19:08Edgar Yamagami, adeus

O Edgar era um poeta e seu sobrenome rimava com origami. Delicado como pessoa e até perfil físico. Durante quatro anos convivi com ele na redação da assessoria de Comunicação do Palácio Iguaçu. Falava pouco. Trabalhava muito bem. Seu corpo era tão sensível como sua alma. Foi por isso que se foi – e a notícia atravessou este domingo de por do sol de várias cores. Às vezes telefonava e dizia que não estava bem, isso porque tinham me colocado como chefe daquela redação. Eu dizia para ele ficar em casa e se cuidar. Um dia conversamos e recomendei-lhe um terapeuta. Ele foi porque até então não tinha descoberto o porquê de às vezes não conseguir ter ânimo para levantar da cama e sentir o mundo pesando na sua cabeça. Tempos depois, discretamente, como ele era, agradeceu. Saí dali e ele continuou, funcionário público que era. Às vezes coincidia de ele atender a ligação. Sabia o que informar, como informar. Era um grande profissional e integrante do time das pessoas de bem. Quem conviveu com ele aprendeu.
Segue um breve currículo postado no Google
Nasceu em 1956, em Apucarana, norte do Paraná, Brasil. Descendente de japoneses de classe média, é o segundo de quatro irmãos.
Aos 17 anos, deixa a família e segue para Curitiba, onde ingressa no curso de Jornalismo da UFPR. Com poucos recursos financeiros, mora na Casa do Estudante Universitário (CEU) por quatro anos.
Durante a faculdade, fez estágio na Fundação Cultural de Curitiba e nos jornais Correio de Notícias e Diário do Paraná. Fez um ano de curso de formação de atores no Teatro Guaíra. Ajudou na produção do filme Aleluia Gretchen, de Sílvio Back, e participou de duas coletâneas em livros de poetas paranaenses – todos na faixa dos 20 a 25 anos. Teve o incentivo de Paulo Leminski, Alice Ruiz, Reinaldo Jardim e Manoel Carlos Karam.
O primeiro trabalho profissional foi em 1979, quando atuou como repórter na TV Paranaense – Rede Globo. Dois anos depois, até o ano 2000, foi editor na mesma emissora.
Juntamente com o trabalho na televisão, foi repórter e editor no governo do Paraná, onde atua como jornalista até hoje.
Aprecia música, literatura, cinema, televisão, internet, artes plásticas. Faz pequenos poemas, postados na Facebook.

11 ideias sobre “Edgar Yamagami, adeus

  1. Veronica Macedo

    Ed, meu querido samurai, poeta e jornalista, meu amigo por mais de 30 anos, era bom demais pra este mundo torto.
    Fica a saudade e a certeza de que o Universo gosta de poesia, por isso, o convocou!

  2. Lina Faria

    Estudei com ele.
    Sempre inteligente, sensível e atencioso.
    Descobri sua poesia há pouco.
    Quanto sentimento!
    Que triste.

  3. Bitte

    Zé:

    Acho que vou apresentar uma proposição lá no Sindicato dos Jornalistas: prá este restinho de ano, é PROIBIDO morrer jornalista.
    O Ed, o meu amigo Samurai-Butterfly – como eu o chamava, vai levar uma multinha, porque morreu antes da hora.
    Foi embora e levou um pedaço do coração de cada um de nós.

  4. Rodrigo Asturian

    Tive o privilégio de ter meus textos editados por ele. Vai ser um exemplo para a geração de jornalistas que fica. Muito triste, estive no velório para a despedida. Mas a lembrança boa dele fica.

  5. Carlos Augusto Gaertner

    Edgar era um Rapaz,
    Um Samurai,
    Um Poeta Rockeiro Oriental,
    Um Ser Genial.
    Aí, essa doeu!
    Saudades amigo!

  6. Geraldo Serathiuk

    Quando entrei na CEU- Casa do Estudante Universitário em 1978 conheci o Edgar.
    Pertencia ao chamado Grupo dos Poetas lá da casa, composto por democratas que sempre apoiaram e participaram da luta pela Democracia, pela Anistia, Constituinte e Diretas.
    Foi daqueles que tinha coragem, pois não era igual a aqueles covardes que viraram democratas depois que a ditadura caiu.

  7. Ivan Schmidt

    Mais uma perda lamentável para o jornalismo paranaense. Trabalhei com ele na Agência Estadual de Notícias em duas ocasiões e ele sempre mostrou competência, agilidade e espírito de colaboração. Era dono de um texto limpo e objetivo como deve ser o de um repórter que conhece o chão onde pisa…

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