12:01Políticos e política

- Como nenhum político acredita no que diz, fico sempre surpreso ao ver que os outros acreditam nele. (Charles de Gaulle)

- O primeiro método para estimar a inteligência de um governante é olhar para os homens que tem à sua volta. (Maquiavel)

- Errar é humano. Culpar outra pessoa é política. (Hubert H. Humphrey)

- A política tem a sua fonte na perversidade e não na grandeza do espírito humano. (Voltaire)

- O Demonio não soube o que fez quando criou o homem político; enganou-se, por isso, a si próprio. (William Shakespeare)

11:46A síndrome do primo distante

por Rogério Distéfano, no blog O Insulto Diário (http://www.oinsultodiario.com/)

ASSESSOR DISTANTE, terceiro escalão, o governador não tinha contato com ele. Parece conversa de Donald Trump, mas não é. Vem da nota do Palácio Iguaçu lavando as mãos sobre o jornalista Carlos Nasser, exonerado depois da intervenção do MP e da PF na Casa Civil envolvendo negócios escusos sobre pedágios. Nasser é inocente até prova em contrário, isso é da lei, regra sagrada. Mas quem afirma que ele era “distante”, “sem contato com o governador”, não se beneficia da presunção de inocência. Muito ao contrário, o governador Beto Richa que acaba de servir, com tempero requintado um prato fumegante e apetitoso para o senador Roberto Requião saborear, ele o gourmet do escândalo político.

Carlos Nasser é tudo menos pessoa de “terceiro escalão”, “distante do governador”. Ele jamais esteve distante do poder nos últimos quarenta anos. Desde Aníbal Khury que no seu mandarinato de décadas tinha nele um valioso colaborador. Os governadores, igual: foi chefe do escritório do Paraná no Rio de Janeiro por muitos anos. Lá, como cá, nunca invisível. Se aqui era íntimo dos poderes, no Rio era íntimo de políticos, artistas e intelectuais – Millôr, Paulo Francis, Ziraldo, seus amigos íntimos. Para falar de flores, namorou mulheres antológicas. Nasser sempre foi ecumênico: serviu até a Roberto Requião, contratando e pagando-lhe advogado quando uma das eleições do atual senador foi posta em risco na Justiça.

Um homem desses não entra na Casa Civil pela porta dos fundos, pega a mesa no canto do corredor e se esconde no banheiro quando o governador chega em palácio. Algo me diz que Beto Richa menino sentou no colo de Carlos Nasser, amigo de seu pai, o velho José Richa, ambos parceiros de Aníbal Khury.  A justificativa-desculpa do Iguaçu é auto-condenatória, pois requenta a desculpa batida, esgotada e de pé quebrado, melhor, a Síndrome do Primo Distante. Lembram? O onipresente Luiz Abi Antoun, quando pego em falseta que comprometia o Iguaçu e seu titular, sofreu um downgrading e passou de primo-irmão a primo-distante, algo assim como décimo-oitavo grau.

Agora, com Carlos Nasser, o mesmo discurso, a mesma falta de imaginação, a velha peneira tapando o sol cegante. Seria mais fácil e digno dizer, ao exonerá-lo, que ele violou a confiança do governo, quebrou o dever de probidade, coisas do gênero. Mas isso exige autoridade moral, distanciamento pessoal, rigor na gestão pública, imenso e ciclópico desprendimento de espírito. O governador Beto Richa nos deve tal postura desde que, prefeito eleito, prometeu não renunciar; desde que na reeleição jurou que o Paraná estava nadando em dinheiro; desde que não se desvencilhou de Ezequias Moreira – ao contrário, promoveu-o e deu-lhe o foro privilegiado que levou à prescrição da pena de peculato.

