15:47Mussa José Assis, adeus

O jornalista Mussa José Assis faleceu hoje em Curitiba. Ele tinha 69 anos e estava internado por conta de complicações de um enfisema. Ex-diretor dos jornais O Estado do Paraná e Tribuna do Paraná, aos 21 anos foi secretário de redação do jornal Última Hora em São Paulo. Trabalhava ao lado de Samuel Wainer. Responsável pela criação do jornal Correio de Notícias, também foi secretário de Comunicação do Governo do Paraná. É considerado um dos melhorias profissionais da história do jornalismo do Estado. Mais que isso, era uma pessoa de coração imenso. Recentemente um grupo de jornalistas se reuniu para um almoço na chácara onde ele morava, na estrada velha para São Paulo. A maioria que estava ali aprendeu muito com o mestre. O signatário não teve esse privilégio, mas mesmo assim, ao falar com ele ao telefone sobre assuntos profissionais, ganhou doses de experiência. Recentemente foi ao ar no canal a cabo ÓTV uma longa entrevista que ele deu a Herivelto Oliveira no programa “Conversa com a Fonte”. Mesmo doente, mostrou até onde ia sua enorme sabedoria sobre a profissão. Segue um relato de Anselmo Meyer e duas fotos deste último encontro com o grande Mussa. Que Deus o tenha.

É muito triste a notícia do falecimento do grande Mussa José Assis. Mas na minha lembrança não ficará a tristeza, mas sim os ensinamentos que tive com ele durante dez anos de redação em O Estado do Paraná. Meu professor na prática. No cotidiano de uma redação. E mais: um grande amigo, que abriu as portas da sua casa para convier num dos ambientes mais felizes que encontrei, que era o de sua família. Força a dona Guiomar, Marcelo, Rodrigo, Fernanda, Erica e Cláudio. E um abraço fraternal e de conforto ao meu grande amigo Chico Assis.

Mussa e o time de jornalistas que ajudou a formar

20 ideias sobre “Mussa José Assis, adeus

  1. Célio Heitor Guimarães

    A notícia não poderia ser mais triste. Além de profissional exemplar, Mussa era uma figura humana extraordinária. Tinha apenas um defeito. Ou dois: fumava desesperadamente e vivia fugindo dos médicos. Quando foi entrevistado pelo Herivelto de Oliveira, na ÓTV, fiquei preocupado. Achei-o muito abatido, embora mantivesse o raciocínio rápido. Telefonei para o filho Chico. Ele me disse que o pai ia indo, fumando e escapando dos médicos. Depois que foi saído de “O Estado do Paraná”, que era a sua vida, nunca mais foi o mesmo. Vai fazer muita falta, muito mais do que se imagina.

  2. ruthbolognese

    Zé,
    Ao saber da morte do Mussa, num lapso de memória, pensei: “tenho que avisar o Franco”. Mas o Franco se foi há 4 anos^, um mês e três dias. Agora, o Mussa. E com eles, muito de mim.
    Ruth

  3. Mariana

    Zé, triste mesmo. Chorandinho escondida aqui no trabalho. Embora não tenha convivido pessoalmente com o Mussa, ouvi durantes esses anos, pelos meus pais e seus amigos, falarem tanto dele que sempre pensei se tratar de uma figura meio mitológica e, portanto, imortal. Meu abraços e condolências à família e, em especial para o Cláudio, o caçula do Mussa, com que cursei a faculdade de Direito. Mariana Franco

  4. Bitte

    Todo o jornalismo paranaense está de luto. Metade ficou órfão.
    Além da orientação na redação, para que não ficássemos tão burros, o papo com o Mussa tomando café e pitando um palheirinho era uma glória. Como era bater papo no corredor do Mercado Municipal.
    Um abraço pro Chico e toda a família.

