22:06Con-dor

De um amigo do blog, segue o que ele intitulou de “MANIFESTO EM NOME DOS IDOSOS, GRÁVIDAS E PORTADORES DE NECESSIDADES ESPECIAIS QUE INSISTEM EM PRESTIGIAR A CADEIA DE SUPERMERCADOS ‘PARANAENSE”

Quosque tandem, Pedro Zoanir Zonta, abutere patientia nostra?

Cena deste domingo, 13:20h, no super-complicado Condor do Centro Cívico. Pouquíssimo movimento, talvez pelo horário, pela gripe ou quiçá porque o povo está comendo menos por conta da crise, quem-há-de-saber? Não há grandes filas e um único caixa atende os clientes preferenciais. De repente instala-se a situação que é o pesadelo de todos os que freqüentam esse tipo de estabelecimento e principalmente o Condor: TROCA DE TURNO. Por trás destas 3 palavras, aquilo que deveria ser uma operação trivial, por não exigir um grande tirocínio e por ser executada infinitas vezes, esconde-se um tormento. Subitamente brotam de alçapões e descem de rapel um enxame de caixas-substitutos de 1º, 2º e 3º graus e mais uma plêiade de fiscais, patinadoras e recolhedores de valores munidos de malotes e sacolas do modelito “pedir-maiscedo”. Uma senhora cuja idade por si só asseguraria direito a um caixa só para ela, a tudo assiste num misto de resignação e desespero. Seu olhar demonstra a certeza de que verá findar seus dias neste vale de lágrimas bem ali no caixa do Con-dor, justo ela que já vive com-dor mesmo em casa. Enquanto isso, os idosos que ali testam as juntas e coronárias percebem que num gesto de extrema generosidade para com a clientela macróbia, o caixa ao lado será colocado para funcionar. Ser idoso é ser esperto. Os que estão mais atrás na fila movem-se tão rapidamente quanto permite a condição física, no afã de assumir a pole position no novo corredor da morte, perdão, no novo caixa. Mas nossa intimorata senhora e outros 2 ou 3 clientes, esperando que seja afixada a faixa “agora sob nova direção”, ficam impedidos de tentar a sorte na roleta ao lado, porque as compras já foram depositadas na esteira e também porque já passaram da idade de enfrentar a prova “master” de 5 metros com barreiras de carrinhos-de-bebê, bengalas e cadeiras de rodas. Os bem-aventurados do troca-troca começam a entrar no reino dos insigne-saintes, pulam a catraca virtual e seguem rumo à vida que os aguarda lá fora. Aos insigne-ficantes resta exasperar-se diante da morosidade da famigerada operação-muda-algoz, até que um simpático velhinho decide demonstrar seu inconformismo. Com a sem-censura que a idade lhe permite, indaga daquela que parece ser a carrasca-chefe porque não permitiram que os idosos ali postados fossem os primeiros a serem atendidos no caixa recem aberto. A moça fez cara de paisagem e afastou-se, como a demonstrar de forma inequívoca o pouco caso da empresa. Ao provecto senhor restou o consolo do coro uníssono de todos os demais. Pouca glória para o pouco-caso.

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