18:14O que vem por aí

De Ernesto Henrique Fraga Araújo, futuro ministro das Relações Exteriores escolhido por Jair Bolsonaro, se apresentando em seu blog  Metapolítica 17:

“Sou Ernesto Araújo. Tenho 28 anos de serviço público e sou também escritor. Quero ajudar o Brasil e o mundo a se libertarem da ideologia globalista.

Globalismo é a globalização econômica que passou a ser pilotada pelo marxismo cultural. Essencialmente é um sistema anti-humano e anti-cristão. A fé em Cristo significa, hoje, lutar contra o globalismo, cujo objetivo último é romper a conexão entre Deus e o homem, tornado o homem escravo e Deus irrelevante.

O projeto metapolítico significa, essencialmente, abrir-se para a presença de Deus na política e na história”.

Então, tá.

13:07A língua de Bolsonaro criou o “Menos Médicos”

Do Analista dos Planaltos

O episódio do encerramento antecipado do contrato que o Ministério da Saúde mantinha com Cuba, para que a ilha caribenha mantivesse mais de 8300 médicos trabalhando no Brasil, mostra o risco que corremos quando emitimos opiniões sem ter o real conhecimento do que levou uma autoridade a tomar uma ou outra decisão.

Uma máxima bem diz que não existe solução simples para problemas complexos – e o Programa Mais Médicos é um excelente exemplo dela.

O presidente eleito Jair Bolsonaro, que é mestre em achar que tudo se resolve no grito – e com simplicidade, saiu disparando contra o Mais Médicos como se o programa existisse somente para “mandar dinheiro para financiar a ditadura cubana”.

Com simplicidade criou um problema complexo, uma vez que a saída desses médicos criará um problema muito maior do que se de fato fosse para “financiar a ditadura cubana”.

O programa criado no Governo Dilma Rousseff só não foi interrompido no governo Temer pelo então ministro da saúde Ricardo Barros, porque os médicos cubanos são uma necessária e econômica solução para um problema grave e complexo.

O que certamente Bolsonaro não sabia é que o Brasil tem muitos médicos nos grandes centros e poucos médicos em locais mais distantes. Nas periferias das grandes capitais também não há médicos. Isso ocorre porque os profissionais, mesmo os recém formados, não se dispõem a sair para locais menos privilegiados. Mesmo para ganhar altos salários, preferem ficar próximos de locais com infraestrutura urbana melhor, com tudo o que o conforto lhes podem oferecer.

Diante disso, não é incomum cidades do interior com pouco atrativos oferecerem salários bem acima do mercado – e ainda assim não conseguem interessados em prestar seus serviços profissionais.

Alguns municípios do norte e nordeste chegaram a abrir concurso para médicos com salários de R$ 33 mil por 6 horas de jornada, mas ninguém se candidatou. Os médicos brasileiros não querem ir para locais ermos e também não querem locais com menor infraestrutura ou menos segurança .É importante dizer que a bolsa dos profissionais cubanos é de pouco mais de R$ 11 mil e que a população atendida por eles os aprova sem restrições.

Esse sim foi o motivo da bem sucedida iniciativa do governo Dilma – que poucas boas iniciativas teve -, e continuado pelo governo Temer sempre com a interveniência da OPAs – Organização Pan Americana de Saúde.

Bolsonaro, muito pouco informado sobre a questão, disparou e criou para si e para população um enorme problema que não irá se resolver com simplicidade. Sairá caro para a administração pública e mais caro ainda para queles que vão precisar de médicos do sistema governamental.

Outra máxima diz que Deus deu duas orelhas e somente uma boca para o ser humano. Motivo: para que ele ouça mais e fale menos.

Talvez no dia-a-dia real de quem sofrerá para administrar esse país, Bolsonaro aprenderá que essa máxima deve ser seguida.

Se o governo de Cuba não oferecer um prazo razoável – pelo menos 6 meses - para substituição dos seus médicos que hoje integram o Programa Mais Médicos, varias centenas de cidades brasileiras ficarão sem os profissionais. Isso quer dizer que mais de 24 milhões de brasileiros ficarão sem atendimento de um profissional médico.

Dura lição para quem tem a língua maior que a o conhecimento e que sai falando do que pouco sabe. O triste é que quem vai pagar o castigo dessa lição não é o dono da língua, mas muitos dos que votaram no dono dela.

Vale esperar que essa lição não traga maiores consequências para a população que mais necessita e, também, que sirva para que antes de fazer ele venha analisar melhor suas assertivas de soluções milagrosas para problemas complexos.

