14:45Lá e cá

Do analista dos Planaltos

A maioria dos servidores públicos gaúchos não terá reajuste em 2017, conforme prevê a LDO aprovada pelos deputados estaduais dos pampas. Aumento só para o time da segurança pública, conforme acordo anterior. Por lá, os parlamentares também resolveram congelar o dinheiro que é repassado para o Judiciário e Ministério Publico. Por aqui, ninguém quer peitar os desembargadores, promotores, procuradores e conselheiros. Assim, TJ, MP, TCE e a própria Alep continuarão a receber seus duodécimos com a parcela do Fundo de Participação dos Estados (FPE). Só isso representa R$ 460 milhões no ano que vem. 

14:40Scotty Moore, adeus

Da Reuters

Scotty Moore, guitarrista de Elvis Presley, morre aos 84 anos

Músico pioneiro do rock fez parte da banda original de Elvis. Ele gravou músicas famosas como ‘Heartbreak hotel’ e ‘Hound dog’.

Scotty Moore, guitarrista de rock pioneiro conhecido principalmente por ter sido membro da banda original de Elvis Presley, morreu na terça-feira, aos 84 anos, disse o jornal Memphis Commercial-Appeal.

Moore, que tocou no primeiro sucesso de Elvis, “That’s All Right” (“Mama”) e em outras canções famosas como “Heartbreak Hotel” e “Hound Dog”, morreu em Nashville depois de passar meses com a saúde frágil, segundo o jornal.

“Perdemos uma das melhores pessoas que já conheci hoje”, disse Matt Ross-Sprang, engenheiro de som do Sun Studio de Memphis, no Instagram. “O guitarrista que mudou o mundo… especialmente o meu; espero que você não se importe se eu continuar roubando suas frases musicais”.

Moore, que nasceu em Gadsen, no Estado norte-americano de Tennessee, e começou a tocar guitarra aos oito anos, foi recrutado para a banda de Elvis pelo lendário produtor Sam Phillips em 1954, de acordo com a revista Rolling Stone.

Foi essa banda, que foi apelidada de Blue Moon Boys e incluía o baixista Bill Black e o baterista D.J. Fontana, que tocou com Elvis durante a maior parte da década seguinte nas canções que lhe renderam o título de Rei do Rock ‘n’ Roll.

As cerimônias fúnebres de Moore, que foi incluído no Hall da Fama do Rock ‘n’ Roll em 2000, estão agendadas para a quinta-feira em Humboldt, no Tennessee, informou o Commercial-Appeal.

13:53Atletiba depois da novela

por Sergio Brandão

Digo sempre que Atletiba tem cheiro de domingo, de frango com macarronada, seja onde for – mas precisa ser jogado no domingo à tarde pra ser um legítimo Atletiba.

Domingo que começa no sábado, com camisas verdes e brancas e vermelhas e pretas pelas ruas, de bandeiras pra fora dos carros, que passam buzinando. De vendedores ambulantes espalhados pelas esquinas próximas ao estádio.

De cambistas – “direto sem fila”! – diziam eles. Da provocação sadia das torcidas se enfrentando na Boca Maldita, medindo força, mas só no grito, sem força bruta. Na verdade o Atletiba começava no domingo anterior, no colégio, com provocações permitidas só no recreio. As duas torcidas tinham o direito de gritar. Depois, só os vencedores. Os perdedores procuravam no calendário o próximo encontro.

Atletiba da torcida do Atlético desfilando pelo centro da cidade com um elefante recém chegado à cidade, vestido de vermelho e preto, que naquele clássico o Coxa venceu com gol de Passarinho, um ponta direita veloz. Durante meses os vermelhos ouviram o canto: “Um elefante incomoda muita gente, um passarinho incomoda muito mais”!

Desde que o Coritiba fechou contrato com o Esporte Interativo, não joga mais domingo à tarde. Agora só nos horários das 21:45, 21:30, 19:30.  Domingo ou é às 11 da manhã ou às 19:30 horas, mas nunca às quatro, horário nobre do futebol aos domingos. Talvez porque não é mais nobre faz muito tempo.

Hoje quem comanda Atlético ou Coritiba nem sabe o que foi isso – e provavelmente também nunca levou em conta estas histórias.

Lembro de Alex, quando na polêmica entrevista afirmou que a Globo manda e a CBF organiza o Campeonato Brasileiro. É verdade. Acabaram fazendo disso programação de tv.

