8:02O exemplo de Foz do Iguaçu no combate à gripe suína

Do correspondente na Tríplice Fronteira:

Justiça seja feita. Em meio à pandemia da gripe suína, a cidade de Foz do Iguaçu está dando uma lição de como combater a doença e proteger a população. Pra começar, o secretário de saúde do município, o médico Luiz Fernando Zarpellon, formado pela Universidade Federal do Paraná, chamou pra si a responsabilidade quando saiu na frente dos demais municípios e até estados brasileiros e quebrou o protocolo do Ministério da Saúde sobre a administração do remédio Tamiflu a todos os pacientes com sintomas de gripe, seja ela qual fosse. Dias depois, o próprio ministério adotou a medida e devolveu aos médicos o papel de indicar o melhor tratamento aos pacientes.

Hoje, Foz pode dizer que tem uma situação sob controle. E olhe que estamos falando de uma cidade na tríplice fronteira (divisa com o Paraguai e a Argentina), que tem uma população aproximada de 350 mil habitantes, somada a uma população flutuante de turistas – em torno de 100 mil ao mês, embora o turismo sofra os efeitos da gripe também – e de cerca de 100 mil brasiguaios. Fora esses, cruzam a ponte da Amizade em torno de 700 caminhoneiros por dia, que contaram com uma unidade de atendimento à saúde específica para consultas médicas e orientações.

Resultado dessa operação bem sucedida de combate à gripe é que Foz do Iguaçu registra uma diminuição expressiva no número de consultas por doenças respiratórias. Vem caindo a uma média de 50% ao dia. Até a semana passada, eram 400 consultas/dia. Caiu pra 250/dia e, ontem, foram registradas apenas 210 consultas. Também diminui em Foz o número de indicações médicas para uso do Tamiflu, num período em que 85% dos casos de gripe registrados no Paraná já são os provocados pelo H1N1 e os de gripe sazonal têm uma participação quase insignificante no quadro. 

O Sol aponta um cenário promissor

Com a temperatura em elevação, a tendência é de que a situação só melhore e os casos de gripe A diminuam ainda mais. O vírus H1N1 resiste até 10h em ambiente frio e úmido. Isso quer dizer que se uma pessoa tossir ou espirrar na mão e tocar em uma maçaneta de porta, por exemplo, o vírus pode continuar ativo em torno de 10h naquela maçaneta se o ambiente estiver frio e úmido. Já no clima quente, esse mesmo vírus sobrevive menos tempo, algo em torno de 1h ou 1h30. Sem contar que a mucosa da boca das pessoas fica mais fragilizada no frio e mais susceptível a resfriados.

Em Foz, os médicos da equipe da secretaria municipal de saúde e da rede local estão atentos, desde já, para os efeitos colaterais e reações adversas provocados pelo uso em massa do medicamento, uma vez que até então a indicação do Tamiflu era inexpressiva. Mas eles atestam que a decisão emergencial de prescrever o remédio para a população em geral com sintomas de gripe, dentro das 48h recomendadas, foi acertada. “Estamos estudando essa gripe ao mesmo tempo em que lidamos com ela, mas já pudemos perceber que o uso do remédio encurta para cinco dias o período de transmissibilidade dessa doença por crianças e adultos”, informa o secretário da Saúde de Foz do Iguaçu, Luiz Fernando Zarpellon. Sem a administração do medicamento, as crianças transmitiriam a gripe A por um período que vai de 14 até 21 dias.

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