9:46Lula lá e a Lei Eleitoral

por Augusto Nunes*

Num país sério, os estupradores da lei eleitoral sairiam algemados do SBT

A captura do achacador de juízes do Supremo libertou o atropelador da legislação eleitoral. Nesta quinta-feira, com a cumplicidade militante do apresentador do Programa do Ratinho, Lula deixou em casa o chantagista a serviço da quadrilha do mensalão para incorporar num estúdio do SBT, durante 40 minutos, o animador de palanque a serviço de si próprio e de companheiros do PT. O que se viu na tela foi mais que propaganda eleitoral antecipada. Foi um comício ilegal estrelado por um pecador sem remédio nem limites, permanentemente empenhado em desmoralizar as normas que regem eleições no Brasil.

Na primeira parte da afronta transmitida ao vivo, o protagonista do espetáculo do deboche deixou claro que transforma até câncer em instrumento de caça ao voto. O relato da temporada no hospital foi enfeitado por um fundo musical de teatrão, mensagens açucaradas, cenas do filme “Lula, o Filho do Brasil”, depoimentos lacrimosos e reportagens pautadas pela sabujice. “Ele foi um grande presidente para nós brasileiros, que o adoramos, o amamos”, derramou-se, por exemplo, o ex-jogador Ronaldo. Há poucos anos, o Fenômeno aposentado só achava que “ele bebe pra caramba”.
Num dos vídeos que escancararam o crime premeditado, a locutora caprichou no fecho glorioso, ilustrado por imagens do herói que acabara de nocautear a doença: “Parecia a fênix renascendo das cinzas. O homem está de volta. E com a corda toda”. Ratinho deu-lhe mais corda ainda: por que a saúde não é tão boa?, quis saber o anfitrião da farra eleitoreira. Por culpa da oposição, garantiu Lula sem ficar ruborizado. Se o imposto do cheque não tivesse acabado, mentiu, os pacientes do Sírio Libanês hoje estariam morrendo de inveja dos fregueses do SUS.

Animado com a sintonia da dupla, Ratinho fez a proposta ao vivo: “Vamo montá um programa de entrevistas, Lula? Teve um monte de jornalista que bateu em você, vamo dá o troco neles”. O convidado gostou da ideia. ”Um dia desses vocês vão se surpriendê, que eu vou vir aqui trabalhá com o Ratinho”, ameaçou, olhando para a plateia. Foi a senha para o início da segunda parte do show repulsivo, concebida para resgatar Fernando Haddad do buraco dos 3% nas pesquisas.

“Por que você escolheu o Haddad?”, cochichou Ratinho. Close no ex-ministro da Educação, risonho na fila do gargarejo. “Acho que São Paulo precisa do Haddad”, comunicou o palanque ambulante. Outro close na salvação dos paulistanos. “Vem pra cá, Haddad”, ordenou Ratinho, que retomou o tema que o preocupa enquanto o candidato se ajeitava na poltrona: o que pode fazer um prefeito para melhorar a saúde?
“As coisas que dependem do ex-presidente Lula e da presidenta Dilma, que é gerar emprego e distribuição de renda, isso está sendo feito”, declamou Haddad. Na maior cidade brasileira, ensinou, a saúde só não é de primeiro mundo porque o prefeito é do PSD e o governador é do PSDB. O padrinho aparteou o afilhado para jurar que nunca antes neste país houve um ministro da Educação tão competente. Quem construiu uma escola por dia é capaz de inaugurar um hospital por mês já no primeiro ano de governo.

