21:33Para seguir o coração

Lembrar que estarei morto em breve é a ferramenta mais importante que já encontrei para me ajudar a tomar grandes decisões. Porque quase tudo – expectativas externas, orgulho, medo de passar vergonha ou falhar – caem diante da morte, deixando apenas o que é apenas importante. Não há razão para não seguir o seu coração. Lembrar que você vai morrer é a melhor maneira que eu conheço para evitar a armadilha de pensar que você tem algo a perder. Você já está nu. Não há razão para não seguir seu coração. (Steve Jobs)

 

20:22Ataque de Bolsonaro a Mandetta revela extensão dos tormentos da alma do presidente

por Elio Gaspari

A fritura do ministro serve ao coronavírus e a ninguém mais

O astucioso e explícito ataque público de Jair Bolsonaro contra seu ministro da Saúde revelou a extensão dos tormentos de sua alma. Luiz Henrique Mandetta é uma solução, mas seu chefe vê nele um problema. Mesmo que ele tivesse dito que a Covid-19 seria uma “gripezinha” o presidente deveria poupá-lo de ostensivas frituras.

Há pouco menos de um mês morreu o ex-ministro Gustavo Bebianno. Tinha 56 anos e foi levado pela tristeza, menos de um ano depois de ter sido demitido da Secretaria-Geral da Presidência em circunstâncias humilhantes pelo presidente por quem trabalhou quando os bolsonaristas cabiam numa Kombi. Na carta que Bebianno lhe escreveu, disse: “O senhor cultiva e alimenta teorias de conspiração, intrigas e ódio”.

Pouco depois, Bolsonaro demitiu o general da reserva Carlos Alberto Santos Cruz da Secretaria de Governo. Ele pouco falou, mas deixou uma frase críptica: “Tem que ter noção de consequência”.

Como disse o sábio Marco Maciel, “as consequências geralmente vêm depois”. Quando Bolsonaro diz que “o Mandetta quer fazer muito a vontade dele. Pode ser que ele esteja certo. Pode ser. Mas está faltando um pouco mais de humildade para ele” e que “a gente tá se bicando há um tempo” o que ele faz é fritá-lo.

A fritura de Mandetta serve ao coronavírus e a ninguém mais. Bolsonaro sabe desidratar colaboradores e secou o juiz Sergio Moro, mas a importância do Ministério da Justiça não pode ser comparada à da Saúde durante uma epidemia.

Desde o início da crise, Bolsonaro oscilou do negacionismo ao Apocalipse. O que pode parecer um comportamento errático foi uma constante e equivocada defesa de seus interesses: “Se acabar a economia, acaba qualquer governo, acaba o meu governo”.

O negacionismo da “gripezinha” menosprezava a epidemia supondo que, com isso, poderia preservar a economia. Com a Covid, Bolsonaro passou a flertar com o caos do vídeo da central de abastecimento de Belo Horizonte às moscas. (Era mentira e ele se desculpou por não ter checado, quando devia ter pedido desculpas por ter acreditado.) As duas posturas nasceram de um só medo: “Acaba meu governo”.

Seu governo só deve acabar no dia 31 de dezembro de 2022, porque é isso que diz a Constituição. Até lá, ele terá que governar um país em séria dificuldade, sem inventar “gripezinhas” ou estimular tensões e situações caóticas.

A história da República registra casos de presidentes que produziram desastres, mas nenhum deles teve padrão semelhante ao de Bolsonaro. Nem Jânio Quadros, um grande ator que se fazia passar por doido.

Entre o negacionismo e o flerte com o Apocalipse, Bolsonaro leva para o atacado a política venenosa que praticou no varejo com Bebianno e Santos Cruz, pessoas que decidiram trabalhar com ele. No atacado, ela muda de qualidade, porque pode-se mastigar uma pastilha de cianeto de potássio, mas não se pode receitá-la.

