de Carlos Castelo
§ Em certas democracias, há políticos que constroem pontes, outros que erguem muros. E há aqueles que inauguram pedágios sobre estradas que ainda nem existem. Flávio Bolsonaro, sempre inovador, decidiu cobrar tarifa não pela passagem, mas pela desistência. É o primeiro candidato da história que ameaça concorrer apenas para aumentar o preço do próprio silêncio.
Seu “eu tenho um preço” soou como a confissão espontânea de um camelô: basta incluir uma anistia no pacote e pronto, ele recolhe as tralhas e libera a via. O país, claro, assiste à cena com a serenidade de quem já viu jacaré subir até em coqueiro.
A pré-candidatura, tão robusta quanto um guarda-chuva de papel, cumpriu seu papel: assustou o mercado, irritou o Centrão e reacendeu o drama familiar em torno da salvação do seu patriarca. Só que não era um projeto político; era um cupom de desconto.
Enquanto isso, líderes partidários observam a movimentação com a frieza de quem avalia um carro usado que já rodou demais. E o eleitor, coitado, segue pagando pedágio em estrada esburacada: só para descobrir que o destino final continua exatamente o mesmo.