7:148 de janeiro, dia de…

Hoje, em Brasília, no Palácio do Planalto, acontece a cerimônia para lembrar os três anos dos ataques destruidores contra as sedes dos poderes Executivo, Judiciário e Legislativo. Os presidentes deste último, Davi Alcolumbre e Hugo Motta, não comparecerão, como fizeram seus antecessores no ano passado. Em outubro haverá eleição e em meio a trombadas seguidas entre os três, para estes parlamentares, a defesa da democracia é um detalhe como o gol no futebol. O presidente Lula, candidato à reeleição, vai anunciar o veto integral ao projeto da dosimetria que mandou para o xadrez os vândalos bucha de canhão e o chefão Jair Bolsonaro, acusado, com os outros chefinhos, militares também engaiolados, de tentativa de golpe de estado. Lula também deve ressaltar a palavra soberania nacional. Nas entrelinhas – e bota entrelinhas nisso, entra o ataque dos EUA à Venezuela, o sequestro de Nicolás Maduro, preso em Nova York, e o nunca explicado, de forma direta, apoio à ditadura do país vizinho carimbada como república bolivariana e iniciada em 1999 com a eleição do coronel Hugo Chávez, mentor e criador de Maduro. Este a consolidou nos doze anos de poder, até se ver frente a frente com um comando de forças especiais do exército americano. Misturando tudo, voltam às telas dos telejornais – e de quem pensa um pouco, as imagens do que ocorreu no 8 de janeiro de 2023, dias depois da posse do presidente eleito pelo voto popular. O país sobreviveu aos trancos e barrancos, como se fosse mais um registro do grande livro do saudoso Darcy Ribeiro que leva esse título. Sim, é democracia! Por isso Alcolumbre e Motta serão ausências não notadas. Pensando bem, eles representam uma Câmara e um Senado que, com as exceções de sempre, só pensam naquilo. A ninguenzada continua sendo espectadora, daí a permanência do espetáculo de militantes dos dois lados se portando como “cavalos de padeiro, com inabaláveis viseira”, deitando e rolando como “guias de cego” e se batendo como os donos da verdade. Enfim, tudo é aprendizado – e o que acontece pode ser resumido no que sempre escreveu o saudoso comunista João Saldanha: vida que segue.

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