9:26Riqueza de pobreza

Como moitou o número de pobres e miseráveis do país, não será surpresa se o governo federal (leia-se campanha de Dilma Rousseff) afirmar, antes da eleição de domingo, que os 34.897.211 de brasileiros que votaram em Aécio Neves no primeiro turno são todos ricos e milionários.

9:19Folclore

de Luiz Geraldo Mazza

Nessa história do propinoduto da Petrobras fica provado que o Paraná, embora não produza óleo ou petróleo e muito menos seja beneficiado pelos royalties, é quem mais aparece com o Alberto Youssef, o falecido Janene, o Paulo Roberto Costa (de Telêmaco Borba), o Vacari (de Terra Rica). E de repente a lista revela novos autóctones. Ainda persiste a queixa de que somos esnobados pela União.

8:13Era o que faltava: governo esconde estatísticas

por Josias de Souza, no UOL

Todas as opiniões de petistas e tucanos sobre as iniciativas do PT e do PSDB são suspeitas porque são de partidários. É impossível ser inteiramente objetivo sobre a própria espécie. Até a autocrítica de petistas e tucanos, se existisse, seria inconfiável. Os elogios, então, não merecem a mínima credibilidade. Fata-lhes o distanciamento e a isenção. Ou seja, você está sozinho.

Numa democracia, esse regime que lhe assegura irrestrita liberdade para exercitar sua capacidade de fazer besteiras por conta própria, tudo o que você precisa para errar conscientemente é de informação. O horário eleitoral e os debates foram concebidos com o propósito de lhe informar. Mas o cinismo foi o mais próximo que o marketing conseguiu chegar da verdade.

O primeiro passo para decidir aonde você quer chegar com o seu voto é descobrir onde você está. A propaganda da candidata à reeleição se esforça para lhe convencer de que o Brasil que você vê não é o Brasil de verdade, é outro país. Quando você sai de casa e dá de cara com o Brasil que a propaganda governista diz que não é o Brasil, você deve ficar tentado a perguntar de si para si: se não é o Brasil, que diabo de país é este?

Noutros tempos, você ainda podia recorrer às estatísticas oficiais para tentar se localizar. Já não pode mais. Os repórteres Fábio Takahashi e Sofia Fernandes informam que o governo decidiu adiar para depois da eleição a divulgação de dados negativos.

Já tinham descido à gaveta os números sobre o desmatamento e a atualização de um estudo sobre a quantidade de pobres e miseráveis no país. Pois decidiu-se sonegar aos refletores até o desempenho dos alunos brasileiros em português e matemática e o montante de tributos coletado pelo fisco.

Que país é esse?, você volta a perguntar aos seus botões, que não respondem porque não falam com qualquer um. Olhando ao redor, você vê alastrar-se a seca. Antes restrita ao Nordeste, a falta d’água já infelicita cariocas e, sobretudo, paulistas. No Rio, as torneiras secam na Baixada Fluminense. São Paulo já está na segunda cota do volume morto do sistema Cantareira.

Numa dessas, você acaba se convencendo de que o Brasil é, em verdade, um imenso deserto. Como a metereologia não prevê grandes precipitações pluviométricas até o domingo das eleições, o melhor que você tem a fazer é estocar água. A mistificação da propaganda eleitoral e o Saara estatístico talvez lhe privem da informação necessária para escolher o melhor presidente. Mas de sede você não morre.

8:07E a platéia ainda pede bis!

Domingo tem eleição. Os militantes de ambos os candidatos se acusam como os protagonistas nos debates e campanha desta ópera bufa. São esquerdistas contra direitistas. Não conseguem enxergar o óbvio: os grupos que disputam o caixa trilionário do poder central estão por dentro e por cima da carne seca. Os da plateia, aqueles que cacarejam e vociferam uns contra os outros, por baixo e por fora. Isso é política!

7:54JORNAL DO CÍNICO

Do Filósofo do Centro Cínico

As empresas de telefonia vão entrar na Justiça para derrubar a norma do Governo do Paraná que determina que elas bloqueiem os sinais de celulares nos presídios. Argumentam que ali estão seus melhores clientes. Os detentos falam 24 horas por dia!

7:50Alô! É de dentro do presídio?

O Governo do Paraná vai obrigar as empresas de telefonia a bloquear os sinais de telefones celulares em presídios – e informa que vai multá-las se não fizerem isso. Repetindo: o Governo do Paraná vai obrigar as empresas de telefonia a bloquear os sinais de telefones celulares em presídios – e informa que vai multá-las se não fizerem isso. Não é piada. A coisa é oficial e vem na esteira das 22 rebeliões ocorridas em curto espaço de tempo no Estado. Como a ninguenzada não se acha idiota e paga a conta para que se tomem atitudes como essa, não custa nada perguntar: não seria mais lógico – e dentro do que determina as normas, impedir a entrada dos tais aparelhos de telefonia celular dentro das penitenciárias?

