18:12Debater o quê?

De Rogério Distéfano, no blog O Insulto Diário

A cobrança de Fernando Haddad e o negaceio de Jair Bolsonaro ao debate é uma de tantas quebras da racionalidade nesta campanha irracional. Para Haddad e petistas amestrados o debate é essencial, o imperativo de discussão ampla e profunda das propostas dos candidatos. Que o povo tem o direito de conhecer para definir seu voto.

Pelas premissas temos que Jair Bolsonaro fere um pressuposto de legitimidade do processo eleitoral, o debate. Nada mais errado. O debate não é pressuposto de legitimidade, sim uma tradição que tenta se afirmar, dado que é recente em nosso costume político e a lei eleitoral não o impõe como regra.

Os debates que temos assistido “aprofundaram” as propostas dos candidatos? Não. As propostas são falsas, ilusórias, infactíveis, demagógicas e vazias quanto a dados e fontes de financiamento. E não são apresentadas apenas nos debates; vêm na propaganda eleitoral, distribuídas nos panfletos, faixas, santinhos.

Então para que servem e a quem beneficiam os debates? No condicional: serviriam ao povo se não versassem demagogia e ilusões. Os debatem servem aos candidatos, como exercícios de telegenia, a boa presença na televisão, a presença de espírito, até o ar seguro, decidido, exalando força e poder.

Os analistas norte americanos contam que no debate entre John Kennedy e Richard Nixon, o segundo foi melhor em termos de experiência e conhecimento; mas Kennedy foi preferido pelos telespectadores porque se apresentou bem barbeado, bronzeado, relaxado, o exato contrário de Nixon.

O debate entre Haddad e Bolsonaro daria um resultado desses – com a diferença de que o primeiro mostraria melhor preparo para a presidência. Daí que não interessa a Bolsonaro, que tem em seu favor a restrição médica da convalescença do atentado (discutível, na medida em que debate sem a interlocução do adversário).

Os debates representam o respeito do candidato para com seus eleitores, numa leitura idealista e ingênua de seus propósitos. Mas são, em análise final, mera estratégia de campanha, com todas as sutilezas, espertezas e subterfúgios. O debate entre Bolsonaro e Haddad: ao primeiro não interessa e ao segundo é vital.

Benefícios desse debate talvez tivessem os indecisos. Porque os eleitores de Bolsonaro não serão convencidos de que Haddad é melhor. Nem vice-versa. Quanto aos indecisos, as indicações revelam que continuam cada vez mais indecisos. E com receio do que virá depois das eleições.

17:36JORNAL DO CÍNICO

Do Filósofo do Centro Cívico

Jair Bolsonaro disse que quer que o Brasil seja o mesmo de 40, 50 anos atrás. Não se sabe bem como, mas pode ser que se ele aumentar alguns anos a proposta, para chegar às décadas de 50/60, de alguma forma retorne a Bossa Nova, a Jovem Guarda, a Tropicália e, claro, a seleção de Gilmar, Nilton Santos, Didi, Garrincha e Pelé.

16:20A omissão sobre a conexão Lula/Kadafi revelada pela Crusoé

O Antagonista

Até o momento, nem mesmo uma linha no resto da imprensa sobre a reportagem de Rodrigo Rangel, um dos mais respeitados repórteres brasileiros, diretor da Crusoé, sobre a parte da delação de Antonio Palocci que revela como o ditador líbio Muamar Kadafi financiou a campanha de Lula, em 2002, e a Odebrecht pagou para calar a boca do marqueteiro Duda Mendonça.

16:12O revolucionário

Diálogo em Curitiba:

- Sou revolucionário!

- Como? Revolucionário que toma Chocomilk?

- Sim. Já tomei na zona.

- E comeu alguém?

- Sim, uma barrinha de cereiais.

- Tem razão. É revolucionário.

