21:53TICIANA VASCONCELOS SILVA

Saltou do ônibus e a tarde já caíra para dar lugar às estrelas. Era uma noite comum, exceto pelo fato de ter dito adeus em mais uma dolorosa partida em sua vida. Olhou para cima. E lá estavam suas estrelas-guias alinhadas a seu olhar. Antes, ouvira Samuel Barber. Pensou nas guerras, na fome, no sofrimento. Firmou os pés e não sucumbiu ao que a fez perder o próprio chão. Viu anjos. Voltou ao lar, mas com o mar em seus pensamentos. Despedaçada, caminhou lentamente. Em busca de respostas, atenta aos sinais – e mais forte a cada crepúsculo. A alma, agora em suspenso, se assentou no fundo da dor. Libertou o pássaro sombrio da tirania e a fez ouvir o silêncio atmosférico de um lugar onde o espaço cede lugar ao inominável. Estava em paz, mesmo que a guerra contornasse os vazios das ausências. Simbologias, arquétipos, cosmovisões, mistérios, intuições, epifania. Desfez-se do medo da morte por aceitar a realidade em sua mais ambígua manifestação. O que é e não é. Veio de lá. Ali onde o inteligível é fonte de absorção de luz. E a casa dela não é mais o mundo. É o batimento cardíaco em ressonância com o amor boreal e periférico de um anjo que curou suas asas na queda de um abismo.

16:55Oui

Houve propina no acordo entre o Brasil e a França na aquisição de helicópteros e para construção de submarinos atômicos. A revelação foi feita pelo ex-ministro Antonio Palocci e a mutreta, segundo ele, foi selada entre os então presidente Lula da Silva e Nicolas Sarkozi numa reunião no Brasil em 2009. A parte mais fácil da negociata foi quando os dois presidentes disseram “oui”.

16:36Bolsonaro na pesquisa

Pesquisa XP/IPespe realizada de 11 a 13 de março:

- A avaliação positiva (ótimo e bom) de Jair Bolsonaro caiu de 40% para 37%, o mais baixo índice de um presidente em começo de mandato.

- O índice dos que consideram o governo ruim ou péssimo subiu de 17% para 24%.  A avaliação de regular continuou em 32%.

- 54% esperam uma gestão ótima ou boa (em fevereiro eram 63%). Quem prevê uma administração ruiu ou péssima foi a 20% (em feveriro era 15%).

16:22Quem tropica se trumbica

De Rogério Distéfano, no blogO Insulto Diário (http://www.oinsultodiario.com/)

O prefeito Rafael Greca soltou nota de desculpas à enfermeira municipal que ofendeu. Texto longo, derramado, meloso como compota. Mas só escreveu o prenome dela, omitindo o sobrenome – medo que a enfermeira se candidate a alguma coisa em cima da falseta do prefeito?  No entanto, deu o nome e sobrenome da enfermeira que é secretária municipal.

Rafael tropicou. Feito menino mimado, na resposta grosseira a simples ponderação da funcionária. Vaidoso e narcisista, ao omitir-lhe o sobrenome, falta de educação agravando a grosseria. No soluço do cérebro, quando atenua a ofensa a enfermeiros falando da enfermeira sua secretária – tipo o homofóbico que se defende dizendo ter amigos gays.

16:11A insubordinação e fixação

Do deputado federal Ricardo Barros, no twitter:

“Deltan Dalagnol está sendo INSUBORDINADO, insisto que há juízes e promotores honestos e comprometidos com o combate à corrupção em outros tribunais. A lava jato não tem o monopólio do juízo correto, tem fixação nos métodos da operação MÃOS LIMPAS que outros juízes não tem”

16:08Gustavo Fruet na comparação com Rafael Greca

Começou! Gustavo Fruet publicou hoje no Facebook o que promete ser o primeiro tiro contra a administração de Rafael Greca. Diz que vai postar comparações entre as duas administrações a partir de dados oficiais. “Iniciamos com a classificação de Curitiba no Ranking Nacional de Transparência da Controladoria Geral da União (CGU), já que esse é um critério fundamental para que a população possa avaliar a qualidade de uma gestão. Segundo mostra o gráfico, Curitiba era primeiro lugar em 2015 e agora está em terceiro.  Continue lendo

