antes da compra do terreno. Ou seja, a eventual valorização deste terreno já teria ocorrido. A obra é de interesse coletivo, tendo recebido emendas da bancada federal do Paraná por vários anos. Finalmente, a construção do contorno Sul de Maringá sequer foi iniciada.

14:35Paixão que faz nascer motos

Do jornal Gazeta do Povo, em reportagem de Getulio Xavier

Engenheiro transformou paixão por motos em uma pequena montadora em Curitiba

MXF comemora dez anos de mercado com lançamento de nova linha em uma sede maior

A nova sede da montadora de motos curitibana MXF Motors, com cerca de 2 mil metros quadrados, localizada no bairro Bacacheri, é apenas um indicativo das novidades que a empresa deve lançar ao longo de 2017. A escolha foi para unir o que antes era feito em dois outros locais e agilizar a operação. Em um prédio ficava a sede comercial e centro de distribuição, enquanto no outro estavam localizados as linhas de montagem e assistência técnica. “A gente juntou tudo. A ideia é agilizar para o cliente e também agilizar o despacho do produto”, explica João Montani, proprietário da marca que completa 10 anos em 2017.

De acordo com o proprietário esse é um primeiro passo para o que ele descreve como “atualização” de toda a linha de motos e quadriciclos da empresa. “É bastante novidade para esse ano. Nossa linha de motos já tem dois anos, estamos preparando uma renovação especial, principalmente na moto de 250 cilindradas”, destaca.

Entre as novidades, está o lançamento, em abril, da primeira moto da marca que deve atender o público “de fora” do off road. A novidade será uma scooter elétrica pensada principalmente para a locomoção na cidade. “Sempre trabalhamos com produtos a combustão, nosso público gosta do barulho do motor. A gente nunca tinha olhado com atenção para esse mercado elétrico, mas é inegável que esse é o futuro, por isso pensamos em um produto para mobilidade urbana, mas que também atende o off road. Fugimos um pouquinho da nossa linha, mas é uma porta de entrada para esse futuro”, detalha Montani.

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11:59Doleiro do caso Banestado está foragido

Do blog do Rigon

O doleiro Paulo Roberto Krug está sendo procurado pelas autoridades policiais para dar início ao cumprimento de pena em regime fechado no sistema prisional do Estado.
Krug ficou conhecido por ser um dos poucos réus do Caso Banestado a ser definitivamente condenado pela Justiça, pois grande parte dos acusados teve a pena cancelada pela demora do processo.

Quase dez anos após ser denunciado pelo Ministério Público Federal no Paraná, o doleiro chegou a cumprir pena no regime semiaberto em 2013, condenado definitivamente a 4 anos, 9 meses e 18 dias por crimes financeiros praticados durante o escândalo.

Após progredir para o regime aberto, Paulo Roberto Krug teve nova prisão decretada em razão de condenação em outros processos, que unificaram a pena em mais de dez anos. Desta segunda condenação existe pendente o julgamento de Recurso Especial junto ao Superior Tribunal de Justiça. Contudo, em decorrência da nova orientação adotada pelo Supremo Tribunal Federal que possibilitou o início do cumprimento de pena após condenação por colegiado em segunda instância, o juiz de direito da 2ª Vara de Execuções de Curitiba determinou a regressão de regime de Paulo Roberto Krug, determinando o cumprimento imediato da pena no regime fechado, ou seja, dentro do sistema penitenciário, com a consequente expedição de mandado de prisão.

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11:35De fato e de ficção

por Ivan Schmidt

Leio um livraço na legítima acepção do termo, um tijolo de 589 páginas escritas pelo romancista cubano Leonardo Padura (O homem que amava os cachorros, Boitempo Editorial, SP, 2014), com tradução de Helena Pitta, excelente escolha para as horas de folga no feriadão de carnaval.

Frei Betto escreveu na primeira orelha que a obra do cubano, premiadíssima diga-se da passagem “é e não é uma ficção”, obviamente pelo fato de abordar um fato real, ou seja, a saga do espanhol Ramón Mercader, que após cumprir pena pelo assassinato de Leon Trostki na Cidade do México passou a viver como refugiado em Cuba.

Ao longo da narrativa, que é daquelas que magnetiza a atenção do leitor, Padura pormenoriza três histórias simultaneas: as de Trostki em seus variados períodos de exílio na Turquia, França, Noruega e finalmente no México; a do comunista Ramón Mercader, combatente republicano na Guerra Civil Espanhola, depois treinado para matar Trotski e a do hipotético narrador cubano Iván, que muito provavelmente poderia ser confundido com o próprio autor do romance.

Embora o autor não revele explicitamente é fácil detectar sua visceral antipatia por Stalin, a quem não poupa adjetivos depreciativos, ao mesmo tempo que descreve a pessoa do antigo comissário da Guerra e criador do Exército Vermelho como autêntico herói da Revolução de Outubro, perseguido com ódio mortal pelo “czar vestido de bolchevique”.

