19:17Estou bem

Se você está fazendo o que acredita ser o melhor para todos, então está bem. Então, estou bem.

de Thomas G. Labrecque, diretor executivo do Chase Manhattan Bank, na epígrafe do livro “O Corte”, de Donald E. Westlake

19:01Pessuti acusa Requião de tentar expulsá-lo do PMDB

Da assessoria de imprensa do ex-governador Orlando Pessuti:

De forma irregular, segundo o ex-governador Orlando Pessuti, o grupo do senador Roberto Requião tentará expulsá-lo nesta segunda-feira, 30, do PMDB. A irregularidade, conforme Pessuti, está na convocação da reunião da Comissão de Ética -  às 14h na sede estadual do partido em Curitiba - feita pela relatora do processo disciplinar contra Pessuti, a vereadora Márcia Ferreira, de Pinhais. “Só quem pode convocar a reunião da comissão é o seu presidente, Sérgio Marchauek, e não a Márcia (Ferreira), a relatora do processo. Essa convocação é irregular, não tem cabimento, o querem é criar um fato político sem respaldo legal”, disse Pessuti. Continue lendo

18:26JORNAL DO CÍNICO

Do Filósofo do Centro Cínico

Agora ficou claro porque o jogo entre Andraus e Apucarana foi disputado na Baixada há duas semanas! Era um teste para a participação do Atlético na segundona do ano que vem. O gramado, aliás, está pronto para a qualidade da disputa.

18:04Morte e tumba

O time do Clube Atlético Paranaense foi derrotado há pouco por 1 a 0 para o Londrina. Agora vai disputar o Torneio da Morte, torneio entre as piores equipes e que vai definir quem será rebaixado para a Segunda Divisão do Campeonato Paranaense do ano que vem. Diante disso, o estádio Joaquim Américo vai mudar de nome temporariamente, enquanto não se define o futuro imediato do rubro-negro. Será chamado de a “Tumba da Baixada”.

17:36JORNAL DO CÍNICO

Do Filósofo do Centro Cínico

Choveu o dia inteiro em Curitiba. Fosse aquele o prefeito, ele diria, doidivanamente, que São Pedro chorou de alegria pelo aniversário da cidade de Nossa Senhora da Luz dos Pinhais.

13:23O Vampiro de Curitiba

de Dalton Trevisan

Ai, me dá vontade até de morrer. Veja, a boquinha dela está pedindo beijo – beijo de virgem é mordida de bicho cabeludo . Você grita vinte e quatro horas e desmaia feliz. É uma que molha o lábio com a ponta da língua para ficar mais excitante. Por que Deus fez da mulher o suspiro do moço e o sumidouro do velho? Não é justo para um pecador como eu. Ai, eu morro só de olhar para ela, imagine então se. Não imagine, arara bêbada. São onze da manhã, não sobrevivo até à noite. Se fosse me chegando, quem não quer nada – ai, querida, é uma folha seca ao vento – e encostasse bem devagar na safadinha. Acho que morria: fecho os olhos e me derreto de gozo. Não quero do mundo mais que duas ou três só para mim. Aqui diante dela, pode que se encante com o meu bigodinho. Desgraçada! Fez que não me enxergou: eis uma borboleta acima de minha cabecinha doida. Olha através de mim e lê o cartaz de cinema no muro. Sou eu nuvem ou folha seca ao vento? Maldita feiticeira, queimá-la viva, em fogo lento. Piedade não tem no coração negro de ameixa. Não sabe o que é gemer de amor. Bom seria pendurá-la cabeça para baixo, esvaída em sangue.

Se não quer, por que exibe as graças em vez de esconder? Hei de chupar a carótida de uma por uma. Até lá enxugo os meus conhaques. Por causa de uma cadelinha como essa que aí vai rebolando-se inteira. Quieto no meu canto, ela que começou. Ninguém diga sou taradinho. No fundo de cada filho de família dorme um vampiro – não sinta gosto de sangue. Eunuco, ai quem me dera. Castrado aos cinco anos. Morda a língua, desgraçado. Um anjo pode -dizer amém! Muito sofredor ver moça bonita – e são tantas. Perdoe a indiscrição, querida, deixa o recheio do sonho para as formigas? Ó, você permite, minha flor? Só um pouquinho, um beijinho só. Mais um, só mais um. Outro mais. Não vai doer, se doer eu caia duro a seus pés. Por Deus do céu não lhe faço mal – o nome de guerra é Nelsinho, o Delicado.

