9:14Joaquim Levy pede demissão e o pombo canta vitória na partida de xadrez

O presidente Jair Bolsonaro parou o carro, procurou as câmeras e microfones e disse que estava “por aqui” com Joaquim Levy, presidente do BNDES, porque este tinha indicado Marcos Barbosa Pinto para a diretoria de Mercado de Capitais do Banco. Barbosa trabalhou no governo de Lula da Silva. Bolsonaro deu o prazo deste final de semana para Levy degolar Barbosa, senão ele próprio seria defenestrado. Levy, que foi ministro da Fazenda por quase um ano no governo petista de Dilma Rousseff, pediu demissão a Paulo Guedes, ministro da Economia que o levou para o banco. Assim, depois de demitir um general, Bolsonaro vai cristalizando seu “estilo” de governar o país, como se fosse um integrante daquela parte da sua torcida onde a alopração inconsequente é comparável à famosa definição sobre os abduzidos do outro lado, aquela que fala sobre a disputa de uma partida de xadrez com o pombo que derruba todas as peças, faz caca do tabuleiro e sai garganteando que ganhou a partida.

 

9:01O autoengano de Moro e Deltan

por Elio Gaspari

Ministro acredita (ou faz que acredita) que a forma apaga o conteúdo

Uma semana depois da divulgação das conversas do juiz Sergio Moro com o procurador Deltan Dallagnol pelo site The Intercept Brasil, consolidou-se a linha de defesa do governo segundo a qual o que houve ali foi um crime.

Trata-se de uma magnífico exercício de autoengano. Foi praticado um crime na forma, mas a essência do episódio está no seu conteúdo. A divulgação dos Pentagon Papers, em 1971, decorria de um indiscutível crime contra a segurança nacional dos Estados Unidos, pois os documentos que contavam a ação americana no Vietnã eram secretos e foram roubados. A Suprema Corte dos Estados Unidos derrubou a tentativa do governo de proibir a sua divulgação.

Governantes inventam (e fingem que acreditam) coisas incríveis. O governo petista e seu comissariado desqualificavam o conteúdo das colaborações de alguns de seus companheiros e cúmplices com a Lava Jato de Sergio Moro denunciando a forma como os procuradores obtinham as confissões (encarcerando os suspeitos). Em junho de 2015 a presidente Dilma Rousseff disse: “Não respeito delator”.

O autoengano petista custou o mandato a Dilma e a liberdade a Lula, bem como aos ex-ministros José Dirceu e Antonio Palocci.

Um ano depois da fala de Dilma, Sergio Moro lembrou a Deltan Dallagnol que a Lava Jato estava há “muito tempo sem operação”.

(Dias depois foi para a rua a Operação Arquivo X.) Na mesma conversa, o juiz ofereceu ao procurador o nome de uma “fonte séria” que “estaria disposta a prestar a informação”. (Não devia ser séria porque oferecia informações que não se materializaram sobre o filho de Lula. Além disso, não topou falar.) À época não se sabia que o juiz Moro e o procurador Dallagnol tinham tamanha fraternidade. Sabe-se agora, graças ao The Intercept Brasil.

Em 2015 autoenganavam-se empreiteiros e petistas. Hoje, quem acredita (ou faz que acredita) que a forma apaga o conteúdo é o ministro Moro.

Em novembro de 1971 a filósofa Hannah Arendt publicou um artigo intitulado “Mentindo na Política: Reflexões sobre os Papéis do Pentágono” e nele cuidou do mecanismo do autoengano. Ela disse o seguinte:

“O autoengano pressupõe que a distinção entre a verdade e a falsidade, entre o realidade e a fantasia, desaparece numa cabeça que se desligou dos fatos. No campo político, onde o segredo e a dissimulação sempre desempenharam um importante papel, o autoengano é o perigo por excelência: o enganador autoenganado perde todos os contatos, não só com seu público, mas com o mundo real”.

*Publicado na Folha de S.Paulo

19:52JAMIL SNEGE

Hoje amanheci insatisfeito.
O pão estava amargo
e até o jornal que leio
todos os dias me pareceu de
uma insipidez atroz.
De repente, Senhor, lembrei-me
dos que não lêem jornais –
mas os usam para embrulhar
restos de pão que os paladares
amargos deixam no prato
após uma noite insatisfeita.
Como deve ser delicioso
esse pão, Senhor,
depois que tu o adoças com
tua própria boca!

