de Carlos Castelo
§ Existe uma praga silenciosa no humor brasileiro. E não é o stand-up, que ao menos tem a honestidade de suar no palco mesmo à luz de um refletor mequetrefe. O problema é mais perfumado: são os autores que descobriram a prosa espirituosa da New Yorker e decidiram transplantá-la para cá como quem planta tulipas em Bangu.
De repente, o camarada quer soar como um professor de Princeton observando, com melancolia, a decadência moral de um croissant. Só que o nosso objeto nacional não é o croissant: é o ovo colorido da rodoviária, a impressora que “só pega se levantar a tampa”, o tio que chama Pix de pique.
O resultado é um humor de luvas brancas tentando descrever um país que resolve problema no grito e chama solução provisória de gambiarra desde 1500.
Os textos desses new yorkers iniciam falando da falência espiritual do ocidente e acabam descrevendo uma cadeira assinada por um designer escandinavo. Um verdadeiro boi com abóbora metido à besta.
Falta busão. Falta boteco. Humor brasileiro (do bom) não toma chá com leite, muito menos com ironia: ele derruba café na camisa e ainda culpa o pires. Em outras palavras: humor brasileiro não anda de cachecol em Copacabana.