20:43Animal!

Do blog Cabeça de Pedra

Queria ser famoso, celebridade, essas coisas de agora. Quinze anos. Entrou numa academia. Como era pobre de subúrbio da caixa prego, teve de ir para uma que se chamava Hércules. Os pesos estavam enferrujados. O dono tinha sido mister Carapicuíba em 1953. Estava entrevado e babava por um canto da boca. Mas os exercícios estavam lá. Ele puxou ferro durante três anos, cinco horas por dia – e ainda tomou umas bombas feitas para encorpar jegues a fim do abate para exportação de carne a países asiáticos. Um dia viu um cartaz escrito à mão num poste da vila. Teste para atores de novela. Ele foi. Tirou a roupa, mostrou o corpão dentro de uma cuequinha que comprou numa liquidação no supermercado, onde pagou R$ 6,60 por três e levou quatro. Disseram que foi aprovado e que no dia seguinte ele começaria as gravações. Estava lá. Era num quarto de motel vagabundo, tipo Iglu Inn. Tinha um cineasta com uma câmera na mão e uma mulher de 40 anos que só podia ficar com os braços esticados para cima para que mantivesse a altivez mamária. Ele encarou a missão. Recebeu elogio do diretor pelo desempenho. Da mulher, não – ela preferiu sair para fumar. Ele voltou para casa feliz. Lhe disseram que grandes atores de Hollywood começaram assim. Da Globo não conhecia nenhum, mas a emissora não deixa divulgar um treco desses. No dia seguinte tinha outro capítulo. Lhe informaram que ia ser sexo animal.

18:15A bicicleta e a privada

por Gregorio Duvivier

Cara elite,

sei que não é fácil ser você. Nasci de você, cresci com você, estudei com você, trabalho com você. Resumindo: sou você. (Vou fazer uma camisa: “Je suis elite”). Sei que você (a gente) quer o bem do país.

Sei que era por bem que você não queria abolir a escravidão. “Se a gente tiver que pagar pelo serviço que os negros faziam de graça, o país vai quebrar.” Você não queria que o Brasil quebrasse. Você não precisava ficar nervoso: o Brasil não quebrou.

Sei que era por bem que você pediu um golpe em 64. Você tinha medo do Jango, tinha medo da reforma agrária, tinha medo da União Soviética. Sei que depois você se arrependeu, quando os generais começaram a matar seus filhos. Mas já era tarde.

Sei que você achou que o Collor era honesto. Sei que você achou (acha?) que o Lula é um braço das Farc, que é um braço do Foro de São Paulo, que é um braço do Fidel, que é um braço da Coreia do Norte. Sei que você ainda tem medo de um golpe comunista -mesmo com Joaquim Levy no Ministério da Fazenda. Sei que você tem medo. E o seu medo faz sentido.

Não é fácil ser assaltado todo dia. Dá um ódio muito profundo (digo por experiência própria). A gente comprou um iPhone 6 com o suor do nosso rosto -e pagou muitos impostos. Sei que nessas horas dá uma vontade enorme de morar fora.

Você sabe que lá fora você pode abrir seu laptop na praça, pode deixar a porta aberta, a bicicleta sem cadeado. Mas lá fora, não esqueça, é você quem limpa a sua privada. Você já relacionou as duas coisas?

Nos países em que você lava a própria privada, ninguém mata por uma bicicleta. Nos países em que uma parte da população vive para lavar a privada de outra parte da população, a parte que tem sua privada lavada por outrem não pode abrir o laptop no metrô (quem disse isso foi o Daniel Duclos).

Não adianta intervenção militar, não adianta blindar todos os carros, não adianta reduzir a maioridade penal (SPOILER: isso nunca adiantou em lugar nenhum do mundo).

Sabe por que os milionários americanos doam tanto dinheiro? Não é por empatia pelos mais pobres. Tampouco tem a ver só com isenção fiscal. Doam porque sabem que, quanto mais gente rica no mundo, mais gente consumindo e menos gente esfaqueando por bens de consumo.

Um pobre menos pobre rende mais dinheiro para você e mais tranquilidade nos passeios de bicicleta. A gente quer o seu (o nosso) bem. É melhor ser a elite de um país rico do que a de um país pobre.

*Publicado na Folha de S.Paulo

18:01Cagueta!

Dilma Rousseff disse nos Estados Unidos que “não respeita delator, a respeito das denúncias de Ricardo Pessoa, ex-presidente da empreiteira UTC, que abriu o bico para os federais dizendo que foi com dinheiro sujo que alimentou campanhas políticas, inclusive a da presente. Em brasileiro temos que Dilma compactua com um dos mandamentos do mundo do crime, onde “cagueta” não se cria.

