18:23Conto de Mistério

por Stanislaw Ponte Preta

Com a gola do paletó levantada e a aba do chapéu abaixada, caminhando pelos cantos escuros, era quase impossível a qualquer pessoa que cruzasse com ele ver seu rosto. No local combinado, parou e fez o sinal que tinham já estipulado à guisa de senha. Parou debaixo do poste, acendeu um cigarro e soltou a fumaça em três baforadas compassadas. Imediatamente um sujeito mal-encarado, que se encontrava no café em frente, ajeitou a gravata e cuspiu de banda.

Era aquele. Atravessou cautelosamente a rua, entrou no café e pediu um guaraná. O outro sorriu e se aproximou:

Siga-me! – foi a ordem dada com voz cava. Deu apenas um gole no guaraná e saiu. O outro entrou num beco úmido e mal-iluminado e ele – a uma distância de uns dez a doze passos – entrou também.

Ali parecia não haver ninguém. O silêncio era sepulcral. Mas o homem que ia na frente olhou em volta, certificou-se de que não havia ninguém de tocaia e bateu numa janela. Logo uma dobradiça gemeu e a porta abriu-se discretamente.

Entraram os dois e deram numa sala pequena e enfumaçada onde, no centro, via-se uma mesa cheia de pequenos pacotes. Por trás dela um sujeito de barba crescida, roupas humildes e ar de agricultor parecia ter medo do que ia fazer. Não hesitou – porém – quando o homem que entrara na frente apontou para o que entrara em seguida e disse: “É este”.

O que estava por trás da mesa pegou um dos pacotes e entregou ao que falara. Este passou o pacote para o outro e perguntou se trouxera o dinheiro. Um aceno de cabeça foi a resposta. Enfiou a mão no bolso, tirou um bolo de notas e entregou ao parceiro. Depois virou-se para sair. O que entrara com ele disse que ficaria ali.

Saiu então sozinho, caminhando rente às paredes do beco. Quando alcançou uma rua mais clara, assoviou para um táxi que passava e mandou tocar a toda pressa para determinado endereço. O motorista obedeceu e, meia hora depois, entrava em casa a berrar para a mulher:

– Julieta! Ó Julieta… consegui.

A mulher veio lá de dentro euxugando as mãos em um avental, a sorrir de felicidade. O marido colocou o pacote sobre a mesa, num ar triunfal. Ela abriu o pacote e verificou que o marido conseguira mesmo. Ali estava: um quilo de feijão.

17:16Legal do ilegal

O Antagonista

CNMP vai investigar Deltan com base em provas ilícitas

O corregedor nacional do Ministério Público, Orlando Rochadel, determinou a instauração de reclamação disciplinar contra Deltan Dallagnol, atendendo a pedido do PT com base nas matérias de Verdevaldo.

Rochadel inaugura, assim, o uso legal de provas obtidas ilegalmente. Abriu -se a caixa de Pandora.

16:51Precisa?

Do correspondente em Brasília:

Ao saber que o Corregedor do Ministério Público decidiu investigar a conduta do procurador Deltan Dallagnol, um dos mais importantes senadores governistas disparou: “E precisa?”

16:12Corregedoria investigará palestras de Dallagnol

Da FSP, por Mônica Bergamo

Decisão do Conselho Nacional do Ministério Público acata representação feita pelo PT

O Ministério Público vai investigar as palestras dadas pelo procurador da Lava Jato Deltan Dallagnol.  A decisão, assinada pelo corregedor Orlando Rochadel Moreira, baseia-se em uma representação do PT encaminhada ao Conselho Nacional do Ministério Público. O texto determina a instauração de reclamação disciplinar e dá prazo de dez dias para que Dallagnol e seu colega de força-tarefa da Lava Jato Roberson Pozzobon se manifestem sobre o assunto.

O despacho cita as mensagens trocadas entre os membros da força-tarefa da Lava Jato que “revelariam que os citados teriam se articulado para obter lucro mediante a realização de palestras pagas e obtidas com o uso de seus cargos públicos”. “Tais palestras teriam se dado em parceria com empresas privadas, com quem dividiram os valores”, diz o documento.

