6:19LEROS

por Carlos Castelo

§ Quando eu era bem bebê me colocaram num comercial de televisão com uma dona de cabeça branca ela dizia umas coisas e eu falava do meu jeito de criancinha claro que a mulher conversava feito gente grande e eu respondia como uma fedelha boba não entendo até hoje a razão da falação sobre eu aparecer ao lado da tiazinha mas mesmo agora no ensino fundamental ainda me pedem redações idiotas como esta pra contar como foi aparecer pro Brasil todo e ter ficado famosa ainda tão nova sinceramente não sei se foi tão legal assim a vida me ensinou sim só que foram outras coisas inclusive nunca mais aparecer num comercial de TV por que? bom você acharia bacana con versarem com você como se estivessem na presença do Cebolinha? eu sou da Turma da Mônica por acaso? a mulher velha nunca mais vi me disseram que ela é imortal então deve estar viva não me lembro o nome dela mas se por acaso alguém conhecer a idosa ou se ela ler a minha composição escolar queria dizer uma coisa caguei pla você

Alice, 3ª B

§ Falta menos de um ano para acabar o atual governo. É bom aproveitarmos porque sentiremos falta dele. Eu sei, muitos dirão que se trata de uma administração fascista, genocida, racista, misógina, machista, negacionista. E é. Mas de uma maneira como ainda não se conhecia: totalmente apalermada. Nunca o autoritarismo e a tirania foram tão risíveis como no governo Bolsonaro. A começar pelo próprio presidente que, em vez de ser capitão do Exército, deveria ter seguido a carreira de saltimbanco trapalhão. Dezenas de piadas criadas por V. Exc. entrarão para o panteão do humorismo nacional em número maior que todas as de Ary Toledo, Juca Cha ves e Chico Anysio juntas – e em letra miúda. Sem contar as vezes em que a figura presidencial esteve ligada a situações de prisão de ventre, flatulência e eliminação de fezes pelo nariz e por outras vias que não o ânus. Não fosse pela trágica economia conduzida por um bufão; pelo aterrorizante trato com a saúde pública, pelo apavorante desmatamento amazônico, teríamos os quatro anos mais hilariantes da história do Brasil.

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