14:16Idosos, Covid-19 e os tratados internacionais

por Diogo Cavazotti Aires*

Como os idosos têm se sentido nos últimos dias, quando o presidente e uma parte do empresariado defenderam o fim da quarentena em nome da economia? A alegação foi de que o grupo de risco seria, na maior parte, os que estão na terceira idade, não justificando assim o isolamento total da população. A polêmica ocupou espaço nos jornais, redes sociais e famílias. Estariam os brasileiros dispostos a colocar em risco seus anciãos? De outro lado, o Governo Federal tem direito jurídico de expor um grupo da população frente à pandemia? Este confinamento é algo novo e não aparece em leis ou tratados internacionais de forma específica. Entretanto, ao analisar os documentos assinados pelo Brasil, existem compromissos a serem respeitados e que podem ser incluídos no tema.

A Declaração Universal dos Direitos Humanos (1948) apresenta nos artigos 1º, 3º, 22º e 25º temas que pregam a igualdade, o respeito à dignidade, o direito à vida e ao bem-estar. Um pouco mais específico, o artigo 11º da Declaração Americana dos Direitos e Deveres do Homem (1948) diz que toda pessoa tem direito que a própria saúde seja resguardada por meio de medidas sanitárias e sociais.

O direito à vida é inerente à pessoa humana e este direito deve ser protegido. É o que diz o Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos (1966), que no artigo 26º ainda relata a proibição de qualquer forma de discriminação, sendo necessário garantir a todas as pessoas igual e eficaz combate à discriminação. No mesmo ano, o Pacto Internacional dos Direitos Econômicos, Sociais e Culturais determinou no artigo 12 que os países integrantes do acordo reconhecem o direito de toda pessoa a desfrutar o mais elevado nível de saúde física e mental.

A Convenção Americana de Direitos Humanos (1969), mais conhecida como Pacto de São José, fala no artigo 5º sobre integridade pessoal: toda pessoa tem direito a que se respeite sua integridade física, psíquica e moral. Indo um pouco mais longe, a Convenção para a Prevenção e a Repressão do Crime de Genocídio (1948) caracteriza genocídio (artigo 2º) como uma submissão intencional de um grupo a condições que ocasionem destruição física total ou parcial. No caso, a parcela idosa. Entretanto, provar um crime de genocídio não é tarefa fácil. São poucos os casos realmente julgados até hoje e mesmo assim envolviam provas claras. Apenas para efeito de explicação, teria que se provar um motivo real para a morte deste grupo. Por exemplo: fazer com que, num futuro breve, as filas dos hospitais públicos diminuam (por conta da diminuição de requerentes), ou caiam o número de pensionistas para que se gaste menos com a previdência social. Isso seria um motivo claro, mesmo que difícil de provar.

Agora, se o presidente não quiser respeitar os tratados internacionais assinados pelo Brasil, basta olhar para a constituição, que no artigo 230 diz: “A família, a sociedade e o Estado têm o dever de amparar as pessoas idosas, assegurando sua participação na comunidade, defendendo sua dignidade e bem-estar e garantindo-lhes o direito à vida”.

*Diogo Cavazotti Aires – mestrando em Direitos Humanos e Direito Internacional Humanitário pela Universidade Católica da Colômbia.

13:54O major King Kong e os loucos que dão ordens

Um amigo do blog viu a foto de filme que ilustra a chamada da matéria “Lições do cinema para lidar com confinamento em tempos de coronavírus”, da Gazetona, e encafifou. Ali está, mais que reconhecido para qualquer amante do cinema, o major “King Kong” cavalgando a bomba atômica que o brigadeiro Jack D. Ripper, doido de pedra, mandou soltar na Rússia durante a Guerra Fria. O filme “Dr. Fantástico (Dr. Strangelove.)”, de Stanley Kubrik, uma sátira de humor negro destruidora. Juntar lé com cré para enxergar alguma semelhança do pirado,que deu a ordem depois de resistir a bala a uma invasão das forças do Pentágono, com um oficial da reserva do Exército que comanda o Brasil há pouco mais de um ano, não é mera coincidência. Mas como o jornal eletrônico da família curitibana acha que não é bem assim, devido os valores da família, religião, tradição e pátria amada, o amigo estranhou.  Continue lendo

10:49JORNAL DO CÍNICO

Do Filósofo do Centro Cínico

“Não queremos outros conseguindo máscaras’, disse o Trump ao ser acusado de atravessar a compra de equipamentos para combater a pandemia. Verdade! O maluco quer ser o único bandidão nessa história.

