10:07AS LETRINHAS DO RISO

risada

Rogério Distéfano

QUE ME PERDOEM os internautas, mas não me passa isso de ‘hihihi’, marca registrada do titular do blog, os ‘rsrsrs’ dos tímidos ou o abominável ‘kkk’ dos que escracham – estes sem limite para o número máximo de repetições, observado o mínimo das três unidades. Em tempos de internet são os signos obrigatórios do humor, herdeiros dos hahaha e quaquaqua das histórias em quadrinhos, reguladores da gargalhada, do risinho contido – ouso lembrar o ‘smirk’, palavrinha inglesa do sorriso de prazer discreto. Verdade, todos rimos, mesmo os que odeiam as letrinhas do riso virtual.

Uma coisa é o riso, a ser modulado pelo momento, o local e a intensidade do saque de humor; outra é a transcrição pseudo-fonética nas letrinhas. Que sequer vêm moduladas, como se espera de risadas e gargalhadas. Não, os usuários usam-nas arbitrariamente, sem a discrição e a discreção ditadas pela circunstância. Pior; escondem-se nas letrinhas para mostrar que aprovaram – ou reprovaram, pois que as letras, de igual, expressam sarcasmo. Estou aqui a posar de inglês, para quem o humor não remete à hilaridade, sim à inteligência: importante entender o mote, não explodir em ruidoso contentamento.

Como na ilustração: se as imagens mostram o riso, por que as letras? Ou na rede, blogs, e-mails e comentários, quem escreve não deve se rebaixar e incluir hi hi hi na mensagem, sim confiar que o leitor a entenda. E este, que guarde para si o contentamento e a compreensão, ou os expresse na língua cursiva, um e outro casos tributos recíprocos às recíprocas inteligências. Azedume de vítima, caso deste cronista? Então mereço as letrinhas do desagrado, reverso do kkk – seria o argh! dos quadrinhos? Sejam piedosos e tomem estas linhas como desabafo: não rio, nem gargalho, apenas sorrio nas anedotas- e as narro muito mal. 

9:32Sapateiros da República

por Demétrio Magnoli

Marco Aurélio Mello crismou a solução de conservar Renan Calheiros na presidência do Senado afastando-o da linha sucessória como “meia sola constitucional”.

De gambiarras o magistrado entende: foi ele que mandou tramitar na Câmara um processo de impeachment contra o então vice Michel Temer, mesmo se a Constituição não prevê o impedimento de vice-presidente. Mas a sapataria inferior tornou-se ofício permanente dos ministros do STF, que já nem simulam algum apego à tábua da lei.

No templo da Justiça, meia sola é a regra. Em maio, ao suspender o mandato de Eduardo Cunha, a Corte Suprema ignorou o princípio básico de que apenas os eleitos têm a prerrogativa de dispor do mandato dos eleitos. Na ocasião, os juízes ainda afetaram escrúpulos constitucionais, qualificando a sentença como “excepcional”. Contudo, de fato, escudado na aversão popular ao corrupto caricatural, o STF erguia-se como Poder Moderador, árbitro dos conflitos da elite, e prestava ao governo Temer um serviço de higienização.

A sapataria de quinta operou novamente no último dia de agosto, pelas mãos de Ricardo Lewandowski, fatiando a Constituição para preservar os direitos políticos da presidente impedida. De tão porco, o serviço provocou reações nauseadas entre os pares do ínclito juiz –mas jamais foi impugnado pelo tribunal.

É que a manobra ilegal de absolvição parcial de Dilma descortina um caminho de redenção para incontáveis patifes cujos mandatos descerão pelo ralo no curso da megadelação da Odebrecht.

O caso Renan ilustra exemplarmente os mecanismos da conciliação por cima, em meio ao fogo quente da crise. O enredo desenrolou-se em quatro atos farsescos, até um pacto final que celebra a república dos privilégios.

Primeiro ato: em nome da “governabilidade”, o STF posterga decisões sobre 12 inquéritos que envolvem o presidente do Senado. Segundo ato: quando, finalmente, os ministros togados o declaram réu no mais antigo desses escândalos, Renan saca o revólver e ameaça o Judiciário e o Ministério Público com a votação de projetos sobre abuso de autoridade e supersalários. Terceiro ato: sob o amparo de Rodrigo Janot e da indignação das ruas, Marco Aurélio saca sua própria arma, concedendo monocraticamente a liminar de afastamento de Renan. Quarto ato: em nome da “independência dos Poderes”, Renan chama o blefe, unificando a mesa do Senado em desafio à decisão judicial e deflagrando uma confrontação institucional. Epílogo: os lados em conflito firmam nos bastidores um pacto indecente e, olhos nos olhos, lentamente, baixam suas armas. Continue lendo

9:05A bomba!

