13:11Para Rogerio Distefano

Rogerio Distefano anunciou que vai parar de alimentar seu Maxblog (http://www.rogeriodistefano.com). Há cinco anos ele está no ar e, de certa forma, o signatário colaborou para isso. Todos ganhamos um dos melhores e mais afiados textos da imprensa paranaense, além de exímio contador de histórias reais e da alma. Distefano, oriundi, é do time que não toma mel – come a abelha sem remorso. Ao mesmo tempo tem todas as incertezas próprias dos privilegiados com coração e radar sensíveis até demais. Procurador do Estado aposentado, professor de Direito, antenado para o que ocorre com a cadelinha de estimação à Casa Branca, passando pela esquina mais próxima no Alto da XV, onde mora, ao Centro Cívico que conhece por dentro e por fora, o blogueiro deveria ser um dos mais lidos da província, mesmo por quem não concorda com ele em muitas coisas ou acha que uma das proteções que usa em público é a arrogância. Porque com ele se aprende. Sempre. Principalmente quando se tem de arrumar argumentos para disputar a machete. É assim que a humanidade deveria evoluir, principalmente num deserto de ideias como este nosso da capital da província. Rogerio Distefano padece da síndrome dos acessos computados. Deveria ficar engrandecido pelo número de seguidores, porque incomoda, é provocador, conhece os locais onde cutucar os nervos de uma casta amorfa que não gosta de ser exposta ao que é – e também não quer mudar. Nesta barafunda, uma triscada no ego do meu chapa pode ter o efeito de uma espécie de bomba de nêutron. O corpo fica em pé, mas a alma se esfarela e a mente entre em parafuso. Então ele chuta, como reação. Chutou essa de parar, talvez para sempre. Não aceitamos. Podemos dar um tempo. Que vá visitar os netos na Europa e pense direito. Com a escassez de talentos lúcidos que temos, ficar sem um deles é como ver a paisagem numa tela derreter um pouco ou, para homenagear o também cinéfilo, ver o Josey Wales (Clint Eastwood) morrer sem conseguir cumprir a promessa de vingança pela morte da família.

4 ideias sobre “Para Rogerio Distefano

  1. Elton

    Inegável suas qualidades na arte do riscado – da escrita. Com uma boa dose de acerto – tiros certeiros que, como diria o Chico Science, “com bala que já cheira a sangue, quando o gatilho é tão frio, quando quem tá na mira, o morto…” – e erros, é humano. É um idealista. Até onde eu sei, tem ética e por isso mesmo, difícil se manter na selva. Vai, mas sei que, entediado, um dia volta.

  2. wilson portes

    Caro Rogério, boa tarde:
    Parodiando (pôxa, tinha que começar com um gerúndio) aquele ex-presidente desideado (essa palavra inventei agora), conclamo minha multidão de seguidores a pleitear por sua continuidade no Maxblog, dizendo: “Não nos deixe sós”.
    Sim, Rogeério, pois o que o Zé Beto disse é, como sempre, muito verdadeiro : sem sua acidez e sua lucidez (às vezes, incluídas num mesmo texto), nossos dias serão meio sem graça, suas estocadas (nem sempre letais) deixarão um vazio no ar.
    Tire férias, mas volte logo…
    O povo espera o dia do “Fico..”

    Abração do amigo que nunca o viu pessoalmente

    Wilson Portes

  3. Barbara Kirchner

    Se eu consegui me formar em Direito, devo ao Prof. Distefano. Com ele aprendi um olhar apaixonado pelo andar da carruagem do mundo paralelo do regramento da sociedade.

    Entendo que às vezes a vontade é mesmo de mandar tudo pras cucuias, mas seria uma perda o acesso a uma abordagem lúcida sobre este nosso mundinho.

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