11:42O que acontece no estacionamento da Rodoferroviária

Amigo do blog está indignado com o que está acontecendo no estacionamento da Rodoferroviária. Ele, que conhece do riscado, diz que a URBS cedeu a concessão e quem ganhou faz o que bem entende com os usuários. Exemplo: à noite não tem luz acesa nos postes, o tempo de tolerância é de 3 minutos, não nenhuma cobertura para a chuva ou sol, não há segurança alguma e só um coitado ou uma coitada na cabine cobrando quem se arrisca a deixar o carro lá. Ele mandou foto feita nesta semana: Continue lendo

9:31Exército usará celular na horizontal

por Renato Terra

O general Walter Braga Netto apresentou hoje o planejamento para a intervenção midiática no Rio. “Nossas tropas serão estrategicamente posicionadas diante dos lugares mais conhecidos do Rio, sempre de dia. Um soldado ficará a mais ou menos um metro, uns dois passinhos para trás, sempre com o celular na horizontal”, explicou, segurando um microfone na vertical.

No final do vídeo, cada militar responderá à pergunta: “Que intervenção você quer para o futuro?”. Segundo o general Braga Netto, este trecho ficará em poder das Forças Armadas, “distante de qualquer Comissão da Verdade”.

Prefeito Marcelo Crivella enviou uma mensagem de Jerusalém salientando que os drones da Agência Espacial Europeia filmam na vertical. “Não vou seguir as orientações da Globo”, pregou.

UM NOVO RIO

Braga Netto apresentou medidas para que a paz vigore na cidade após a intervenção. “Não basta repreender, temos que reeducar”, ensinou. Após frisar a força do exemplo de suas tropas, que vão filmar com o celular na horizontal, enumerou o que chamou de “marcos civilizatórios”: “Quem colocar ketchup na pizza, vai ganhar coronhada no cocuruto. O carioca que combinar um chope e chegar atrasado leva um pescotapa”, listou.

O general também disse que haverá mandados coletivos para prender cidadãos que abraçarem a Lagoa Rodrigo de Freitas em nome da paz.

UMA NOVA INTERVENÇÃO

Elsinho Mouco, publicitário do governo federal, sugeriu outra mudança no Rio: “Toda vez que o Pezão abre a boca, a população entra em pânico. O presidente Temer vai assinar um decreto autorizando uma intervenção lexical na cidade. Caberá ao Sargento Pincel restabelecer o carisma, semear empatia pelas forças armadas e assumir, com graça, qualquer trapalhada”, explicou.

UMA NOVA VIAGEM

Crivella anunciou sua primeira medida após a turnê pela Europa: abrirá uma agência de viagens. Entre os pacotes que oferecerá estão: Carnaval Espacial (quatro dias, cinco noites; inclui visitas não oficiais a agências europeias. Obs. traslado de drone não incluso) e Semana Santa Ungida (três dias, quatro noites; inclui visita ao Templo de Salomão com desconto no dízimo para quem apresentar o Bilhete Único).

*Publicado na Folha de S.Paulo

9:14Richa não seguiu o conselho de Scalco

… Já recebeu cutucões do guru e ex-ministro Euclides Scalco para que limpe qualquer vestígio no seu entorno que possa comprometer sua caminhada rumo à disputa de outubro de 2010. Beto Richa sabe ouvir. Mas demora para agir, ao contrário do pai.

Em março de 2009 o signatário escreveu um texto, cujo trecho é reproduzido acima, sobre a provável candidatura de Beto Richa ao governo do Estado. Richa ouviu mas não fez a lição de casa recomendada por Scalco. Tinha acabado de receber estilhaços da bomba que explodiu no colo do seu então chefe de Gabinete, Ezequias Moreira, por causa do escândalo da “Sogra Fantasma”. O ex-ministro se afastou, Richa foi eleito e reeleito, Ezequias continuou no entorno, além de outros que apareceram portando bombas de efeito retardado, mas muito mais fortes. O sorriso do tucano continua mais branco do que os das propagandas, mas não brilha mais. Os que o conhecem bem dizem que ele não tem apego ao poder. Talvez tenha apego às amizades – e muitas delas, no mínimo, minaram sua trajetória política.

7:45Desmatamento na Amazônia está prestes a atingir limite irreversível

Da Agência Fapesp, em reportagem de Elton Alisson

O desmatamento da Amazônia está prestes a atingir um determinado limite a partir do qual regiões da floresta tropical podem passar por mudanças irreversíveis, em que suas paisagens podem se tornar semelhantes às de cerrado, mas degradadas, com vegetação rala e esparsa e baixa biodiversidade.

