11:29Dois talentos do Sangue Bom, mas com o “sangue ruim” dos grandes artistas

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Simon Taylor

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Lineu Filho

Hoje à noite, no Setcepar, serão conhecidos os vencedores do 4º Prêmio Sangue Bom do Jornalismo Paranaense. Eles já foram escolhidos por um juri formado pelo Sindicato dos Jornalistas do Paraná. Não importa quem serão os vencedores, afinal, cada um, cada um, mas aqui, com todo respeito, aproveito para falar destes dois excepcionais artistas que engrandecem o site deste Jornale e, por tabela, o modesto espaço deste blog. Brinquei recentemente com o Simon, grande chapa que descobri aqui, dizendo que se o prêmio fosse “Sangue Ruim” não teria para mais ninguém. Para quem acompanha o trabalho dele desde o jornal Hora H, o desembarque no Jornale foi como se alguém tivesse aberto as grades de uma cela e lhe liberasse o universo para criar. E ele aproveitou. Hoje é um dos chargistas mais contundentes, sarcásticos, inteligentes e de gatilho rápido no Paraná. Poderia desenhar em qualquer jornal deste país e estaria em pé de igualdade com um Angeli da vida. A primeira grande  surpresa que tive ao conhecer Simon Taylor foi descobrir que o nome dele é isso aí mesmo. Eu achava que era fantasia. Um cabra com este nome e pai bluseiro, ou vira artista ou vai fazer malabares e pedir um troco na esquina. Taylor ainda toca contrabaixo numa banda de rock, é artista gráfico, cuida com todo amor da Kelly e da princesa Alice, e, baixinho, cheinho, cavanhaque que para mim lembra um pouco alguns roqueiros dos anos 60, dá vontade de ser amigo, porque tem a voz e o comportamento doce dos equilibrados.  Mas isso fora da tela, da prancheta, do guardanapo de papel. Ali, quando baixa o santo, a máscara dos sacripantas, larápios, enganadores, enfim, dos frequentadores contumazes do Centro Cínico e adjacências (Brasília, inclusive) é arrancada a golpes de machado e o artista nos dá de presente a face real desta cambada – e sem o escalpo, que ele segura com o prazer de quem cumpre uma missão de limpeza na face da Terra. Lineu Filho é outro caso. Primeiro, de entendimento mútuo, porque isso, às vezes, acontece na vida. O primeiro sinal que me mandou foram umas imagens que fez na Escola de Governo onde Roberto Requião aparece na dimensão exata do seu mundo, ou seja, esquizofrênico. Este blog ainda estava hospedado no Jornal do Estado e o Jornale engatinhava. Gostei mais ainda quando conheci o garoto, pé de boi, montanhista, amante da natureza e movido a revolta contra injustiça. Um dia lhe perguntei, assim, na lata, porque não tinha entrado na Aeronáutica para servir ao Parasar, aquela equipe maravilhosa de resgate desta força militar. Acertei na tampa. Mas, por algum motivo, a coisa não deu certo. Ganhou a fotografia. Lineu Filho alia à sua obstinação o talento natural de quem domina o ofício, mas não dorme de tôca. Joguei em suas mãos alguns livros, para que treinasse ainda mais qo olhar. As fotos de um livrão da National Geographic o encantaram. Porque aventura pura. Lineu Filho gosta de circular e fotografar no limite, daí seu entendimento com os policiais do Comando de Operações Especiais da Polícia Militar e um rádio que não lhe sai do ouvido, ligado que está na frequência policial. Foi assim que chegou antes de todo mundo e registrou a imagem acima, da menina desesperada com uma ponto quarenta na boca em plena praça Osório. Graças aos céus não aconteceu nenhuma tragédia. A imagem ficou para sempre, com toda sua dramaticidade e tensão. Conheci alguns dos grandes profissionais da fotografia brasileira na caminhada da vida graças ao privilégio de ter iniciado a carreira na Editora Abril (em mil novecentos e nada fui fazer matéria com a cantora Simone o retratista era Bob Wolfenson em início de carreira, só para dar uma idéia). Entrei na profissão por causa das imagens em jornais, fotografo para mim há mais de 40 anos e imagino saber reconhecer alguém de muito talento. Lineu é este cara. Já disse que, se ele quiser, poderá trabalhar em qualquer lugar daqui ou de fora. Basta ter um pouco de paciência e continuar fazendo o que sabe. Só isso.

8 ideias sobre “Dois talentos do Sangue Bom, mas com o “sangue ruim” dos grandes artistas

  1. Simon taylor

    Porra, Zé…. que coisa mais bonita… bichices a parte, tô emocionado!
    É muito legal ouvir/ler outra pessoa falando da gente porque, normalmente, não temos muita consciência do que/quem somos – eu, pelo menos, não.
    E é isso aí mesmo: só nos reconhecemos pelo olhar dos outros.
    Nesse quesito, eu e o Lineu estamos muito bem na fita! heheheheheh

    Com prêmio ou sem prêmio já me sinto premiado por este texto.
    Vou guardar com carinho pra poder mostrar pra minha filha assim que ele entender.

    Obrigadão de coração!

    Simon

  2. Burguês Mal Pago

    Dois grandes nomes do jornalismo paranaense.
    Apenas pela visão que nos é passada pelas imagens sempre carregadas de informação e conceito produzidas por sesses dois talentos, percebe-se o quanto se diferenciam da grande maioria!

    Fica ai a torcida para a vitória no Sangue Bom.

  3. Franklin

    Em tão pouco tempo esse Lineu mostrou que é fera e que tem o fotojornalismo no sangue. Torço por você!

    Franklin de Freitas

  4. Lineu

    Levei um susto quando li tantos elogios. Eu só tenho é que agradecer pelo incentivo e as oportunidades que nunca me faltam. Ainda mais ao lado do Simon, que além de artista é um grande sujeito. Com Sangue Bom já me sinto feliz só por ter ficado entre os finalistas. Obrigado Zé.

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