por Catarina Scortecci,, na FSP
Presidente do PL no Paraná, ligado a grupo de Ratinho Junior, afirmou a aliados que vai deixar a sigla após filiação de senador. Pré-candidato ao governo do Paraná, ex-juiz resgatou aliança com Deltan Dallagnol
O senador Sergio Moro, filiado ao PL nesta terça-feira (24) para concorrer ao Governo do Paraná, já enfrenta resistência ao seu nome nos quadros do partido. A ala insatisfeita com a chegada do ex-juiz da Lava Jato é encabeçada pelo presidente do PL estadual, deputado federal Fernando Giacobo, que comunicou a aliados na noite desta terça que vai deixar o comando da legenda.
A Folha não conseguiu falar com Giacobo nesta terça e Moro não quis se manifestar. O deputado federal Filipe Barros (PL), que será um dos candidatos ao Senado na chapa de Moro, também preferiu não comentar.
Se confirmar sua saída, Giacobo pode convencer prefeitos e deputados a fazer o mesmo caminho.
Nesta terça, a ausência de Giacobo no ato de filiação de Moro, em Brasília, foi notada pelos correligionários. Na visão do presidente local, o PL deveria continuar na aliança com o PSD do governador Ratinho Junior, que na segunda-feira (23) desistiu da corrida ao Planalto e optou por terminar o mandato no Palácio Iguaçu, com foco em garantir a vitória de um sucessor.
O nome do PSD que vai para a disputa ao governo paranaense ainda não foi definido, e o grupo teme uma derrota para Moro, que tem figurado em primeiro lugar nas pesquisas de intenção de voto.
Não é o primeiro atrito de Moro na articulação para as eleições, que também entrou em conflitos com integrantes do União Brasil no Paraná, quando ainda estava filiado ao partido.
O maior desgaste na relação com o União Brasil ocorreu durante as eleições de 2024, quando ele contestou nomes de correligionários lançados em cidades estratégicas no Paraná e chegou a pedir a intervenção da cúpula da sigla.
No final do ano passado, Moro também foi rejeitado pelo PP, que no Paraná é controlado pelo deputado federal Ricardo Barros. Com apoio de Ciro Nogueira, presidente nacional da sigla, o grupo de Barros vetou a candidatura do ex-juiz ao Governo do Paraná no âmbito da federação que está sendo construída entre PP e União Brasil.
O espaço agora no PL foi conquistado por Moro na esteira das articulações em torno da corrida ao Planalto. Lançado pré-candidato à Presidência, o senador Flávio Bolsonaro (PL) buscava um palanque no Paraná, já que Ratinho Junior também se colocava como um nome ao governo federal.
A desistência repentina de Ratinho Junior pegou aliados de surpresa, mas não alterou o acordo que Moro havia feito com a cúpula do PL dias atrás. O governador admitiu abertamente o interesse em participar das eleições ao Planalto no final de 2024 e, desde então, até o comunicado desta segunda, trabalhava para entrar na disputa.
Aliados dizem que a opinião da família pesou na decisão, mas a dificuldade em garantir uma candidatura viável para seu grupo no Palácio Iguaçu também influenciou. Além de perder o PL, o PSD paranaense ficou sem o partido Novo, cuja principal liderança no estado é o ex-procurador da Lava Jato Deltan Dallagnol.
Moro e Deltan se afastaram nas eleições de 2024, quando o ex-procurador caminhou ao lado do grupo de Ratinho Junior para eleger Eduardo Pimentel (PSD) à Prefeitura de Curitiba. No mesmo pleito, Moro lançava sua mulher, a deputada federal Rosangela Moro, como candidata a vice-prefeita da capital na chapa do União Brasil.
Agora, para as eleições de 2026, Moro conseguiu atrair o Novo para sua chapa com Deltan figurando como pré-candidato ao Senado, junto com Filipe Barros.
Na avaliação de integrantes do Novo, não havia como o partido no Paraná permanecer apoiando o PSD, contra o bolsonarismo e contra o ex-juiz da Lava Jato. A operação deflagrada há mais de dez anos sustentou a entrada na vida partidária de Deltan e Moro, dupla que carrega a bandeira anti-PT.
Para que a aliança entre PL e Novo se consolidasse, o partido de Deltan também precisou descartar a possibilidade de uma candidatura própria, que chegou a ser ventilada com a filiação do ex-deputado federal e atual vice-prefeito de Curitiba Paulo Martins, no ano passado.
Martins é amigo de Ratinho Junior e foi adversário de Moro na disputa pelo Senado em 2022. Mas, dentro do Novo, prevaleceu a tese de que Deltan não poderia fazer um movimento contrário ao PL.
Além de Moro, outros dois pré-candidatos ao Executivo já foram lançados: o ex-prefeito de Curitiba Rafael Greca, que saiu do PSD e migrou para o MDB, e o deputado estadual Requião Filho (PDT), que tem o apoio do PT.
Dentro do PSD, dois nomes desejam a vaga: o secretário estadual das Cidades, Guto Silva, e o presidente da Assembleia Legislativa, deputado estadual Alexandre Curi. Como não há unanimidade no partido em torno dos dois nomes, o prefeito de Curitiba, Eduardo Pimentel, também está sendo ventilado, assim como o atual vice-governador Darci Piana.
Tchau Jiacomo, fique com o patobranquense como tu Guto Silva.
Já dançou.
Ele é o André Vargas do PL.
Já foi tarde.
– _NOTA PÚBLICA_
_DEPUTADO FILIPE BARROS ASSUME PRESIDÊNCIA DO PL-PR_
_Por decisão do presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, o deputado federal Filipe Barros (PL-PR) passará a presidir o Partido Liberal no Paraná._
_Pré-candidato ao Senado, o novo presidente assume o cargo já a partir desta terça-feira (24/03)._
_“Agradeço ao amigo e deputado Fernando Giacobo pelo trabalho consistente que realizou como presidente do PL ao longo dos anos. Tenho certeza que continuaremos esse belo legado, liderando o Partido Liberal com a responsabilidade que o Paraná e o Brasil exigem”, afirma Filipe Barros._
_IMPRENSA FILIPE BARROS | 24/03/2026_
Convite de Giacobo Janene que perderá a vaga de deputado federal pelo apoio à Gleisi:
Amigos vice-prefeitos e vice-prefeitas,
Quero falar com vocês de forma direta e com muita transparência. Estou deixando a presidência do PL Paraná e também me desfiliando do partido.
Essa é uma decisão pensada, com responsabilidade, e com um objetivo claro: manter firme o nosso apoio ao governador Ratinho Jr. e seguir trabalhando pelos municípios do nosso estado.
Conto com vocês para caminharmos juntos nesse novo momento. Nosso compromisso continua sendo o mesmo: trabalho, resultado e respeito com a nossa gente.
Quero também convidar todos para um grande encontro:
* Hotel SJ Royal – San Juan*
*Avenida Cândido Abreu, 468 – Centro Cívico – Curitiba*
*Quinta-feira (26/03)*
* 10h00*
Vamos juntos dar esse próximo passo.
Um abraço!
*Deputado Federal Fernando Giacobo*
Agora sim! PL nas mãos do Felipe Barros – aquele que apresentou projeto na Camara aumentado o FGC de 250 mil para 1 milhão e que fazia parte do golpe do Banco Master! Parabéns aos envolvidos!!!