14:53Minoria, para variar

Da revista Época, em reportagem de Daniella Cornachione:

Mulheres, negros e deficientes ainda são minoria nas maiores 500 maiores empresas do país
Pesquisa divulgada pelo Instituto Ethos e Ibope Inteligência mostra descompasso entre a sociedade e o quadro de funcionários

A participação das mulheres, dos negros e dos deficientes físicos dentro das maiores empresas do Brasil continua pequena. Muito mais do que deveria, se comparada às proporções da população. Nesta quinta-feira (11), o Instituto Ethos e o Ibope Inteligência divulgaram uma pesquisa com o perfil social, racial e de gênero das 500 maiores companhias do país. Pouca coisa mudou em relação ao último levantamento, de 2007. A fatia das mulheres cresceu menos que a dos negros. Somente nos postos de diretoria a participação delas aumentou, de 11,5% para 13,7% (são 200 mulheres entre 1500 executivos). “A inserção vem crescendo desde o primeiro levantamento, feito em 2001. Mas a importância delas na sociedade não é refletida nos cargos que ocupam. E isso acontece com todos os grupos, em menor gravidade”, afirma Jorge Abrahão, presidente do Ethos. No nível de gerência, se 17,4% dos postos eram ocupados por negros (pretos e pardos) há três anos, hoje são 25,6% entre a amostra total, de 13 mil pessoas.

Existem várias hipóteses para explicar por que as “minorias” (que no caso das mulheres e dos negros são metade da população) ainda não foram incluídas no quadro das empresas. Há o preconceito social, que pode vir acompanhado de uma desconfiança no potencial do empregado. É mais difícil encontrar pessoas de um dos três grupos nas instâncias superiores, historicamente ocupadas por homens brancos. “É como se existisse um afunilamente hierárquico. Quanto mais alto o cargo, menor a participação. Pode ser um princípio de precaução, de apostar em algo que já é conhecido”, afirma Abrahão. No caso das mulheres há ainda outra possível explicação: 9% das empresas mencionaram que elas não têm interesse nos cargos que lhe são oferecidos. Conciliar trabalho e família ainda é mais difícil para a mulher.

O receio dos empregadores em contratar mulheres para postos de alto escalão não pode ser justificado em termos concretos. A mesma pesquisa lembrou que elas, em média, estudam mais do que os homens: 7,4 anos em comparação a 7. Elas são maioria entre os que se formam no ensino médio e na universidade. “Se a contratação fosse cega, sem nome ou gênero, provavelmente muito mais mulheres seriam contratadas”, afirma Abrahão. Quanto aos deficientes físicos (que ocupam apenas 1,5% do quadro geral das empresas), a reclamação é sobre a dificuldade de encontrar pessoas qualificadas para os cargos oferecidos. A mesma “desculpa” é dada aos negros. No universo dos entrevistados, o grupo que de fato é minoria (foram encontradas apenas seis pessoas com o perfil) é o de mulheres negras em cargos de alta chefia. As seis executivas, que são todas pardas, na verdade, representam 25% da população brasileira (formada por mulheres negras).

O objetivo da pesquisa, que normalmente é feita a cada dois anos, é mostrar para as empresas a importância da inclusão social. Divulgando as proporções da desigualdade, o Instituto Ethos espera estimular a inserção das “minorias” em todos os níveis de cargos. “Esses estudos podem aproximar as empresas dos movimentos que estão acontecendo na sociedade. Queremos incentivar a criação de políticas afirmativas”, afirma Abrahão. Das 500 empresas que receberam os questionários, 109 responderam. Mais de 620 mil funcionários participaram do estudo, feito entre fevereiro e junho de 2010.

Uma ideia sobre “Minoria, para variar

  1. antonio carlos

    Estes éticos do instituto Ethos deveriam começar peals suas empresas. Fui consultor, informal, durante muitos anos em uma concesionária da Capital, o dono fazia, ou faz, não sei, parte do tal instituto. E quem mandava lá era o pessoal da família, tanto fazia se era homem ou mulher. Aprendi que o empresário gosta de dizer o que os outros devem fazer. E de falar mal da tal carga tributária. comecem pelas suas empresas, e daqui há alguns anos talvez a realidade denunciada na pesquisa mude. Acarlos

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