de Luís Cláudio Oliveira
PERDEU! PERDEU!!
.
O grito explodiu-o no peito
Encolheu-se no banco do carro e olhou pela janela
.
As armas não apontavam para ele
A alguns metros
O susto embaralhava vozes e choro
Uma bolsa mudava violentamente de mãos
O cano do revólver acariciou a ponta de um seio
Que se encolheu com medo e nojo
.
Os dois pivetes correram felizes com a bolsa
A moça ficou, chocada, chorando
.
A fragilidade dela tirou-o do carro
Aproximou-se com receio
Ela o olhou cheia de medo
Ele estendeu a mão
Ela a agarrou, tremendo
Ele abraçou-a tentando sentir peito contra peito
Ela pendurou-se nele e chorou de soluçar
.
Recuperando-se, ela falou em chamar a polícia
Ele disse “polícia não” e sugeriu alguém da família
Ela aceitou chamar a mãe
Sentaram no meio fio, esperando
Aos poucos ela foi parando de tremer
O nome dela? Sabrina. O dele? Pedro
Emoções escapavam por risinhos e gentilezas
.
A mãe chegou antes que o silêncio os envolvesse
Trocaram agradecimentos, beijinhos
Ele ficou com o número dela (o celular tinha ido com a bolsa)
Ela partiu olhando-o pela janela
Ele saiu caminhando
.
Enquanto andava
Pensava em quanto ela era frágil
E linda
.
No carro, que ficou para trás,
Esqueceu a mixa
E os fios desencapados para a ligação direta
Uau!! Final inesperado… surpreendente… genial.