15:11100% de renovação

De um deputado federal do Paraná eleito para o primeiro mandato, mas que conhece bem os caminhos de Brasília:

“O quarto andar do anexo 4 da Câmara Federal emplacou todos. Cem por cento de renovação. Ninguém se reelegeu. Todos os gabinetes terão novos inquilinos”.

 

15:03A VIDA COMO ELA É

fotopresentezeca

Em Curitiba – Foto de Pablito Pereira ou Geraldo Magela*

*A foto foi enviada pelo poeta Zeca Correa Leite. Ele não lembra de quem a ganhou, mas tem quase certeza de que é de um dos dois citados no crédito acima. Sobre ela, escreveu:

Lá se vão quase quarenta e poucos anos desde a noite em que foi registrada esta imagem. Local: travessa Nestor de Castro. A cidade em transformação, assim como nós.  Cada dia somos maquiados pelo tempo, mas nossos olhos cansados não percebem as sutis alterações. As imagens congeladas trazem-nos esses presentes. O que foi feito dessa mulher aí encostada? Arrastou até quando sua solidão?

14:49Vencedor em duas eleições, marqueteiro diz que institutos de pesquisa estão acabando

Da coluna Expresso, na revista Época

Dona da agência de publicidade Propeg, Fernando Barros diz que as urnas provaram que o marketing político não morreu, a despeito de comentários nesse sentido. Barros trabalhou nas campanhas dos governadores eleitos Paulo Câmara (PSB-PE) e Ratinho Júnior (PSD-PR), mas perdeu no Rio de Janeiro com a candidatura de César Maia (DEM) ao Senado. Barros diz que os institutos de pesquisa são quem padecem. “Com déficit tecnológico, não conseguiram acionar os alarmes a tempo do tsunami. Em menos de uma semana as previsões derreteram”, afirma.

 

14:42Devedores

Do jornal O Estado de São Paulo

Pelo menos 12 dos 54 senadores eleitos ou reeleitos devem, juntos, cerca de R$ 65 milhões à União. Segundo dados da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) levantados pelo Estado, os parlamentares estão inscritos na dívida ativa por pendências previdenciárias e outros tipos de tributo não pagos. O levantamento inclui dívidas vinculadas ao CPF dos eleitos e ao CNPJ de empresas das quais aparecem como sócios…

Como pessoa física, o maior devedor é Oriovisto Guimarães, do Podemos, que estreará no Senado após ter votação surpreendente e ficar na primeira colocação no Paraná. Empresário com patrimônio declarado de mais de R$ 239 milhões, o novo senador deve R$ 5,5 milhões.

12:14Vão prestigiar?

Amanhã o presidente Michel Temer estará na Associação Comercial do Paraná. Um maldoso quer saber se Roberto Requião e João Arruda vão prestigiar e, depois, se pegarão carona no voo de retorno a Brasília.

11:39BTG Pactual/FSB: Jair Bolsonaro tem 59% dos votos válidos; Haddad, 41%

Do site PODER360

Rejeição: Haddad 53% x Bolsonaro 38%

Levantamento da FSB contratado pelo banco BTG Pactual indica que o candidato do PSL à Presidência, Jair Bolsonaro tem 59% das intenções de voto contra 41% de seu adversário petista Fernando Haddad (PT). Os percentuais referem-se a votos válidos, conta que exclui votos brancos, nulos e indecisos.

 

Considerando o as intenções de voto totais, o militar recebe 51% contra 35% de Haddad. Os votos em branco e pessoas que não escolhem nenhum candidato somam 11%. Os dados são do levantamento da FSB Pesquisa foi divulgado nesta 2ª feira (15.out.2018).

Segundo a última pesquisa divulgada em 1º de outubro, realizada nos dias 29 e 30 de setembro, o militar receberia 43% dos votos enquanto Haddad tinha 42% das intenções. Os votos dos indecisos e daqueles que não escolheriam ninguém somavam 15% do total.