Olhos velados que suplicam e fogem ao surpreender no óculo o lampejo do crime? Com elas usar de agradinho e doçura. Ser gentilíssimo. A impaciência é que me perde, a quantas afugentei com gesto precipitado? Culpa minha não é. Elas fizeram o que sou – oco de pau podre, onde floresce aranha, cobra, escorpião. Sempre se enfeitando, se pintando, se adorando no espelhinho da bolsa. Se não é para deixar assanhado um pobre cristão por que é então? Olhe as filhas da cidade, como elas crescem: não trabalham nem fiam, bem que estão gordinhas. Essa é uma das lascivas que gostam de se coçar. Ouça o risco da unha na meia de seda. Que me arranhasse o corpo inteiro, vertendo sangue do peito. Aqui jaz Nelsinho, o que se finou de ataque. Gênio do espelho, existe em Curitiba alguém mais aflito que eu?

Não olhe, infeliz! Não olhe que você está perdido. É das tais que se divertem a seduzir o adolescente. Toda de preto, meia preta, upa lá lá. Órfã ou viúva? Marido enterrado, o véu esconde as espinhas que, noite para o dia, irrompem no rosto – o sarampo da viuvez em flor. Furiosa, recolhe o leiteiro e o padeiro. Muita noite revolve-se na cama de casal, abana-se com leque recendendo a valeriana. Outra, com a roupa da cozinheira, à caça de soldado pela rua. Ela está de preto, a quarentena do nojo. Repare na saia curta, distrai-se a repuxá-la no joelho. Ah, o joelho… Redondinho de curva mais doce que o pêssego maduro. Ai, ser a liga roxa que aperta a coxa fosforescente de brancura. Ai, o sapato que machuca o pé. E, sapato, ser esmagado pela dona do pezinho e morrer gemendo. Como um gato!

Veja, parou um carro. Ela vai descer. Colocar-me em posição. Ai, querida, não faça isso: eu vi tudo. Disfarce, vem o marido, raça de cornudo. Atrai o pobre rapaz que se deite com a mulher. Contenta-se em espiar ao lado da cama – acho que ficaria inibido. No fundo, herói de bons sentimentos. Aquele tipo do bar, aconteceu com ele. Esse aí um dos tais? Puxa, que olhar feroz. Alguns preferem é o rapaz, seria capaz de? Deus me livre, beijar outro homem, ainda mais de bigode e catinga de cigarro? Na pontinha da língua a mulher filtra o mel que embebeda o colibri e enraivece o vampiro.

Cedo a casadinha vai às compras. Ah, pintada de ouro, vestida de pluma, pena e arminho – rasgando com os dentes, deixá-la com os cabelos do corpo. Ó bracinho nu e rechonchudo – se não quer por que mostra em vez de esconder? -, com uma agulha desenho tatuagem obscena. Tem piedade, Senhor, são tantas, eu tão sozinho.

Ali vai uma normalista. Uma das tais disfarçada? Se eu desse com o famoso bordel. Todas de azul e branco – ó mãe do céu! – desfilando com meia preta e liga roxa no salão de espelhos. Não faça isso, querida, entro em levitação: a força dos vinte unos. Olhe, suspenso nove centímetros do chão, desferia vôo não fora o lastro da pombinha do amor. Meu Deus, fique velho depressa. Feche o olho, conte um, dois, três e, ao abri-lo, ancião de barba branca. Não se iluda, arara bêbada. Nem o patriarca merece confiança, logo mais com a ducha fria, a cantárida, o anel mágico – conheci cada pai de família!

Atropelado por um carro, se a polícia achasse no bolso esta coleção de retratos? Linchado como tarado, a vergonha da cidade. Meu padrinho nunca perdoaria: o menino que marcava com miolo de pão a trilha na floresta. Ora uma foto na revista do dentista. Ora na carta a uma viuvinha de sétimo dia. Imagine » susto, a vergonha fúlgida, as horas de delírio na alcova – à palavra alcova um nó na garganta.

Toda família tem uma virgem abrasada no quarto. Não me engana, a safadinha: banho de assento, três ladainhas e vai para a janela, olho arregalado no primeiro varão. Lá envelhece, cotovelo na almofada, a solteirona na sua tina de formol. Continue lendo

8:19Ocupe!