Melhor pensar bem, planejar melhor antes de implantar a extinção da progressão do regime de penas, do encerramento do Ministério do Trabalho, da liberação das armas, do abatimento sumário por snipers dos que carregam fuzis, da escola sem partido, entre tantas outras opiniões jogadas ao léu e ditas exaustivamente pelo novo presidente e também por seus ministros.

10:53Vacina

O general Fernando Azevedo e Silva, futuro ministro da Defesa, disse que as Forças Armadas estão vacinadas quanto à política. Ok, mas se na próxima dose alguém espetar errado a agulha, o Urutu pode ficar descontrolado.

9:33O clone poliglota

De Rogério Distéfano, no blog O Insulto Diário (http://www.oinsultodiario.com/)

Bolsonaro superou a si mesmo. Escolheu seu clone poliglota para ministro das Relações Exteriores. Alguém até mais radical que ele. Leiam o blog do embaixador Ernesto Araújo, o futuro ministro, que faz os criadores do Itamaraty e sua tradição de excelência, Visconde de Cabo Frio e Barão do Rio Branco, revirarem-se nas covas. O novo ministro vai derrubar Nicolás Maduro no berro.

Pato manco, tetraplégico

O Brasil faz o superlativo do superlativo. Ou o comparativo-superlativo. Aqui o pior tem o mais pior. Também gosta de imitar os gringos. Mas naquele estilo de quem, sem dinheiro para comprar na GAP de Miami, compra o parecido no marreteiro da esquina, aquele quase igual que aplaca a frustração.

Michel Temer imita os gringos, que identificaram o presidente lame duck, ou pato manco, aquele que vê sua influência esvaziar no ano final do mandato. Exemplo: o boquirrotismo de seu sucessor, que desmonta as ações de seu governo, como fez agora com o convênio do Mais Médicos com Cuba.

Como resultado, grande parte dos eleitores do PT e beneficiários dos programas sociais de Lula/Dilma/Temer ficam sem assistência médica. Temer e Bolsonaro fazem mais uma imitação dos gringos, imitação superlativa: lá, Temer seria um pato manco; aqui, graças a Bolsonaro, é o pato tetraplégico. 

Lula, um Monte Cristo

Se querem manter Lula preso, por que não o mandam cumprir a pena com os demais condenados da Lava Jato, no Complexo Penitenciário de Pinhais? O cara fica sozinho, dias a fio, num gabinete improvisado como cela na delegacia da polícia federal. Parece pena acessória, agravante, uma solitária de luxo.

Se é preso comum, ao contrário do que querem os petistas, que vá para prisão comum, o Complexo de Pinhais. Isso de manter o ex-presidente na delegacia fará dele mais que vítima, santo, símbolo da injustiça. Vai fazer dele um Conde de Monte Cristo. Com uma vantagem sobre o conde original: não precisa fugir para recolher o tesouro.

9:13Com tantas idas e vindas, Bolsonaro transforma a transição política em várzea

por Uirá Machado

Toda transição de governo tem um quê de janela de transferência de futebol: se nesta os dirigentes e empresários tentam forçar compras e vendas de jogadores, naquela os correligionários e conselheiros procuram emplacar nomes de seu agrado ou ostentar uma influência de que nem sempre desfrutam.

Nunca foi fácil fazer jornalismo nesses momentos. Muitas negociações são mera especulação e jamais chegariam a bom termo, mas tantas outras de fato existem e, por razões diversas, terminam frustradas.

Como nesses dois casos o resultado é o mesmo (uma transação que não se concretizou), o cartola e o político sentem-se à vontade para acusar o jornalista de fabricar fake news, mesmo quando em sua apuração ele tenha seguido à risca os melhores manuais da profissão.

O veículo de comunicação que quiser evitar esse ataque só tem uma saída: noticiar apenas as transações consolidadas. É uma estratégia segura, sem dúvida, mas também covarde e impensável para qualquer publicação que leve a sério o ofício de manter seus leitores informados.

Para ficar em somente um exemplo, torcedores e eleitores podem querer protestar antes de uma determinada contratação ser efetuada.

Essas dificuldades costumeiras só aumentam diante de políticos como Jair Bolsonaro. Desafiando preceitos lógicos bem estabelecidos desde a Antiguidade clássica, o presidente eleito diz uma coisa, em seguida declara o seu contrário e espera estar certo nas duas afirmações.

Ainda não está claro se ele age dessa forma de caso pensado ou se o caso é de falta de pensamento, mas já se sabe que, com o perdão de quem lamenta a profissionalização do futebol, a transição está uma várzea.

Seja como for, o jornalismo profissional ganha em importância. O leitor que depender apenas das declarações oficiais de Bolsonaro terá menos chance de saber se ele está indo ou voltando em sua afirmação ou de conhecer as desvantagens de uma proposta apresentada como se fosse a salvação da lavoura.