O alerta foi feito em um editorial publicado nesta quarta-feira (21/02) na revista Science Advances. O artigo é assinado por Thomas Lovejoy, professor da George Mason University, nos Estados Unidos, e Carlos Nobre, coordenador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia para Mudanças Climáticas – um dos INCTs apoiados pela FAPESP no Estado de São Paulo em parceria com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) – e pesquisador aposentado do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

“O sistema amazônico está prestes a atingir um ponto de inflexão”, disse Lovejoy à Agência FAPESP. De acordo com os autores, desde a década de 1970, quando estudos realizados pelo professor Eneas Salati demonstraram que a Amazônia gera aproximadamente metade de suas próprias chuvas, levantou-se a questão de qual seria o nível de desmatamento a partir do qual o ciclo hidrológico amazônico se degradaria ao ponto de não poder apoiar mais a existência dos ecossistemas da floresta tropical.

Os primeiros modelos elaborados para responder a essa questão mostraram que esse ponto de inflexão seria atingido se o desmatamento da floresta amazônica atingisse 40%. Nesse cenário, as regiões Central, Sul e Leste da Amazônia passariam a registrar menos chuvas e ter estação seca mais longa. Além disso, a vegetação das regiões Sul e Leste poderiam se tornar semelhantes à de savanas.

Nas últimas décadas, outros fatores além do desmatamento começaram a impactar o ciclo hidrológico amazônico, como as mudanças climáticas e o uso indiscriminado do fogo por agropecuaristas durante períodos secos – com o objetivo de eliminar árvores derrubadas e limpar áreas para transformá-las em lavouras ou pastagens.

A combinação desses três fatores indica que o novo ponto de inflexão a partir do qual ecossistemas na Amazônia oriental, Sul e Central podem deixar de ser floresta seria atingido se o desmatamento alcançar entre 20% e 25% da floresta original, ressaltam os pesquisadores.

O cálculo é derivado de um estudo realizado por Nobre e outros pesquisadores do Inpe, do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) e da Universidade de Brasília (UnB), publicado em 2016 na revista Proceedings of the National Academy of Sciences.

“Apesar de não sabermos o ponto de inflexão exato, estimamos que a Amazônia está muito próxima de atingir esse limite irreversível. A Amazônia já tem 20% de área desmatada, equivalente a 1 milhão de quilômetros quadrados, ainda que 15% dessa área [150 mil km2] esteja em recuperação”, ressaltou Nobre. Continue lendo

7:19É Leal ou não é ?

O repórter Euclides Lucas Garcia, da Gazeta do Povo, juntou o lé com cré da ligação entre o ex-diretor do DER, Nelson Leal Junior, com Beto Richa, desde os tempos em que este era prefeito de Curitiba. Até ontem era homem de confiança do atual governador. Foi preso pela Polícia Federal de manhã e exonerado do cargo no final da tarde, sob suspeita de enfiar a mão no jarro em mutretas com as concessionárias de pedágio. Abusando do trocadilho, se era leal a Richa ou não, e também ao irmão do governador, Pepe Richa, secretário de Infraestrutura, a quem era subordinado, as investigações e o processo que vem por aí, espera-se, vão esclarecer. Confiram: Continue lendo

7:02Divisas demais

No hospício chamado Brasil, o estado do Rio de Janeiro é quem se destaca. Agora, por exemplo, descobriram que a Polícia Militar de lá tem mais sargentos do que soldados. Seria mais ou menos como um país ter mais deputados do que povo.

6:58É forte!

A respeito da operação de ontem da Polícia Federal, e para recordar, no dia 29 de novembro do ano passado este blog publicou a seguinte nota:

Pedágio forte

Do Goela de Ouro

No passado mais ou menos distante, o Tribunal de Contas do Paraná fez auditorias em algumas rodovias administradas por consórcios que cobram pedágio. Os “achados” foram de arrepiar. O tempo passa, o tempo voa, aquilo não deu em nada. Há mais ou menos três anos uma nova operação pente fino estava sendo preparada para dar uma geral muito mais ampla. Ficou só no projeto, comprovando que o pedágio é forte.

6:41O presente modifica o passado (final)

Por Ivan Schmidt 

A propósito dos apontamentos da semana passada sobre o escritor russo dissidente Ievguêni Zamiátin (1844-1937), que obteve licença para se transferir para Paris onde faleceu, há múltiplos exemplos de implacável perseguição a intelectuais que ousavam discordar, mesmo que levemente, do ditado centralista.