Excelente o caderno “Ocupe Curitiba” publicado na edição deste domingo do jornal Gazeta do Povo. Trabalho pesado da repórter Gabriela Ribeiro e edição do talentoso André Pugliesi, mostra 60 espaços públicos esportivos e culturais que muita gente não conhece, mas que podem e devem ser utilizados. Há ainda um conteúdo extra, com mapa interativo de 650 endereços da cidade, com fotos e vídeos, que pode ser acessado no bittly.com/curitiba-322-anos. Exemplo do fundamental, mas pouco exercido jornalismo de serviço, o caderno faz lembrar uma historinha vivida pelo signatário que, certa vez, ao passar ao lado do Parque São Lourenço dentro de um táxi, ouviu espantado o motorista fazer um elogio sobre a beleza daquele “clube”. Só então ele soube que o espaço não era particular, mas público, e que qualquer pessoa poderia entrar naquela bela paisagem.

7:24A Curitiba que conheci

cinecuritiba

Cine Curitiba, na rua Voluntários da Pátria, em 1950

por José Maria Correia    

“ A memória é o paraíso do homem”.

Com o perdão do mestre Rubem Braga, que abominava os textos dos  memorialistas, como escrever sobre Curitiba sem a evocação da memória?

Afinal são mais de sessenta anos de andanças e perdições, caminhos e descaminhos.

As esquinas que me viram jogando burico e correndo inutilmente atrás dos balões nas festas juninas, são as mesmas que escondem solidárias até hoje os ecos de minhas paixões adolescentes.

Esta a minha velha Curitiba, confidente única, a parceira do silêncio que comigo dividiu os roteiros juvenis e secretos de sentimentos ardentes e de tantas lágrimas vertidas por inocência e ingenuidade.

Com que saudades, Curitiba, vejo ainda nas fotografias do imaginário, os lambaris translúcidos povoando todos os rios da minha infância, águas cristalinas terminando em pequenas quedas e cascatas, domingos de futebol, campos verdes e multidões em tardes douradas de encantamento.

Como esquecer as doces manhãs de guarda-pós brancos, brilhando alvos como marfim nos pátios do 19 de Dezembro, do Julia Wanderley e do Belmiro Cesar ?

Quanta devoção pelas primeiras professoras, musas inatingíveis a criar sonhos febris e fantasias irrealizadas até hoje.

E que tempos os do Colégio Estadual, do esporte, do teatro, da música e da literatura, tudo tão diferente de hoje, da linguagem virtual minimalista, das decorebas em cursinhos massificados e vestibulares do marketing e do comércio.

Foi no Estadual, na antiga biblioteca, com a cumplicidade dos mestres e eruditos, que devorei “Os Subterrâneos da Liberdade” e toda a coleção de Jorge Amado, autor proscrito e no índex da ditadura militar que nos sufocava, mas não nos submetia.

E os roteiros underground: o voyeurismo de espiar as lindas modelos posando nuas nos porões da Biblioteca Pública, os olhos grudados nos vitrôs semi-abertos embaixo da rampa e as mãos nervosas nos bolsos das calças ainda curtas.

Levar as namoradas de surpresa na morgue da Universidade – e tirar proveito da imobilidade causada pelo terror da visão da morte mumificada em formol, para minutos de roubado erotismo.

Invadir à noite os porões e os labirintos de rituais de iniciação das lojas maçônicas, tentar decifrar as inscrições e os símbolos proibidos e finalmente a prova suprema de coragem, pular o muro do Cemitério Municipal à meia noite e atravessar sozinho de ponta a ponta, passo lento e sem pressa, entre assustadoras cruzes de bronze e sombrios  anjos de pálido  mármore iluminados por esquecidas velas e círios.

Essas proezas conferiam status, só não me perguntem quem criava tais desafios.

Depois, deixado o Estadual e já na Faculdade de Direito na Federal, vieram outros enfrentamentos, riscos maiores e nem sempre percebidos.

Em 1968 a tomada da Reitoria na luta pelo ensino público e gratuito, os muitos confrontos com a repressão, as passeatas que tomavam toda a Rua Quinze, paralelepípedos nas mãos, os comícios relâmpagos, as panfletagens e as pichações.

Quem caía protestando contra o arbítrio ficava recolhido, uma longa temporada na grade, quem não dançava e não era preso, resistia e na rua permanecia por conta e risco.

Essa foi a geração do mimeógrafo, dos manifestos de coragem e da utopia, da tinta spray e dos cabelos longos contra os tanques e blindados, as bombas e as torturas nos calabouços.

Contra os fuzis os cassetetes e os mosquetões com apenas os estilingues e as pedras como fazem hoje as crianças e os adolescentes na Palestina.

Olhando para esse tempo que não morre nunca, remanesço ainda um peregrino de todos os meus lugares santos, romeiro do antigo Bar do Pasquale cantado em prosa e verso pelo Dante Mendonça, a praia curitibana de sábado no Passeio Público.