Hoje, Atletiba não só é mais um artigo qualquer, dentro de um calendário sofrível, como ainda virou um produto qualquer dentro de uma grade de programação de uma emissora de televisão. Vale menos que a novela das 8, porque precisa começar depois que ela termina.

Para os menos avisados, o primeiro Atletiba deste brasileiro de 2016, valendo pela décima segunda rodada, é hoje, quarta-feira, às 21 horas, no Couto Pereira. Se preferir, os dois clubes oferecem aos seus torcedores o jogo pelo PFC.

Pra eles acho que tanto faz se você vai ao estádio ou prefere ficar em casa assistindo pela tv.

11:49Gaeco faz operação contra fraudes em licitações de transporte coletivo

Do Paraná Online

Fraudes em licitações do transporte público de Guarapuava, na região central do Estado, foram alvos de uma operação desencadeada pelo Grupo Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), na manhã desta quarta-feira (29). Seis mandados de prisão, 29 de conduções coercitivas (quando a pessoa é conduzida para ser ouvida na mesma data) e 53 ordens de busca e apreensão em empresas e residências, foram cumpridos inclusive em Curitiba.

A investigação também apura a existência de organização criminosa no segmento de concessão de transporte coletivo urbano. A operação, feita em parceria com o Grupo Especializado na Proteção do Patrimônio Público e no Combate à Improbidade Administrativa (Gepatria) de Guarapuava, investiga ainda a possibilidade de corrupção ativa e crimes contra a ordem econômica.

Um dos alvos da ação é uma das empresas da família Gulin. A família controla quase 70% das ações das empresas que compõem os três consórcios que operam o transporte público em Curitiba, mas essas concessões não estão entre os alvos da operação.

Os mandados foram expedidos pelo Juízo da 1ª Vara Criminal de Guarapuava. Além de Curitiba, o cumprimento das medidas foi feito em Guarapuava, Foz do Iguaçu, Maringá e Ponta Grossa e Curitiba, no Paraná. Cidades de Santa Catarina, São Paulo e no Distrito Federal, com apoio do Gaeco desses locais, também foram alvos da operação.

Atuação antiga

As investigações começaram em 2013, mas de acordo com o Gaeco, indícios apontam que o grupo agia desde 2009. O MP descobriu que empresas representadas por um advogado específico eram habilitadas e venciam licitações onde a empresa Logitrans e o escritório do advogado atuavam na elaboração dos editais.

De acordo com as investigações, os problemas começaram no DF, quando deputados distritais questionaram o consórcio de uma empresa curitibana que venceu a licitação da capital federal e as dúvidas foram levantadas. As investigações descobriram que integrantes de empresa de engenharia especializada em transporte coletivo, advogados e representantes de empresas de ônibus formavam o grupo criminoso, que usava “laranjas” e sociedades complexas para ocultar a existência do grupo econômico.

Conforme noticiou a rádio Band News FM Curitiba, no ano passado, ministérios públicos do Distrito Federal e das cidades de Guarapuava e Apucarana confirmaram a investigação de um suposto esquema de favorecimento em licitações a empresas de transporte público gerenciadas pela família Gulin no Paraná, e Constantino, que controla a companhia aérea Gol.

Mais crimes

Os investigados são suspeitos ainda de aliciar agentes públicos para a prática dos crimes. Com a participação dessas pessoas, o grupo obtém meios de remunerar ilicitamente, com dinheiro público, a organização das fraudes concorrenciais, contratando componentes do grupo criminoso para prestar assessorias simuladas ou substituir comissões de licitação.

9:29O sofrimento humaniza

por Tostão

…Muitas pessoas que não acompanham diariamente o futebol, além de muitos torcedores e jornalistas esportivos, possuem uma opinião simplista de que um craque como Messi assume a responsabilidade e define, quando bem entender, brilhar e fazer seu time ganhar. Quando perde, é porque foi indeciso, frouxo, fraco, como se o futebol fosse uma disputa individual e não houvesse dezenas de fatores envolvidos no resultado e na atuação dos jogadores e das equipes.

Após a cobrança dos pênaltis, Messi, amargurado, com a cara mais triste que vi de um jogador após uma derrota, como se tivesse perdido um filho, sentiu-se culpado por não ter feito a Argentina vencer, como era cobrado, e disse que a seleção não era para ele, como se pedisse perdão pelo fracasso. Nunca tinha visto um ídolo tão frágil, abalado e destruído.