Belíssima a capa da edição de fim de semana da Gazetona. A bomba criada por Oswalter Urbinatti, um talento conhecido pelo que publica no jornal literário Rascunho, seria ainda mais avassaladora se não houvesse duas outras chamadas pequenas “interferindo” no espaço. De qualquer forma, o jornal merece todos os elogios ao resumir graficamente “A grande delação” da Odebrecht.

8:08JORNAL DO CÍNICO

Do Filósofo do Centro Cínico

Álvaro Dias foi muito esperto ao trocar o PSDB pelo PV a fim de disputar a presidência da República. O problema é que, com tudo o que está acontecendo, seu maior adversário para comandar o país será o Jair Bolsonaro, o único capitão que poderá ser chefe maior das Forças Armadas.

7:55Não tem jeito!

A pergunta é: será que algum essa fossa fétida da política nacional, “alimentada” pelos de sempre, sustentada no conluio dos poderes, um dia será lacrada? E quem dá o aval do voto aos excrementos, para depois alimentar com suor e sangue a orgia indecente e escancarada, vai continuar sedado e satisfeito com o circo apresentado na telinha luminosa da sala ou do celular? A pergunta “que país é este?” não faz mais sentido. É este escrachado no dia-a-dia das revelações que só acontecem porque alguns foram presos. A deduragem, neste caso, é a única forma de se saber o que estes senhores, com personagens que se revezam através da história, fazem, fizeram e, com certeza, farão, porque depois do susto só vai mudar a maneira das operações, que serão mais cuidadosas. No início dos anos 60 um senhor semi-analfabeto, que nasceu perto da cidade deste exemplo maior que se destaca na fossa, o atual presidente do Senado, Renan Calheiros, pai de governador, dizia sobre o futuro do país: “Essa merda não tem jeito”. Estava na cidade grande, mas, mesmo pessimista, teve condições de criar e educar os filhos. Se a situação fosse hoje, estaria num barraco de favela e desempregado com a mulher e os filhos se alimentando de lixo. Ele tinha razão, mas não imaginava que a merda tomaria a dimensão que tomou, pois exposta na quantidade que pouca gente imaginava. Ele morreu antes de ver concretizado o que previa. Ainda bem! O filho, por acaso o signatário, mais uma vez lhe dá razão.

7:27A pedido de Dilma, Odebrecht pagou R$ 4 milhões a Gleisi

Da revista IstoÉ, em reportagem de Débora Bergamasco

Na última semana, Marcelo Odebrecht deu início aos tão aguardados depoimentos à Procuradoria-Geral da República. Acompanhados dos advogados do empresário, homem-chave da chamada mãe de todas as delações, três procuradores tomaram as confissões detalhadas do empreiteiro na sede da Superintendência da Polícia Federal de Curitiba, onde ele está preso há um ano e seis meses. Lá, Marcelo começou a esmiuçar as histórias que se comprometeu a contar nos anexos assinados com a PGR, na sexta-feira 2. Dentre elas, a denúncia, antecipada por ISTOÉ com exclusividade em 11 de novembro com base nos preâmbulos da delação de Marcelo, de que o ex-presidente Lula recebeu propina da Odebrecht em dinheiro vivo. Nos próximos dias, em mais uma de suas inúmeras revelações bombásticas, muitas delas capazes de colocar a República de ponta cabeça, o empresário irá envolver a ex-ministra da Casa Civil, senadora Gleisi Hoffmann (PT), numa trama nada republicana. Nas preliminares do depoimento, Marcelo Odebrecht já informou aos procuradores que detalhará como repassou a Gleisi mais de R$ 4 milhões não declarados para saldar dívidas de sua campanha ao governo do Paraná em 2014. O dinheiro saiu do setor de Operações Estruturadas da Odebrecht, conhecido como o “departamento de propina”. Conforme apurou ISTOÉ junto aos investigadores, a transferência do montante ocorreu a mando da então presidente da República, Dilma Rousseff.

