12:59O ANARQUISTA

O AMOR NO TEMPO DO GOLPE

pelémarcia

márcia & pelé

Cantor e compositor bissexto, Pelé lançou ‘Esperança’, música para a Olimpíada, que compôs e interpreta. A canção é como tantas, de ocasião, nascidas para explorar momentos de exaltação, no caso exaltação (!) nacional. Não fica acima nem abaixo da outra famosa, para a Copa de 1970, ‘Eu te amo meu Brasil’, composta por Dom e gravada pela banda Os Incríveis, que se tornou vinheta da ditadura militar.

Na época, a exaltação da vitória na Copa levou alguns a propor que o Hino da Copa substituísse o Nacional, e a Taça Jules Rimet a espada de D. Pedro no Grito do Ipiranga. Se o PT continua no poder o Hino Nacional fatalmente será trocado pelo Xaxado Metalúrgico, com o refrão “enfiem no c*”. Se o Nacional teve melodia de Pedro I, por que o nacional atual não poderá ter letra e música de Lula II. Herói por herói, para a companheirada Pedro e Lula têm quase o mesmo tamanho, Lula um metro mais alto e uma mulher a menos.

O baixinho Romário que perdoe, Pelé tornou-se cantor acima do razoável. Melhor cantor aos 74 que antes, algo de que o baixinho-senador não pode se vangloriar; no Senado continua parado na área, agora sem visão de jogo e sem Bebeto – confira-se o impeachment de Dilma. E no quesito mulher, Romário tem sido algo heterodoxo. Na terceira idade, ruim da coluna e doente do pé, Pelé casa pela terceira vez. Noiva interesseira? Nunca. Na melhor idade existe o melhor amor…

A lírica de Pelé tem amor e musa: Márcia Cibele Aoki, delicada beldade nipo-brasileira, resplandecente aos 49 anos. “Meu primeiro amor foi uma japonesa. Meu último amor é uma japonesa”. A Olimpíada é metáfora para a música. Sua Esperança não está no ouro olímpico, sim no pódio tríplice coroado de Márcia. Treinado e embalado no carinho de Márcia, Pelé finalmente é um poeta também fora de campo.

ROGÉRIO DISTÉFANO

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