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15:32Mito

Significado da palavra enviado por um colaborador do blog – e adaptado ao Brasil de hoje:

Mito são narrativas utilizadas para explicar fatos da realidade que não são compreendidos. Os mitos se utilizam de personagens sobrenaturais. Mito nem sempre é utilizado na simbologia correta, porque também é usado em referência as crenças comuns que não tem fundamento objetivo ou científico.

14:36JORNAL DO CÍNICO

Do Filósofo do Centro Cínico

Toffoli suspendeu inquéritos sobre dados do Coaf que incomodavam Flávio Bolsonaro. Fez muito bem. Onde já se viu essa perseguição ao filho do presidente – e sem pedido da Justiça, cujo ministro é o Moro? Onde quer que esteja, o Queiroz aplaudiu a medida.

12:41O espírito da boquinha

por Rogério Distéfano, no blogO Inusulto Diário

NÃO PRECISAVA, o rapaz ia bem, trabalhava direito – assim pensávamos -, surgia como a redenção do civismo e da probidade nas denúncias da Lava Jato. Dava suas derrapadas no estrelismo das entrevistas e no powerpoint bombástico que soou ridículo. Quem via achava errado, aquilo ia dar aquilo que a gente costuma dizer que vai dar, seguido daquele vocábulo escatológico.

Mas fazia-se o cálculo do custo-benefício, o resultado final da caça aos corruptos, sempre engasgados na garganta brasileira, justificava o desgaste do exibicionismo, a reprovação do estrelismo – e até as derrapagens no devido processo legal. É que o devido processo, historicamente, tem sido a rede que protege os espoliadores da nação. Como os sans culote da Revolução Francesa, aplaudíamos a guilhotina.

Então surgem as gravações do Intercept Brasil e o mundo vem abaixo, esboroam-se as ilusões. O que os meninos faziam era bom demais, havia algo errado. Infelizmente quem viu o erro foram exato aqueles que sempre considerávamos errados: réus, advogados de defesa e ministros de tribunais. Desvendou-se o senso ilusório da onipotência, temperado pela vaidade, salgado na imaturidade.

O protagonismo foi a doença infantil da Lava Jato. Sergio Moro, o juiz, e Deltan Dallagnol, o procurador – figura de proa, a primeira a bater no cais – esbaldaram-se em conchavos, como eles dizem, cibernéticos, protegidos pelo messianismo que ofereciam ao Brasil. Hoje, afora os cegos que tateiam com o bastão Bolsonaro, cresce o número dos que põem em dúvida o trabalho dos dois apóstolos.

Dallagnol e Moro jogaram eles mesmos a pá-de-cal em nossa admiração. A maratona de entrevistas e palestras, a cada dia soando mais como investimento pessoal, a quase empresa como um delírio e cegueira, o utilitário da viagem com a família, mais honorários, pela palestra no Ceará – divulgada hoje -, exigidas pelo primeiro; mais o ministério oportunista do segundo, não fossem cediços seriam chocantes.

Cediços e chocantes, habituais e desprezíveis, as práticas não foram inventados por Moro & Dallagnol. É o espírito da boquinha, como denunciou do PT um entendido e praticante do costume, o ex-governador Anthony Garotinho. Lula fez isso com o sítio, o triplex, as oportunidades para os filhos, sempre entregue gozosamente às externalidades do poder. O feio aqui foi imitar o que se reprova no inimigo.

Os heróis da Lava Jato encarnaram a moralidade classe média, que reprova mordomias, nepotismos, oportunismos, aquilo que se obtém de posições de poder ou da proximidade com o poder. Mas acabaram por fazer o mesmo, não na intensidade, na frequência e na nocividade geralmente criticada. No entanto, fazer da função pública trampolim para interesses alheios a ela, não os faz diferentes dos outros.

Feito o estrago nas reputações, o que resta? Resta a Lava Jato e seus resultados. O temor neste momento é que – como sempre no Brasil – o desvio de comportamento da autoridade invalide o que a autoridade fez de correto. Se as denúncias irão desmoronar as condenações e as provas obtidas – elas em processo de desmoralização com as gravações somando-se às denúncias de pressão sobre os delatores.

