14:33Peppino di Capri, adeus

Da FSP

Morre cantor e compositor Peppino Di Capri, do sucesso ‘Champagne’, aos 86 anos

Artista italiano foi um dos astros da música de seu país. Causa da morte ainda não foi divulgada por sua família

O cantor e compositor italiano Peppino di Capri morreu na manhã deste sábado, na ilha de Capri, na Itália, aos 86 anos. A notícia foi divulgada na própria rede social do artista, com uma fotografia e a legenda “tchau, Peppino”. A causa da morte não foi divulgada pela família.

Nascido em julho de 1939 na mesma ilha onde morreu, Peppino foi um renomado cantor, pianista e compositor, se destacando-se como um dos grandes astros da música popular italiana do século 20. Ele ficou mundialmente famoso por clássicos românticos como “Champagne” e “Roberta” —sendo essa última a que deu início a uma onda de batismos de crianças com esse nome na Itália.

Peppino di Capri, nascido Giuseppe Faiella, esteve desde cedo em contato com o universo musical. Seu avô tinha uma banda na ilha de Capri e o seu pai, uma loja de discos, além de saber tocar vários instrumentos. Aos quatro anos, o cantor já se apresentava para os soldados aliados nas bases militares da ilha durante a Segunda Guerra Mundial.

Em 1953, ele formou o Duo Caprese e se apresentava nas boates de Capri ao lado do baterista e amigo Ettore Falconieri. Anos depois, a dupla participou do programa de auditório Primo Applauso, venceu a competição e ganhou um aparelho de televisão.

Em 1957, ele formou o grupo Capri Boys, uma banda inspirada nos roqueiros americanos, com Pino Amenta, Mario Cenci e Gabriele Varano. Após um contrato com gravadora milanesa Carish, o grupo passou a ser chamado de Peppino di Capri e i Suoi Rockers e emplacou sucessos como “Malatia”, “Let Me Cry” e “Nun È Peccato”.

Em dezembro de 1961, ainda com a banda, o artista lançou o twist, dança inspirada no rock, na Itália com a interpretação de “Let’s Twist Again”, música que vendeu 1 milhão de cópias e levou Peppino di Capri ao topo das paradas. Depois, se seguiram as canções “Don’t Play That Song” e “St. Tropez Twist”, assim como turnês pela Alemanha e pelos Estados Unidos.

 

Na época, Peppino di Capri apostava num arquétipo do cantor melódico italiano, mas que estava, ao mesmo tempo, voltado para o futuro. Ele, então, transmitia segurança ao mesmo passo que tinha uma áurea de travesso, se deixava fascinar pelo estilo rock sem deixar de ser o tipo de “namorado ideal” para a legião de fãs que o seguia.

Esse charme de seus primeiros tempos, somado a uma energia juvenil, o lançou em nmundo em rápida transformação e garantiu a ele um papel singular na música italiana. No auge da sua carreira, Peppino di Capri chegou a abrir os shows dos Beatles durante a turnê italiana da banda britânica, em 1965. O italiano foi um dos grandes responsáveis por levar o gosto pelo rock à Itália.

Uma década depois de fomada, a banda Peppino di Capri e i Suoi Rockers chegou ao fim, e Peppino di Capri decidiu seguir carreira solo.

O cantor também foi consagrado pelo Festival de Sanremo, principal concurso de música popular e evento cultural mais visto da televisão italiana. Ao todo, esteve presente em 15 edições do evento, levando o primeiro lugar apenas duas vezes —em 1973 com a música “Un Grande Amore e Niente Più” e depois, em 1976, com a “Non lo Faccio Più”. Ele também ganhou o Festival da Canção Napolitana em 1970 com “Me Chiamme Ammore”.

“Sentia que o melhor ainda estava por vir. Talvez seja justo que aconteça dessa forma para canções que têm um estilo clássico não ligado a uma dança ou a uma moda, algo que nos diverte só por um verão e depois irrita”, disse em 1973 ao vencer o festival.

Naquele mesmo ano, Peppino di Capri lançou “Champagne”, composta por Mimmo di Francia, Depsa e Sergio Iodice. Conhecida pelo refrão melancólico, a música teve inicialmente uma recepção morna. A fama veio depois, gradualmente, até se tornar um clássico na Itália, passando a integrar o repertório típico de casas noturnas e bares com piano.

Peppino di Capri representou a Itália no festival Eurovision em 1991. O cantor interpretou “Comme è Ddoce ‘o Mare”, uma balada romântica escrita em dialeto napolitano, e terminou a competição em sétimo lugar. Essa foi a primeira vez em que o país enviou à competição uma canção não cantada em italiano.

A vida amorosa do artista esteve entrelaçada com sua produção musical. O primeiro casamento foi com Roberta Stoppa, que o acompanhou durante os anos de seu maior sucesso artístico e, segundo o próprio cantor relatou em várias entrevistas, foi responsável por sugestões de estilo que se tornariam sua marca como as famosas jaquetas com acabamento metálico. Foi para ela que Peppino dedicou a canção “Roberta”, que se tornaria uma das mais famosas de seu repertório.

Numa crise no relacionamento com Stoppa, entretanto, o cantor conheceu quem viria a ser sua segunda mulher, Giuliana Gagliardi, que se tornou sua companheira na maturidade e no renascimento profissional, permanecendo ao seu lado por mais de 40 anos. Para ela, a canção dedicada foi “Un Grande Amore e Niente Più”, com a qual venceu o Festival de Sanremo.

O trabalho musical de Peppino foi lembrado nas telas de cinema com a cinebiografia “Champagne”, lançada no ano passado. O longa acompanha as mais de seis décadas de carreira do artista e tem Francesco Del Gaudio no papel principal, interpretando Peppino.

Entre suas lembranças mais marcantes, Del Gaudio lembra a primeira exibição privada do filme para o cantor. “Ele desabou em lágrimas durante as cenas dedicadas à guerra, quando ainda era criança. Aquelas imagens tocaram uma parte muito profunda e dolorosa de sua história pessoal. É assim que me lembro dele, com muita ternura”, disse o ator.

Peppino di Capri realizou dezenas de apresentações no Brasil ao longo de sua carreira, marcadas por shows lotados em capitais, aparições na TV e público emocionado e cantante.

Sua última aparição nos palcos aconteceu há cerca de um ano. Apesar da saúde já debilitada, Peppino di Capri ofereceu ao público uma interpretação de “Champagne” na Certosa di San Giacomo, na ilha de Capri, durante um evento cinematográfico.

O funeral será realizado na tarde deste domingo, na antiga Catedral de Santo Stefano, na Piazzetta di Capri. O cantor deixa três filhos, Igor, com Roberta Stoppa, e Edoardo e Dario, que teve com Giuliana Gagliardi.

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