Socorrido sempre fui nas emergências da fome pelo bar Triângulo e comensal de jantares intermináveis no Bar Palácio da Barão do Rio Branco onde mulheres desacompanhadas inexplicavelmente não eram admitidas.

E é na memória emotiva  já fragilizada que ainda procuro todos esses lugares. Procuro eterna e inutilmente a minha taça de morango com nata, esquecida para sempre em alguma mesa de almoço de domingo com meu pai no restaurante  Bar Paraná da rua XV.

Procuro, na dor da perda, meu pai, com um grito que não cala em meu coração e ecoa esses anos todos, cada vez mais sofrido, mas também mais próximo de silenciar.

Procuro minha juventude e a mim mesmo.

Procuro meu corpo jovem na imagem caleidoscópica multifacetada em cor neon- luxúria, criada pela Maria Japonesa na magia do quarto dos espelhos da boate 4 Bicos na Vila Oficinas.

No antigo Joaquim Américo à sombra dos pinheiros e nas arquibancadas de madeira ainda escuto os gritos a cada gol do furacão rubro-negro, o verdadeiro do Jackson e do Cireno, assim como escuto em meus sonhos de olhos abertos as batidas de pés no chão do Cine Curitiba a cada vez que arrebentava a já gasta fita do seriado do Fu-Man-Chu ou do Sombra (pam /pam/pam/pam/pam/pam.)

Cada vez que vou ao aeroporto ouço ao longe os metais da orquestra do maestro Genésio do dancing Águas Belas perto do primeiro motel, o 007 do pioneiro Cobrinha, e as sirenes assustadoras das viaturas em mais uma das intermináveis batidas policiais da Ronda do Delegado Paulo Lagos – e intuitivamente olho em volto em busca da proteção do armário em que, menor de idade, me escondia.

E no porão do velho Clube Curitibano ainda dá para escutar o eco do cantor Natinho em dueto com a paraguaia Perla da boate dancing Presidente, do grandão Coelho, Galopeiraaaa.

No fim da madrugada, lá no alto da Rua Visconde, encontrava o craque Zé Roberto tomando a penúltima e descrevendo para as meninas os gols que faria no dia seguinte, fugido da concentração e do velho técnico, o grande TIM, escondido na boate Caverna da Bruxa.

Quando chegava o carnaval no baile do Operário, suprema glória da viadagem curitibana , o decano  Osvaldinho abandonava o banco onde reinava na Praça Osório seduzindo os soldados vindo do interior para triunfar no Gala Gay fantasiado de Candelabro Italiano, como no filme sucesso da época estrelado pela Suzane Pleshette e pelo Troy Donahue.

Em outra Rua, a Comendador Araújo, quase ao lado da Igreja Presbiteriana, estouravam nas panelas as pipocas do maitre  Orlando na boate Gogó da Ema, metade milho, metade sal, para matar de sede os clientes, circunspectos doutores, e faturar mais alto nos drinques de claricol, campari e Sant Remy exigidos pelas meninas de programa docemente apelidadas de bailarinas, embora só bailassem na cama das espeluncas onde eram levadas pelos fregueses.

Quando a noite estava para acabar iam todas elas matar a fome com uma canja da madrugada e ouvir as histórias cheias de ironias, sabedoria, metáforas e advertências aos boêmios, platéia do velhote Perly na mesa redonda que dividia com o escritor Jamil Snege, no café do Hotel Colonial, o último refúgio da intelectualidade notívaga de Curitiba e que já  fechou as portas há décadas.

O fato é que por onde andei tratei de marcar como sacras todas essas referências antigas.

As portas cerradas dos botequins e restaurantes que nunca mais serão abertas e que escondem em seu interior vidros coloridos e opacos com os mais preciosos tesouros de minha infância, balas de ovos, balas de banana de Antonina, as figuras do Zequinha, copos de capilé, biscoitos Lucinda e Maria Mole.

Só esta Curitiba única foi minha companheira de desabafos etílicos em madrugadas brancas de névoa e neblina entre rubros vômitos de Cuba-Libre, Gin e Hi-Fi.

Nas esquinas ficaram também as serenatas e os buquês de rosas recusadas, o bumbo silenciado do Fernandinho louco, o som do Rock Around The Clock, Elvis, Beatles e Rolling Stones, que se foram como o ronco dos escapes abertos das Kombis, dos DKWS e dos Gordinis  fugindo das possantes  motos  Harley Davidson dos guardas Guerra e Pignatari,  incansáveis atrás da gurizada.