A expectativa neste momento está em saber se Moro & Dallagnol foram o joio que, separado do trigo, permite que a fornada seja aproveitável. Não se pode dizer com segurança mínima que o joio contaminará de tal modo que a fornada será lançada fora. Há fatores que podem determinar a subsistência da fornada: opinião pública, bolsonara ou não, espírito de corporação de magistratura e ministério público, por exemplo.

É esperar para ver. E vendo, aprender. O aprender, infelizmente, sempre foi a grande dificuldade dos brasileiros. Não só no geral como no particular de situações como as emergentes das gravações do Intercept Brasil. Já tivemos catões que desmoronaram depois de empolgar a opinião pública: Jânio Quadros, Fernando Collor, os mais visíveis. E Lula, Aécio, Serra, sem dúvida. Esta lição nos será, finalmente, útil?

12:09Candidato à presidência da Fiep denuncia aberração no processo eleitoral

por José Eugênio Gizzi

As eleições da FIEP para a gestão 2019-2023 já começaram com uma aberração no processo eleitoral. O Presidente da FIEP, Edson Campagnolo, estabeleceu um regulamento que prevê que a Comissão Eleitoral deve ser composta e presidida pelo próprio presidente da entidade. E que o secretário da Comissão também deve ser o secretário da entidade.

Ocorre que tanto o presidente como o secretário resolveram se candidatar no processo eleitoral, colocando em xeque a independência e comprometendo a imparcialidade da Comissão Eleitoral.

Tanto é verdade, que um dia antes de encerrar o prazo para o registro das candidaturas, a Comissão Eleitoral decidiu mudar uma das regras importantes do processo: a exigência de apresentação de documentos originais de todos os integrantes das chapas. Na véspera, esta regra foi alterada, permitindo a apresentação apenas de cópias dos documentos.

A chapa Sindicato Forte, Fiep Maior, liderada pelo empresário José Eugenio Gizzi, não fez esta solicitação. Então por que houve esta mudança no regulamento nas últimas horas?

Tão somente após a apresentação de impugnação pela chapa liderada por Gizzi, o presidente e o secretário da FIEP decidiram retirar-se da Comissão. Ao assumir a condição de árbitro da eleição – ainda que depois, denunciado, tenha deixado a função –, estava impedido de seguir candidato. Edson Campagnolo havia se tornado inequivocamente inelegível.

Diante do absurdo, foi protocolada impugnação do registro de Campagnolo, também com o objetivo de mostrar ao candidato Carlos Walter, que concorre à presidência pela chapa da ‘situação’, que o limite ético e legal deveria ser respeitado. Não foi o suficiente: Carlos Walter e Campagnolo não viram problema na atuação híbrida do atual Presidente da federação.

Não bastasse toda essa situação surreal, ainda enquanto presidente da Comissão Eleitoral, o presidente da FIEP enviou no dia 28 de maio uma mensagem de áudio para os diretores e presidentes de sindicatos orientando que não fosse utilizada a estrutura da entidade para fins eleitorais, o que é vedado pelo Código de Ética da Federação.   Continue lendo

11:26O ridículo e o puteiro

Ao ler a manchete da Gazetona onde o ministro Sergio Moro desabafa e diz que “campanha contra Lava Jato está beirando o ridículo’, um sábio do Centro Cívico gritou: “Alto lá! Qualquer pessoa normal e honesta não é contra a operação contra a corrupção. Isso é uma coisa. Mas tentar misturar os canais do que, supostamente, foram métodos espúrios e, quem sabe, com objetivos políticos, para surfar na operação, e assim posar de santo no puteiro é mais ou menos como comprar o juiz e dizer que a vitória do time foi para deixar a torcida feliz”.

10:44Cedinho

Governador em exercício, Darci Piana chega às 7h30 no Palácio Iguaçu. Foi o que aconteceu hoje. Logo depois, reunião com secretariado. Pois é…