de Carlos Castelo
RIBEIRÃO PRETO – SP
Durante boa parte da vida fui um trotamundo. Comecei conhecendo o Brasil; depois visitei países da América do Sul; fui à Europa e aos Estados Unidos (antes da maioridade); andei por Índia e Nepal. Mas, citando Millôr de cabeça, o ideal hoje seria que eu não fosse até Veneza, e sim que Veneza viesse até mim.
Simplesmente, de uma hora para outra, cansei dos check-ins e check-outs. E decidi viajar em redor do meu quarto.
Neste fim de ano, escolhi ficar com minha irmã e meus sobrinhos em Ribeirão Preto. Em completo ócio criativo. Dormi à hora que me deu na telha, comi o que quis, bebi bem e li ou escrevi pouco.
No entanto, os genes que compartilhamos nos levam com eles para onde vão. Assim sendo, dois dos meus filhos deixaram o ninho e voaram para longe: um para Roma, outro para Toronto. Da tórrida Ribeirão, acompanhei os dois o tempo todo. Ou seja, viajei junto. Com a vantagem de não precisar fazer nenhum check-in ou check-out.
Ficar parado me ensinou uma coisa: o amor tem longas asas, capazes de nos levar a qualquer destino.