10:04Grana e demissões

Do Goela de Ouro

O Grupo Positivo anuncia que faturou mais de R$ 1 bi e vai às compras de colégios e universidades, ao mesmo tempo que nas redes sociais se espalha que a informação que a universidade está demitindo professores 40 horas no meio do semestre – e que um grande mestre na área de pedagogia foi mandado embora sumariamente.

7:35INVERDADES ABSOLUTAS

Deve-se aos gregos a elaboração científica da gramática. “Dentro de uma perspectiva filosófica”, ensina a Wikipedia. Verdade. Aristóteles ensinou lógica adotando os conceitos de sujeito, predicado, objeto, por exemplo. Portanto, coisa tão óbvia quanto ignorada, o ato de escrever não passa de materialização do pensar. Tente explicar para essa gente nada bronzeada do Direito, amantes dos advérbios redundantes e escorregadios.

Penso no mais famoso de nossos juristas, o grande advogado que – diria ele – ‘toma assento na curul presidencial’. Michel Temer, o pensador que substituiu outra pensadora, tenta usar a gramática mineira, não a dos lógicos. A gramática mineira usa as palavras para esconder o pensamento; funcionou em outro Brasil, neste, não pega mais. No Brasil da Lava Jato, as palavras dos políticos são debulhadas como espigas de milho.

Sobre a última acusação de corrupção, uma das duas que o Supremo mandou na semana para a Câmara dos Deputados, Michel Temer responde à imprensa que “são inverdades absolutas”. Se dissesse ‘inverdade’, estaria de bom tamanho, pois verdade e inverdade são absolutas por si mesmas. Uma tautologia, segundo a lógica. Redundância, vinda de advogado de boa-fé, no esforço de defender o cliente.

Mas vindo de Michel Temer, a gente conclui: então tem alguma, ou toda, verdade nas acusações. Primeiro pelo conjunto da obra de Michel Temer (a política, pois ele tem na biografia as obras jurídicas, também versadas em português cauteloso, já auto defensivo). Segundo porque, ainda pela lógica, seria impossível inventar-se tanta mentira contra um político. Afinal, não é o que fazem com o probíssimo presidente Lula? Seria impossível, mas em absoluto (olha a influência de Temer) improvável. Improvável? Sim, na lógica da probabilidade e na jurídica da prova. (Rogério Distéfano)

7:34Leão não é pedra

A Gazetona sapecou ontem, para anunciar a reeleição de Hermes Leão na presidência da APP Sindicato, que ele é a pedra no sapato do governador Beto Richa. No Palácio Iguaçu teve gente que riu muito. Se o problema do sindicato dos professores da rede estadual do ensino fosse o presidente, o confronto seria um mar de rosas, mesmo porque, para utilizar uma imagem, ali eles acham que este Leão é domesticado.

7:25Ao vivo, em campanha

Agora, na rádio Jovem Pan, o jornalista Denian Couto entrevista Beto Richa ao vivo no programa RIC Notícias Pan. Pelo jeito a estratégia é aproveitar o crescimento da aprovação do governador, que estava no rodapé há algum tempo, e mostrar que as denúncias que caíram até agora na cabeça dele com a frequência de um bombardeio, não o intimidam. O estilo é “não tenho nada a esconder porque não fiz nada de errado”. Se alguém aí está pensando que isso é um sinal de que ele vai enfrentar as urnas para tentar uma vaga no Senado, tem grande chances de ganhar. A conferir.

6:52Paralelas

por Greg Mariano

Em outubro de 2042, o Brasil passou por algo inédito na sua história: o principal candidato à presidência da República, Lúci Fernando (PMDB – RJ) disputou consigo mesmo os votos no segundo turno. Envolvido em coligações da esquerda, direita, centro e diagonal esquerdista da direita, o polêmico candidato partiu famílias brasileiras em disputas acaloradas nas ruas e na internet.

“Esquerda nunca mais! ” – Entoava metade do eleitorado, segurando bandeiras azuis com a éfige de Lúci Fernando.

“Fascistas não passarão!” – cantava com ferocidade a esquerda brasileira, portando vistosos balões com formato de estrelas vermelhas que levavam “Lúci 2042″ no meio.

Após os resultados, a direita brasileira ficou arrasada. A revolta tomou o segmento da população, que pediu por segundas apurações pela suspeita de fraude eleitoral. A esquerda, em contrapartida, entoava em altos brandos na rua:

-”LÚCI FER!”

- “LÚCI FER!”

