por Renato Sergio Lima*, na FSP
Disputa eleitoral inaugura uma perigosa fase em que a ideia de nação independente cede lugar à lógica da tutela e do intervencionismo internacional. Estamos diante de uma aposta bastante arriscada e que deve gerar em breve consequências graves
A classificação, pelo Departamento de Estado dos EUA, do Primeiro Comando da Capital e do Comando Vermelho como organizações terroristas é, no limite, uma decisão soberana do governo norte-americano e que diz respeito à forma como aquele país lidará, em seus termos jurídicos e legais, com as conexões e os impactos transnacionais da atividade dessas facções. Ela está alinhada ao maior intervencionismo global norte-americano durante a atual administração Trump e é justificada por pretensas ameaças à segurança nacional daquele país.
Reconhecer isso, contudo, não significa concordar com a decisão. Muito pelo contrário. Mas vale como ponto de partida para analisar o que está em jogo e os movimentos e efeitos do anúncio.
Na prática, a medida muda por completo como os EUA irão abordar o problema, indicando que agora a questão é de natureza militar e não de cooperação policial. Isso é bastante preocupante, ainda mais porque Brasil e EUA têm uma longa tradição de cooperação policial e de troca de informações de inteligência, que podem ser afetadas.
Em termos conceituais, por mais que alguns atos do PCC e do Comando Vermelho possam adotar táticas associadas a terroristas, como incendiar ônibus, o direito internacional não autoriza pensarmos que elas são organizações terroristas. Isso porque essas facções estão estruturadas para ganhar dinheiro e não são motivadas por interesses ideológicos, por interesses políticos, por discursos de ódio ou por intolerância religiosa.
Mas o que mais chama atenção é que a decisão assinada por Marco Rúbio é, mais do que qualquer coisa, o primeiro ato de intervenção norte-americana no processo eleitoral brasileiro, sobretudo porque foi anunciada um dia após a visita de Flávio Bolsonaro à Casa Branca.
E só isso justifica a adesão entusiasmada e míope de setores políticos e empresariais brasileiros à medida. À luz da realidade brasileira, esta decisão aumenta exponencialmente a exposição do Brasil a sanções internacionais, não apenas dos EUA.
É impressionante que uma medida com implicações profundas na soberania e na autonomia do Brasil, na economia, no sistema financeiro e nos mecanismos de cooperação regional e internacional seja incentivada como solução de um problema bem mais complexo, sem considerar os riscos de saídas unilaterais de outras nações para uma economia do porte da brasileira.
Brasil e EUA têm atuado de forma coordenada ao longo de décadas, com destaque para a troca de informações de inteligência policial e para o combate à lavagem de dinheiro. Porém, no plano interno, o apoio explicitado por muitos políticos à medida demonstra visões reducionistas e descoladas das reais tarefas que o Poder Público precisa colocar em prática para retomar territórios e regular mercados e setores usados pelo crime organizado, como fintechs, bets e criptoativos.
O Brasil tem um dos sistemas bancários mais dinâmicos e modernos do planeta, além de ter conseguido ampliar a bancarização de parcela significativa de sua população. Agora, são exatamente essas conquistas que estão ameaçadas, lembrando que, por coincidência, a Receita Federal e o Ministério Público de São Paulo mostraram nesta quinta, em mais uma fase da Operação Carbono Oculto, como os tentáculos do PCC envolvem o sistema financeiro brasileiro e se apropriam de mecanismos e fundos de investimento para blindar e lavar ativos.
Assim, ao apoiar a decisão dos EUA de classificar PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas, alguns setores políticos do país estão assumindo que entregaram nossa soberania em nome de um projeto de poder e não têm a mínima noção de como construir uma sociedade verdadeiramente livre e capaz de resolver seus próprios problemas de segurança pública.
É possível, mesmo discordando radicalmente, entender as motivações norte-americanas. Mas fica difícil compreender o quanto estamos abdicando de parcela da nossa independência. Em nome de interesses imediatos, estamos vendo que a disputa eleitoral inaugura uma perigosa fase em que a ideia de nação independente cede lugar à lógica da tutela e do intervencionismo internacional.
Ao contrário do que o senador Flávio Bolsonaro publicou em suas redes sociais, não estamos diante de um “grande dia”. Estamos diante de uma aposta bastante arriscada que deve gerar em breve consequências graves para o Estado de Direito e para a economia do Brasil.
*Diretor-presidente do Fórum Brasileiro de Segurança Pública
Trump malvadão! Classificar como terroristas as ONG’s brasileiras CV e PCC é um grande desrespeito a nossa soberania! Lula precisa protestar contra essa ação indevida e injusta dos Estados Unidos contra o crime governizado do Brasil!
kkkkkkkkkkkkk…………esquerdalha remunerada corre defender a bandidagem. nada vai acontecer no Brasil, no território brasileiro. agora, os bancos que transacionarem com a bandidagem estarão sujeitas a sanções…………………… faz o ele………….
Claro, um absurdo isso de marcar como terroristas…
https://www.cnnbrasil.com.br/nacional/sudeste/rj/comando-vermelho-pagou-viagens-para-treinar-soldados-na-guerra-da-ucrania/
Mas quando Barroso pediu “apoio” ao Biden não era problema:
https://x.com/ggreenwald/status/1953153893329715202
Excelente análise feita por um dos caras que mais entendem de segurança pública no país, ao lado do promotor paulista Lincoln Gakia.
Fico triste quando vejo pessoas usarem de argumentos demagogicos pra defender a família bolsomasterista e sua agenda entreguista.
Pergunto ao José : vc não quer ir pra Ucrânia? Dá pra ganhar até 25 mil por mês,sem experiência nem noção de segurança nenhuma. Qualquer sem noção pode embarcar:
https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/deutschewelle/2025/04/23/ucrania-quer-mais-brasileiros-lutando-em-suas-trincheiras.htm