11:33Horror em frente ao mar

História do litoral presenciada e relatada pelo repórter Guilherme Larsen, deste Jornale:

Tudo estava tranqüilo para o jovem casal na faixa dos 28 anos de idade. Com um maravilhoso filho de seis anos, eles aproveitam as férias para curtir a praia de Caiobá com o avô, a avó e os tios. A quinta-feira, foi um dia de comemoração para eles: a esposa conseguiu um novo emprego. Tudo estava muito calmo. De madrugada foram ao encontro de seus amigos em frente ao seu prédio que fica na beira-mar. Mal chegaram e viram uma cena horrível. Um jovem corria desesperadamente pelo calçadão. De início, parecia alguém atrasado. A verdade, contudo, não demorou para aparecer. O jovem corredor entrou na banca de revistas que fica em frente ao prédio do casal. Logo em seguida, vários outros jovens vinham correndo e gritando: “pega ladrão!” Não deu outra. O “corredor” tinha acabado de roubar um narguile (aquele objeto para fumar que os árabes utilizam) em um bar próximo a banca. Se refugiou no local. A polícia chegou rápido. Ele foi preso. Saiu chorando. O casal voltou para casa com medo da cena que presenciaram. Ficaram apavorados porque o ladrão passou ao lado de seu filho, o simpático Pedro. Após alguns minutos, achando que a situação tinha acalmado, resolverem ir novamente ao calçadão com a esperança de tranqüilidade. Foi um engano. Assim que botaram o pé na calçada, um campo de batalha estava armado no mesmo local que a PM prendeu o ladrão minutos antes. Foi o tempo do pai e da mãe dizerem juntos: “Assim não dá, vamos voltar”. E voltaram para casa. Aproximadamente vinte jovens, que muitos chamam de “vileiros”, literalmente fechavam o pau. Dessa vez a PM não apareceu. E o casal… bom, o casal foi dormir para proteger seu filho. É ou não é o horror?

Uma ideia sobre “Horror em frente ao mar

  1. duarte

    um cara passa correndo porque roubou um narguilé, depois uns vileiros trocam tapas, e isso é HORROR em frente ao mar? pensei que tinha sido um maremoto, um tsunami, um afogamento coletivo. se o casal voltar hoje à noite ao local e estiver tudo calmo, espero que registre: “estivemos lá e não aconteceu nenhum HORROR desta vez”

  2. Eu Lália

    Concordo com vc Duarte, oxalá os “horrores” deste país fossem todos iguais a este!!
    CREDO! Será que as pessoas não tem mais do que se queixar??

  3. Guilherme L.

    Zé, escrevi com muitos erros o primeiro comentário, se puder desprezá-lo….abraços!

    Duarte e Eu Lália, eu realmente presenciei a cena que descrevi. Concordo que existem vários horrores piores como vocês mesmo dizem. Mas não devemos menosprezar esses horrores. Eu não acho normal tanta confusão assim em pouco tempo. De fato, não podemos desprezar esses dois fatos. Mas aí que está o problema. Banalizar os horrores.
    Roubo é crime, por mais que seja um narguile ou milhões de reais de um banco. Se algums pessoas se acostumam com essas coisas, ruim para o nosso país.

  4. filomeno

    não, não têm mais do que se queixar. bonitos, brancos e bem-alimentados, “tiveram que ir dormir para proteger o pimpolho”. que vão dormir mesmo!

  5. mauricio

    Lendo os comentários, lembrei deste poema, o qual não lembro o autor.
    “Na primeira noite eles se aproximam
    e roubam uma flor
    do nosso jardim.
    E não dizemos nada.
    Na segunda noite, já não se escondem;
    pisam as flores,
    matam nosso cão,
    e não dizemos nada.
    Até que um dia,
    o mais frágil deles
    entra sozinho em nossa casa,
    rouba-nos a luz, e,
    conhecendo nosso medo,
    arranca-nos a voz da garganta.
    E já não podemos dizer nada.”

    É um horror SIM!!
    E quem acha isto natural com certeza não tem senso de cidadania.

  6. Pé Vermelho

    Só se lê que fulano foi pro Litoral. Não vi ninguém ir ainda prá Rondon ver os espectros dos bóias frias às quatro da matina trepando em caminhões adaptados pro transporte rural, e rumando pro corte da cana. Às nove o sol é de mais de trinta e aquele exército com a cabeça coberta de mulambos, pescoço enrolado pelos idens e nos pés, unhas encravadas escondidas por pesadas botinas. No Litoral a conversa sobre os destinos do povo é em riba dum tabuleiro recheado por camarões ao bafo e cervejas geladérrimas. Lá em Rondon o povo se pergunta na hora do almoço, em riba dum toco – arroz, abóbrinha, ovo e mandioca, o que vai comer na janta.

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