17:44Portas para abrir

De Stephen King, depois de receber o conselho da mãe para, ainda criança, escrever histórias próprias, pois tinha passado um tempo imitando o que lia em revistas em quadrinhos:

- Eu me lembro do imenso sentimento de possibilidades ao pensar na ideia, como se eu tivesse sido levado a um enorme prédio cheio de portas fechadas e tivesse autorização para abrir as que eu quisesse. Havia mais portas do que alguém jamais conseguiria abrir ao longo da vida, pensei (e ainda penso).

16:53Depois da calmaria

Se alguém disse ao governador Beto Richa que o inferno astral tinha passado por causa da calmaria da semana passada, deve ter se arrependido muito nesta segunda-feira, onde se embrulhou diária de hotel de luxo com denúncia do Ministério Público em novo pacote que caiu fazendo barulho no principal gabinete do terceiro andar do Palácio Iguaçu.

16:47MP denuncia Richa, Francischini e Kogut por ação da PM no dia 29 de abril

O Ministério Público do Paraná informa

MP-PR ajuíza ação civil pública contra responsáveis por excessos na contenção a protesto do dia 29 de abril

O Ministério Público do Paraná está ajuizando nesta segunda-feira, 29 de junho, ação civil pública por atos de improbidade administrativa contra o governador do Estado, Carlos Alberto Richa, o ex-secretário da Segurança Pública e Administração Penitenciária, Fernando Destito Francischini, e o ex-comandante da Polícia Militar, César Vinícius Kogut. Também são requeridos na ação o ex-subcomandante da PM Nerino Mariano de Brito, o coronel Arildo Luís Dias e o tenente-coronel Hudson Leôncio Teixeira.

A ação é resultado das investigações realizadas pelo MP-PR acerca dos fatos ocorridos no dia 29 de abril, nos arredores da Assembleia Legislativa, em que resultaram feridas mais de 200 pessoas, na maioria professores da rede pública estadual. O grupo protestava contra o projeto de lei encaminhado pelo Executivo estadual que dispunha sobre modificações no regime previdenciário dos servidores públicos do Estado.

Responsabilidades – Na ação, o Ministério Público destaca que os requeridos violaram os princípios da administração pública, já que, dentre as hipóteses previstas na Lei 8.429/92, configura ato de improbidade administrativa qualquer ação ou omissão que viole os deveres de legalidade e lealdade às instituições.

Nesse sentido, o governador Beto Richa, a quem, em última instância, estão subordinadas as polícias Militar e Civil, foi acionado por omissão, principalmente por não ter impedido os excessos, bem como pelo apoio administrativo e respaldo político do governo à ação policial; Fernando Francischini, secretário de Segurança na época dos fatos, por ter sido protagonista da gestão política e operacional de todos os aspectos da ação policial; o subcomandante-geral da Polícia Militar, Nerino Mariano de Brito, por ter sido o principal responsável pela gestão operacional da ação policial; César Vinicius Kogut, comandante-geral da Polícia Militar, por ter conferido apoio institucional à gestão operacional da ação policial; Arildo Luís Dias, comandante da operação, por ser o executor da ação policial em seu desfecho final, tendo parcial autonomia em relação a seus desdobramentos; e, também pela execução da ação policial, o comandante do Bope, Hudson Leôncio Teixeira, com parcial autonomia em relação a seus desdobramentos. Continue lendo

16:09Ocepar e FIEP correm da raia da redução do pedágio

Do enviado especial

Hoje cedo o chamado G7, que reúne as entidades do setor produtivo do Estado se reuniu com o governador Beto Richa e a vice Cida Borghetti. Apresentaram um documento propondo a redução dos pedágios, a prorrogação dos prazos dos contratos (que vencem em 2021) mediante também a continuidade da delegação outorgada pelo Governo Federal de 1807 quilômetros ao governo paranaense. Um documento será entregue ao ministro dos Transportes no próximo dia 1º de julho, em Brasília. Está assinado pela Faep, Fecomércio, Fetranspar, Faciap e ACP. Ainda não se sabe por que cargas d’água a Ocepar e a FIEP estão correndo dessa raia. Será que as cooperativas e a indústria não querem a duplicação das rodovias e a redução nos pedágios?

