Homem sentado na Praça João Lisboa
de Luis Augusto Cassas
Homem sentado na praça
na solidão do domingo
na solidão desta tarde
newyorquina londrina
ipanemense ludovicense
Homem sentado na praça
entre rosas estátua namorados
– o olhar sociológico
perscrutando a multidão –
homem universalmente sozinho
como se estivesse sentado na tarde
de Londres New York Paris
São Paulo Buenos Aires Rio
no Central ou no Hide Park
na Praça de La Concorde
da Sé ou 9 de Julho
(o sol reclina-se nos bancos)
O olhar baço-sol apagando –
fitando perto nenhum lugar;
o pensamento solto – como pássaro –
cria projetos de paz e igualdade
que as nuvens desfazem, ah entardecer!
Já pensou em soluções coletivas
para a cidade e a humanidade
(agora idealiza pombos na mão
como se estivesse em Veneza)
Homem sentado na tarde
absorto triste indiferente
ruminando a solidão do domingo:
e nem percebe quando as andorinhas
– como uma rajada de metralhadora –
batem asas contra a Igreja do Carmo
avisando que a missa das seis já encerrou
e a voz do padre e a tarde
se extinguiram