*Publicado na Folha de S.Paulo

8:31Cadê o sobrenome, Jorge?

O leitor que assina os comentários como Jorge não se incomodava em colocar o sobrenome até há pouco tempo. Não se escondia, portanto. Agora…. o sobrenome sumiu. O que será que aconteceu? Recomendação da filha ou vergonha de tanta bobagem que escreve?

8:12JORNAL DO CÍNICO

Do Filósofo do Centro Cívico

Lula está ficando velho. Invenção por invenção, ontem, em vez de colocar Sergio Moro abraçado a Alberto Yousseff, deveria atirar certo e dizer que o juíz que o condenou no caso do tríplex é amigo desde criancinha de Jair Bolsonaro.

8:08Lula perdeu o rebolado com a juíza Gabriela Hardt

A juíza federal Gabriela Hardt enquadrou direitinho o ex-presidente Lula durante o interrogatório de ontem sobre o sítio de Atibaia. Ela foi muito mais contundente do que Sergio Moro. a quem substitui, quando o atual presidiário afirmou que este era amigo do doleiro Alberto Yousseff e que convocaria todos os petistas militantes para entrar com ações contra o Ministério Público. Se alguém não notou, é bom registrar: Lula perdeu a fala e o rebolado com o pito. O discurso político do líder petista está cada vez mais fraco – e o terno bem cortado e a gravata vermelha que ostentava era como se ele ainda fosse “o cara” a quem se referiu Barack Obama. Não é mais. Ontem, quem tomou conta da cena, exercendo com firmeza sua função em busca da verdade, foi a juíza. Lula agora deve estar refletindo sobre o que aconteceu – e como de bobo não tem nada, trançando estratégia para não se afundar mais dentro da cela.

7:50O homem que reinventou os quadrinhos

StanLeeHomemAranha

Stan Lee e O Homem Aranha

por Célio Heitor Guimarães 

Stan Lee, que faleceu na segunda-feira, aos 95 anos de idade, não foi apenas o editor e roteirista de quadrinhos que criou centenas de personagens, até hoje cultuados por milhões de leitores de gibis e espectadores de cinema em todo o mundo. Lee foi muito mais do que isso: ele humanizou os super-heróis, aproximando-os dos seres comuns.

Até o início da década de 60, super-heróis eram figuras não apenas poderosas, mas também inatingíveis, invencíveis, incapazes de sofrer danos e, por isso, praticamente, imortais. Com Stan Lee, tudo mudou. E ele revolucionou o mundo dos comics books. Super-herói passou a ter dor de estômago, apanhar do adversário, cair em depressão, ter problemas de falta de dinheiro – igual a todos nós.

“Eu estava cansado de escrever roteiros simplistas, com palavras que jamais excediam duas sílabas…” – como regista Roberto Guedes em “Stan Lee – O Reinventor dos Super-Heróis”, Editora Kolaco, 2012. Então, Lee disse à esposa: “Vou cair fora!”. Joan interveio com o bom-senso feminino: “Ora, Stan, você sempre disse que gostaria de escrever histórias diferentes. Então, por que não faz isso e edita uma revista do jeito que você quer? O pior que pode acontecer é o (editor) Martins te demitir. Mas você já quer pular fora de qualquer jeito…”. Daí nasceu o Universo Marvel. “Tudo por culpa da minha mulher!” – pontua o quadrinhista.

O Quarteto Fantástico foi a primeira experiência, em “Fantastic Four” # 1, lançado em novembro de 1961. Um grupo de heróis bem diferente dos tradicionais, sem uniformes vistosos e identidades secretas. Além do que, o cientista Reed Richard, sua noiva Sue Storm, o irmão mais novo dela, Johnny, e um piloto de caças, Bem Grimm, têm endereço conhecido, no alto do edifício Baxter, em Manhattan. Durante a corrida espacial, em uma missão suicida, os quatro acabam expostos a misteriosos raios cósmicos. Resultado: Reed virou o Senhor Fantástico, capaz de esticar o corpo; Sue transforma-se na Garota Invisível; Johnny vira uma nova versão do velho herói dos anos 40 Tocha Humana; e Bem vira o Coisa, um ser rochoso de cor alaranjada.

