8:05100º encontro Croquis Urbanos Curitiba

por Fabiano Vianna

100 encontros ininterruptos. Quase dois anos de croquis dominicais.

Mais de 700 croquizeiros já assinaram o livro de presença.

Sem falar dos fantásticos e talentosos fotógrafos, que além de captarem imagens únicas, inesquecíveis e belas, foram essenciais em registrar toda nossa história.

Sob o sol ou chuva. Conduzido pelas mãos, lápis, máquinas fotográficas e pincéis de todos. Pela vontade de se encontrar para desenhar.

Foi na esquina da Praça Generoso Marques que tudo começou. Do alto do 8º andar, Lia avistou o arquiteto Reinoldo Klein desenhando, sentado sobre um banquinho emprestado da pastelaria. Marconi desejou juntar-se ao colega. Pretendia, naquela época, conhecer e aproximar-se dos desenhistas da cidade.  Depois uniu-se a eles o professor Wagner Polak. Quem diria – naquele dia, não podia imaginar no quê seu pequeno bando de quatro se tornaria.

E justamente na cidade lendária por seus habitantes “fechados, que não gostam de conversar com estranhos”.

Engraçado. Conversamos com estranhos todos os domingos. Novos croquizeiros surgem a todo instante. E cada vez mais.

Nossos domingos compõem-se de sessões de croquis ao lado de desconhecidos.

E esses estranhos tornam-se próximos. Habitués. Colegas de traços. Amigos.

Isso porque o que nos une é o prazer do desenho.

Este objetivo aparentemente simples, mas ao mesmo tempo complexo – no sentido de abrigar tantas camadas.

E acreditamos que é por isso que nossos encontros dão tão certo. Não há complicação em nos encontrarmos para desenhar.

A liberdade quanto à interpretação do manifesto dos urban sketchers (segue abaixo) também. O local de encontro é a faísca. A inspiração que gera diversas interpretações livres com técnicas diversas. Tudo é permitido. Para que a alegria não seja tolhida.

Durante vários cafés conjecturamos como seria nosso 100º encontro.

Mas a verdade é que não precisamos de muito. O que temos que fazer é nos encontrarmos às 9h30 aos domingos e croquizarmos até o sino tocar às 11h30. Depois admirar os desenhos e fotografá-los.

Como fizemos em todas as vezes.

E faremos exatamente isso no 200º encontro. E nos vindouros.

Aos poucos mudamos a rotina da cidade. Já fomos até considerados pontos (de fuga) turísticos.

Registramos construções ameaçadas, prédios pichados, lugares pitorescos, praças arborizadas, bosques em perigo, ruas, flores, cadeiras, igrejas… Enfim, capturamos um pouco do tempo da cidade.

Horas transmutadas em imagens estáticas.

Infinitas presenças.

Espero que depois de nós, outros continuem. Que não exista nunca mais, em Curitiba, um domingo sem croqui.

 

O que é Croquis Urbanos Curitiba?

 

Nós somos um grupo ABERTO de desenhistas iniciantes, amadores e profissionais que passeia por Curitiba em busca de temas para croquis. Nosso objetivo é registrar a cidade, seus habitantes e aprender uns com os outros sobre as possibilidades do desenho de observação.

 

O que é Croquis?

 

Segundo a Wikipédia, croquis é uma palavra francesa aportuguesada como croqui ou e pode ser traduzida como esboço ou rascunho feito rapidamente.

Um croqui, portanto, não exige grande precisão, refinamento gráfico ou mesmo cuidados com sua preservação, diferente de desenhos finalizados. Costuma ser realizado em intervalos de tempo relativamente curtos (no nosso caso: 2 horas). O que costuma ser mais importante no croqui é o registro gráfico de uma ideia instantânea, através de uma técnica de desenho rápida, expressiva e descompromissada com parâmetros do desenho acadêmico clássico.

