16:55Jurerê na Fuck

Ao ver a foto acima, feita por Jader da Rocha no condomínio Jurerê Internacional, em Florianópolis, Jovino Virabrequim, mecânico que se aposentou e foi morar na Vila Fuck desde que pararam de fabricar o jipe Kandango, da DKW, ficou entusiasmado. Achou que a casa e os veículos à sua frente, um clássico Rolls Royce e uma trepidante Lamborghini, fizessem parte de um pacote lançado por algum governo, seja municipal, estadual ou federal, para prover os desprovidos. Ele, que está com um pé na cova e outro na casca de banana, acha que qualquer brasileiro tem o direito de desfrutar dos prazeres que só meia dúzia desfrutam. “Isso não é socialismo”, faz questão de ressaltar. “É uma espécie de capitalismo humanista”, conclui. Ele acha, por exemplo, que uma família que passa as férias anuais numa casa dessa e circula com estes carros, no mínimo tem geladeira digna de foto quando a ou as portas são abertas. Jovino é casado com Jovina da Manivela. Não tiveram filhos – e eles agradecem por não compartilhar a desgraceira. No barraco deles, feito de papelão e caixotes de frutas da Ceasa, não há geladeira, mesmo porque nunca têm o que colocar dentro. Uma vez por mês conseguem comprar uma lata de sardinha – e a preferência é por aquela com molho de tomate, pois dá a impressão que estão traçando um tubarão. Virabrequim olhou de novo a foto e sonhou que um dia alguém “engraxar” a mão dele para ele poder dizer: “Minha casa, minhas carruagens, minha vida”.

5 ideias sobre “Jurerê na Fuck

  1. Apolinário Zarzuela

    Mas, é como se fosse um condomínio. Nos bares e baladas locais, a entrada não custa menos de 300 ou 400 reais e, nas mesas, jovens milionários pedem duas, três, quatro, cinco garrafas de champanhe Cristal, por noite. Trés, trés chic…

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