7:11O dia em que o ônibus da seleção atropelou a Globo

por Keila Jimenez

Cerca de 300 profissionais, cinco câmeras exclusivas, duas de apoio, helicóptero, 34 câmeras da HBS (emissora geradora de imagens da Fifa) e a Globo foi atropelada, praticamente ignorou um dos momentos mais esperados da cerimônia de abertura da Copa: o chute inicial do Mundial de futebol, dado por um paraplégico vestindo um exoesqueleto.

Sim, amigos da Rede Globo, no momento exato do chute, a Globo dividiu a tela de transmissão para mostrar a imagem aérea -mais uma- do ônibus da seleção brasileira entrando no estádio, com Galvão, narrador da cerimônia na emissora avisando: “E vem chegando a seleção brasileiraaaaa”. E lá se foi um projeto de uma vida inteira do neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis. Nem uma citação, nem uma palavra sobre o exoesqueleto, nada sobre o tal chute.

A Band exibiu rapidamente, sem dividir a tela, e os canais pagos também não fizeram alarde algum.

O mea-culpa veio minutos depois, pouco antes de o jogo da seleção começar. A Globo tentou se redimir com um replay da imagem em câmera lenta, três vezes, com direito a Galvão de voz embargada narrando tardiamente o momento “histórico”.

Antes Galvão e Patrícia Poeta, sua companheira na transmissão na Globo, tivessem se calado em outros momentos da cerimônia. Pois veio deles constatações da festa que mudaram as nossas vidas como: “Sim, é uma samambaia”, sobre um bailarino vestido de verde.

Desanimada com a abertura, a turma do SporTV cortava a todo momento a transmissão para mostrar entrevistas de técnicos, jogadores e imagens da seleção. ESPN e Fox Sports deixaram o áudio sofrível da festa correr solto, rezando para acabar logo. Eles e a audiência que, mesmo assim, compareceu. Na Globo, a cerimônia de abertura registrou prévia de 27,4 pontos de audiência, com 52% de share (participação no total de televisores ligados no horário).

Na Band, a transmissão marcou 8 pontos de ibope. Cada ponto equivale a 65 mil domicílios na Grande São Paulo.

Mas, para Datena, o que valeu foi a festa, mesmo que simples, pois ela teve “a cara do povo brasileiro”. Segundo o âncora, a abertura estava “animada demais”, “linda” e “pegando fogo”. Pois é. Escalado para transmitir a cerimônia pelo BandSports, o narrador do apocalipse diário na cidade tentou fazer milagre com santo de casa. Não deu.

*Publicado na Folha de São Paulo

Compartilhe

2 ideias sobre “O dia em que o ônibus da seleção atropelou a Globo

  1. sara

    É o velho complexo de vira-latas. Se o feito fosse de um cientista inglês ou norte-americano a babação de ovo seria geral, do Galvão se estendendo a todos os outros comentadores. A autofagia, da qual se falava em tempos idos, continua galopante; basta ver muitos comentários que aparecem nesse espaço.
    Vozes se levantam sempre para denegrir, nunca exaltar o que é feito pelos brasileiros.
    Esquecem as mazelas de outros povos, inclusive dos ditos desenvolvidos.

  2. juca

    `Só compararmos as mazelas dos outros países, como Iraque, Síria e outros com o n`mero de mortes deles com o do Brasil, e olhe que nós não vivemos numa guerra civil, e sim numa guerra disfarçada de assaltos, violência contra a mulher, a criança, no trânsito que morre mais gente do que algumas guerras atuais. Agora se for mostrado a hospitalidade do brasileiro, as belezas naturais aí sim são situações reais e válidas, mostrar Brasília, somente a cidade , o conteúdo salvo a população, não pode nem ser dito que existe. Então o que se mostra também deve conter a realidade, isso não é denegrir se assim não fosse dito, estaríamos nos enganando e tampando o sol coma peneira
    .

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.