Um deles foi o poeta e ensaísta Joseph Brodski, ganhador do Nobel de Literatura em 1987 pelo conjunto da obra, nascido em 1940 e banido para os Estados Unidos em 1972. Nascido em São Petersburgo, que assim como muitos outros conterrâneos carinhosamente chamava de “Peter”, Brodski começou a publicar seus primeiros poemas em 1958 em revistas clandestinas, logo atraindo a atenção dos censores e a perseguição policial. Foi preso algumas vezes até ser expulso definitivamente da União Soviética 15 anos depois.

Ele abandonou a escola ainda na adolescência e conseguiu emprego numa fábrica de implementos agrícolas para ajudar a família, pois o pai ganhava pouco. Poucos anos depois da morte de Zamiátin, o jovem poeta também sentiu na carne os efeitos deletérios da perseguição imposta aos que tinham coragem para exercer a liberdade de expressão, algo impensável no período em que o stalinismo sufocava quaisquer manifestações mais ousadas de jornalistas, artistas, poetas e escritores.

No livro memorialístico por excelência, Menos que um (Companhia das Letras, SP, 1994), publicado originalmente em Nova York em 1986 e traduzido para o português por Sérgio Flaksman, Brodski revela que “pelo que me lembro do momento em que deixei a escola aos quinze anos, este gesto foi antes uma reação instintiva do que uma escolha consciente. Eu simplesmente não era capaz de suportar certos rostos de minha turma – de alguns de meus colegas, mas sobretudo dos professores”.

Bem cedo o jovem revoltado conheceu as agruras da prisão, sobre ela expressando-se de forma aberta: “As únicas pessoas que eu não conseguia justificar de modo algum eram as que governavam o país, talvez porque nunca tenha me aproximado de nenhuma delas. Em matéria de inimigos, quem está numa cela precisa enfrentar o mais imediato de todos: a falta de espaço. A fórmula da prisão é a escassez de espaço contrabalançada por um excesso de tempo”, escreveu com argúcia para sublinhar que “é isto o que realmente incomoda, e o que não se tem como superar. A prisão é uma falta de alternativas, e é a previsibilidade telescópica do futuro que leva os prisioneiros à loucura”.

Brodski lembra que começou a desprezar os mandamentos da Revolução ainda menino, na escola, ao descrever a onipresença da imagem de Lenin que “assolava praticamente todos os livros escolares, todas as paredes das salas de aula, todos os selos, todas as notas e moedas, e mais tantas coisas retratando esse homem em várias idades e em várias fases da vida”.

Na verdade, pode-se concluir que o culto à personalidade anos depois elevado à enésima potência por Stalin, foi iniciado antes pelos bajuladores de Lenin.

“Havia Lenin bebê, parecendo um querubim com seus cachos louros. Depois, Lenin aos vinte e aos trinta anos, calvo e tenso, com aquela expressão vazia em seu rosto que poderia ser tomada por qualquer coisa, preferivelmente certo sentido de determinação. De certa forma, esse rosto persegue todo russo, e sugere uma espécie de padrão para a aparência humana, pelo fato de ser totalmente desprovido de um caráter determinado. (Talvez por não haver nada de especial naquele rosto, ele sugere muitas possibilidades). Depois vinha um Lenin mais velho, mais careca, com sua barba em ponta e seu terno escuro com colete, às vezes sorrindo, mas quase sempre dirigindo-se às ‘massas’ do alto de um carro blindado ou do pódio de algum congresso do Partido, com uma das mãos estendidas no ar”, acrescentou com uma convicção que certamente aumentou o ódio dos comunistas radicais. Continue lendo

18:36JAMIL SNEGE

Para onde vai o canto,
depois que os
lábios se fecham?
Para onde vai a prece,
depois que
o coração silencia?
E os rostos que amamos
para onde vão, Senhor?
depois que nossas
pupilas se transformam
em gotas de lama?
Ontem vi uma andorinha
que devia ter uns
cinco milhões de anos.
Será que eu também
sobreviverei
ao que restar de mim?