A pesquisa, contratada pelo BTG Pactual, foi realizada nos dias 13 e 14 de outubro. As entrevistas foram realizadas por telefone com 2.000 eleitores nas 27 unidades da Federação. A margem de erro é de 2 p.p. e o intervalo de confiança é de 95%. O registro no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) é BR-07950/2018. Continue lendo

11:31Será que de alguma forma Lula não ganhou a eleição?

por Mario Rosa, no site Poder 360

Lula e Bolsonaro são parecidos. É isso mesmo: preparem as pedras

Ideologicamente, Jair Bolsonaro é o avesso do avesso do avesso de Lula. Mas repare bem: sindicalistas, tenentes e capitães moram muitas vezes nos mesmos bairros. Possuem rendas parecidas. Pertencem, cada um de uma forma, a corporações. Suas casas compartilham estéticas semelhantes. Seus vocabulários possuem um volume de palavras similar. Os hábitos alimentares e de consumo não são tão discrepantes.

Eles pertencem a um extrato social que mais os aproxima que os distância. E, por último, estão acostumados a conviver e dialogar com o brasileiro real, os peões de um lado, os grotões do outro. Sindicalistas e oficiais de média patente tem um convívio com o Brasil profundo e pertencem mais ou menos à mesma classe social.

Tá parecendo análise do IBGE, né? Então preparem as pedras! É isso mesmo: Lula e Bolsonaro são muito parecidos, embora sejam totalmente diferentes. Há um que de Lula nas tiradas desconcertantes e fora do script dos políticos tradicionais que Bolsonaro saca sabe-se lá de onde. Certamente é da mesma espontaneidade e fala coloquial de onde Lula recolhia suas pérolas.

A grande verdade é que, conteúdos à parte, Bolsonaro e Lula falam de um jeito peculiar, de uma forma que não parece calculada como os políticos profissionais. Falam as coisas pelo nome que o povo as chama. Do modo que ouviram nos lugares onde viveram e convieram e formaram sua “nuvem” de conceitos e a forma de expressá-los.

A única verdade absoluta desta eleição é que grande parte dos brasileiros queria ver alguém com o perfil de Lula como candidato. Lula, com seu estilo inconfundível e sua fala sem frescuras e seu português das salas de estar dos brasileiros, não pode ser uma opção. E uma parte do vazio de alguém que falasse com essa proximidade acabou sendo preenchida por seu antípoda em tudo, Bolsonaro. Cada um do seu jeito, Lula e Bolsonaro chamam as coisas pelo nome que o povo acha que elas são e não pelo que os punhos de renda dos políticos adestrados costumam chamar.

Lula está, assim, em sua vertente da retórica popular, representado – quem diria – pelo ex-capitão. E simbolicamente também está representado por seu ungido, Fernando Haddad. Lula está dos dois lados: no carisma, nos trejeitos que sua falta faz e que Bolsonaro ocupa e na herança ideológica e programática, que Haddad representa.

É Lula lá e Lula cá, de certa maneira. E o mais irreverente e surpreendente: talvez estejamos assistindo a mais uma final entre PT e PSDB, ao menos do ponto de vista da forma. Não discuto aqui ideias, conteúdos, ideologias. Apenas perfis.

Fernando Haddad – FH, como Fernando Henrique – é um intelectual, com raciocino lúcido, cristalino, organizado. Um digníssimo “uspiano”, um membro da fina flor da academia. Não se parece ele com um tucano clássico?

Poderia ser um coxinha de vanguarda, com sua aparência impecável e sua forma de falar que exala erudição (se houver algum movimento de combate ao preconceito contra os seres bem-apessoados, quero desde já pedir desculpa se ofendi alguém).

Já Bolsonaro está na “cota Lula”: fala coisas fora da caixinha, tem a retórica da mesa de bar, da mesa redonda dos boleiros, perde as estribeiras. O brasileiro se ouve em Bolsonaro, assim como era com Lula. Então, no segundo turno teremos Lula contra Lula: vamos ver qual Lula vai ganhar.