9:58A ciência em tempos de pandemia

por Claudio Henrique de Castro

Ciência, do latim scientia, é o ramo do conhecimento sistematizado como campo de estudo ou observação ou classificação dos fatos atinentes a um determinado grupo de fenômenos.

Basicamente, o discurso científico se produz pela comprovação dos fenômenos físicos, químicos e biológicos.

Temos então o argumento de autoridade da ciência.

Por esta razão a Universidade é fundamental ,pois ela é que guarnece, produz e desenvolve a ciência desde o século XII, isto é, há mais de mil anos.

Os povos devem muito às ciências médicas, biológicas e químicas pois graças a elas foram produzidas as vacinas, os remédios, desenvolvidos os hábitos de higiene, os modos de precaução das endemias, etc.

Os críticos da ciência dizem que graças a ela foram produzidas as bombas atômicas, de hidrogênio e as sofisticadas armas das guerras.

Também graças ao uso da ciência e dos interesses econômicos das corporações, que estão devastando o planeta.

O Brasil se enquadra naqueles países que não investiram, a longo prazo e continua não investindo na educação pública, universal e de alto nível para o povo, por isto tem campo fértil para discursos anticientíficos.

A ciência é produzida pelos cientistas, não por vivaldinos ou ignorantes.

Um piloto de avião não se forma por eleição, mas pela comprovação do domínio da teoria e da técnica. Ninguém entraria num avião cujo piloto foi eleito por determinadas pessoas, por critérios de simpatia, e que não passou por testes rigorosos de pilotagem.

Os políticos não são cientistas, são líderes que por meio de processos eleitorais conquistam seus mandatos. Eles não podem negar ou desconsiderar a ciência.

Reza a Constituição que o estado brasileiro deve dar tratamento prioritário ao progresso da ciência.

Se os políticos e os administradores públicos estão discursando e tomando medidas contra os postulados da ciência médica e da infectologia, como acontece agora, temos um estado de coisas inconstitucional, passível de ações criminais, cíveis e processos administrativos de afastamento dos agentes políticos e de servidores públicos.

Quem nem sabe o que é ciência e a despreza, não tem as mínimas condições de debater temas que demandam conhecimento científico.

Tentar pôr um fim na complexidade científica e afirmar que tudo é simples é a saída mais fácil para quem nega a ciência médica, a saúde pública e as grandes conquistas do conhecimento da humanidade.

Os setores esclarecidos do planeta devem comandar os rumos do combate à pandemia. Hoje eles são representados pela Organização Mundial da Saúde e pela comunidade científica internacional, não por demagogos e parvos.

9:02Greca e as nuvens

Rafael Greca não tem pressa. Se a pandemia não desarrumar tudo, imagina ficar mais quatro anos como prefeito, ajuda Ratinho Junior na reeleição, talvez assuma alguma secretaria onde apareça muito, faz do vice Eduardo Pimentel o sucessor – e aí tenta chegar onde sempre quis, ou seja, reinar no Paraná. O problema na política, como sempre, são as nuvens.

8:38O ‘Mez da Grippe’ e hoje

por Marcos Cordiolli

Em “Mez da Grippe”, Valêncio Xavier construiu uma narrativa compilando memórias de sobreviventes, anúncios e notícias de jornal e trechos de documentos oficiais e falas de autoridades do mês da ‘Gripe Espanhola em Curitiba’, em 1918. Compilei algumas das citações do Valêncio para que apuremos a similaridade com a Pandemia do Covid19. Leiam a obra, recomendo: Valêncio Xavier. O Mez da Grippe e outros livros. Companhia das Letras.

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8:20Sensacionalista – isento de verdade

- Bolsonaro está isolado porque é grupo de risco ao Brasil

- Mandetta alterna cargo no ministério com emprego de equilibrador de pratos

- Recuperação econômica começará pela indústria de panelas

- De quarentena, adolescente descobre que geladeira não põe ovo

8:16JORNAL DO CÍNICO

Do Fil[ósofo do Centro Cínico

Com o resultado da pesquisa publicada hoje, o Messias vai dar um bico no Mandetta e entregar o ministério da Saúde ao filho Carluxo, já que ele está ali dando sopa no Palácio do Planalto como vereador do Rio de Janeiro.