O internamento não garante a recuperação do dependente de álcool, drogas, etc. Clínicas não são tenda de milagres, mas um caminho conhecido para que as pessoas recuperem a liberdade, palavra que na boca de quem não tem conhecimento sobre o problema não vale nada. Liberdade aqui significa ter a capacidade de escolha entre a vida como ela é e o inferno que leva à morte (muitas vezes a inocentes por violência ou no trânsito no caso do alcoolismo). A pergunta sobre ser favorável ou não ao internamento compulsório é comum em palestras ou entrevistas. A resposta aprendida em mais de três décadas de voluntariado em clínica de recuperação é lógica e dura para quem sabe que a falta de conhecimento do problema atrapalha ainda mais uma decisão: “Se uma mãe tem um filho afundado no uso de qualquer substância, e ele, por defesa, não aceita o internamento, ela prefere levá-lo contra a vontade para o tratamento ou vê-lo morrer dentro de casa ou na rua?” A doença não tem cura e voltar a pensar depois de um tempo sem uso pode ser a “chave virada”, “a ficha que cai”, para recuperar uma vida onde a prioridade é o controle que nos garante a sobrevivência só por hoje. A decisão da prefeitura de Curitiba, portanto, é um passo gigantesco que, se resultar em uma única recuperação, já vale todo o esforço, ainda mais sabendo que deverá ser imitado neste país onde se morre no escuro da falta de informação.
Parabéns Zé.
Você fala e nós ouvimos.
“ Clínicas não são tenda de milagres, mas um caminho conhecido para que as pessoas recuperem a liberdade, palavra que na boca de quem não tem conhecimento sobre o problema não vale nada”
Frase para emoldurar e mostrar todos os dias aos que acham que basta usar chavões como “livre arbítrio” e/ou outras baboseiras.
E dito por alguém que conhece como poucos este caminho.
Parabéns Zé Beto!
Quem, como eu, fosse ameaçado por um noiado empunhando um estilete do tamanho de um facão, entenderia perfeitamente o que é internamento compulsório.