Despojado de todos os seus valores materiais (conseguiu salvar apenas os livros e manuscritos), Liev Davidovitch e sua mulher Natália Vedova primeiro foram banidos para o túmulo gelado de Alma-Ata, nos confins da Sibéria, junto à fronteira com a China.  Começava aí a peregrinação que teria continuidade nos torturantes exílios na Turquia, França, Noruega e Cidade do México, onde o profeta banido passaria seus últimos anos numa casa cedida pelo muralista Diego Rivera e sua mulher Frida Khalo, na povoação periférica de Coyoacán.

Tratado como inimigo número um pelo ditador Stalin, impedido de dar livre curso a suas ideias políticas e continuamente vigiado pela polícia dos governos que permitiram seu ingresso como exilado, mesmo assim Trotski conseguia comunicar-se com seus seguidores e simpatizantes na Europa e Estados Unidos, principalmente seu filho Liova, através da correspondência e dos pouquíssimos amigos que conseguiam burlar a vigilância e visitá-lo nas distantes residências em que era confinado, como o fiorde quase inacessível que o governo norueguês providenciou para que o desterrado se mantivesse amordaçado.

Referindo-se aos longos anos recheados de tormentos morais vividos por Trotski, Padura escreveu que “a hostilidade que o rodeava era infinita e poderosa, e seu principal conflito era com uma revolução que tinha feito triunfar e com um Estado que tinha ajudado a criar”.

A pressão exercida pela diplomacia stalinista sobre os governos dos países que concederam visto de entrada ao antigo líder da revolução, era de tal forma violenta, que a maioria deles simplesmente se negava peremptoriamente a tratar do assunto em suas chancelarias.

A concessão do visto pelo governo mexicano presidido à época pelo general Lázaro Cárdenas, mais tarde chamado de comunista, foi conseguida graças ao prestígio pessoal do pintor Diego Rivera, que inclusive cedeu parte de sua famosa Casa Azul para a habitação de Liev e Natália.

Foi também em Coyoacán que se reuniu a comissão de personalidades internacionais presidida pelo filósofo norte-americano John Dewey, com a finalidade de examinar em profundidade as acusações de traição, terrorismo e golpe contra seu governo – feitas por Stalin contra Trotski. É também desse período a trágica notícia da morte de Liova, um dos amados filhos de Trotski e Natália, que morava em Paris onde atuava como divulgador e editor dos livros e folhetos escritos pelo pai.

E, ainda, o aparecimento em cena do autômato stalinista Ramon Mercader, ou Jacques Mornard, o assassino treinado por Moscou para eliminar fisicamente Liev Davidovitch, que a essa altura da vida agitada e em constante vigília, já havia perdido todos os amigos e camaradas da atribulada aventura revolucionária.

Em novembro, ao completar 58 anos (20 anos da revolução), o aniversário de Liev “quase coincidida com o Dia dos Mortos, que os mexicanos celebram como uma festa para trazer os defuntos de volta à vida e levar os vivos a debruçar-se sobre o Além”, descreveu Padura ao informar que “Diego e Frida encheram a Casa Azul de caveiras vestidas das formas mais estranhas e construíram um altar, com velas e comidas para recordar os seus mortos”.

O dado instigante desse inusitado fervor religioso é que Liev Davidovitch “achou saudável aquela proximidade mexicana com a morte, porque os familiarizava com a única meta que todas as vidas partilhavam, a única de que não é possível escapar, mesmo contra a vontade de Stalin”.

O cerco de Ramón Mercader começava a apertar, mas o desfecho da história eu conto depois do carnaval.

9:28Enquanto isso, em Capiatá…

Hoje o time do Clube Atlético Paranaense enfrenta o Deportivo Capiatá, no Paraguai, pela Taça Libertadores da América. Precisa vencer para entrar de fato na competição, ou seja, nos grupos que estão formados. Longe das confusões da não realização do Atletiba de domingo e da proibição dos jogos do Campeonato Brasileiro de 2018 por conta do gramado sintético, a batalha pela classificação será difícil, mas não impossível. O jogo começa às 21h45 e será transmitido pela Rede Globo. Não se sabe se Helio Cury, presidente da Federação Paranaense de Futebol, vai assistir pela telinha.

 

9:12JORNAL DO CÍNICO

Do Filósofo do Centro Cínico

O sindicato dos professores vai tentando, de liminar em liminar na Justiça, acabar com as mudança na hora-atividade. Se conseguir, passará à luta para aumentar os rendimentos da hora-inatividade.

9:08IVAN LESSA

A cobra doente

Sentindo-se muito mal, a cobra mandou chamar o médico.

- O caso é muito sério – diagnosticou o médico. – Você está com febre. É melhor nem tentar ficar em pé por uns dias.

- Mas, doutor, eu não tenho pé – objetou a cobra.

- Neste caso, você terá de ficar em silêncio absoluto num quarto escuro – respondeu o médico. – A doença já progrediu mais do que eu esperava.

MORAL: Médico é fogo.