Endividada, Gleisi havia pedido socorro a Dilma, depois de amargar a derrota nas urnas, quando ficou em terceiro lugar com apenas 14,87% dos votos válidos atrás do senador Roberto Requião (PMDB) e do governador Beto Richa (PSDB). O PT negou-lhe ajuda. A prioridade da legenda era investir em candidatos competitivos, que ainda precisavam de apoio financeiro para seguir na disputa pelo segundo turno. Àquela altura, Dilma tentava se reeleger presidente da República e, para isso, contava com vultosos recursos à disposição. Tanto pelo caixa oficial como por fora, conforme apontam as investigações em curso. Gleisi, então, lhe contou que precisava de mais de R$ 4 milhões a fim de saldar pagamentos pendentes. Dentre eles, a fatura com o marqueteiro responsável por sua campanha, Oliveiros Domingos Marques Neto, dono da Sotaque Brasil Propaganda. Dilma ouviu a história e se compadeceu. Em retribuição à fidelidade incondicional devotada pela paranaense durante os anos de trabalho no Executivo e depois também no Legislativo, como senadora, Dilma, então, resolveu ajudar Gleisi.

O enredo foi confirmado à ISTOÉ por pessoas ligadas ao PT e Dilma. O primeiro passo da presidente foi procurar o intermediador da negociação: o tesoureiro de campanha, Edinho Silva (PT), hoje prefeito eleito de Araraquara (SP), e homem forte do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no seio da campanha presidencial. Na conversa com Edinho, Dilma explicou a situação de Gleisi e disse que não haveria outra saída senão procurar a Odebrecht. E que caberia a ele a tarefa. Edinho cumpriu as ordens da chefe sem titubear, como era de costume.

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6:55O Livro do Gênesis na República de Pindorama

por  Wagner Rocha D’Angelis*

No princípio, Deus criou os céus e a terra.

(E no sexto dia), Deus criou o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou, e eles se chamaram Renan e Mônica.

Ao saber que o homem e a mulher aos quais criara lhe tinham desobedecido, Deus enviou o seu Anjo para intimá-los a deixar o paraíso.

Acontece que o homem tinha comido do fruto proibido e isso lhe abrira os olhos. Por isso ele se escondeu nas matas para o Oficial do Senhor não o encontrar. Deus, porém, sabia onde os dois estavam, e lhes apareceu.

Mas ao informar que ambos estavam expulsos, Renan retrucou: “Não recebo medida liminar monocrática; só reconheço decisão colegiada”.

Ao que o Senhor, tomado de santa indignação, retrucou: “Condeno-os a serem políticos na Terra de Pindorama. Nela vocês prevaricarão, malversarão, dilapidarão patrimônio público, transgredirão, tergiversarão, ao mesmo tempo em que escarnecerão, vilipendiarão e oprimirão o povo. E quando tanto mal fizerem e tantos prejuízos causarem, eu enviarei contra vocês o meu paladino, e permitirei então que a espada de Moro seja levantada contra vós. E vocês serão confundidos e o povo engrandecido. Quem viver verá!”

Mesmo assim, Renan deu de ombros e sorrateiramente saiu à procura do seu sarcófago.

*Wagner Rocha D’Angelis é advogado, historiador e professor universitário

6:44Delator da Odebrecht cita Temer, Renan, Maia e mais de 20 políticos

Da Folha.com

Um ex-executivo da empreiteira Odebrecht afirmou em acordo de delação premiada que entregou em 2014 dinheiro no escritório de advocacia de José Yunes, amigo e assessor do presidente Michel Temer.

O site de notícias BuzzFeed divulgou o material nesta sexta-feira (9). A Folha confirmou seu conteúdo e teve acesso às informações.

Os recursos, segundo a empreiteira, faziam parte de um valor total de R$ 10 milhões prometidos ao PMDB na campanha eleitoral naquele ano de maneira não contabilizada.

A informação foi dada por Cláudio Melo Filho, ex-vice-presidente de Relações Institucionais da empreiteira, na negociação de acordo com a Lava Jato.

Segundo ele, o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, apelidado de “primo” pela empresa, foi quem orientou a distribuição de pelo menos R$ 4 milhões dos R$ 10 milhões acertados em um jantar no Palácio do Jaburu, em maio de 2014, que contou com a presença de Temer e de Marcelo Odebrecht, herdeiro do grupo e preso em Curitiba.

