por Carlos Castelo
Ontem, Andréia Sadi afirmou no Estúdio I que o PowerPoint exibido na sexta, 20, sobre o caso Banco Master estava errado e incompleto e não deixava claro o critério de seleção das informações. Isso só após forte repercussão negativa. 
O episódio foi tão brasileiro que merecia tombamento pelo Ministério da Cultura: um PowerPoint torto, uma desculpa qualquer e o velho milagre de transformar chute em método. O slide parecia feito por um diretor de arte decadente que, sem barbante vermelho, improvisa com setas de aplicativo. Não explicava; insinuava. Não demonstrava; cochichava.
O jornalismo, entre nós, às vezes abandona o fato para flertar com a maledicência. A retratação, por sua vez, veio naquele dialeto em que ninguém erra: o material errou sozinho, como se caixas de texto ganhassem consciência, tomassem decisões sozinhas, e depois pedissem desculpas ao público.
No fim, sobrou a lição: quando a tese é fraca, entra em cena o PowerPoint. É o diagrama de uma ideia que não se sustenta em pé. Um país sério produziria provas; o nosso produz infográficos.