14:32O Rio não é aqui

Publicado hoje no jornal Gazeta do Povo”:

O Paraná “ainda” não é o Rio de Janeiro
Somente com salário digno, nível superior e a consequente estabilidade familiar, nossa segurança pública estadual terá um grande salto de qualidade

por Fernando Francischini*

O caos que vive nosso país no combate à criminalidade é latente. Traficantes de drogas invadiram e dominaram diversos bairros, vilas, favelas e adjacências no Rio de Janeiro fazendo com que as polícias se aliassem às Forças Armadas para debelar ataques, assaltos, homicídios, carros e ônibus queimados. Em Curitiba, ainda nesta semana, na Vila Torres, quadrilhas de jovens traficantes se enfrentaram a tiros paralisando e aterrorizando escolas, comércios e a população de bem que lá vive.

Por traz deste cenário macabro, existimos nós: pais e mães desesperados pela vida de seus filhos, jovens tolhidos em seu direito de ir e vir, homens e mulheres desenganados pela miséria, fome e violência onde moram e finalmente policiais e suas famílias. Esses são os atores que influenciam e são influenciados pela atual e assustadora onda de criminalidade.

A atual política de recursos humanos da Polícia Federal, criada inicialmente pela Lei n.º 9.266/96 e consolidada pela Emenda Constitucional n.º 19 de 1998, implantou a exigência de nível de escolaridade superior para os concursos de ingresso na carreira policial federal e o pagamento dos salários na forma de subsídio. Provavelmente esse foi o maior salto de qualidade já observado até hoje em uma instituição policial brasileira. Em poucos meses a melhoria salarial e a mudança no nível socioeconômico e cultural fizeram com que o combate à criminalidade obtivesse eficiência e ótimos resultados. A Polícia Federal tornou-se reconhecida internacionalmente e os crimes de sua competência atingidos diretamente – inquéritos relatados, apreensões de drogas e armas, dinheiro público recuperado, prisões de alto calibre.

A fórmula foi planejar uma nova polícia com bom salário, estudo universitário, treinada e reestruturada. Assim, tivemos diminuição na corrupção, apego a profissão, dedicação ao serviço, maior respeito à população e finalmente uma gestão de resultados positivos – um efeito em cascata, o “combustível” necessário para uma mudança radical.

Nessa linha, na esteira da eleição de um novo governo no Paraná, é imperioso que a famosa PEC 64, hoje aprovada e transformada na Emenda à Constituição Estadual n.º 29 de 2010, seja implantada e negociada dentro dos 180 dias previstos legalmente. O policial civil e militar agora tem o direito de receber seus salários na forma de subsídio. Somente com salário digno, nível superior e a consequente estabilidade familiar, nossa segurança pública estadual, “aos moldes” da Polícia Federal, também terá um grande salto de qualidade e poderá realmente vencer esta verdadeira guerra contra as drogas diminuindo os índices de crimes violentos que assolam nosso estado.

Um gestor de segurança pública não pode ser um “burocrata de plantão”. Tem de ser operacional – sangue, suor e lágrimas de ter trabalhado nas ruas. As famílias paranaenses clamam por isso! Vamos agir enquanto é tempo, o Paraná “ainda” não é o Rio de Janeiro.

*Fernando Francischini é delegado da Polícia Federal e deputado federal eleito pelo PSDB-PR.

11 ideias sobre “O Rio não é aqui

  1. Geraldo Freitas

    Mais uma vez o Francischini está se jogando prá ser secretário. Não é assim que deve se portar um homem público, ainda mais definindo que o perfil de um secretário tem que ser o dele.
    Que feio!

  2. JOMAR FERREIRA

    Sei que como policial vc. é o melhor, bem preparado,nivel cultural bom, mas como escritor, vc. é fraco, o que vc. conta no seu pequeno artigo, nós mortais estamos careca de sabermos, mas curitiba, esta caminhando a passos largos para ser invadida pela criminalidade. Vou dar-te um mão, junto ao BETO, se ele chegar a ler o que nós dois escrevemos, vc. é o homem certo, para segurança do paraná.ele quando prefeito falava que a segurança da cidade de curitiba estava nas mãos de um profissional da mais alta qualidade. portanto fique nas espera,

  3. João Antonio

    “Somente com salário digno (…)” escreve o delegado Fernando Francischini, ex-secretário antidrogas de Curitiba em artigo onde que discorre sobre a questão do combate a violência e o tratamento a ser dado aos profissionais da área de segurança.
    É bom lembrar, no entanto, que os guardas municipais da capital, tem vencimento básico de R$ 850, conquistado depois de uma greve longa e penosa… Não lembro de ter ouvido a voz do delegado em defesa de reajuste maior aos guardas…

  4. j.k.lott

    Depois de transformar a secretaria antidrogas de Curitiba em comitê, agora quer transformar a secretaria de segurança do Estado em palanque permanente. Betágoras fazendo escola…

  5. jr

    Policia Civil e Militar com melhores salarios e melhores condições de trabalho, certamente a população estará mais segura. Parabéns ao Delegado Francischini por ter coragem de levantar esta bandeira.

