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de Nilson Monteiro

Por que teu gelo sísmico
me separou do chão,
cristal entrando pelas unhas
a correr célere por
minhas veias duras?

Por que tanta impiedade sob a lua,
agulhas impunes
a furar os olhos,
e a provar o destempero
desse gosto amargo?

Por que da sombra ao sol
restou o desespero,
marmita fria a secar
meu leite em tetas enrugadas
sob uma tira de sangue no céu?

E do ouro, o que foi feito
de meus braços
carregados de bagos verdes
tatuados de flores brancas
a perfumar as distâncias?

Por que o carinho assassino
nos apartou da raiz,
seiva esparramada e seca
a escorrer em cortejo fúnebre
para o colo de outros amores?

Por que tanta impiedade
sob a lua, lâminas glaciais
a rasgar as carnes,
a desenterrar cabelos do chão,
Por que o fim de nossa vida?

Folhas mortas e ossos erodidos
são apenas testemunhas.

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