por Joel Pinheiro da Fonseca, na FSP
Algum fator que vai além da economia pode estar colorindo a percepção das pessoas. Olho para as eleições em nosso continente do ano passado até agora: a direita levou praticamente todas
A economia do Brasil não está em crise. A inflação fechou 2025 abaixo do teto da meta. O PIB cresceu 2,3%. O desemprego está na mínima histórica, e os empregos com carteira assinada, na máxima. A renda média do trabalho em 2025 subiu acima da inflação. Há milhões de pessoas que não tinham emprego e agora têm. Que pagavam Imposto de Renda e agora não pagam. E, no entanto, a aprovação do governo vai mal.
Sempre que isso ocorre, o instinto é procurar algum dado econômico ruim para explicar o mau desempenho. A bola da vez é o endividamento, que de fato está alto. Antes, era o preço dos alimentos. Sempre dá para achar alguma coisa. Mas o fato de sempre termos de procurar me indica que há algo mais profundo em jogo; algum fator que vai além da economia e que pode inclusive estar colorindo a percepção das pessoas sobre a economia.
Pode ser um cansaço com Lula, por ele ter sido presidente por tantos mandatos? Pode ser. Mas alguém da esquerda iria melhor do que ele nas pesquisas nacionais? Dificilmente. Olho para as eleições em nosso continente do ano passado até agora: a direita levou praticamente todas. A esquerda cansou.
Acredito que vivemos uma mudança de valores na sociedade. E no centro dessa mudança está a valorização da responsabilidade individual. O indivíduo é capaz de agir e responde por seus atos. Isso vale tanto na hora de exaltar o empreendedor construindo sua ascensão social quanto na hora de punir o criminoso, visto como o responsável por suas más escolhas. As pessoas querem trabalhar, crescer e receber a recompensa de seus atos.
A esquerda atual não tem nada para quem acredita no indivíduo. Aquele que almeja subir na vida pelo trabalho ou estudo é visto como um coitado iludido pelas mentiras da meritocracia. Aquele que tem fortuna é um vilão que só está onde está por conta da exploração. E, por fim, aquele que delinque é uma vítima do sistema a ser tratado com compreensão. O cidadão, indefeso, só encontra sua salvação no Estado, que para isso deve taxar, regular, censurar e distribuir.
Não por acaso, esse conjunto de valores centrados no indivíduo é justamente aquele engendrado tanto pelo caráter mais individualista do protestantismo quanto pela dinâmica das redes, em que o indivíduo ganha voz própria, não mediada nem editada por instituições. É nas redes também que ele vislumbra a chance de buscar seu —incerto— sucesso econômico por conta própria, cuidando de seu tempo e de seus riscos nas plataformas ou mesmo empreendendo novos negócios. Essa promessa de empoderamento do indivíduo é forte.
Não estou dizendo que esse conjunto de valores é o correto, e que a visão mais coletivista e redistributiva seja sempre errada. A realidade é complexa e toda tentativa de encontrar uma fórmula universal acaba naufragando. Neste momento, contudo, as pessoas querem recompensar os bons e punir os maus, querem sentir que crescem por impulso próprio, e não terem seu sentido de agência negado ou menosprezado. E o Brasil, por sua vez, precisa decolar.
Isso não é uma previsão de derrota de Lula. Longe disso. Ele retém um contingente enorme de eleitores gratos a ele. Será uma disputa acirrada. A sociedade, contudo, caminha para longe do petismo histórico. Para a esquerda que vier depois de Lula, o desafio está lançado.
O Brasil da vida real é bem mais medonho , o preço da carne, até daqueles miúdos e rejeitos (rabo do boi,o mocotó e o bucho) quase descartados, mas com os temperos adequados, se tornam melhores pratos.
O dinheiro entra como tartaruga e sai como foguete, pingo d’água em chapa quente.
A SELIC 15%, gera uma competição entre o dinheiro e os produtos e por fim entra o governo para abocanhar sua parte sem nenhum esforço. Neste enredo o mais prejudicado é o consumidor final, aquele que só tem o título de eleitor e um cartão de crédito este para aprisiona lo.
Se usarmos matemática simples, a renda do povo encolheu.
O IPTU EM CURITIBA EM 03 ANOS DOBROU DE TAMANHO, com o fermento do Greca e agora o sr. Eduardo Pimentel (pimenta no povo é refresco) irá crescer até 2030.
O Brasil está tudo errado, quando vemos o agro negócio receberem subsídios na casa de bilhões, aquele dinheiro abocanhado através de impostos.
O petista só faltou esclarecer que “O desemprego está na mínima histórica, e os empregos com carteira assinada, na máxima.” “em alta” é de 1 a 1,5 salário-mínimo. E que o resto “a gente traz da China”, fecha empresas brasileiras, mete mais imposto em que sobrevive!