  6. antonio carlos

    O caos carioca não se cura nem com bons salários; o Rio é um caso perdido. Aqui a violência acaba com Polícia na rua, porque vagabundo morre de medo de policial. Mas as nossas polícias precisam não só de melhores salários, porque de tenente para cima, ninguém pode reclamar tanto assim, não ganham tão mal para que precisem se tornar parceiros dos criminosos. A tropa é que ganha muito mal, e ponha mal nisto. E é mal treinada, gente que pensa que só porque usa farda e, tem um berro na cinta, pensa que é otoridade. O crime acaba com a intervenção da Polícia, com a presença permanente dela nas ruas. Se a bandidagem está assustando o povo da Vila Torres, é porque falta Polícia por lá. Mandem umas duas ou três viaturas, deixem-nas uma semana só, e os malacos picam a mula rapidinho. Ou então podemos seguir o modelo adotado pelo ex-secretário de InSegurança, que era o de negar que aqui havia violência. Talvez tal sumidade em Segurança Pública fosse o indicado para lidar com o caso carioca, do tipo : deixe estar para ver como é que fica. ACarlos

  7. Perseu Filho

    Não acho que o Francischini esteja se jogando n a SESP. Acho que ele esta aproveitando a barbaridade que estamos vendo no Rio, para expor seu ponto de vista sobre como melhorar a segurança. Afinal, ele eh da área. Eh como um medico dando sua opinião sobre uma doença. A criminalidade e o trafico são malefícios da sociedade. Ele esta certo, prolicial bem remunerado e bem treinado tem melhor desempenho. O Francischini só esqueceu de dizer que sem uma legislação apropriada e revisada a criminalidade não vai diminuir. E eh por isso que acho que ele deve ir pra Brasilia cuidar destas questões. Do jeito que o Pessuti tah entregando o estado, Secretaria de Segurança eh pura bucha. Quem sabe um dia…

  8. Velho de Guerra

    Primeiro ponto, deve estar a dedicação à profissão que escolheram, nenhum entrou na Polícia enganado. Segundo ponto honestidade e integridade moral, independem de salário. Terceiro ponto, fim da hipocrisia no combate, às contravenções (jogos de azar/bicho), aos demanches, aos pontos de venda de drogas, aos pontos de prostituição, cadeia para os agentes públicos policiais corruptos, omissos e coniventes com criminosos e contraventores. Quarto ponto, levantar os bens e patrimonios de criminosos e seus familiares e também de alguns agentes públicos de segurança (policiais civis e militares de todas patentes e funções).Quarto ponto ter a coragem de agir como agora está agindo a secretaria de segurança pública do Rio de Janeiro, e suas forças integrantes e os apoios federal. Assim, Dr. Francischini, se consegue acabar com o circulo e ciclo do crime e da impunidade e corrupção.O resto é apenas fazer mais concurso público e reivindicar mais salários e mais bandidos e crimes para justificar.

  9. alderijo bonache

    Complicado, pois o governador que toma posse em janeiro próximo já pôs o dedo numa estruturação das policias civis e militares do Estado, além dos professores da rede pública estadual com a com a desculpa esfarrapada de que se conceder o aumento proposto, o Estado iria ter problemas com a discutível LRF! Pelo visto mais uma vez os policiais, bem como os professores estaduais foram levados na conversa pelo Alberto Roberto, portanto, falar em melhorias na segurança pública com um balde água gelada de início, j´dá um indicativo de que o sonho morreu no ninho! Seguidor de Lerner, vamos se preparar para mais 4 anos de salários de fome! Oxalá, esteja eu enganado!

  10. Parreiras Rodrigues

    Em se gastando mais no insuficiente, benevolente e contemplativo policiamento da nossa fronteira com os países exportadores de drogas e armas, a solução de sessenta por cento do problema.

    Viinte por cento, correção na legislação para atendimento à saúde e às questões sócio-econômicas dos menores usados no crime e enfim, cadeia para os narcotraficantes e toxicômanos das coberturas e das piscinas térmicas.

  11. curioso

    É, pra quem contava com o ovo dentro da galinha… não é fácil a vida na política…a SESP já tem dono e não é o Dr Francisquini…E não adianta chorar…

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