E uma a uma as lembranças foram substituindo as ilusões dos amores que seriam eternos, das conquistas definitivas e dos amigos que durariam para sempre, mas já se foram sem despedida.

Os rios e riachos foram cobertos de concreto urbano como lápides, perderam a vida e o encanto, os bosques foram enterrados em cimento, tumbas de vidro e aço e as estrelas encobertas pelas luzes artificiais desistiram de pedir socorro.

E os cinemas, ah os cinemas esses são os insubstituíveis, o velho Luz com os cartazes de Sansão e Dalila pintados à mão pelo artista o investigador Maciste, o Avenida com os épicos, entre eles os Dez Mandamentos que tanto me impressionou, as matinadas do Ópera com os desenhos  depois da missa e a as matinês do Palácio com as comédias água com açúcar de Dóris Day e Rock Hudson, estranhamente adorados por Paulo Francis, embora de péssima qualidade e sem nenhum conteúdo.

Nas bombonieres se buscava um drops Dulcora a delícia que o paladar adora, balas de chocolate e azedinhas , e life savers. Tudo era diferente, mágico e apreciado

O destaque era o gigante cine Vitória, que foi o nosso Chinese Theater, tão louvado pelo cronista misógino da Tribuna, o E.G.C., sempre impecável em sua inseparável capa de gabardine italiano e que ciceroneou Janet Leigh e Karl Malden depois de um festival organizado por ele com direito a um jantar na Confeitaria Iguaçu – e nunca mais artistas consagrados de Hollywood visitaram Curitiba.

Dos velhos e grandes cinemas transformados em bingos, igrejas mercenárias e estacionamentos decrépitos restaram só fotos e cartazes desbotados como se fossem figurinhas coladas para sempre nas páginas do álbum de minha alma melancólica.

E de tanta perda, salvo apenas as lembranças, já que procuro ainda e desesperadamente, os meus mortos todos.

Procuro a todos esperando inutilmente que um dia renasçam ou desmorram para me fazer companhia, ou deverei partir eu, já que de cada um deles e desses lugares queridos sou muito precisado para reencontrar a minha cidade.  Continue lendo

20:50Da Minha Aldeia

De Alberto Caeiro (Fernando Pessoa)

Da minha aldeia vejo quanto da terra se pode ver no Universo…
Por isso a minha aldeia é tão grande como outra terra qualquer
Porque eu sou do tamanho do que vejo
E não do tamanho da minha altura…

Nas cidades a vida é mais pequena
Que aqui na minha casa no cimo deste outeiro.
Na cidade as grandes casas fecham a vista à chave,
Escondem o horizonte, empurram o nosso olhar para longe
de todo o céu,
Tornam-nos pequenos porque nos tiram o que os nossos olhos
nos podem dar,
E tornam-nos pobres porque a nossa única riqueza é ver.

20:38Beto Richa e Luiz Abi, as explicações continuam

Do G1/Paraná

‘Temos algum convívio’, diz Richa sobre parente denunciado pelo MP

Segundo o MP, Luiz Abi Antoun chefiou fraudes em licitação do governo.
Beto Richa concedeu entrevista à RPC na manhã deste sábado (28).

O governador do Paraná Beto Richa (PSDB) comentou sobre o empresário Luiz Abi Antoun, ao qual ele tem grau de parentesco, na manhã deste sábado (28) em entrevista à RPC. O empresário é um dos sete denunciados pelo Ministério Público do Paraná (MP-PR) à Justiça, na sexta-feira (27), no inquérito que visa um suposto esquema de fraude em licitações para o conserto de carros oficiais do Governo do Paraná.

Antoun foi preso pelo Gaeco em Londrina, no norte do estado, no dia 16 de março junto com outras três pessoas por participação no esquema de fraude em licitações. Ele foi solto no dia 23 de março, após a Justiça conceder um habeas corpus.

“O parentesco é distante. E não escondo que é de minha relação pessoal como várias outras pessoas. Eu sou um homem público, de fácil acesso, convivo com centenas ou milhares de pessoas e eu não posso responder pelo erro de ninguém. Eu defendo que toda denúncia seja apurada, que todo culpado seja punido. Eu não tolero corrupção”, declarou o governador. “É da minha relação social com várias outras pessoas e temos algum convívio”, acrescentou Richa.

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18:08Devagar e bem pago

A velocidade da internet no Brasil é a 89ª do mundo. Se ficar mais lenta, vão colocar um serviço para você discar, pedir linha e entrar no sistema no dia seguinte. Claro que tudo pago, porque aqui o serviço é um dos mais caros do planeta.