  5. Raul Urban

    De Raul Guilherme Urban

    PERDEMOS O MUSSA

    A notícia, em pleno expediente, veio às 15h35, da boca do amigo e secretário de Comunicação da Prefeitura, Gladimir Nascimento, que por acaso participava de uma reunião na Urbs. Na verdade, foi minha colega de assessoria, Duca Batiston, a quem Gladimir se reportou acerca da perda do nosso amigo, mestre, professor e ainda até há tempos nossa bússola na redação de jornais, Mussa José Assis. Sim, estava adoentado, há tempos não comparecia mais aos corredores, sábados, no Mercado Municipal onde se mostrava carregado de pacotes com acepipes, temperos e especiarias. Lembro que ainda há cerca de 30 dias, aqui mesmo, neste espaço, Célio Guimarães dizia-se triste com o estado de saúde de quem sempre foi nosso Norte, bússola itinerante que vagueou pelos endereços tantos, como a Última Hora – num passado mais passado -, ou então, no O Estado do Paraná, onde tive o privilégio de trabalhar regido por ele, primeiro, como diagramador, depois como repórter e redator. Infelizmente não tive o privilégio de conviver com Mussa no Correio de Notícias, quando a redação fervilhava na rua Benjamim Constant.
    Outro dia, ao falarmos de Mussa, numa roda da Boca Maldita, brinquei falando “do homem que colecionava carros”. Pois é: Mussa, quem diria, era dono, ainda no início dos anos 1990, se não me engano, entre outras marcas, de um veículo que foi, sem dúvida, um marco na indústria automobilística brasileira, tal a inesse de suas linhas, jamais repetidas: um DKW Fissore, construído aí por 1965.
    Quantas vezes, observando-nos de dentro do aquário da velha reação do também já saudoso Estadinho, na rua Barão do Rio Branco, 556, ensinava aos brados; ou nos tranmquilizava, novatos que então éramos no ofício, apoiando-se em nossas costas, enquanto procurávamos desesperadamente pelo lead daquela tal notícia que insistia em não querer sair no batuque das velhas e heróicas máquinas de escrever Olivetti 80.
    Mussa nos foi – e a partir de hoje continuará sendo – um eterno lampejo de sabedoria. Outro dia, aqui mesmo, neste espaço, ao falar de Mussa, em resposta ao já citado comentário do Célio Guimarães, frisei o tempo lúdico que foi o da nossa formação. Ora, que tempos eram esses – hoje inexistentes -, em que, recém-ingressos na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras – Curso de Jornalismo, da Universidade Católica do Paraná, já éramos privilegiados em estarmos empregados nas reedações, graças às mãos dos jornalistas de então, que dividiam seu tempo entre os jornais e a cátedra? Repito o que já contei outro dia: o Estadinho tinha como rival o também já finado Diário do Paraná. Sim, a Gazeta do Povo já era um marco, mas a “guerra da notícia” estava sempre respaldada entre a redação da rua Barão do rio Branco e a da então existente na rua José Loureiro, a poucos metros do igualmente saudoso Bar do Luiz.
    Confesso não ter mais encontrado Mussa há muito tempo. Retirado da rotina, longe dos focos daquilo que mais amou, que foi sempre a redação – ou mesmo a velha oficina, onde o acompanhei num tempo em que fechávamos edições com linotipos e muito chumbo, com ajuda das calandras – quem mesmo lembrava dele hoje em dia? Num tempo em que a parafernália da informática domina os espaços antes ruidosos de redações que hoje se assemelham mais a higiênicos hospitais e onde predomina sobremaneira o silêncio até mesmo entre os jornalistas, velejar no tempo e buscar na fonte um pouco do que foi aprendido (e apreendido), merece ser mostrado aos que agora ingressam no campo minado do fazer notícias.
    Ainda há pouco, abatido com a notícia, mas respirando fundo para recordar o que ficou de bom, lembrei de duas máximas do meu ex-mestre: diante do quadro negro, na sala de aula da UCP, que então funcionava no antigo Colégio Santa Maria, dedo em riste (no bom sentido, e não com o objetivo de repreender), diz, enfático: “LUGAR DE REPÓRTER É SEMPRE NO OLHO DA RUA” – numa alusão ao faro que aprendemos a ter, na busca constante da notícia. Já na redação, num tempo em que pré-pautas não passavam de mera ficção, tempo em que, no máximo, saíamos à rua com a recomendação de verificar tal e tal fato (como dar um pulo na Assembléia, ou na Delegacia de Homicídios, ou entrevistar alguém na rua, ou mesmo cobrir algo oficial), ouvíamos de Mussa, dito em alto e bom som: “ Além dessas duas pautas, cada um deve trazer, no mínimo, mais duas, mostrando na prática como funciona o faro de quem se reporta a algo”. Foi assim, devagar, com cuidado e zelo, que Mussa José Assis nos ensinou o caminho das pedras.
    Que fique na lembrança de cada um dos que com Mussa conviveram, os grandes e significativos momentos. Aos novos, fica a lição bendita de quem soube, com esmero, paciência e amor ao ofício, guardar com apreço o legado de quem agora descansa cercado pelo apreço dos que com ele aprenderam, dos que com ele caminharam e lhe são gratos pela Aula Maior.
    Fica meu sentimento e a saudade.

