11:34DIAGNÓSTICO: ANOMIA

Rogério Distéfano

DESESPERO e falsa esperteza essa de Lula pedir apoio da ONU contra o juiz Sérgio Moro. Desespero porque o mandado de prisão já deve estar pronto na ‘masmorra do Brasil’ (apud Rafael Greca). As últimas delações dos empreiteiros não indicam outro caminho. Falsa esperteza, pois é visível a estratégia de o ataque ser a melhor defesa; Lula se antecipa ao inevitável.  Curioso que recorre à ONU antes de qualquer ação judicial contra ele ou defesa/recurso dele contra a ação judicial.

A ONU ignora Lula desde que ele salvou o Brasil – e a si e aos seus – da miséria. Não será agora, quando um país soberano, de normalidade institucional plena, aciona mecanismos do estado de direito (não me venham com a papagaiada esquerdista de estado de direito democrático; se o estado não é democrático não é de direito). Tem coisa mais séria na ONU, como a Coreia do Norte e o terrorismo islâmico. Nas coisas de Lula sempre ressalta ou a ignorância ou a insensibilidade frente ao institucional.

Corruptos maiores do Brasil nunca recorrem a organismos internacionais. Os cinco grandes mafiosos brasileiros (todos sabem quem são) estão quietos em seus cantos. Eduardo Cunha pode depositar dinheiro no Exterior, mas se defende aqui dentro, não vai à ONU. A postura de Lula sobre as instituições teve seu signo prévio na dupla cidadania adquirida pela então primeira dama Marisa Letícia e seus filhos. Lula presidente não viu nada demais. Assim também os duros (para fora) intelectuais do PT.

Aliás, dirigentes e líderes de todos os partidos foram condescendentes com o escapismo pequeno burguês da dupla cidadania de Marisa Letícia – que alcança os filhos e protege o marido. Os formadores de opinião não se deram ao trabalho de apontar o acinte simbólico de o presidente do maior país da América Latina ter a primeira dama apequenando a nacionalidade brasileira. É que nesse aspecto somos todos iguais na humilhação nos aeroportos do primeiro mundo. A dupla cidadania garante o passaporte respeitado, sem revista e interrogatório.

Lula é assim, assim continuará: o lado B do cangaceiro, resistente ao estabelecido, sem outra percepção que não a de si mesmo. Na comparação de posturas de Lula diante da Lava Jato e Mensalão, políticos como José Sarney e Renan Calheiros crescem, posam de estadistas quando posam de respeitar as instituições. Vide o emblemático “decisão da Justiça não se questiona; cumpre-se” do igualmente emblemático Fernando Collor. Aparências, sim, mas simbólicas. Símbolos têm função cívica.

Tentemos entender a ação de Lula na ONU. A bem da verdade não foi Lula quem inventou a tática. Dirceu, Genoíno, Dilma fizeram igual. Não demora, a senadora Gleisi Hoffmann acampa no saguão da ONU num cortejo de companheiras como Marilena Chauí, Maria do Rosário e outras para reclamar da injustiça no Brasil. A atriz Sônia Braga descerá de Manhattan para levantar o cartaz da denúncia. Distante das telas há algum tempo, até o ator Danny Glover virou petista, pau mandado da mulher brasileira.

Quando recorrem a organismos internacionais, os petistas refletem um complexo de vira-lata próprio. Não o complexo genérico, de todos nós vira-latas brasileiros, envergonhados de nós mesmos diante dos estrangeiros e no estrangeiro. Esse tem maior incidência nos burgueses, grandes e pequenos. Os petistas padecem de um complexo de vira-latas específico, face os compatriotas. Sentem-se inferiores aos coxinhas e fragilizados diante das instituições – que consideram burguesas, em mãos burguesas.

O discurso anticoxinha é o melhor indicativo do complexo. Coxinhas são os burgueses, grandes, médios e pequenos que julgam com rigor moral extremado os governos petistas (aliás, o mesmo rigor que os petistas aplicavam aos governos pré Lula). A bem da verdade, os coxinhas também são duros com seus corruptos favoritos. No comportamento do PT em tempo de impeachment e Lava Jato não existe apenas a revolta de perder o comando. Existe a revolta de ser rejeitado pela sociedade brasileira.

Assim, se os petistas consideram as instituições alheias ou antagônicas a eles, mesmo com a nomeação de simpatizantes (de extração burguesa) para os tribunais superiores, se assistem juízes e procuradores contaminados pelo moralismo pequeno-burguês de Sérgio Moro, passam a se comportar como aqueles que depredam escolas, bens e instalações públicas. Isso tem nome, literatura e diagnóstico: anomia – a revolta, no geral inconsciente, contra as instituições que geram sentimento de rejeição e exclusão.

Uma ideia sobre “DIAGNÓSTICO: ANOMIA

  1. Zé Povinho

    Ká ká ká quero ver o 51 pedir guarida aos italianos, aqueles mesmos que lhe pediram que recambiasse um assassino condenado pela morte de duas pessoas, fugitivo internacional e que ele, 51 e o seu ministro da Justiça, seria melhor dizer da Injustiça, classificarem de refugiado político. Duvido muito que os italianos acolham o pedido de homizio deste cidadão que, com medo tremendo de prestar contas à Justiça foge dela como diabo da cruz.

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