9:20Elétricas perdem 40% de seu valor

Do jornal Valor, em reportagem de Natalia Viri e Fernando Torres

As empresas mais afetadas pelo plano de redução das tarifas de energia do governo saíram 40% menores do furacão causado pela Medida Provisória (MP) 579. A perda de valor de mercado de Eletrobras, Cesp, Companhia de Transmissão Paulista (Cteep), Cemig, Copel e Celesc foi de R$ 34,6 bilhões. No fim de agosto, antes do anúncio oficial das medidas, as seis companhias valiam, juntas, R$ 84,6 bilhões. No fechamento da bolsa de terça-feira, quando terminou o prazo para a assinatura dos contratos, a soma era de R$ 50 bilhões.

Considerando as estimativas de analistas de mercado, o patamar mais baixo de preços veio para ficar – ao menos, com as informações que se tem disponíveis até o momento. No caso da Eletrobras, o mercado avalia que o tombo de 50% no valor pode ser ainda maior. A estimativa mais otimista para o preço-alvo das ações preferenciais, do Itaú BBA, aponta para R$ 8 – abaixo da cotação de fechamento de ontem, de R$ 9,15. Os analistas são unânimes em recomendar a venda dos papéis.

No caso da Cesp, o cálculo do preço-justo para os papéis preferenciais classe B varia de R$ 18 a R$ 22,50 por ação, próximo do atual valor em bolsa, de R$ 18,69. Já para Cemig e Cteep, há quem julgue que o castigo foi um tanto exagerado e que as ações oferecem potencial de alta de torno dos 20%. Copel e Celesc, com menos liquidez em bolsa, não são acompanhadas tão de perto pelas instituições financeiras.

A definição do novo valor justo das companhias afetadas, no entanto, ainda é cercada de inúmeras incertezas. Com a MP 579, no setor, antes conhecido como uma alternativa de investimento conservadora e previsível, volatilidade é o novo nome do jogo.

A primeira incerteza diz respeito ao trâmite da MP 579 no Congresso. A bancada governista já sinalizou que vai trabalhar duro para que não haja alterações, mas a chance de haver mudanças de última hora não é desprezível.

Além disso, a judicialização das decisões adiciona mais uma pitada de nebulosidade ao cenário. “O próximo passo para as companhias na busca de seus direitos será o ambiente judicial. Dessa maneira, o processo de renovação poderá ser adiado novamente”, avaliam os analistas Marcio Loureiro e Bruno Santos, da Votorantim Corretora.

A Celesc, que se recusou a renovar concessões de geração, já recebeu uma liminar da Justiça Federal de Santa Catarina, alegando que o tempo dado para que a empresa tomasse a decisão não foi suficiente. A Cesp afirmou que vai entrar na Justiça para garantir uma indenização maior pelos ativos que terá de devolver ao governo. Na mesma linha, a Cemig entrará com processo para manter as usinas de São Simão, Jaguará e Miranda por mais 30 anos – a empresa alega que teria direito a uma renovação automática desses ativos já prevista em contrato. (ver reportagem abaixo)

As dúvidas não são menores para os ativos de transmissão que foram renovadas. Nesse caso, ainda não se conhece o valor exato da indenização que será paga pelos ativos anteriores a 2000, fator que foi crucial para que as transmissoras topassem antecipar a renovação dos contratos por um teto tarifário até 70% menor.

No caso da Cteep, o mercado trabalha com a hipótese de que a companhia receberia R$ 3 bilhões. Para Eletrobras, a previsão é de cerca R$ 6 bilhões. O que se sabe é que o reembolso será feito ao longo dos 30 anos de concessão, mas a correção desse preço ainda não foi informada.

Em teleconferência, a Cteep afirmou que o Planalto teria indicado que as parcelas seriam corrigidas pelo IPCA mais uma taxa de juros de 4% ao ano. Nesse caso, avalia o Credit Suisse, o preço-alvo de R$ 33 estimado para as ações da companhia ao fim de 2013 poderia aumentar em R$ 4.

Mas, após a surpresa com as condições austeras impostas pelo governo para a renovação, os analistas tem optado pelo conservadorismo. Em suas análises, o Credit optou por considerar apenas o IPCA e não incluir a taxa de remuneração anual no preço estimado para as ações, até que haja uma posição oficial do governo.

Outro ponto sensível para as companhias que optaram pela renovação das concessões diz respeito à forma como os novos investimentos serão remunerados, afirma o Credit. De acordo com o banco, as indicações do governo federal são de que todos os novos aportes nos ativos cujas concessões foram renovadas serão remunerados ao longo dos ciclos tarifários de cinco anos, que começaram a contar a partir de 2013. Mas ainda não se sabe como essa remuneração vai acontecer.

“Destacamos que esse ponto pode ser uma grande oportunidade de criação de valor para as empresas que decidiram renovar, quando – e se – essas remunerações passarem a se refletir sobre as receitas”, pontuou o analista Vinícius Canheu em relatório.

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