Um importante jornalista de direita declarou ao Estadão:

“As propostas dadas por Lúci Fernando hão de destruir a família brasileira e arruinar nossa economia com propostas distributivistas. Lúci Fernando, o meu candidato e o único em que eu votaria, traria paz e progresso para um país já arrasado. Que deus tenha piedade desta nação.”

Após tomar a posse, com um sorriso que dava pra ver de costas, o recém – apontado presidente Lúci foi perguntado sobre as propostas eleitorais de seu oponente, Luci, e sobre como lidaria com elas:

“Não dialogo com fascistas”, ele afirmou.

6:49Camelô de pesquisa acha que o Brasil é um viveiro de idiotas

por Augusto Nunes

Gilberto Carvalho, o ex-seminarista que jamais decorou a segunda parte do Salve Rainha e virou coroinha de missa negra, é a caixa-preta que esconde, entre outros pecados mortais, os cometidos pelo PT em Santo André. Pois o guardião dos segredos que envolvem o assassinato do prefeito Celso Daniel tem mais chances de virar papa do que tem Lula de continuar em liberdade. Mesmo assim, os armazéns de secos, molhados e pesquisas eleitorais continuam tratando Lula como candidato a presidente, acima e à margem das leis. Começando pela Lei da Ficha Limpa.

É mais fácil um José Dirceu arrepender-se do que fez e pretende fazer, e chorar lágrimas de esguicho sentado no meio-fio como na imagem esplêndida de Nelson Rodrigues, do que um corrupto condenado a 9 anos e meio de cadeia (por enquanto) sobreviver ao tiroteio de uma campanha presidencial, municiado por cataratas de revelações ainda sigilosas. Antonio Palocci já mostrou seu poder destrutivo com uma pequena amostra das tenebrosas transações em que Lula se meteu. Mesmo assim, os camelôs de porcentagens fazem de conta que o demagogo agonizante lidera sem sobressaltos a corrida que só terminará em novembro de 2018.

Um candidato rejeitado por mais de 50% do eleitorado tem tantas chances de vencer uma disputa eleitoral quanto tem Dilma Rousseff de fabricar uma frase com começo, meio e fim ─ e sem assassinar o erre final do verbo no infinitivo. Mas os feirantes que oferecem estatísticas ao gosto do freguês camuflam em gráficos miúdos a informação essencial: ultrapassa metade do total a demasia de eleitores que não votarão em Lula de jeito nenhum.

O combate à corrupção tem catacumbas mais urgentes a sanear. Mas não vai demorar o dia em que o Brasil decente terá o prazer de acompanhar, de camarote, a devassa dos institutos de pesquisa que tratam os brasileiros como se fôssemos um bando de idiotas.

6:40Revolução de Outubro, 100 anos

Por Ivan Schmidt 

Organizado por Bruno Barretto Gomide e publicado há poucas semanas pela Boitempo (SP), o oportuno livro Escritos de Outubro, os intelectuais e a Revolução Russa (1917-1924), que está perto de completar 100 anos, certamente será de grande valia para os pesquisadores e estudiosos do tema das revoluções, especialmente a conflagração que mudou os destinos da antiga Rússia e, por longos anos, influenciou grande número de países do mundo.

Gomide tem credenciais suficientes para assinar a organização do livro, tendo em vista o exercício de livre-docência de literatura russa na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de S. Paulo (FFLCH-USP), além de ter sido pesquisador-visitante no Instituto Górki de Literatura Mundial em Moscou, no Puchkinski dom, em São Petersburgo e nas Universidades de Glasgow, Londres, Harvard e Berkeley.

Sua devoção à literatura russa o levou a criar e coordenar um grupo específico de estudos na Associação Brasileira de Literatura Comparada (Abralic), sendo autor de várias obras, dentre as quais a Nova antologia do conto russo,  lançada em 2011 pela Editora 34.

Segundo Martin Baña, um dos apresentadores do livro, “a Revolução Russa se forjou por meio das ações heroicas das massas, mas também a partir desse potente insumo das letras”, tendo em vista que “desde o século XIX, os publicistas e os escritores russos tiveram, com suas obras, um papel destacado na formação da consciência cultural e política de seu país”.

Foi exatamente nessa trilha que o organizador encontrou a motivação para a realização do trabalho agora entregue ao público interessado, com a justificativa de que “na Rússia, desde os primórdios da cultura letrada, pressupunha-se que a palavra escrita e a transmissão de verdades superiores fossem correlatas”.

