8:05História de vida no Palácio que sumiu

Do jeito que veio:

A misteriosa demolição do Palácio Monroe

O Palácio Monroe abrigava o Senado Federal no Rio de Janeiro (RS) antes da construção de Brasília. Em 1976, em plena ditadura, o edifício histórico foi demolido por ordem do então presidente, general Ernesto Geisel. Os motivos que levaram a destruição do prédio nunca foram explicados. Esse é o pano de fundo do livro “Palácio Monroe: Biografia de uma sobrevivente”, escrito por Eleosina Martinez Silva,  lançado no final de 2012 em Curitiba, onde moram alguns de seus familiares.

Aos 84 anos, a ex-datilógrafa do Senado Federal decidiu contar parte da história do Brasil e da própria vida, recordando o período em que transcrevia os discursos dos senadores que ocupavam o plenário do Palácio Monroe. Ela também levanta a questão sobre a estranha circunstância que levou a demolição do prédio. As autoridades nunca deram uma explicação convincente e contaram com a conivência de parte da imprensa. “Descobri por acaso que o palácio havia sido demolido, quando vi a notícia da venda de duas estátuas de leões que ficavam na entrada, isso somente 23 anos após a demolição”, recorda Eleosina, que foi funcionária do Senado de 1947 a 1952.

O governo da época argumentou que era preciso a remoção do prédio para construir o metrô. Hoje existe a Estação da Cinelândia, que fica ao lado da Praça Monroe, onde antes estava o palácio. Mas a própria Riotrilhos nega que fosse preciso demolir o palácio. Uma das hipóteses é que o prédio havia sido obra do pai de um desafeto do Geisel, que por vingança decidiu destruí-lo, mas nada foi comprovado.

Ao contar parte da sua história, a intenção da autora é despertar o interesse de mais pessoas pela busca das verdadeiras razões por trás da destruição de parte da história do Brasil. Como dizia a frase de um manifesto que tentava evitar a demolição do prédio: “… restará aos usuários do metrô perceberem que, onde foi o Monroe, haverá uma misteriosa curva…”. Quem usa a linha diariamente sabe o que isso significa.

Eleosina Martinez Silva: vida no palácio que desapareceu

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