7:13Pobre Superman!

por Célio Heitor Guimarães

Adolfo Aizen, o “pai” dos quadrinhos no Brasil ou o homem que trouxe para o Brasil as histórias em quadrinhos e a maioria dos principais heróis de papel –, entre os quais Superman ou Super-Homem, como era conhecido inicialmente – dizia de quadrinho era coisa de criança e não se prestava para complicadas teses acadêmicas e nem se podia extrair deles o que eles não tinham. A princípio, discordei do grande editor. Apaixonado pelos gibis desde a terna infância, eu estava empolgado com os teóricos da comunicação, surgidos nas décadas de 60/70, do século passado, como Umberto Eco, Claude Moliterni, Moacy Cirne, Sérgio Augusto, Ruy Castro, Álvaro de Moya, José Marques de Mello e o prof. Francisco Araújo, que levara os gibis para a universidade.

Depois entendi o que o velho Aizen queria dizer. Para ele, além expressão artística, os quadrinhos tinham por objetivo apenas distrair, divertir e, se possível, educar a garotada. Nasceram para isso, antes de se tornarem produto industrializado e disputarem o mercado. Haviam sido utilizados, no tempo da Segunda Guerra Mundial, como veículo de propaganda das forças aliadas e para fomentar o patriotismo dos sobrinhos de Tio Sam. Mas isso fora um acontecimento episódico, que se repetiria quando os EUA entraram em conflito com os japoneses, com os coreanos, com os vietnamitas e, mais recentemente, com os árabes, além do período da chamada Guerra Fria com a então União Soviética. E essa utilização oportunista e indevida não compunha a essência das histórias em quadrinhos (comics, na América do Norte; bande dessinée, na França; fumetti, na Itália; tebeo e historieta, na Espanha; e banda desenhada, em Portugal).

Os quadrinhos, efetivamente, foram criados para fazer graça e oferecer momentos de distração e emoção juvenil à molecada, fosse ela americana, italiana, francesa ou brasileira e tivesse seis, vinte, quarenta ou sessenta anos.

Passei a minha vida entre as HQs. Também cometi os meus artigos teóricos… Quer dizer, nem tanto; foram mais manifestações de paixão com algumas pitadas de crítica. E assim fui levando até me tornar septuagenário. O pé já havia aliviado o acelerador há uns 20 anos, mas ainda acompanhava de perto o mercado quadrinizado. Tornara-me mais seletivo, adquirindo apenas alguns poucos títulos que entendia ainda palatáveis no mundo de violência e falta de criatividade em que viraram os gibis. Já reunira uma das maiores coleções do país, que nunca tive a curiosidade de somar, com exemplares desde os anos 50, editados pela Ebal, Rio-Gráfica, O Cruzeiro, Abril, LaSelva, Vecchi, Outubro, GEP, Globo, Bloch, Devir, Mythos, Opera Graphica, Panini, Edioro, Pixel Media…, e ela me supriria a necessidade do resto da vida.

No início deste ano da graça de 2014, incentivado pela decisão do crítico Paulo Ramos, despedi-me – aqui mesmo neste espaço – dos heróis e super-heróis, simbolizados na ocasião pelo Superman (ou Super-Homem do meu tempo). Era algo já decidido, que eu adiava por puro relaxo. Estava cansado. Mais do que isso, saturado do que se publica hoje em dia em quadrinhos, com raríssimas exceções. Paulo deu o brado de separação do justiceiro de Krypton, depois de uma fiel união de 20 anos, sublinhando que Superman e tantos outros heróis estão sendo vitimados por uma espécie de “kryptonita midiática”, com a transferência dos super-heróis para o cinema, em produções caríssimas e de grandes efeitos especiais, com faturamento equivalente. (E muitíssimo pouco conteúdo, acrescentaria eu.) Continue lendo

6:47Há algo melhor que a política

por Ivan Schmidt 

A essa altura do campeonato pouca coisa resta a acrescentar sobre o hipotético desfecho da campanha eleitoral, a não ser aguardar até o início da noite de domingo para saber quem será o presidente segundo a ansiada pesquisa de boca de urna, ainda assim com um pé atrás, tendo em vista a série de erros cometidos pelos institutos no primeiro turno.

Entretanto, se há razão aceitável para as explicações de dirigentes dos vários institutos, ela está no fato de que o intervalo entre a liberação dos resultados das últimas enquetes e a decisão do eleitor junto à urna eletrônica, a ninguém é dado perscrutar.

Tanto que os pesquisadores e cientistas políticos admitem que, pela primeira vez na história das eleições presidenciais no país, o presidente eleito terá a vitória definida pelo reduzido percentual de cidadãos ainda indecisos em quem votar. E tanto faz votar nele ou nela, para ir direto ao ponto. Portanto, a eleição de uma ou outro será mesmo uma surpresa.

Mais não digo, mesmo porque o leitor não suporta mais ouvir falar ou ler sobre política. Deixemos a tarefa para os profissionais, que também queimam a mufa em busca de argumentos ou ideias originais. Eu desisto!