15:53Os salafrários

Quem fala de um sujeito honesto está, na verdade, falando de todos os outros sujeitos honestos. Eis a verdade: – nada mais parecido com um impoluto do que outro impoluto. Mas o salafrário, não: – existem, entre um salafrário e outro, abismos irredutíveis. Cada qual apresenta suas características pessoais, intransferíveis e inassimiláveis. (Nelson Rodrigues)

14:45Pedidos

No encontro de hoje entre o general Silva e Luna, diretor geral da Itaipu, e Ratinho Junior, o governador pediu: apoio para a abertura do corredor bioceânico ligando o Porto de Paranaguá ao de Antofagasta, no Chile, e a manutenção da distribuição dos royalties nos moldes atuais, quando tratado como Paraguai for revisado. Luna, que já tem treinamento político, pois foi ministro da Defesa do governo Michel Temer, respondeu mais ou menos assim, na tradução em brasileiro: “Veja bem…”

14:34Gleisi com Boca Aberta

Do twitter da deputada federal Gleisi Hoffmann, presidente nacional do PT

Agora pela manhã, na audiência pública sobre a Reforma da Previdência, na Assembleia Legislativa do Paraná, recebemos o deputado Boca Aberta (Prós/PR), que foi anunciar sua contrariedade com a Reforma e seu compromisso com povo trabalhador.

14:30Marielle e o bolsonarismo

por Celso Rocha de Barros

É bem fácil ser gentil quando morre um adversário político. O sujeito já morreu, não está mais disputando nada com você. O procedimento padrão é desejar condolências, dizer algo como “apesar de nossas divergências, sempre respeitei a firmeza com que lutou por seus ideais”, e ainda sair com cara de bom esportista.

A reação dos bolsonaristas diante do assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL-RJ) foi o oposto disso. É um negócio muito esquisito, inédito no Brasil e raríssimo no mundo.

No dia do assassinato, o presidente disse que não se manifestaria porque sua opinião seria muito polêmica. Os bolsonaristas entenderam a dica e foram para a internet espalhar mentiras sobre Marielle, como o de que ela teria sido namorada do traficante Marcinho VP. Ninguém que fez isso, até agora, foi preso. Têm que ser.

Dois bolsonaristas, Rodrigo Amorim e Daniel Silveira rasgaram uma placa com o nome de Marielle em um ato político na última campanha eleitoral —e se elegeram, respectivamente, deputado estadual e deputado federal.

Amorim guarda uma das metades da placa rasgada enquadrada em seu gabinete. Silveira participou de um ato, na última quinta-feira, que procurou atrapalhar uma homenagem a Marielle no Salão Verde da Câmara tocando uma gravação de latidos em alto volume. Os bolsonaristas mentiram que se tratava de um ato em defesa de animais maltratados.

O ato só não causou mais escândalo porque os passantes acharam que os bolsonaristas estavam reunidos assistindo a aula do Olavo.

Na verdade, a histeria é compreensível. Os bolsonaristas não querem que você discuta o assassinato de Marielle Franco porque não querem que você discuta milícias.

Lembre-se: o bolsonarismo é tão próximo das milícias que, quando o Vélez tentou fazer a garotada cantar o hino, temi que mudassem a letra para “Ouviram do Das Pedras as margens plácidas”.

O líder da milícia “Escritório do Crime”, Adriano Nóbrega, tinha mãe e esposa trabalhando no gabinete de Flávio Bolsonaro (e assinando cheques em nome do senador). Adriano Nóbrega, lembremos, recebeu a medalha Tiradentes na cadeia por iniciativa de Flávio, e foi homenageado no plenário da Câmara pelo atual presidente da República.No pedido ao STF (Supremo Tribunal Federal) que levou à suspensão da investigação contra Queiroz, Flávio Bolsonaro alegou ter foro privilegiado no Supremo e pediu a anulação das provas recolhidas pelo Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras). O ministro do STF Luiz Fux determinou nesta quinta-feira (17) a suspensão das investigações, mas não chegou a analisar o pedido para a anulação das prova

Há fortíssimos sinais de que o organizador de mutreta e bode expiatório da família Bolsonaro, Fabrício Queiroz, é enrolado com milícias. Flávio Bolsonaro, afinal, foi quem disse que a mãe e a mulher de Nóbrega lhe foram indicadas por Queiroz.

