6:30A derrota ainda não terminou

por Tostão, na FSP

…Ancelotti, por ser um treinador vitorioso, de prestígio mundial e europeu, como a maioria dos brasileiros queria, foi uma grande decepção. Ele não deixou de ser um excelente técnico. Embora tenha cometido alguns erros e a eliminação do Brasil tenha sido mais cedo do que nos Mundiais anteriores, o fato é mais uma demonstração da importância relativa dos treinadores.

Eles erram e acertam, pois o futebol está longe de ser uma ciência exata. Há muitos outros fatores envolvidos.

Muitas vezes, um grande time, uma seleção, se forma de repente. Os jogadores se completam em campo mais pelas características do que pelos treinamentos. A primeira vez que joguei ao lado de Dirceu Lopes e Evaldo no Cruzeiro dos anos 60, parecia que jogávamos juntos há mil anos.

Evidentemente, o melhor é que um treinador de seleção tenha um bom tempo para formar uma equipe com suas variações na escalação e na maneira de jogar.

Os times que atuam na Argentina são inferiores aos que jogam no Brasil. As duas seleções são formadas quase somente por atletas que atuam no exterior. Fora Messi, existe, mais ou menos, um equilíbrio técnico individual entre as duas seleções. Porém, o jogo coletivo dos argentinos é muito melhor, menos na final contra a Espanha.

A Argentina preenche mais o meio-campo, troca mais passes e tem mais controle da bola e do jogo. Scaloni, que jogou na Espanha, bebeu na fonte dos espanhóis. Já o Brasil, há décadas, prioriza as estocadas, os lances individuais, as bolas longas para os velozes e hábeis pontas e atacantes. Faltam craques no meio-campo.

Muitas coisas precisam mudar no futebol brasileiro, fora e dentro de campo, especialmente, na formação de jogadores.

Não há mais lugar para dividir o meio-campo entre os volantes que marcam e os meias que atacam, os goleiros entre os que jogam bem com a mão e os que jogam bem com os pés, entre os zagueiros que defendem bem e os que têm bons passes, os laterais que marcam e os que avançam e entre os centroavantes fixos e os que se deslocam por todo o ataque, bisonhamente chamados de falsos 9. Os bons atletas, durante o mesmo jogo, necessitam ter mais de uma função em campo.

Os grandes problemas do país se estendem ao futebol. Nas últimas décadas, em variados governos, o Brasil tem sido incompetente para resolver ou atenuar bastante os graves problemas sociais, educacionais, de corrupção e de criminalidade. O mesmo acontece no futebol. amal, o único excepcional atacante teve uma atuação discreta.

Apesar das bets, de Trump e da ganância da FIFA, a Copa do Mundo, no campo, foi espetacular, uma demonstração da evolução do futebol, com belos e emocionantes partidas, um número recorde de gols e jogos com muita intensidade. As seleções mostraram grande capacidade de atacar e defender com muitos jogadores, de alternar a marcação mais recuada com a pressão para recuperar a bola, de acelerar e de pausar, no momento certo.

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One thought on “A derrota ainda não terminou

  1. Jason

    O craque da bola e das letras Tostão acerta em quase todas ponderações. Sem um meio de campo preenchido e equilibrado não há seleção ou time que possa ser ganhador. Também a falta de laterais eficientes empobrece o jogo. Não adianta ter quatro ou cinco atacantes estrelados se ninguém os abastecer. Vida longa Tostão!!

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