7:59Um carinho para as vovós

por Célio Heitor Guimarães

Não sei se o distraído leitor se deu conta, mas o dia 27, isto é, na terça-feira da semana passada, foi o Dia das Avós. Também não sei se a data foi comemorada nesta paróquia de N. S. da Luz dos Pinhais. Muito provavelmente, não. Todo mundo diz gostar da vovozinha, mas homenageá-la com um dia especial acha “uma cretinice”, como achava o jornalista Sérgio Porto, o imortal Stanislaw Ponte Preta.

Lalau afirmava que só no Brasil colava uma idiotice dessas: “Se já se comemora o Dia das Mães, por que o Dia das Avós?” E indagava, com alguma razão: “Acaso alguém consegue a proeza de ser avó sem ter sido mãe?” Sérgio Porto não entendeu que, apesar do apelo comercial, era apenas (como ainda é) mais uma maneira de reverenciar e dar carinho às velhinhas, que tanto merecem.

Mãe é a coisa mais importante desta vida, mas avó é uma coisa especial, única, quase celestial, que apenas aqueles que têm ou são conhecem. Por isso, na condição de autoproclamado porta-voz dos avós sem coluna, transcrevo aqui um belo texto que me foi enviado, algum tempo atrás, pelo avô Renato Mazânek. Talvez o leitor Raphael Junqueira ache coisa velha, mas não importa. É uma ode à arte de ser avó, uma composição que será perenizada pela beleza, capaz de comover até mesmo aqueles que ainda não receberam a suprema glória de se tornar avó (ou avô):

Perguntaram a uma menina de nove anos o que ela gostaria de ser quando crescesse. Ela respondeu sem pestanejar: “Eu gostaria de ser avó!”.

Interrogada do porquê desse decisão, não teve dúvida ao responder:

–   Porque as avós escutam, compreendem. E, além disso, a família se reúne todinha na casa delas.

E foi em frente: “Uma avó é uma mulher velhinha que não tem filhos. Ela gosta dos filhos dos outros. Leva os netos para passear e conversa com eles.

“As avós não fazem nada e por isso podem ficar mais tempo com a gente. Como elas são velhinhas, não conseguem rolar pelo chão nem correr. Mas não faz mal. Elas nos levam ao shopping e nos deixam olhar tudo até cansar. Compram chocolate e sorvete. Na casa delas tem também um vidro com balas, outro com chocolates e outro cheio de bolachas.

“Elas contam histórias de nosso pai ou de nossa mãe quando eles eram pequenos, histórias de uns livros bem velhos com muitas fotografias. Passeiam conosco, mostrando as flores, ensinando seus nomes e fazem-nos sentir os seus perfumes.

“Avós nunca dizem ‘depressa!’, ‘já pra cama!’ ou ‘se você fizer isso, vai ficar de castigo!’. Quase todas elas usam óculos e eu já vi algumas tirando os dentes e as gengivas.

“Quando a gente faz uma pergunta, as avós não dizem ‘menina, não vê que eu estou ocupada?!’. Elas param o que estão fazendo, pensam e respondem de um jeito que a gente entende.

“As avós sabem um bocado de coisas. E elas não falam com a gente como se fôssemos bobos. Nem se referem a nós com exclamações tipo ‘que gracinha!’, como fazem as visitas.

“O colo das avós é quente e fofinho, bom de a gente sentar quando está triste.

“Todo mundo deveria ter uma avó, porque, com os avôs, são os únicos adultos que têm tempo para a gente”.

Eis aí porque as avós são as mais doces criaturas deste mundo. Duplamente mães, suprem com um sorriso, um olhar carinhoso e um gesto de puro afeto as lacunas deixadas pelos atarefados país. Merecem, pois, não apenas um dia especial, mas todos os dias da nossa existência.

E agora, se me dão licença, vou dar um beijo na vovozinha do Eduardo e da Fernanda, que tenho aqui em casa.

 

 

 

 

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