16:19Sensacionalista – isento de verdade

- Vazamento revela que Dallagnonl e Moro são conjes

- Gilmar manda Lula aquecer

- Moro se confunde e vaza grampos de Moro

- Hackers invadiram celular de Carluxo mas ninguém entendeu nada

- Celular da Dallagnol foi invadido porque ele clicou o arquivo provascontralula.exe

13:01Franco Zeffirelli, adeus

Da FSP

Cineasta italiano Franco Zeffirelli morre aos 96 anos

Diretor foi indicado ao Oscar em 1969 por ‘Romeu e Julieta’

O cineasta italiano Franco Zeffirelli, 96, morreu neste sábado (15), em Roma, informou a imprensa local citando fontes da família.

Zeffirelli morreu em casa, em decorrência de uma longa doença que se agravou nos últimos meses. O cineasta era considerado o último de uma geração consagrada, que surgiu na Itália após a Segunda Guerra Mundial e incluía Federico Fellini, Luchino Visconti e Vittorio De Sica.

Nascido em Florença em 1923, Zeffirelli dirigiu mais de 20 filmes. Em 1967, seu longa “A Megera Domada”, estrelado por Elizabeth Taylor e Richard Burton, foi indicado ao Oscar nas categorias de melhor figurino e direção de arte.

O cineasta se consagrou com “Romeu e Julieta” (1968), sucesso de crítica e de público. O longa, protagonizado por Leonard Whiting e Olivia Hussey, foi indicado ao Oscar nas categorias de melhor filme, direção, fotografia e figurino —venceu nas duas últimas.

Zeffirelli adaptou também outras obras de Shakespeare —como “Hamlet” (1992), que teve Mel Gibson e Glenn Close no elenco— e dirigiu mais de 30 óperas e peças de teatro.

12:30ZÉ DA SILVA

Acha que nasceu com aquela ferida por dentro, a que nunca viu. Talvez ela tenha nascido quando pensou nisso. Foi criação? Pode ser. Para enganar trouxa, ou seja, ele mesmo. Mas como era aquilo de ter medo aos quatro anos de idade – o medo do não? O maior espetáculo da terra virou filme de terror, porque, na porta do cinema, disseram que não podia entrar. Censura: 5 anos. Um mês sem sair à rua, médico desenganando, cura pelo benzedor. O velho Januário colocou o esculápio, que ficou ali até o barbante apodrecer e a imagem cair. Muito tempo depois ela está lá. A ferida. Como sabe? Com o não que vem depois da coragem de ir atrás e dizer sim para o que gosta. Aprendeu a assoprar, viajar aos infernos, colocar unguento para tentar dizer que a ferida é dele, só dele. Criação própria. Eterna enquanto dure – o não, até ele mesmo dizer o sim.

11:58Descuido formal

SERGIO MORO  ameniza sua troca de mensagens com Deltan Dallagnol: foi “descuido formal”. O professor de processo penal sabe que descuidos formais anulam sentenças. Descuido formal inocente é camisa preta com gravata marrom, como fazia quando juiz da Lava Jato. (Rogério Distéfano)

9:26Greca na direção do Palácio Iguaçu

Amigo do blog sonhou com uma enorme passeata na avenida Cândido de Abreu. Como as outras, ia do Centro de Curitiba na direção do Palácio Iguaçu. Era liderada por Rafael Greca, entusiasmadíssimo, para variar. Pensando bem, se o prefeito se reeleger no ano que vem… tem sua lógica.

