9:46LEROS

de Carlos Castelo

§ Olá.  Eu sou, o ar-condicionado da cela da Polícia Federal em Brasília.
Estava lá, quieto no meu canto, cumprindo minha missão constitucional de refrigerar o ambiente e manter a democracia térmica. Nada mais. Até que me acusaram de tortura. Justo eu, que só sei fazer “brrrr” de leve e um chiado tímido, coisa de qualquer aparelho que já teve que lidar com o calor do Distrito Federal.
Esse detento em questão, que usava fones de ouvido melhores que minha própria ventoinha, resolveu que eu era uma ameaça à sua integridade física. Ora, francamente. Mal me notava quando entrava gente graúda na cela — advogado, médico, político. Mas bastou uma reportagem e pronto: virei arma de guerra.
Agora ele foi para a Papudinha. E eu fiquei aqui, refrigerando paredes e pensando: será que sou o primeiro eletrodoméstico citado pelo STF?
Minha gente, eu sou apenas um ar-condicionado. Se queriam silêncio absoluto, instalassem um ventilador de teto. Aquele, sim, é que só faz barulho e finge que está trabalhando. Que nem certos presos
Compartilhe

One thought on “LEROS

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.