O sucesso foi imediato. E, como diz Guedes, Stan Lee “sacou que tinha dinamite nas mãos”. Resgatou do ostracismo Namor, o Príncipe Submarino”, e, em parceria com o desenhista Jack Kirby, lançou o Incrível Hulk (maio de 1962). Em seguida, o Poderoso Thor (agosto de 1962), inspirado na mitologia nórdica, O Homem de Ferro (março de 1963) e Doutor Estranho (julho de 1963). Reunindo todo mundo, mais o diminuto Homem-Formiga e Vespa, surgiram Os Vingadores, e em março de 1964 foi revivido o Capitão América, não mais o super-soldado congelado num iceberg, mas um homem deslocado no tempo. Depois, vieram Nick Fury, O Falcão e o primeiro super-heróis negro, o Pantera Negra (nova criação com Kirby). Aí foi a vez dos X-Men, jovens que já nasceram com superpoderes, supervisionados pelo cientista mutante e telepata Charles Xavier, e do Demolidor (abril de 1964), bolado por Lee em parceria com o desenhista Bill Everett.

Em março de 1966, nasceria um dos mais extraordinários personagens da dupla Lee/Kirby: O Surfista Prateado, que surfava pelos céus numa prancha voadora. Arauto de Galactus, o devorador de planetas, a criatura logo rebelar-se-ia contra o criador e se tornaria exilado na Terra, atormentado pela prisão e temido e odiado pelos terráqueos. Uma obra-prima.

No entanto, a grande criação de Stan Lee foi e continuará sendo sempre O Homem-Aranha, vivido por Peter Parker, uma figurinha sem graça, sem amigos, vítima de bullying na escola, sem emprego fixo e sem dinheiro, com imensos óculos e uma tia velha para cuidar. Tudo ia nesse ritmo até que, durante uma exibição científica, uma pequena aranha contaminada por radioatividade pica o jovem, que passa a exibir habilidades idênticas às do aracnídeo: força e agilidade, uma espécie de sexto sentido e a capacidade de escalar prédios e andar pelas paredes.

O personagem, como achavam os editores, tinha tudo para dar errado. Era a antítese de um super-herói. Só que deu certo. E como! Um dos motivos foi a arte de Steve Ditko, que conferiu um visual de fragilidade e mistério ao personagem. E com o Homem-Aranha, Stan pode questionar instituições como a família, a escola, o trabalho, a imprensa e até mesmo o modelo capitalista, personificado pelo editor de “O Clarim Diário”, J. Jonah Jameson.

Muito ainda se poderia dizer sobre Stan Lee, que nasceu Stanley Martin Lieber, em 28 de dezembro de 1922, em Nova York, EUA. Infelizmente, o espaço é curto.

Acrescente-se, então, apenas, que o roteirista vinha enfrentando ultimamente uma série de problemas de saúde, além de conflitos com seu empresário, a respeito do gerenciamento de seus bens e de sua herança. Faleceu na manhã de 12 de novembro, no hospital Cedars-Sinai Medical Center, de Los Angeles, na Califórnia, deixando uma filha, Joan Celia Lee. A esposa Joan havia falecido em julho de 2017.

A DC Comics, a grande concorrente da Marvel, postou uma derradeira homenagem a Stan Lee em seu site: “Ele mudou a forma como vemos os heróis, e os quadrinhos modernos sempre carregarão sua marca indelével. Seu contagiante entusiasmo nos lembra por que nos apaixonamos por essas histórias em primeiro lugar. Excelsior, Stan!”

19:34JAMIL SNEGE

Às vezes lamento minha
má sorte – e o que me espera
em seguida é um dia luminoso.
Às vezes bendigo minha
fortuna – e logo após um
furacão desaba sobre minha cabeça.
Brincas comigo, Senhor?
Ou será que devo lamentar
a minha fortuna e bendizer
a má sorte como se o avesso
e o direito fossem iguais
para ti?

19:25ZÉ DA SILVA

O mergulho foi perfeito. Na fossa aberta dentro da prisão sórdida. Por que a cena de “Mimi o Metalúrgico” nunca saiu do registro mental? Ali, suicídio. Aqui eu penso também na força sobre-humana do personagem vivido por Giancarlo Giannini, obrigado a desempenhar dentro da sargentona alemã gigante – para fugir da morte certa. Viver é preciso. Seria esse mesmo o filme? Se não for, é, porque sei que a diretora Lina Lina Wertmüller jogou isso e muito mais nas telas do mundo. Agarrei estes pedaços para navegar num mar que é de pedras que cortam a alma até que ela, esfiapada, desapareça num bafo de calor infernal. Claro que não sou pessimista. É o dia, é a semana, é o mês, é o ano a me empurrar para a casca de banana enquanto ouço a picareta abrindo na terra o buraco para o encontro final – com os vermes. Não falei que era o dia? Que passa, como na música de Nelson Ned, o que se afundou no pó e morreu evangélico. Amanhã tem sol, alguém vai dizer uma coisa boa, vou tentar fazer embaixadinhas com uma bola, um acorde musical poderá me puxar e me empurrar para dentro do mar verde dos meus olhos. O mergulho… o mergulho…