18:47LEROS

de Carlos Castelo

§ Era uma vez um ex-presidente que achava que a lei era opcional. Xingava minorias e não lavava as mãos após reuniões com os representantes do agro. Jair Bolsonaro, homem que desgovernou o país com a finesse de um rinoceronte em uma loja de cristais, foi finalmente vencido por seu adversário mais implacável: uma tornozeleira.

Segundo relatos, tentou removê-la. Quem sabe achou que, sendo ex-militar, bastava gritar “selva!” que o aparelho se jogaria no chão por patriotismo. Mas não: o objeto apitou, gemeu, gritou como quem diz “socorro, me botaram no Bolsonaro!”. E a Polícia Federal veio.

O ex-presidente, que certa vez arquitetou um golpe militar, foi derrotado por um GPS de canela. O Brasil inteiro assistiu boquiaberto enquanto o indivíduo que dizia defender a ordem tentava se libertar de um artefato eletrônico com a mesma habilidade com que lia gráficos de vacinação: nenhuma.

Preso está o homem, solto está o vexame.
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