E recentemente descobrimos que nosso amigo Rodrigo Amorim, um dos que rasgou a placa de Marielle, tem foto no Instagram com Queiroz, a quem chamava de “irmãozão”.

Não, não há indícios de que a família Bolsonaro, Rodrigo Amorim ou Daniel Silveira estejam envolvidos no assassinato de Marielle Franco. Mas quanto mais as investigações prosseguirem, mas as milícias serão notícia; e, quanto mais aparecer milícia, mais vai aparecer bolsonarista em situação constrangedora.

Sim, pensei a mesma coisa que você: é incrível que um sujeito que alimentava a pretensão de ser presidente da República tenha se metido com essa gente. Mas aí é que está: quando se enfiou nessas histórias, nem Jair Bolsonaro era maluco o suficiente para acreditar que os brasileiros um dia votariam nele para presidente da República.

* Servidor federal, é doutor em sociologia pela Universidade de Oxford (Inglaterra).

** Publicado na Folha de S.Paulo

 

14:16Sérgio Rodrigues é o escritor na Biblioteca Pública do Paraná

Do jeito que veio

Sérgio Rodrigues participa amanhã do projeto Um Escritor na Biblioteca 
O escritor e jornalista Sérgio Rodrigues é o primeiro convidado da temporada 2019 do projeto Um Escritor na Biblioteca. O bate-papo, com mediação do jornalista Jonatan Silva, acontece no dia 19 de março, às 19h, no auditório da Biblioteca Pública do Paraná. Até o final do ano, outros sete autores participam dos encontros. A entrada é gratuita.
Mineiro de Muriaé, Sérgio Rodrigues nasceu em 1962 e está radicado no Rio de Janeiro (RJ) desde 1980. Autor dos romances Elza, a garota (reeditado no ano passado) e As sementes de Flowerville (2006), em 2014 venceu o Prêmio Portugal Telecom com O drible. Além das narrativas longas, publicou os contos de Sobrescritos (2010) e O homem que matou o escritor (2000).
Como jornalista, atuou em alguns dos principais veículos da imprensa brasileira, como Jornal do Brasil O Globo. Atualmente assina coluna no jornal Folha de S.Paulo. Afora seu trabalho ficcional, é organizador de Cartas brasileiras (2017), que reúne correspondências que marcaram o país, e autor do almanaque Viva a língua brasileira! (2016).

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12:56O caminho de Langley

De Rogério Distéfano, no blog O Insulto Diário

Em Washington, Jair Bolsonaro fez o ‘caminho de Langley’, sua primeira visita, à CIA, a agência de espionagem, golpes, contragolpes, insurgência e contrainsurgência dos EUA.

Nada de Capitólio, Corte Suprema, monumentos de Jefferson, Lincoln ou mesmo ao cemitério de Arlington, sedes emblemáticas da histórica vocação dos EUA pela liberdade.

Entre a CIA e o Brasil só existe um vínculo, e não é o da liberdade. É o do golpe de 1964, contra a liberdade. Na peregrinação à CIA, Bolsonaro foi acompanhado entre outros pelo ex-Sergio Moro.

Salvo, só do conduto

O ministro Gilmar Mendes deu mais um salvo-conduto para Beto, Fernanda e Marcelo Richa não serem presos. O salvo-conduto impede a condução para a cadeia. Mas o salvo-conduto de Gilmar não põe Beto, Fernanda e André Richa a salvo de vaias, escrachos e ovadas em Curitiba e Região Metropolitana.

Uma coisa é Gilmar Mendes cuspir no povo curitibano. Ele pode, está lá no bunker do Supremo, protegido de ataques do cabo e do soldado. Outra coisa é Beto e família cuspirem no povo curitibano. Aqui eles estão na mira dos esquadrões coxinhas, em aliança ocasional com o exército do Stédile. Beto abusou, tirou partido de nós, abusou…

Em Curitiba, Beto e família não estão a salvo, nem com carro de vidro fumê, nem com guardachuvas vendidos nas esquinas. Quanto a Gilmar Mendes, tem aquela história do marechal Floriano, que perguntou uma vez quem um dia daria habeas corpus – o irmão mais velho do salvo-conduto – aos ministros do Supremo.