15:35Tese frouxa de Reinaldo Azevedo

por Dirceu Pio

Em artigo publicado sexta-feira, 26 , no jornal Folha de S. Paulo, o famoso blogueiro Reinaldo Azevedo, inimigo número um dos petistas, que ele chama de Petralhas, condena o juiz Sérgio Moro pela prisão de Marcelo Odebrecht e outros empreiteiros , prisão  que ele considerou discricionária e arbitrária. Desde o governo de Getúlio Vargas que as empreiteiras pintam e bordam com o dinheiro do Brasil impunemente. E quando aparece alguém para prender alguns peixes graúdos das mil maracutaias armadas contra os interesses da sociedade na Petrobras, eis que surge um “paladino” da Democracia para enxergar “discricionarismo” no gesto corajoso de um juiz. Pode?
A gramática da lei, caro jornalista, está desatualizada. Ela serve para proteger os interesses de uma minoria poderosa que há muito tempo permanece acima das leis e acima de qualquer suspeita. Temos de corrigi-la, torná-la mais democrática, mais direta e clara. A democracia brasileira carece de uma grande reforma da Justiça. O Estado de Direito, entre nós, é apoiado por uma legislação muitas vezes inadequada, que favorece quem tem dinheiro para pagar bons advogados e desfavorece os despossuídos que são vítimas de grandes injustiças da lei e da organização judiciária. O Brasil talvez seja o país em que o rito judicial tenha a maior possibilidade de recursos, geralmente protelatórios, para que a Justiça se coloque o mais distante possível de quem precisa dela.
Dizer que a apuração da roubalheira na Petrobras deve  ser feita sem coações é agir com a mesma ingenuidade que eternizou o grande poderio das empreiteiras no Brasil. O mecanismo da prisão preventiva, usado para prender Odebrecht e outros cidadãos que sempre se mantiveram acima das leis neste país, é antigo. A lei que o prevê, o artigo 312 do Código de Processo Penal, autoriza a prisão por vários motivos, entre os quais a possibilidade de o suspeito, uma vez em liberdade, ter condições de destruir provas que o incriminam.
É isso, a essência da lei, que importa. E esse objetivo pode ter sido muito bem atingido com a Prisão de Odebrecht e outros poderosos. O blogueiro, contudo, inflama seu”elevado espírito democrático “ perguntando por que a OAB  não toma providências contra as arbitrariedades cometidas  por um juiz .
Não tenho procuração para defender a entidade, mas diria que ela tem mais o que fazer ao invés de ajudar a blindar os empreiteiros. Poderia, por exemplo, ser mais rigorosa em apurar os casos de corrupção que envolvem seus associados, um abismo que separa,  muitas vezes, os cidadãos brasileiros da Justiça que fazem por merecer.

15:28JORNAL DO CÍNICO

Do Filósofo do Centro Cínico

A longa greve dos professores interessou a Inri Christo, o Emissário do Pai. Depois de analisar fotos das líderes do movimento, ele acha que pelos menos duas têm o perfil perfeito para integrar o seu séquito. Acredita também que em pouco tempo ficariam calminhas o suficiente para trilhar o caminho da salvação.

15:09Atestado

O prefeito Gustavo Fruet recebeu hoje, do presidente do TJ, desembargador Paulo Roberto Vasconcelos, um atestado público de idoneidade durante assinatura de convênio com a Prefeitura para agilizar o atendimento à população nos Fóruns Descentralizados.  “É um homem digno e trabalhador. Seu nome é sempre enobrecido por onde passa e pela comunidade. Isso nos dá a segurança de uma administração honesta e íntegra”, disse Vasconcelos. Para quem estava ao lado e já pensando nas próximas eleições, as palavras do desembargador reforçam a percepção de que Fruet segue na contramão dos políticos tradicionais, como o governador Beto Richa e a presidente Dilma Rousseff cujos governos estão sufocados pelas denúncias de escândalos.

15:03Decifrando Requião

Do analista dos Planaltos 

No Palácio do Planalto estão tentando decifrar um comentário do senador Roberto Requião (PMDB) no twitter. “Depois do pré-sal os EUA vão querer nos tomar a mandioca, “invenção” da nossa mulher sapiens”.  A dúvida é se o senador, que admira mais a mamona que a mandioca, estaria tirando sarro da presidenta ou sendo solidário com ela. Caso seja deboche, tem quem sugira rever a nomeação do irmão de Requião, Maurício, para o Conselho da Itaipu, onde se ganha R$ 20.804,13 mensais, com a obrigação de comparecer (com todas despesas pagas) a uma reunião por mês.

11:27Os prazeres da psicanálise

por Luiz Carlos Maciel

(Cenário: bar movimentado, da moda, de preferência em Ipanema. Garçons lentos e displicentes. Os dois personagens, ELE e ELA, depois das dificuldades presumíveis que podem ser inventadas pelo diretor, conseguem uma mesa. Esperam duas horas por um garçom que já passou por eles no mínimo duzentas vezes e o diálogo se inicia).

ELE — O que é que você quer? Chope?

ELA — Por quê deveria querer chope? Pedir chope aqui é um tanto compulsivo. Você não pede chope por uma escolha livre: é uma compulsão. Coisa típica da neurose obsessiva. Você sabe muito bem que não é meu caso, querido.