Foi Eliseu Padilha, inclusive, segundo os termos da delação, que pediu para que parte dos recursos fosse entregue no escritório de Yunes, em São Paulo.

“Um dos endereços de entrega foi o escritório de advocacia do sr. José Yunes, hoje assessor especial da Presidência da República”, diz trecho do documento.

Melo não apontou quem teria recebido o dinheiro entregue no escritório de Yunes em São Paulo.

Segundo ele, R$ 6 milhões dos R$ 10 milhões foram para a campanha de Paulo Skaf ao governo de São Paulo, em 2014.

Nas palavras do delator, Temer solicitou, “direta e pessoalmente para Marcelo”, recursos para as campanha do PMDB em 2014. Segundo ele, o peemedebista se utilizava de “seus prepostos para atingir interesses pessoais”.

O ministro da Casa Civil é classificado de “arrecadador” pelo delator.

Melo Filho não detalha quem entregou o dinheiro em cada lugar especificado por Padilha. A expectativa é que outros executivos da Odebrecht, sobretudo os ligados à chamada Área de Operações Estruturadas (que concentrava a verba de caixa dois e de propina a ser distribuída aos políticos), detalhem tais informações.

Moreira Franco, secretário de Parceria e Investimentos do governo Temer, também é chamado de arrecadador, mas “em menor escala”. Melo diz ter conhecido Temer em 2005, por meio do ex-ministro Geddel Vieira Lima.

POLÍTICOS

Além de Eliseu Padilha e José Yunes, ao menos 20 políticos são citados, entre eles o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), apelidado de “justiça” pela empreiteira, Romero Jucá (PMDB-RR), o “caju”, Eunício Oliveira (PMDB-CE), o “índio”, Moreira Franco, chamado de “angorá”.

De acordo com Melo, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), apelidado pela empresa de “Botafogo”, recebeu R$ 100 mil.

Segundo o delator, Jucá centralizou a distribuição de pelo menos R$ 23 milhões dentro do PMDB.

O senador é apontado como o “homem de frente” para negociar medidas no Congresso de interesse da Odebrecht.

Sobre o papel de Renan, o delator afirmou: “Acredito que em todos os casos que envolveram as atuações de Romero Jucá em defesa de pleitos da empresa, o senador Renan Calheiros também atuava no mesmo sentido”.

Melo Filho disse às autoridades da Lava Jato que o jantar ocorreu no Jaburu como forma de “opção simbólica” para dar “mais peso” ao pedido feito por Temer e seus aliados.

Padilha, diz o ex-executivo, atua como “verdadeiro preposto de Michel Temer”.

“E deixa claro que muitas vezes fala em seu nome”.

Temer, no entanto, segundo o delator, atua de forma “mais indireta”.

“Não sendo seu papel, em regra, pedir contribuições financeiras para o partido, embora isso tenha ocorrido de maneira relevante no ano de 2014.” Continue lendo

18:47ANÚNCIO CASSETA

Chega de viver enforcado!

DINHEIRO RÁPIDO

Sem intermediários, sem burocracia, sem fiador, sem SPC, cem por cento de juros à hora. Bastam os dois últimos contra-cheques, uma conta de luz, gás ou telefone, a escritura da casa, a chave do carro, 15 cheques em branco assinados, os filhos, o cachorro. E o número da conta da sogra.

Não jogue fora! Você pode precisar um dia!

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21 de abril

o dia do enforcado

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18:36ZÉ DA SILVA

jogo tudo pro ar e vou dando bicos só para sentir qual é a reação antes que aterrissem lá longe aprendi isso sozinho de tanto ser chutado sem ter força para reagir meu relê como disse o tira não colava agora fica grudado em tempo integral e a eletricidade percorre tudo e como não tenho muito tempo para pensar bato primeiro e não pergunto depois quando tenho aquela certeza pai d’égua que vem não sei de onde talvez porque nasci de manhã cedo no fundo de um poço de desejos como disse o poeta da tijuca aquele mesmo que inventou simpatia só amor e dor mora na filosofia eu nem pergunto porque não tenho saco para respostas e as que ouvi até agora eram falsas porque cuspidas como verdadeiras e nada mais dissimulado do que isso como comprovam os líderes políticos desta nação por isso chuto e chuto e chuto sei que não vai acontecer nada mas acontece comigo porque pra mim eu acerto bem no olho do meio da tarraqueta palavra que um dia me ensino um mané tio que era porreta.