11:56O tráfico não vai diminuir

De Gilberto Dimenstein, na Folha Online

Foi um grande presente de fim de ano para toda a nação ver a polícia ocupar os morros cariocas, retomando territórios dos marginais. Mas há uma pergunta simples, que faz com que tenhamos cautela diante da euforia: o tráfico vai diminuir? Vai diminuir se o consumo diminuir. Mas o consumo está diminuindo? Não há nenhuma evidência.

Se há gente que compre, há quem venda. Óbvio. O que pode ocorrer é o tráfico ficar mais sofisticado e, provavelmente, sem controle de territórios e tanta matança. Nova York consome mais drogas do que o Rio, nem por isso há mortes.

A questão é bem mais complexa do que prender traficantes. O complexo é prevenir o consumo, com programas de educação. Não é impossível. O consumo de cigarros está caindo. Vale a pena prestar atenção numa experiência realizada em São Paulo na qual jovens são treinados por especialistas em comunicação e saúde pública a falar sobre os riscos de abuso da juventude.

Uma pesquisa divulgada na semana passada mostra que apesar do pouco tempo do programa realizado na favela de Heliópolis, os primeiros resultados começam a aparecer –o detalhamento está no www.catracalivre.com.br.

O que combate o tráfico, de fato, são programas de educação, emprego e saúde pública. Ainda vai demorar muito tempo, mas as pessoas acabarão vendo que desde que seja um acerto mundial, legalizar a droga, para fiscalizá-la, não é uma solução desejável, mas provocaria menos danos do que sua proibição.

8 ideias sobre “O tráfico não vai diminuir

  1. jose

    A legalização diminuiria o consumo?

    Duvido.

    Pior: quem fará o tratamento dos viciados? A Saúde Pública?

    Duvido.

    A hipocrisia está em uma sociedade podre, que sustenta os traficantes há décadas e não tem coragem de parar.

    A hipocrisia está em continuarmos fingindo que este problema só acontece com os outros, se não mudarmos tudo continuará na mesma.

  2. xisburge

    “O que combate o tráfico, de fato, são programas de educação, emprego e saúde pública.”

    Quanta asneira em tão poucas linhas. Ultimamente me causa agonia ler as colunas do dimenstein. Seu costume de escrever idéias em poucas linhas e, se abster de detalha-las por conta do seu tradicional texto curto, ultimamente só não irrita mais que as propagandas que ele faz do próprio site.

    Mas enfim, sobre o que ele diz, o que combate o tráfico é combater o consumo. Se usuario de droga não fosse tratado como “dependente” e sim como criminoso, quem sabe haveria uma redução substancial do consumo.

    Ou alguém acha que os bacanas que fumam sua maconha, os milhares de médicos viciados em cocaína ou os adolescentes de classe média viciados em lsd e ecstasy não sabem os efeitos da droga?

    São todos criminosos, todos deveriam passar 1 mês, 1 ano, 5 anos, 10 anos, atrás das grades pra cada vez que forem pegos consumindo essas pragas.

    Mas a legislação optou por tratar-lhes como coitados, viciados em substâncias químicas.

    Garantiram a impunidade ao mercado consumidor. E assim garantiram pra eternidade a necessidade de haver um mercado distribuidor.

  3. Jango

    Esse Dimenstein está comparando alhos com bugalhos, ou melhor, bagas com bagulhos.

    Não se trata de meras relações de consumo, mas de relações econômicas. O tráfico conpensa em nosso país. O crack está em nossos 5600 municípios, porque compensa. Cada grande cidade tem sua cracolândia. Alto poder viciante da droga, cliantela a dar com o pé, repressão inefetiva, prevenção ineficiente, sistema legal prende-solta, financiador do tráfico desconsiderado solenemente.

  4. Jorge Gatai

    Comparar o viciado em cigarro com outras drogas como cocaina e crack é um besteirol sem tamanho. Os consumidores ou potenciais consumidores são diferentes. São pessoas diferentes e os efeitos do tabaco solucionam um tipo de problema interior e o crack, cocaina e outros mais pesados solucionam outros problemas.

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