9:27A América primeiro

Por Ivan Schmidt 

O presidente Donald Trump, apesar do acumulado de respostas negativas da sociedade organizada a inúmeras proposições de seu governo, incluindo instâncias superiores do próprio Partido Republicano, pelo qual foi eleito, não desiste de chocar a opinião pública de seu país e do mundo, com determinações que em si carregam pesada carga de autoritarismo.

A mais recente foi o anúncio do fim do programa que permitiu a concessão de visto de residência e trabalho a cerca de 800 mil jovens levados ilegalmente pelos pais aos Estados Unidos, com menos de 16 anos. O programa havia sido criado pelo ex-presidente Barack Obama, em 2012, e agora o Congresso terá o prazo de seis meses para emitir uma posição oficial sobre o assunto.

Obama, no entanto, considerou a medida “cruel e errada”, assim como outros setores sociais e políticos, dentre os quais os procuradores-gerais de nove estados que estão processando o presidente da República, sob a alegação de que a demanda presidencial é um flagrante desrespeito à Constituição.

Um dos pontos mais controvertidos da medida proposta por Trump em relação à extinção do Daca (Ação Diferida para Chegada de Crianças) é o teor de iniquidade de se cometerá contra crianças que, à época de seu ingresso mesmo ilegal no território norte-americano, não poderiam ser responsabilizadas por esse suposto crime, já que estavam sob as ordens de seus pais.

O presidente nada mais faz senão mostrar-se condizente com o discurso de campanha, confirmando a cada momento sua orientação anti-imigrantes e a profunda inclinação à direita de seus atos, que se vivo fosse o jornalista Paulo Francis nãon teria dúvidas em colocar em posição ainda mais extremada que a de  Gengis Khan, que considerava a quintessência do radicalismo.

Muita água vai rolar por baixo da ponte em relação ao tema delicado, exigindo do Partido Republicano (e a outra parte do Congresso) um tratamento adequado na condução das discussões sobre a política de imigração a ser aprovada para o estado americano.

Contudo, não se deve menosprezar a pressão exercida pelo presidente da República sobre os congressistas de seu partido, além das principais autoridades da administração federal e muitos governadores que rezam pela cartilha da América primeiro.

Os costumes e práticas políticas mudaram muito nas últimas décadas, e tal fato se percebe em várias partes do mundo, sobretudo nos Estados Unidos. Foram tantas as reviravoltas que a mais poderosa nação do mundo elegeu para a presidência, um homem cujo perfil e comportamento político chegam a ser uma afronta à consciência libertária de milhões de cidadãos norte-americanos, hoje enfrentando as vicissitudes de um futuro totalmente incerto.

Para o observador atento ao desenrolar da história, as atitudes arbitrárias que se sucedem desde a posse de Donald Trump na presidência, ele que jamais fora notado em alguma atividade política, tem precedentes na seara doméstica da política norte-americana.

Um exemplo disso é o presidente Franklin Delano Roosevelt, três vezes eleito para o cargo e um dos mais destacados homens públicos a governar a América. O jornalista e historiador Jonah Goldberg emFascismo de esquerda (Record, RJ, 2009) que já citei nesse espaço, escreveu que FDR, ao que se soube, “raramente lia livros, e os que leu estavam longe de ser obras de vulto. O historiador Hugh Gallagher escreve que ‘ele tinha uma mente ativa e muitos interesses, mas não era profundo’”.

Qualquer semelhança com o atual presidente é mera coincidência.

Os biógrafos, entretanto, diziam que FDR “possuía certa genialidade para sentir a temperatura política de cada época. Ele sabia ler as pessoas muito bem e pescava fragmentos de informação por meio de amplas conversas com uma gama abrangente de intelectuais, ativistas, políticos e semelhantes”. Muitos o compararam a uma esponja que dizia generalidades, a princípio tidas como agradáveis pelos circunstantes, mas que “após uma reflexão, revelavam-se sem sentido”.

Liberal que apreciava as atitudes e comportamentos primitivos de Hitler e Mussolini, anos depois FDR tornou-se o maior carrasco de ambos os sanguinários tiranos europeus.

A comparação com FDR é inválida, mas Donald Trump não consegue esconder em várias das atitudes assumidas como presidente, especialmente a reação tardia em condenar os fascistas que agiram na Virgínia há algumas semanas, que no plano ideológico está em rota de aproximação com os modernos cultores da violência contra imigrantes, negros, judeus e outras minorias. Que inclusive não

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