Um croqui, dado o seu aspecto de instantaneidade e diálogo informal, não costuma seguir regras formais de desenho ou técnicas muito elaboradas. Os principais materiais para elaboração de croquis são justamente aqueles que não exigem um refinamento maior de desenho: aquarela, lápis grafite e de cor, barras de grafite e carvão, giz de cera, giz pastéis, entre outros.

 

Como o Croquis Urbanos Curitiba surgiu?

 

Do alto de seu apartamento na Praça Generoso Marques, no centro de Curitiba, os designers Lia Monica e José Marconi avistaram o arquiteto Reinoldo Klein desenhando o prédio do Paço Municipal. Desceram e pediram para acompanha-lo na aventura. Na mesma semana, Marconi recebeu o telefonema do também professor e arquiteto Wagner Polak propondo a reunião de um grupo para desenhar cenários da cidade para uma possível história em quadrinhos. Pronto. Estava formado o trio que iniciou, da forma mais despretensiosa possível, o coletivo Croquis Urbanos Curitiba.

 

O primeiro encontro ocorreu no dia 10 de março de 2013 e de lá para cá não houve um final de semana em que não tenha havido uma sessão de Croquis Urbanos, ou seja, já fizemos 60 encontros semanais ininterruptos. Nosso principal compromisso é nos reunir todas as manhãs de domingo, faça sol ou faça chuva, para desenhar juntos.

 

O núcleo de colaboradores mais antigo e assíduo inclui profissionais das artes gráficas e arquitetura como Fabiano Vianna, Simon Taylor, Gustavo Ramos, Cassio Shimizu, João Paulo de Carvalho e outros.  A atual lista de participantes inclui mais de 150 nomes e semanalmente reunimos em média 40 participantes.

 

O Croquis Urbanos mantém uma “fan page” no Facebook que tem mais de 5.300 seguidores.  Esta página funciona como suporte virtual para apresentar os desenhos, manter o diálogo e marcar os encontros do domingo seguinte, onde o clima de camaradagem impera.

 

“‘Croquizar’ em grupo é muito mais prazeroso”, afirma Fabiano Vianna, um dos participantes mais assíduos. “No final, todos curtimos o desenho um do outro e trocamos muitas ideias. Um sugere um tipo de material, outro fala de uma papelaria boa, etc.”, completa.

Mas nem só de desenho vive o “Croquis”. Um grupo de fotógrafos também está sempre presente para registrar as atividades do grupo. As fotos (e até alguns vídeos) são sempre publicadas na rede social.

 

Regras

Apesar de ser um grupo aberto e que desenha por prazer, o Croquis Urbanos estabeleceu regras que garantem a caracterização os resultados gráficos como um croqui: o desenho precisa ser desenvolvido dentro do tempo de duas horas, das 9h30 às 11h30. Embora acabamentos finais possam ser acrescentados depois.

 

Além disso, existem as 8 regras do Urban Sketchers, grupo mundial que pratica o desenho de observação e serviu de inspiração para o Croquis, que acrescentou uma 9ª regra* que dita que o desenho deve ser feito no tempo estipulado.

 

Manifesto:
1. Desenhamos in loco, no interior e no exterior, registrando diretamente o que observamos.
2. Os nossos desenhos contam a história do que nos rodeia, os lugares onde vivemos e por onde viajamos.
3. Os nossos desenhos são um registro do tempo e do lugar.
4. Somos fiéis às cenas que presenciamos.
5. Usamos qualquer tipo de técnica e valorizamos cada estilo individual.
6. Apoiamo-nos uns aos outros e desenhamos em grupo.
7. Partilhamos os nossos desenhos online.
8. Registramos o mundo, um desenho de cada vez.

9. O croqui deve ser desenvolvido no tempo estipulado dentro do encontro, embora acabamentos possam ser acrescentados depois. *

 

Página dos Croquis Urbanos Curitiba:

https://www.facebook.com/croquisurbanoscuritiba

 

Página do Urban Sketchers:
http://www.urbansketchers.org/

 

Página da versão brasileira:
http://brasil.urbansketchers.org/

 

Manifesto dos croquizeiros urbanos:
http://urbansketchers-portugal.blogspot.com.br/

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