Lendo por esses dias a edição brasileira de El País, que meu amigo Walter Schmidt considera um dos melhores jornais do mundo, deparei-me com um artigo escrito por Miqui Otero sobre “os livros que muito poucos conseguem terminar”. Recomendo também o magistral artigo do escritor Mário Vargas Llosa sobre a sempre esfuziante Paris.

Otero cita o escritor inglês Nick Hornby, que no último festival literário de Cheltenham “encorajava as pessoas a queimar em uma fogueira os livros complicados” e a “não insistir nesse romance que se instala na mesinha de cabeceira como um parasita porque seu leitor é incapaz de lê-lo, mas não quer admitir sua derrota”.

Corajoso, o jornalista apresentou uma lista de dez obras universais, relacionando-as entre aquelas que, dificilmente, um leitor consegue chegar à última página. São as seguintes: O arco-íris da gravidade (Thomas Pynchon), Crime e castigo (Fiodor Dostoievski), Guerra e paz (Leon Tolstoi), Orgulho e preconceito (Jane Austen), Vida e opiniões do cavalheiro Tristram Shandy (Laurence Sterne), A divina comédia (Dante), Moby Dick (Herman Melville), Paradiso (José Lezama Lima), As aventuras do bom soldado Svejk (Jaroslav Hasek)/Dom Quixote de la Mancha (Cervantes) e a Piada infinita (David Forster Wallace).

Desses, o único do qual nunca ouvira falar é o livro de Wallace, o último da lista. Modéstia a parte, de uma relação de dez livros apenas um desconhecido, é uma média excelente. Mas, quanto à leitura completa, confirmando a perspicácia de Miqui Otero, somente Crime e castigo (mais de uma vez), Moby Dick e As aventuras do bom soldado Svejk, que talvez pela hilaridade despertada no leitor, teve o privilégio de figurar ao lado de Dom Quixote, conferindo a Jaroslav Hasek (o romance está sendo reeditado no Brasil), uma dimensão literária mais do que merecida.

A meu juízo, a discordância é total e irrestrita no que tange à inclusão do magnífico romance de Hasek em quaisquer listas de livros impossíveis de serem lidos até o final. Muito ao contrário, é uma das maiores obras da literatura mundial. A primeira edição em português, com o substantivo “bravo” em lugar de “bom”, foi lançada pela Editora Civilização Brasileira, nos anos 60 do século passado. Para conferir, imagino que o interessado deverá ter muita sorte ao garimpar o livro nos melhores sebos, ou aguardar o aparecimento da nova tradução.

Lidas apenas as primeiras páginas ou no máximo até a metade, estão O arco-íris da gravidade, a obra prima de Pynchon, de resto um escritor tão avesso à mídia quanto foi J.D. Salinger (O apanhador em campo de centeio e outros), além de Paradiso e Dom Quixote. Jamais abertos e perdidos em algum canto pouco frequentado quedam os empoeirados Orgulho e preconceito e A vida e opiniões do cavalheiro Tristram Shandy. Guerra e paz sequer figura em meio ao caos relativamente bem organizado de minhas estantes. Continue lendo

18:46O melhor do mau humor

de H. L. Mencken

- Todo governo é composto de vagabundos que, por um acidente jurídico, adquiriram o duvidoso direito de embolsar uma parte dos ganhos de seus semelhantes.

- Política consiste numa sucessão de asneiras, muitas das quais tão idiotas que existem apenas como palavras de ordem ou demagogia, não podendo ser reduzidas a qualquer declaração lógica.

- Quando martelam diariamente que todo político é um patife, todo serviço público é dirigido por escroques e todas as operações de Wall Street têm como objetivo garfar as pessoas comuns, os jornais estão bastante perto da verdade, para qualquer propósito prático.

18:12Quem?

Diante do que está acontecendo nesta reta final da campanha para a presidência da República, quem vai ter coragem de criticar as pessoas sem caráter, os canalhas, a bandidagem, os mentirosos, os pulhas que matam até a mãe para ter qualquer tipo de poder?

17:20Mora na moradia deles!

O jornalista Rogerio Galindo, do blog Caixa Zero, da Gazeta do Povo, fez uma continha: se um juiz aplicar na caderneta de poupança o auxilio-moradia a que tem direito, levando-se em conta os juros de 0,5% da aplicação, ao fim de 30 anos de carreira ele terá R$ 4,4 milhões. É por isso que a turma da capa preta não tem vergonha de aceitar mais este dinheiro que sai do bolso de um povo que, em sua maioria, não tem teto próprio para morar.

 

15:24Gangue do estilete

Há uma gangue de adolescentes atuando nas proximidades do Colégio Dom Bosco do bairro Ahú. Atacam à luz do meio-dia alunos que saem da escola naquele horário. Os bandidos, normalmente quatro, ameaçam com estiletes, levam dinheiro, celular, tênis, o que der. Eles atacam e continuam no local, esperando a próxima vítima. A polícia já foi avisada e, até agora, nada. O colégio fica a menos de dois quilômetros do Palácio Iguaçu, Casa Militar e Secretaria de Segurança. Expressionante!