22:03ANTONIO MARIA

Às vezes, me sinto muito só. Sem ontem e sem amanhã. Não adianta que haja pessoas em volta de mim. Mesmo as mais queridas. Só se está só ou acompanhado, dentro de si mesmo. Estou muito só hoje. Duas ou três lembranças que me fizeram companhia, desde segunda-feira, eu já gastei. Não creio que, amanhã, aconteça alguma coisa de melhor.

16:52O fim

Ao ler na Gazetona que, com 21 dias de governo, em Brasília já estão falando em reeleição, amigo do blog disse que desistiu de tudo e vai esperar o fim do mundo em Trancoso, porque lá isso não chega.

16:28Para escarafunchar 38 mil convênios de R$ 8,5 bilhões

O Tribunal de Contas do Paraná informa:

TCE disponibiliza informações de 38,8 mil convênios feitos no Paraná desde 2012 

Novo módulo do Portal Informação para Todos, que auxilia o controle social, traz dados completos sobre R$ 8,5 bilhões transferidos entre órgãos públicos ou a entidades no período  

O Tribunal de Contas do Estado do Paraná colocou à disposição dos cidadãos mais uma ferramenta para auxiliar o controle social do gasto público. É o Painel de Convêniosque integra o Portal Informação para Todos (PIT) do TCE-PR e traz informações detalhadas sobre as prestações de contas de parcerias realizadas no Paraná desde 2012.

Nesta segunda-feira (21 de janeiro), o Painel de Convênios reúne dados de 38.773 processos, cuja soma de valores repassados atinge R$ 8,5 bilhões (em valores nominais, sem atualização monetária). Esse dinheiro foi transferido por instituições estaduais e pelos municípios paranaenses para a realização de atividades complementares àquelas desenvolvidas pelo poder público, em áreas como saúde, educação e assistência social, além da compra de equipamentos.

O Painel de Convênios apresenta, de forma dinâmica, todos os dados das prestações de contas de transferências voluntárias enviadas ao TCE-PR a partir de 1º de janeiro de 2012 e registradas no Sistema Integrado de Transferências (SIT). Os principais instrumentos que formalizam essas transferências são convênios, parcerias, contratos de gestão, termos de fomento e termos de parceria. Os dados do painel são atualizados permanentemente, à medida em que novos processos ingressam no SIT. Continue lendo

15:26A trombada de Plauto

Do Analista dos Planaltos

O poder atrai. A perda do poder repele. A máxima aplicada a política levou o primeiro secretário da Assembleia, deputado Plauto Miró (DEM), a entrar em choque com gente que até ontem era do seu círculo mais próximo. A trombada mais pesada de Plauto foi com o diretor de pessoal da casa, Bruno Garofani, advogado de Ponta Grossa, indicado por ele, Plauto, ainda na época de Valdir Rossoni como presidente.
Afastado da primeira secretaria na composição da mesa executiva da Casa e visto por muitos como o deputado mais enrolado na investigação da Quadro Negro, Plauto percebeu o desembarque de parte de sua tropa com ele ainda no comando. O principal movimento teria sido de Garofani que se apressou em jurar fidelidade a um novo senhor, Ademar Traiano, assim que ficou claro que o deputado do DEM não conseguiria manter a primeira secretaria na próxima gestão.
Sentindo-se traído, Plauto não conseguiu exonerar Garofani, mas mandou pra casa funcionários ligado ao ex-aliado. Quem conhece Plauto, diz que apesar do jeitão de lorde, traições políticas são anotadas num caderninho e guardadas no fundo da gaveta.

14:47Magoou

Da coluna Expresso, na revista Época

Ex-presidente do BNDES decepcionado com ex-companheiro de chapa

Motivo é suposta “caixa-preta” do banco

Ex-presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social no governo de Michel Temer, o economista Paulo Rabello de Castro foi candidato a vice-presidente da República na chapa de Álvaro Dias (Podemos). Na semana passada, após o BNDES divulgar a lista dos 50 maiores clientes do banco, o senador compartilhou a notícia mencionando o que se popularizou como “caixa-preta” do banco, onde estariam escondidas transações irregulares. Rabello, que rejeita essa possibilidade, não ficou contente com o compartilhamento do ex-companheiro de chapa.

14:17Ele não voltou; ela saiu

Do enviado especial

Luiz Abi, o primo distante, ainda não voltou do Líbano. A mulher dele, Eloisa Pinheiro Abi Antoun, já foi exonerado da Diretoria da Sercomtel em Londrina, onde estava desde 2011 como vice-presidente e diretora administrativa. Saiu com a entrada de Ratinho Junior no governo – e pela ordem da Copel.

12:42A calamidade e as velas acesas

Seis estados já decretaram estado de calamidade financeira. O mais recente foi o Mato Grosso. Antes fizeram isso Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Roraima e Rio Grande do Norte. O nó de cinco deles é a folha de pagamento do funcionalismo público (em minas chega a 79% da receita). Um sábio do Centro Cívico diz ter certeza de que, em futuro breve, vai ter gente querendo acender velas para agradecer o ex-secretário da Fazenda Mauro Ricardo Costa, aquele que deu uma trava no fim do primeiro governo de Beto Richa, que estava se encaminhando para o descontrole escalafobético.

