5:32Do promotor Faraj para o secretário Xavier

Ofício nº 863/2007                      

Ponta Grossa, 14 de setembro de 2007. 

      Senhor Secretário,
                        Posso assegurar a Vossa Excelência bem como a esta grande família que se apega obstinadamente às agruras da vida funcionária que não guardo aversão pessoal a quem quer que seja e de que natureza for. Busco sempre, eu, e os promotores com os quais comungo do mesmo espírito missionário, a estrita observância das normas constitucionais que estabelecem ser dever do Ministério Público defender o regime democrático, a ordem jurídica democrática e os direitos do cidadão fazendo impor aos governantes empedernidos e mal-intencionados o respeito aos direitos fundamentais do ser humano e cidadão. O Ministério Público não é Poder, mas não é submisso a nenhum governante. O Ministério Público é submisso ao Poder do Povo e aos interesses do Povo e a mais ninguém. Nenhum governante vai chantagear o Ministério Público e nem o Ministério Público será pelego de nenhum governante que queira indevidamente nele refestelar suas nádegas flácidas e infames. Mesmo porque, o jogo de achacadores, deste do tipo que são educados nas estrebarias da vida, já conhecemos de longa data.  
Excelentíssimo Senhor

CLÁUDIO MURILO XAVIER

DD. Secretário de Saúde

SESA – Secretaria Estadual de Saúde

Rua Engenheiro Rebouças, nº 1707

80.230-040   Curitiba-Paraná

 A saúde e a vida são direitos inalienáveis do cidadão paranaense e serão defendidos a todo custo pelo Ministério Público. Não arredaremos pé deste compromisso. Custe o que custar.  Não se pode aceitar que uma Secretaria de Saúde seja absolutamente insensível com a saúde do cidadão e brinque de deus com o seu destino. Milhares de mortes ocorreram no Sistema de internamentos de Urgência e Emergência que a sua Secretaria e o Governo do Paraná administram de forma catastrófica, de 2003 para cá, desde que a Celepar passou a gerir os serviços de informática disponibilizados pelas Centrais de Leitos. Eram pessoas que precisavam de leitos de uti, leitos cirúrgicos, leitos clínicos e de isolamento. Pessoas que precisavam ser transferidas de onde estavam para Hospitais e leitos hospitalares dignos destes nomes e que pudessem atender a gravidade do problema de saúde que apresentavam. Pessoas pobres, de todo o Paraná, que dependiam do sistema público de saúde para sobreviver.
 A Promotoria de Justiça e o Cidadão do Paraná querem tão somente saber quantas horas ou dias as pessoas ficaram aguardando nas malsinadas filas de espera – (as filas da morte) e acabaram morrendo sem atendimento. O Senhor possui estas informações. Pede-se apenas que sejam disponibilizadas para instruir inúmeros inquéritos policiais, processos judiciais e procedimentos investigatórios do Ministério Público, além de servir de base para auxiliar pessoas com as informações devidas, caso queiram processar o Governo do Paraná movendo ações indenizatórias. Mais importante ainda: estes dados serão devidamente analisados para que uma intervenção administrativa possa colocar eficiência no sistema sucateado hoje existente, evitando assim que mais pessoas morram; vítimas, simplesmente, do descaso e da loucura escatológica de administradores públicos. 
 Os políticos, refiro-me especificamente aos senhorios da incompetência e da corrupção, eles todos, sem exceção, precisam acostumar-se à idéia de que sua passagem pelo poder é efêmera. Mal comparando, sob a ótica de preceitos sanitários, eles possuem prazo de validade, após o qual deverão ser destacados para a lata de lixo de onde vieram. Muitos deles até, muito conveniente seria, deveriam ser submetidos regularmente à inspeção sanitária para prevenir toda a sociedade da séria pestilência que sobre ela possa se abater transmitida por estes vermes da política. Alguns deles até, em muitos governos, ligados pelos laços familiares, genéticos, vicejam e crescem sob a luz do nepotismo delirante e frutificam nas bacanais da mesa farta do dinheiro público, muitas vezes roubado. Ironias destas há, até, em que a palavra corrupção e ladrão ajuntam-se à sonoridade do nome patronímico e revelam, sob o conúbio de uma rima pobre, a sina familiar.
 Limitado ao exposto, despeço-me externando a Vossa Excelência os meus respeitos. 

   
      FUAD CHAFIC ABI FARAJ
                           Promotor de Justiça

Uma ideia sobre “Do promotor Faraj para o secretário Xavier

  1. Tonho, desesperançado.

    Zé:
    Publica uma foto desse cara, pra eu substituir a do Mahatma Gandhi que eu tenho em cima da cômoda. Depois acompanha a história dêle, pra saber se a Polícia vai por escutas no telefone, se a Receita vai investigar as declarações dos últimos 5 anos e aproveita, vê se o síndico do prédio dêle não está pensando uma forma de expulsar ele e a família do prédio onde moram, por algum motivo muito justo.

  2. Edmond Dantes

    Este Ministério Público desenhado pelo Promotor, certamente, não é o brasileiro. Ele deve estar chegando de viagem, possivelmente da Itália e está meio confuso. Aliás, com o salário que ele está ganhando dá pra viajar muito para o exterior.

  3. Lucas Pontes

    Até que enfim alguém fala a verdade nesta pocilga de estado. Já deve estar com escutas telefônicas, etc, como disse o Tonho. Sr. Cláudio Xavier, responsável por muitas mortes. CAMBADA DE LADRÕES!

  4. jota carabina

    Essa da rima foi boa demais. Mandou bem promotor. Imagine a cara do incompetente Xavier lendo isso. É capaz de não ter entendido nada.

  5. marcos

    Com essa, o homem já está entre os melhores escritores e jornalistas do Paraná, o estado onde a mediocridade tudo corrói. Aprendam, puxa-sacos!

  6. carlos

    Quanto ao secretário requiônico, sem comentários. Mas eu pensei que os promotores recebiam para trabalhar… mas pelo que diz o brimo FUAD eles são missionários!! Como o paranaense é mal informado…

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