9:11De pijama, em defesa dos aposentados

Roberto Requião tuitou o seguinte nesta semana:

“A reforma da previdência vai acabar com o privilégio. O seu ‘privilégio’ de se aposentar depois de ter trabalhado por quase uma vida inteira”

É uma defesa justa de quem é aposentado por ter sido governador durante quase toda uma vida – e pode acumular com a migalha do trabalho de senador por outro tantão da vida.  Continue lendo

8:50Não é sobre Lula ou Moro

por Demétrio Magnoli

A corrupção do sistema de Justiça não reprime a corrupção política

​Os fins justificam os meios? A pergunta não tem sentido, pois cinde duas instâncias inseparáveis. Nem todas as estradas conduzem a Roma. Os meios escolhidos definem os fins que eles podem alcançar. O vigilantismo miliciano não reduz a criminalidade, ainda que modifique sua morfologia. A corrupção do sistema de Justiça não reprime a corrupção política, ainda que substitua um grupo de corruptos no poder por outro. O conluio de Sergio Moro com os procuradores coloca em risco o combate à corrupção —e, ainda pior, paira como nuvem de chumbo sobre nossa democracia.

“Querem macular a imagem de Sergio Moro, cujas integridade e devoção à pátria estão acima de qualquer suspeita”, rosnou Augusto Heleno, invocando “o julgamento popular” para “os que dominaram o cenário econômico e político do Brasil nas últimas décadas”. Não faltou nem o “Brasil acima de tudo!”. Trocando o manto de chefe do GSI (Gabinete de Segurança Institucional) pelo uniforme de agitador de redes sociais, o general usa a linguagem dos seguidores de Nicolás Maduro para embrulhar o ato criminoso na sacrossanta bandeira nacional. Mas, apesar dele e da manada que replica mensagens emitidas por robôs virtuais, os diálogos estão aí, como montanhas imóveis na planície sem fim.

Um hacker pago pelo PT? Um agente bolsonarista engajado em sabotar a campanha presidencial de Moro? Um procurador de facção rival, na guerra crônica que esgarça um Ministério Público submerso na lagoa da política partidária? A identidade do autor do vazamento é mistério secundário, de interesse meramente policial. A notícia relevante, não desmentida, é que Moro operou, simultaneamente, como juiz e promotor, violando a lei e fraudando o sistema judicial. Os heróis dos cartéis do tráfico combatem a injustiça social. O herói da justiça corrompida combate os políticos corruptos. Quando cansaremos de fabricar heróis que afrontam a lei legítima?

A pátria e o inimigo da pátria circulam tanto no discurso de Heleno quanto no de Lula. “Deltan Dallagnol, que me persegue, é um fantoche do Departamento de Justiça dos EUA”, acusou Lula, em entrevista à revista Der Spiegel (7/6). A CIA nada tem a ver com isso. A politização do Ministério Público é um fenômeno nacional. Moro, Dallagnol et caterva são saliências visíveis no impulso que conduz uma fração de altos funcionários de Estado a abraçarem a missão jacobina de sanear a política, convertendo-se em agentes políticos.

À sombra de Lula, a Petrobras foi saqueada. A Lava Jato prestou serviços valiosos à nação, expondo máfias políticas e empresariais dedicadas à pilhagem sistemática de recursos públicos. Mas, agora sabemos, desviou-se pelos atalhos do arbítrio. Não há inimigo mais letal do combate à corrupção do que juízes e procuradores dispostos a flexibilizar a lei em nome da causa.

Os vazamentos publicados pelo The Intercept Brasil confirmam, com razoável certeza, que Moro sequestrou a toga para chefiar o Partido dos Procuradores. As águas da política infiltraram-se da laje trincada do Ministério Público aos aposentos do Judiciário. Mas, nessa história, já vivemos um novo capítulo: Moro, chefe do Partido dos Procuradores, trocou a camuflagem de juiz pelo cargo de ministro da Justiça. Na hora de sua nomeação, avisou que prosseguiria em Brasília o trabalho iniciado em Curitiba. Assim, um sistema de Justiça politizado conecta-se ao poder governamental.

Na Rússia, na Turquia, na Venezuela, as democracias morrem quando se desfaz a fronteira que circunda o sistema judicial, protegendo-o das demandas do Executivo. A semente da perseguição judicial de adversários políticos deve ser erradicada antes que germine. Um governo decente afastaria Moro sem demora, mas não temos nada parecido com isso. As iniciativas precisam partir do Congresso, do Conselho Nacional de Justiça e do Conselho Nacional do Ministério Público. Não é sobre Lula nem sobre Moro. É sobre o país no qual queremos viver.

*Publicado na Folha de S.Paulo