  6. Denis Ferreira Netto

    Fico triste em saber da grande perda no jornalismo paranaense, eu tive o pivilégio de trabalhar com o Mussa e aprender muito, principalmente sobre humildade. Um grande Homem, um grande pai e simplesmente uma maravilha de jornalista e pessoa.
    Abraços ao grande MESTRE.

  7. Reinaldo Bessa

    Tive o privilégio de trabalhar sete meses sob a batuta do mestre Mussa no Estadinho, para onde fui a seu convite no final de 2000. Foi um curto, mas profícuo período durante o qual aprendi muito com ele, sempre disposto a ensinar. Batemos muitos papos na sua sala enquanto ele, cigarro à espreita no cinzeiro, ajeitava sobre a mesa pedaços de madeira que retirava de embalagens. Minhas condolências à família e especialmente ao Chico, gente fina como o pai, com quem convivi bastante naquele período.

  8. Ivan Schmidt

    Conheci o Mussa nos meados dos anos 70, quando subi até o Jardim Mercês para pedir emprego no Estado do Paraná. Comecei no dia seguinte e aí começou a longa e crescente admiração que sempre tive pelo grande mestre.
    Anos depois cruzei novamente com ele na Secretaria da Comunicação Social (governo Álvaro) e, já aposentado voltei ao Estado, a seu convite, para escrevinhar os editoriais.
    Não demorou e ele pediu o boné do jornal que ajudou a engrandecer, mas lá deixou o filho Chico, sucessor a altura do enorme talento do pai.
    A perda é lastimável para o jornalismo paranaense e brasileiro, hoje absolutamente órfão de grandes condutores de redações, como foram Mussa, Cláudio Abramo e Samuel Wainer, apenas para citar os mais insignes.

  9. Helio Teixiera

    Caro Beto. Não sobrou o que dizer. Reuno tudo que está escrito aí em cima para resumir o que Mussa foi para mim, para todos nós jornalistas desta província e para o jornalismo. Construiu uma história inigualável e nunca foi egoísta, transferindo boa parte dela para muito de nós.
    Meu abraço a todos seus familiares. E que ele, com aquele seu jeitão buona gente de turco dobre o patrão de onde estiver e faça a Última Hora do local.

  10. tonica chagas

    Como pai e mãe são os que criam, o Turco era meu pai e me sinto órfã como aquela meninada toda que, aos sábados, ele levava pra redação.
    Ele me chamou pro Estadinho cinco dias depois de eu ser demitida do Canal 4, me colocou como chefe de reportagem e editora, com uma equipe de 18 repórteres. Daquele dia em diante, não precisei mais de faculdade. Tudo o que sei de jornalismo, aprendi com ele – inclusive ensinar os focas aos berros… O que aprendi com ele me valeu pra toda a minha carreira.
    Muito obrigada, Mussa José Assis.
    Muito obrigada, Turco.

