por Lea Oksenberg, no Vigília Comunica
Passamos quatro anos calculando cruzamentos, trocando técnico e jurando que o futebol é uma ciência quase exata. Aí vem a Copa do Mundo, chuta o tabuleiro e nos deixa com cara de tacho. Quem, em sã consciência, apostaria um único centavo que a rigorosa Alemanha cairia diante do Paraguai, ou que a Holanda veria o resto da festa pela televisão? Ninguém. Mas o futebol é mestre em rasgar manuais.
Agora, no meio desse cenário de cabeça pra baixo, o país cruzou com o maior teste de maturidade da história da nossa participação em Copas. O perigo atende por um nome que, talvez, na Escandinávia deva ser de uma imponência danada, mas que cruzando a linha do Equador virou um autêntico “deus nos acuda” na internet. O homem tem dois metros de altura e se chama… Rola.
Pronto. O brasileiro, que já não leva a vida muito a sério, se entregou aos memes. O drama de domingo mudou de figura. Ninguém consegue prever o impacto psicológico de uma zaga que passará noventa minutos preocupada em “marcar o Rola” ou, pior, em como o narrador vai explicar um gol do adversário na hora do almoço em família. A verdade é que ninguém quer ver o Rola crescendo na área no domingo.
É a velha e boa vingança do imponderável contra os cientistas da bola. O futebol insiste em nos lembrar que a vida real sempre guarda um drible torto ou um nome improvável para nos desconsertar. No domingo, o país vai prender a respiração a cada bola alçada na área. Não apenas pelo medo do gol, mas pelo pavor de descobrir que, no grande teatro do mundo, a lógica perdeu de goleada para a mais pura comédia humana.
“Foi um gol de anjo, um gol de placa, de fato
Que a galera agradecida assim cantava:
Fio Maravilha, nós gostamos de você
Fio Maravilha, faz mais um pra gente ver…”
(Fio Maravilha – Jorge Benjor)