10:45As toneladas do pó e a falta de informação

Toda vez que se fala nas apreensões de cocaína no Brasil, principal canal de exportação da droga para vários países, não há um pio informando o beabá do comércio altamente lucrativo: o destino final do pó branco, que pode ser as narinas ou as veias abertas dos consumidores. Apreender, explodir barcos, queimar plantações, prender traficantes, etc. não refresca nada o cerne da questão ignorada aqui e acolá, que é a falta de informação sobre o problema de saúde mental e o risco de morte no uso. Esta droga tem o apelo “cultural” que permeia os meios de comunicação, por sua “magia” enganadora no início do uso, e raras são as vezes que carreiras brilhantes como a de Nelson Gonçalves são salvas, mas muitas são as que mata gente famosa como Eliz Regina, exemplos opostos de dois dos maiores cantores da MPB. Qual a política pública adotada no país para, pelo menos, informar e alertar antes que um jovem tente resolver os problemas naturais da idade cheirando até com pó de vidro moído na mistura? Enquanto isso, as toneladas são apreendidas pelo trabalho das polícias. Muito bem. Mas qualquer delegado especializado sabe que para cada mil quilos mostrados nos telejornais, outros nove mil passaram e seguiram a rota que abre caminho para o inferno.

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