  11. Marcelo

    Mussa, aquilo que você me falou, naquela madrugada do Bar Palácio, fica só entre nós, ok? Foi na década de 90, acho, e vou guardar como um segrego eterno: humildade, lembra? Não é porque nós – jornalistas – convivemos diariamente com os poderosos de plantão, que fazemos parte do “outro lado”. Não. O nosso lado é o outro. O do povão. E quantas vezes a gente esquece isso. Eu esqueci, muitas vezes. Ainda bem que existe você – sempre – para nos lembrar…

  12. Ike Weber

    Estupefato, desde o Panamá, leio a triste nota do falecimento do Mussa, grande mestre, amigo e jornalista.

    Um dos melhores lugares em que já trabalhei foi ao seu lado, no final dos anos 80, na redação de O Estado do Paraná.

    Ali formei meu texto, também junto com os amigos Cláudio Benetta e Manoel Karam, de saudosa lembrança.

  13. júlio zaruch

    Com a morte prematura do Mussa, ficamos todos mais órfãos do talento e da competência, da integridade de princípios e da lealdade. Mestre nos ofícios de fazer jornal – e dominava todas as suas engrenagens – e de fazer amigos, era um agregador. Partiu muito cedo como outros companheiros que também deixaram muita saudade: Aramis Millarch, Manoel Carlos Karam, Jamil Snege, Arnoldo Anáter, Arnaldo Alves da Cruz. Tive o privilégio de tê-lo como chefe por quase 10 anos. Um tempo de muito aprendizado.

  14. Parreiras Rodrigues

    Fui, numa das vezes àquela sala de chefia dele, sempre de portas abertas, para entregar pro cara que cobria política na Alep, uns releases. Me viu, me chamou e perguntou como ia o projeto do coco no Noroeste paranaense. Disse prá ele que tinha gente que tava acreditando, mas o pessoal da área técnica do governo, falavam que eu era louco. (É assim mesmo, só anda os trabalhos que eles inventam). Chamou o Julinho Tcharnowski (consegui, ufa?) e pediu prá ele fazer matéria de página inteira. Sairam duas, espelhadas, isso é, uma de frente prá outra. Fiz poster, tá aqui, na parede da minha bat-redação.
    Segunda feira, meio dia, tava eu empinando um papagaim no bb, e quando respondi o quesito profissão, a funcionária falou que era também, que trabalhou de 00 a 08 com Mussa e danou a lhe enfeitar de elogios, só não o chamou de pai.
    Dante Alberti, outro esteio de O Estado do dr. Paulo, mora aqui no meu quarteirão. Deve tá phodhidho da cara, o véinho.
    Quase tudo de bom que se poderia falar do Turco, foi dito ai em riba.
    E a respeito da causa da sua morte, me dá até vontade de chorar quando vejo a meninada fumando nas calçadas das escolas
    É, foi-se mais um enfisemático e eu tô na fila, mesmo tendo parado há seis anos.
    Sniff…Sniff…

  15. Gerson Klaina

    Valeu Mussa obrigado por tudo que “Você” fez por mim.
    Abraços. Do seu amigo Bambu, ou melhor do Taquara como “Você” me chamava.

  16. Jaime Lechinski

    No famoso “aquário” do jornal O Estado do Paraná, onde passou grande parte da vida, na mesa do Bar Palácio, onde jantava com grande frequência, ou na acolhedora chácara em Colombo, onde morava havia uns 30 anos, o Mussa era sempre uma porta aberta para os que queriam aprender. Sobre jornalismo, sobre a vida, mestre Mussa , generoso, passava adiante seu conhecimento, vasto, quase interminável.

  17. Almir Quirilos Assis

    Os depoimentos que acabo de ler do tio Mussa só nos engrandece. Além de ser o profissional exemplar que todos disseram, tive o prvilegio de te-lo com tio. Ah já conhecia todos vocês em longos papos com o tio Mussa e a conversa passava a ser um aula de sabedoria. Vai fazer falta.

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