6:28LEROS

de Carlos Castelo

§ O Ministério da Educação resolveu brincar de pronto-socorro, mas sem anestesia. Avaliou 351 cursos de medicina e descobriu que 107 deles estavam mais para diagnósticos do Chat GPT do que para faculdade. Resultado: cerca de 30% receberam notas 1 ou 2.

Os resultados do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica foram graves. Oito cursos tiveram o vestibular interditado. Outros perderam metade das vagas, um quarto deles, ficaram proibidos de crescer. Em linguagem médica: contenção mecânica aplicada à educação.

O curioso é que nada disso impede os diplomas de circularem, nem o jaleco branco de inspirar respeito. No Brasil, estetoscópio continua funcionando como distintivo de autoridade, mesmo quando o curso que o gerou mal sabe onde fica o fígado.

O Enamed não revelou apenas cursos ruins. Trouxe à luz algo mais profundo: a crença nacional de que, se tem prédio, logotipo e mensalidade, deve servir para alguma coisa. Afinal, quem precisa de anatomia quando se tem marketing?

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One thought on “LEROS

  1. Santa dos aflitos

    Só a Medicina, todos os demais cursos deveriam independente da área passar por inspeção criteriosa.
    Cursos ruins, professores também ruins.
    Escolas caça níqueis disseminadas sem passar por processo de amadurecimento. Os conselhos federais tem o papel de fiscalizar, porém, atuam mais pensando no quantitativo e a realidade se traduz em risco a vida.

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