Contudo, é providencial prestar atenção à advertência de Gomide, ao constatar que “nem todo escritor ou pensador russo era um revolucionário de nascença, como fez crer certa vulgata, difundida não só por setores da esquerda. Escrever a revolução podia ser também escrever contra a revolução, ou acossado por ela. Ou ainda, como Dostoiévski bem demonstrou contrastar os elementos reacionários dos textos a uma revolução na forma artística”.

A escolha do marco cronológico final, diz o especialista em literatura russa, não implica a sugestão “de que o fim do momento leninista tenha sepultado o que haveria porventura de mais aceso na cultura soviética, certamente mais variada do que o conceito monolítico do totalitarismo, de tão larga fortuna na sovietologia da Guerra Fria, fez supor”.

Gomide esclarece que “a opção por um recorte cronológico que vai de 1917 a 1924 tenta captar o calor da hora, a escrita em meio ao turbilhão, a um momento em que, sempre é bom repetir, apesar da obviedade, aqueles indivíduos não tinham a mínima certeza sobre a continuidade da nova Rússia soviética, então vista com temor, ceticismo, fascínio e entusiasmo em cenários tão trágicos como o da Petrogrado faminta e enregelada ou em meio à experiência traumática da Guerra Civil, para muitos historiadores o evento definidor da quadra revolucionária”.

Bábel, Biély, Blok, Bukhárin, Búnin, Górki, Kollontai, Lênin, Maiakóvski, Mandelstan, Tróstki e Zamiátin, entre outros menos conhecidos do leitor brasileiro, já se destacavam na esfera intelectual anterior ao período de 1917 a 1924, que é exatamente o ano que marca a ascensão de Stalin como todo-poderoso ditador do colosso bolchevique. Fato que para muitos desses pensadores passou a ser uma tortura física e mental, na veraz acepção do termo. Continue lendo

19:44OAB/PR repudia lei que afasta exigência de concurso para cartório

Nota oficial enviada pela OAB/PR

A  Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Paraná, no papel que lhe compete em defesa do fiel cumprimento dos valores e princípios constitucionais, e considerando o previsto no Art. 44 da Lei 8.906/94, vem por meio da presente Nota Oficial repudiar qualquer iniciativa legislativa tendente a burlar os princípios republicanos da igualdade, impessoalidade e moralidade que regem os serviços públicos.

Nesse sentido, e na mesma linha do que já manifestou o Conselho Federal da OAB por ocasião da PEC 471/2015, entende a diretoria da OAB Paraná haver flagrante inconstitucionalidade do PL 80/2015 aprovado pelo Senado Federal em 19/09/2017. Tentar afastar a exigência de concurso público para o provimento e remoção na atividade notarial e de registro afronta flagrantemente o disposto no art. 236, § 3º da Constituição Federal, que exige concurso público tanto para o acesso inicial ao serviço, como também para fins de titularidade de nova serventia por meio de remoção ou permuta, entendimento, aliás, já consolidado no âmbito do Supremo Tribunal Federal.

Neste sentido, a OAB Paraná se manifesta absolutamente contrária à sanção da referida lei, motivo pelo qual sugere veementemente o veto por parte do Sr. Presidente da República, que, assim procedendo, estará cumprindo a sua função constitucional.

19:26Sem fecundar o país

Ensinem aos meninos um amor mais fundo e sem pressa. O Brasil faz planos de governo de 5 anos que duram 5 meses e planos de 3 anos que duram 3 dias. Presidentes eleitos por cinco anos possuem a pátria em sete meses, abotoam a braguilha e vão embora. E há presidentes que duram dois dias. [... ] Não satisfazem a pátria, não fecundam o país. (Antonio Callado)

18:51ZÉ DA SILVA

Toda vez que tomo água com gás, gelo e uma rodela de limão, lembro de Marina Colassanti, a escritora. É que a bebida saudável me leva a outra: gim tônica. E na beira de uma piscina de um hotel em Cuiabá, tomei dez. A desculpa era o calor infernal naquela cidade que é porta de entrada para a amazônia. Foi lá pelo oitavo drink, que fazia o garçom me olhar com cara de quem achava aquilo inacreditável, que reparei a água azul e lá estava ela, a escritora e suas sardas, sozinha e flutuando feito uma deusa que só enxergamos no porre. O delírio se apossou. Me achei Affonso Romano de Sant’Ana, o maridão – e sonhei com um final de tarde único e inesquecível. Foi então que me chamaram da portaria. Tropecei numa cadeira. Ela olhou e balançou a cabeça negativamente. Foi o fim de um romance tórrido.