O sofrimento demonstrado por Messi parece ter despertado nos argentinos, pelas reações, a compreensão de seu esforço em fazer o melhor e, principalmente, a percepção de que ele não é o craque frio e distante da seleção e do país, como muitos achavam. O sofrimento humaniza o ser humano.

Todos os grandes atletas, de todos os esportes, têm grandes derrotas, como a de Pelé no Mundial de 1966, na eliminação do Brasil, na primeira fase, para Portugal. Existe uma conhecida imagem de Pelé, abatido, saindo do gramado sem a camisa da seleção, com um sobretudo colocado por um inglês, funcionário do estádio. Todos os grandes atletas, após grandes derrotas, sentiram-se fracassados, com vontade de não jogar mais, por causa da pressão de serem sempre os melhores, os atletas perfeitos.

A solidariedade e o carinho que os argentinos têm mostrado com Messi, muito maior que o que ele esperava, podem mudar sua decisão de não jogar mais pela seleção. Tomara! Espero vê-lo no Mineirão, em novembro, contra o Brasil, pelas Eliminatórias da Copa.

Os sonhadores já imaginam um final feliz, com a Argentina campeã do mundo e com Messi fazendo um maravilhoso gol na final. Isso não combina com o tango, um pensamento triste, que nunca poderia dar certo.

*Publicado na Folha de S.Paulo

8:29PF deflagra operação contra tráfico de drogas em três Estados

Da Folha.com

A Polícia Federal do Paraná deflagrou nesta quarta-feira (29) a Operação Quijarro, focada na desarticulação de uma organização criminosa internacional de tráfico de drogas e lavagem de dinheiro nos Estados do Paraná, Mato Grosso do Sul e São Paulo.

Policiais Federais cumprem 81 mandados judiciais, sendo 14 de prisão preventiva, 17 de busca e apreensão em imóveis, 43 de busca e apreensão de veículos e 7 de condução coercitiva nas cidades de Londrina e Araucária (PR), Corumbá (MS), Martinópolis, Presidente Prudente e São Paulo.

O nome da operação é Quijarro porque a droga entrava no Brasil pelo porto de mesmo nome, que fica na Bolívia e faz fronteira com Corumbá (MS).

A Polícia Federal agiu em cooperação com a polícia boliviana, que prendeu alguns dos traficantes mais procurados daquele país, responsáveis pelo ingresso de duas toneladas de cocaína por mês no Brasil. Segundo investigadores, a cocaína era transportada em caminhões com fundos falsos.Segundo as investigações, que começaram em janeiro de 2015, um grupo que organizava a logística do transporte da cocaína estava instalado em Londrina, e tinha ramificações no Brasil, Bolívia, Colômbia e Espanha. Continue lendo

8:15Enquanto isso, na República de Londrina…

Do correspondente em Brasília

A dupla Assad Jannani e Agnaldo Rosa, ex-diretores da COHAB de Londrina na gestão do notório Antonio Belinati, foram novamente denunciados pelo Ministério Público local  - e mais o ex-vereador de Irati Roberto Sass, dono da Construtora Grande Piso e que pertenceu aos quadros do extinto PRN (a Justiça aceitou a denúncia e está processando-os). Os dois primeiros já são investigados na Operação Gafanhoto por participarem do desvio de dinheiro da folha de pagamento da Assembleia Legislativa do Paraná quando assessoravam o deputado Homero Barbosa Neto (PDT). Agnaldo Rosa já foi condenado também como secretário de Barbosa, na gestão da prefeitura de Londrina, quando foram processados e cassados. Barbosa e Assad (irmão do falecido e notório José Janene) já foram candidatos a prefeito e vice em 2000 e hoje são radialistas (Dr. Assad na Rádio Paiquerê FM e Barbosa Neto na sua rádio e ainda contratado da TV Record). Reportagem publicada na Folha de Londrina mostra a influência de Janene nos seus primórdios de corrupção  (http://migre.me/uer4i )O parceiro Roberto Sass foi levado pelas mãos de Janene a outro personagem nacional – Eduardo Cunha (então do PRN carioca), no governo do Rio de Janeiro: http://migre.me/uer5Z e http://migre.me/uer6l e http://migre.me/uer6S .Mas a notícia ruim é que se em Londrina demora-se 17 anos para julgar uma ação de improbidade a de Cunha foi prescrita pelo foro privilegiado - http://migre.me/uer7d

 

7:30Há golpe

por Elio Gaspari

No sábado, dia 25, a senadora Rose de Freitas, líder do governo de Michel Temer no Senado, disse o seguinte: “Na minha tese, não teve esse negócio de pedalada, nada disso. O que teve foi um país paralisado, sem direção e sem base nenhuma para administrar.”