Liquidada a questão municipal, começou a sucessão presidencial. Lula será candidato em 2014?, passou a bola Ratinho. “A única hipótese de eu sê candidato é a Dilma não querê se candidatá, eu não vô deixá que um tucano dirija esse país”, devolveu Lula. “O Zé Serra tá ralado”, chutou Ratinho de bico. Só na prorrogação o apresentador pareceu lembrar que andou lendo alguma coisa sobre Lula e Gilmar Mendes. O que houve mesmo?, perguntou. “Quem inventou a história que prove a história”, cortou o lobista dos mensaleiros. Ratinho completou de canela: “”Quem gosta de você, gosta de você. Quem não gosta de você, não gosta de você. Quem é indiferente, vai ser indiferente”. Tradução: quem tem chefe não pode deixar de aplaudi-lo mesmo que apareça nu no Parque do Ibirapuera, com uma carabina engatilhada e avisando aos berros que vai liquidar a tiros a herança maldita legada por FHC. Lula, é verdade, não fez isso. Fez coisas piores.

Num país sério, a dupla sairia algemada do SBT por determinação da Justiça eleitoral. Nestes trêfegos trópicos, o ex-presidente continua fazendo impunemente o que quer. A apresentação de Lula e Ratinho começou com todo mundo cantando o hino do Corinthians. Deveria terminar com a chegada de um batalhão da polícia. Como isto é o País do Carnaval, só não terminou com a entrada de um batalhão de mulatas por falha da produção.

*No blog “Direto ao Ponto”, do site da revista Veja

11 ideias sobre “Lula lá e a Lei Eleitoral

  1. Perfidio Maloio

    Num pais sério pessoas da revista ligada a um contraventor também estariam em cana acompahando as ratazanas!

  2. Velho de Guerra

    Augusto Nunes, outro “demóstenes” da imprensa! Outro com marcas na cueca, característica típica dos arautos da moralidade macunaíma. O “molusco” não é santo.Mas quem é, na política?
    Aliás, dá pena do Collor, o único que perdeu nestes anos de “democracia brasileira”.

  3. Fábia Tonin

    Quem esperava por uma entrevista, ficou mesmo é com uma descarada propaganda eleitoral prá lá de roteirizada

  4. gbarbieri

    o texto vindo de quem vem nem poderia ser diferente. a veja dia sim dia também há dez anos não faz outra coisa que não seja tentar desqulificar o lula. quanto mais ela bate mais o lula cresce. me parece que ninguém mais dá credibilidade a revista. depois do conluiu com o cachoeira ficou evidente que a veja quer que os outros sigam o que ela não segue. é a velha máxima: façam o que eu digam mas não façam o que eu faço. a imprensa brasileira (grande mídia) não aguenta mais os blogueiros, a internet de um modo geral e aqueles que dão algum espaço para seus inimigos. só eles querem fazer seus candidatos. foi-se esse tempo. o povo, Zé Beto, sabe separar o joio do trigo. deixe o lula fazer a campanha dele e pronto.

  5. Coronel Perseu Jacutingassa

    Um primor a frase desses dois :
    “deixe o lula fazer a campanha dele e pronto”
    TRADUÇÃO: – F@D—se a lei eleitoral, lei só vale contra os inimigos.

    O outro então:
    O “molusco” não é santo.Mas quem é, na política?
    TRADUÇÃO : “- ESSE PAÍS É UMA Z—mesmo, vamos deixar o companheiro zonear também…

    São esses mesmos que, daqui um tempo vão estrilar contra mordomias de juízes, corrupção policial, impostos..

    Vcs não tem moral nenhuma, pois concordam com barbaridades, desde que elas lhe sejam favoráveis.
    Fiquem quietinhos os cúmplices dormentes.

  6. Peter Bad Hassarthes

    Coisa feia foi hoje no Jornal da Massa. Disputa entre Ogier, dona Ruth: Se fosse elástica, a pele escrotal do patrão daria prá fazer uns vinte estilingues.

    Quanto à entrevista – apesar da prévia divulgação, míseros oito pontos.

    Ótima prá quem tem penicos nos buracos das orelhas.

    O homem continua o mesmo: Falseia mais que pinguela mal escorada!

    Ei, TST, descruze os braços ou tá na gaveta também?

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