por Conrado Hübner Mendes, na FSP
Ativista do direito de mentir, luta contra o direito universal de não acreditar. Chama de ‘narrativa’ o que lhe desabona; de ‘fato’ o que lhe favorece
Filho de pai preso. Segue carreira do pai e se elege por ser filho do pai. Obedece ideias do pai, copia métodos do pai. Tem os aliados do pai. Trilha o curriculum do pai. Em casa, o pai o chama pelo número de antiguidade 01. Amor filial supera o paterno.
Sua sagacidade não alcança a do pai, porém mais afiada que a dos irmãos. Nunca disse “ditadura devia ter matado mais”, mas vê em 1964 “contrarrevolução democrática”. Não gostaria de filho “entrando em casa e apresentando seu namorado”. Definiu as medidas do governo do pai na pandemia, e o superávit de mortes evitáveis da ordem dos seis dígitos, como o que “se espera de um estadista”.
Revelou que, se presidente, caso STF anule seu indulto ao pai, “aí é confusão fora das quatro linhas”. Mas fará o possível “para que não chegue a esse ponto”. É candidato a versão moderada da família.
Apoiador da cultura nacional, lutou pela produção de filme sobre o pai. Articulou modelo arrojado de patrocínio, onde patrocinador prefere não aparecer. Recebeu milhões de reais de banco quando já se sabia a magnitude das operações ilegais.
“Sem graça de ficar cobrando”, cobrou outros milhões na véspera da prisão do mecenas. Trata o banqueiro, que alegou nunca ter conhecido, por “meu irmão”, a quem confessou não saber “como tudo isso vai acabar, está nas mãos de Deus aí”, “estou contigo sempre”.
Explicou ser filme privado com dinheiro privado. Não menciona emendas parlamentares e dinheiro de aposentados. Não sabia que, quando autoridade pede dinheiro a banqueiro, pode cometer pelo menos um de três crimes: corrupção, lavagem e financiamento de organização criminosa. Depende do destino real do dinheiro, ainda não sabido, e de outras variáveis. Não importa se privado o dinheiro.
Empresário bem-sucedido de chocolates, em três anos sua loja recebeu 1.512 depósitos em valores idênticos e movimentou R$ 3 milhões em espécie. Explicou ser assim no comércio, “no final do dia você junta a quantia e deposita no banco”.
Ministério Público e Coaf produziram provas sobre peculato (rachadinha) de seu gabinete, de onde supostamente provinham investimentos imobiliários em áreas de milícias. Foram anuladas por STF e STJ, que alegaram vício formal.
Mora em casa comprada por R$ 6 milhões, metade financiada pelo Banco de Brasília (BRB). Negociou juros europeus de 3,71% ao ano.
Retirou assinatura do pedido de CPI do Banco Master, mas continuou gritando a favor. Assinou outra vez depois da notícia sobre sua relação com o banqueiro, que admitiu depois de tanto negar.
Ativista do direito de mentir, combate cidadãos que lutam pelo direito de não acreditar. Chama de “narrativa” o que lhe desabona, de “fato” o que lhe favorece.
Candidato à Presidência, sua dancinha de campanha aperfeiçoa o molejo de boneco de posto. Exibe “O Pix é do Bolsonaro, o Master é do Lula” na camiseta. Seu irmão conspira contra a economia brasileira perante o governo norte-americano, que cobra tarifa e combate o Pix em favor de cartões de crédito.
Sua filosofia constitucional está encapsulada no conceito de “legalização de milícias”, emprestado do pai. Argumenta: “As classes mais altas pagam segurança particular, e o pobre, como faz para ter segurança?”
Seu pensamento religioso: “Sou instrumento de Deus para pacificar o Brasil”.
Quer novo emprego.
não lembro dessa pessoa ter falado da roubalheira da petrobrás, corrução da odebrecht, mensaão, petrolão, sítio de atibaia, triplex………….. incrível né, “meu corrupto favorito” eu poupo, esse pode tudo