Na segunda-feira, dia 27, a perícia do corpo técnico do Senado informou que Dilma Rousseff não deixou suas digitais nas “pedaladas fiscais” que formam a espinha dorsal do processo de impeachment. Ela delinquiu ao assinar três decretos que descumpriam a meta fiscal vigente à época em que foram assinados. Juridicamente, é o que basta para que seja condenada por crime de responsabilidade. (Depois a meta foi alterada, mas essa é outra história.)

Paralisia, falta de rumo e incapacidade administrativa podem ser motivos para se desejar a deposição de um governo e milhões de pessoas foram para a rua pedindo isso, mas são insuficientes para instruir um processo de impedimento. Como diria o presidente Temer: não “está no livrinho”.

Se uma coisa tem o nome de julgamento, ela precisa guardar alguma semelhança com um julgamento, mesmo que a decisão venha a ser política.

Durante a ditadura, parlamentares perdiam seus mandatos em sessões durante as quais, em tese, era “ouvido” o Conselho de Segurança Nacional. Nelas, cada ministro votava. Ninguém foi absolvido, mas o conselho era “ouvido”. Tamanha teatralidade teve seu melhor momento quando o major-meirinho que lia o prontuário das vítimas anunciou:

– Simão da Cunha, mineiro, bacharel…

Foi interrompido pelo general Orlando Geisel, chefe do Estado Maior das Forças Armadas:

… Basta!

Bastou, e o major passou à próxima vítima.

Dilma Rousseff é ré num processo que respeita regras legais, mas se a convicção prévia dos senadores já está definida na “tese” da líder do governo, o que rola em Brasília não é um julgamento. É uma versão legal e ritualizada do “basta” de Orlando Geisel.

O constrangimento provocado pelo resultado da analise técnica das pedaladas aumenta quando se sabe que a maioria do atual governo na comissão de senadores passou a rolo compressor em cima do pedido de perícia, feito por José Eduardo Cardozo, advogado de Dilma. Ela só aconteceu porque Cardozo recorreu ao Supremo Tribunal Federal e o ministro Ricardo Lewandowski deu-lhe razão.

Desde o início do processo de impeachment estava entendido que a peça acusatória não viria com a artilharia do petrolão e de outros escândalos da presidente afastada. Haveria uma só bala, de prata, contábil. No caso dos três decretos assinados pela presidente, houve crime. Isso é o que basta para um impedimento, mas deve-se admitir que esse critério derrubaria todos os governantes, de Michel Temer a Tomé de Sousa.

Os partidários da presidente sustentam que o seu impedimento é um golpe. Não é, porque vem sendo obedecida a Constituição e todo o processo está sob a vigilância do Supremo Tribunal Federal.

Pelas características que adquiriu, o julgamento de Dilma Rousseff vai noutra direção. Não é um golpe à luz da lei, mas nele há um golpe no sentido vocabular. O verbete de golpe no dicionário Houaiss tem dezenas de definições, inclusive esta: “ato pelo qual a pessoa, utilizando-se de práticas ardilosas, obtém proveitos indevidos, estratagema, ardil, trama”.

*Publicado na Folha de S.Paulo

19:32Uma Faca só Lâmina

De João Cabral de Melo Neto

Assim como uma bala
enterrada no corpo,
fazendo mais espesso
um dos lados do morto;

assim como uma bala
do chumbo mais pesado,
no músculo de um homem
pesando-o mais de um lado;

qual bala que tivesse um
vivo mecanismo,
bala que possuísse
um coração ativo

igual ao de um relógio
submerso em algum corpo,
ao de um relógio vivo
e também revoltoso,

relógio que tivesse
o gume de uma faca
e toda a impiedade
de lâmina azulada;

assim como uma faca
que sem bolso ou bainha
se transformasse em parte
de vossa anatomia;

qual uma faca íntima
ou faca de uso interno,
habitando num corpo
como o próprio esqueleto

de um homem que o tivesse,
e sempre, doloroso
de homem que se ferisse
contra seus próprios ossos.