de Nilson Monteiro
Reina em mim
um moleque
esquecido atrás do nó
da gravata e
do lustre dos sapatos
Trago dentro de mim
um demônio de
jeans e tênis rasgado,
cúmplice dos excluídos,
maltrapilho e maltratado,
bêbado, mal traçado,
não raro adormecido
e acordado.
Reina em mim
cinótica paixão pela vida
destilada em dores e cores,
curtida em mentruz e mentiras
Trago dentro de mim
o sono roto das janelas
o sonho vivo das estrelas,
amante das loucuras,
vira-mundo, vira-lata, vira-vira,
iluminado.
Reino em mim
este moleque, amém.