19:00HORÓSCOPO

por Zé da Silva

Encontrei os envelopes numa gaveta que parecia emperrada para sempre. Móveis antigos numa casa velha. Um dia encafifei e puxei com toda força. Elas abriram e eles se espalharam no chão de tacos brilhantes. Centenas, intactos. Prontos para serem utilizados desde quando? Alguns amareleceram pelo tempo. Eram menores. Outros, não. Branquinhos. As bordas em verde, amarelo e branco. No parte em que vai o nome do endereçado, um retângulo azul onde se lê “VIA AÉREA” E “PAR AVION”. Sentei e olhei aquela quantidade imaginando o quanto quem as guardou ali escreveu. Cartas. Provavelmente a caneta tinteiro. Seria uma Parker 51 com tinta azul lavável? E quem as recebia? Responderam? Não encontrei nenhuma carta recebida pelo falecido dono da casa. Recolhi os envelopes. Agora quem vai escrever sou eu. E como estamos em tempos modernos, as colocarei dentro de garrafas e jogarei ao mar. Quem as encontrar vai entender o que vou escrever. É sobre essa história.

 

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