ELE — Está bem. Você já passou duas horas com seu psicanalista, hoje. Será que não pode mudar de assunto?

ELA — Fique sabendo que o auto-conhecimento é o começo da cura. Depois, não tenho pressa em beber nada. Não sofro de nenhuma regressão à fase oral, como você.

ELE — Regressão a quê? Que diabo é isso? Não estou sentindo nada!

ELA — Está, sim. Está.

ELE — Claro que não.

ELA — Claro que está. Você é que não sabe.

ELE — Ué, não estou sentindo nada!

ELA — Pior. Muito pior. Não sente por causa de seus mecanismos de defesa. Você nunca ouviu falar de couraça caracterológica?

ELE — Nunca. O que é isso?

ELA — É uma pena.

ELE — Por quê?

ELA — Você está doente, meu amor. Muito doente.

ELE — (um tanto alarmado) Não!

ELA — (com firmeza) Doente, sim. Muito doente. Por que você não vai ao Dr. Hauser? Posso marcar hora para você, amanhã.

ELE — E quem é o Dr. Hauser?

ELA — Você está cansado de saber quem é o Dr. Hauser. Pergunta por causa de outro mecanismo de defesa. Seu caso está me parecendo mais grave do que eu pensava.

ELE — Está bem. Mas quem é ele.

ELA — Meu analista, é claro. Você vai gostar muito dele, querido. É um homem maravilhoso. Bonito, inteligente, culto, atlético, divino. Se eu já não estivesse no meu quinto ano de análise, poderia pensar até que é um semideus. Mas não. Já sei que é um ser humano como qualquer outro, sujeito aos mesmos erros e defeitos. Ele mesmo fez questão de deixar isso bem claro. Não é genial?

ELE — O que é genial?

ELA — Ora, o próprio Dr. Hauser dizer que é um ser humano. Só um homem divino diria isso.

ELE — Eu também reconheço que sou apenas um ser humano.

ELA — Mas você não é o Dr. Hauser. Não desanime nas primeiras sessões. suas resistências serão muito fortes, entende? Isso também aconteceu comigo, no começo. Mas o Dr. Hauser é um mestre no manejo da transferência e, depois de algum tempo, você vai sentir—se outra pessoa.

ELE — Mas eu não quero me sentir outra pessoa.

ELA — Coitadinho de você, meu bem. Num instante o Dr. Hauser vai convencer você de que você quer ser outra pessoa. Claro que quer.

ELE — Mas que outra pessoa, meu Deus?

ELA — Uma pessoa mais livre, mais independente. Sem essa dependência neurótica que você tem de mim, por exemplo.

ELE — (esmagado) E eu tenho dependência neurótica de você?

ELA — Claro. Qualquer pessoa com experiência de análise percebe isso logo de cara.

ELE — Você está quase me convencendo.

ELA — Tem uma fixação oral, também. E é um obsessivo-compulsivo típico. Já reparou essa mania por ordem e limpeza que você tem? Já? Aposto que não. Você não repara nada porque seu mecanismo repressivo tomou a forma da inversão. Você se acredita sadio quando está horrivelmente, miseravelmente, talvez até irrecuperavelmente doente.

ELE — (totalmente aterrado) Puxa! Acho que preciso beber alguma coisa. Posso pedir um chope?

ELA — Claro. Peça um para mim, também.

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11:22Maciel sem trabalho

Que país é este? É o fim dos tempos! Amigo do blog envia mensagem divulgada na página do Facebook do grande Luiz Carlos Maciel, um dos luminares da turma do Pasquim, onde abriu portas do conhecimento, principalmente com assuntos relacionado à Contracultura. Ele “apenas” pede emprego, porque está há mais de ano sem trabalho e, claro, sem dinheiro. Confiram:

Amigos do Facebook. Um tanto constrangido, é verdade, mas sem outro jeito, aproveito esse meio de comunicação, típico da era contemporânea e de suas maravilhas, para levar ao conhecimento público o fato desagradável de que estou sem trabalho e, por conseguinte, sem dinheiro. É triste mas é verdade. Estou desempregado há quase um ano. Preciso urgentemente de um trabalho que me dê uma grana capaz de aliviar este verdadeiro sufoco. Sei ler e escrever, sei dar aulas, já fiz direções de teatro e de cinema, já escrevi para o teatro, o cinema e a televisão. Publiquei vários livros, inclusive sobre técnicas de roteiro, faço supervisão nessa áreas de minha experiência, dou consultoria, tenho – permitam-me que o confesse – muitas competências. Na mídia impressa, já escrevi artigos, crônicas, reportagens… O que vier, eu traço. Até represento, só não danço nem canto. Será que não há um jeito honesto de ganhar a vida com o suor de meu rosto?

Luiz Carlos Maciel
lcfmaciel@gmail.com