12:30Impaciência

A impaciência em que vivemos provém da nossa ignorância, queremos que os homens e as coisas sejam o que não podem ser, e deixem de ser o que são por sua essência e natureza. (Marquês de Maricá)

12:22Preto no Branco

por Fernando Muniz

O capitão abre a gaveta da escrivaninha e empunha a pistola. Verifica o pente, depois o cano e, por fim, a trava. Tomara que, ao usar, não falhe. Porque não existe segunda chance quando se está no mar.

Em sua balança, dois tripulantes; de um lado o imediato, irascível e seu inimigo declarado, e, do outro, o chefe de máquinas, dado a intrigas e meias verdades, que diz ser seu aliado. Sente que consegue controlar um deles e seus instintos negativos; os dois a provocar divisões entre os tripulantes, ao mesmo tempo, trarão caos ao navio.

Sai da cabine e ensaia uma ronda. Sabe que a situação precisa ser resolvida. Já. Assim que o navio zarpa todos passam a depender uns dos outros, não importa o posto que ocupem. Têm que almoçar juntos, jantar juntos, enfrentar as marés e o mau tempo juntos. A vida de confinamento e intempéries os ensinou que a desventura ou o desregramento de um pode se tornar a sentença de todos. O mar, implacável, não perdoa os fracos de cabeça ou de espírito.

Seria fácil jogar um dos insurretos pela amurada, de surpresa, sem que ninguém visse – bastaria um empurrão e pronto. Mas qual deles? O que declara odiá-lo ou quem diz respeitar seu comando? E a execução precisa ser às claras; se a tripulação, inclusive o poupado, não entender que o fim de um é para o bem de todos, para que possam chegar ao destino, o risco de um motim é enorme.

O capitão checa a pistola de novo. É hora de ser forte e dar fim ao impasse, de gerar certezas, de sair da escuridão. E retoma a sua ronda.

Rumo à casa das máquinas.

11:50Fala que eu te escuto

Do correspondente em Brasília

A viagem para Davos, como voo saindo de Brasília e parada para abastecimento, leva em torno de 15 horas.  Durante todo esse tempo no luxuoso avião presidencial, Jair Bolsonaro e Sergio Moro, lado a lado, não terão como não falar: “Aquele sindicalista ladrão voando nisso aqui pelo mundo todo… Só no Brasil mesmo acontece uma coisa dessas”. Servido o jantar, com vinhos ao gosto do ex-juiz celebridade, já na sobremesa os dois começam a debater uma boa desculpa para os R$ 7 milhões do motorista Queiroz e R$ 4,2 milhões em imóveis do Flavio Bolsonaro. Que autor surrealista poderia imaginar um enredo desses?

9:28O serviço da casa

de Rogério Distéfano, no blog O Insulto Diário (http://www.oinsultodiario.com/)

Michele Bolsonaro deu entrevista à TV Record. A rede se credencia para apoiar o governo de extração evangélica, primeira dama e primeiro marido evangélicos. Michele rompe o padrão das primeiras damas: fala ao público. Seja em palavras, seja em gestos. Começou com gestos, atravessando-se no discurso de posse do marido com seu discurso em Libras. Michele se assume como o lado humano do marido. O marketing de sempre.

Sem querer comparar uma à outra, apenas resgatando o paradigma histórico: a última primeira dama a falar, solicitada ou não, apropriadamente ou não, foi Dulce Figueiredo, mulher do último general presidente da ditadura. Antes, só Nair de Teffé, que mandava no marido, presidente-general Hermes da Fonseca, que também obedecia ao senador Pinheiro Machado.

Quase dizia “não creio em bruxas”, mas alguém pensaria que chamo Dulce e Michele de bruxas. Nada disso. Mas chamo de anjo a anterior, Marcela Temer. Louvo Ruth Cardoso, primeiro por só falar – e bem – o que devia e aguentar o marido, o poço de vaidades. A que Michele veio na entrevista à TV Record? Ao mesmo de sempre, dar imagem e voz de primeira-dama aos erros e inconsistências do marido. Fez o serviço da casa, nada mais.

Criticou a imprensa, o que o marido faz em uma entre três manifestações públicas. É injustiçado e não compreendido – como Lula e sua “mídia golpista”. Defendeu a escolha de amiga para cargo público, aquela coisa brasileira de o amigo ser o único na espécie. Tocou de leve na caca de Flávio, o enteado, em cima do pai: os R$ 40 mil de Fabrício Queiroz que caíram em sua (dela, Michele) conta bancária.

A primeira dama repetiu o refrão do marido. O cheque foi pagamento do empréstimo de Jair a Fabrício. A segunda estrofe do refrão canhestro: que Jair não tinha tempo de ir ao banco e repassou-lhe o cheque. O entrevistador deixou convenientemente de perguntar se a filha de Fabrício, assessora de Jair, não podia ter feito o depósito. Mas isso não interessa, é apenas uma dobra da verdade, que ninguém vê, ninguém quer ver.